O que Enderson Moreira pode tirar do primeiro clássico

Neste início de temporada e numa 1ª fase de campeonato, o resultado não importa tanto quanto a partir das quartas de final.

E em que o jogo contra o Cruzeiro interessava? Deveria ter sido um teste de como se postar diante de adversários da Série A. Mas o América de Enderson Moreira não conseguiu tirar proveito da partida, já na formação tática.

Esse era o meu medo desde que entendi que Enderson Moreira continuaria no clube. Achei que ele poderia – e deveria – mudar um pouco sua postura agora que está na Série A, mas essa esperança diminuiu um pouco depois desse clássico.

Enderson colocou três atacantes, com Aylon aberto na direita, Luan à esquerda e Rafael Moura mais centralizado. Quem utiliza três atacantes tem que propor o jogo, chegar ao gol adversário, finalizar. E, para isso, precisa ter atacantes de muita qualidade, o que não é o caso. Senão, vai dar espaço ao adversário, já que os homens de frente não são exímios marcadores como os volantes.

E foi isso que aconteceu.

O América não conseguiu levar tanto perigo e, com um volante a menos do que deveria, deixou o adversário fazer as triangulações e os toques de primeira que ele próprio precisava ter feito, já que quer propor o jogo. Luan não tem qualidade para as tabelas, erra a grande maioria dos passes, a tendência é que não evolua a ponto de ajudar na Série A. Deveria ter começado no banco, com um volante em seu lugar.

Rafael Lima e Messias exageraram nos lançamentos longos para o ataque, pois havia um jogador a menos para rodar a bola no meio-campo (o terceiro volante). Com isso, os volantes pouco participaram da armação das jogadas no primeiro tempo, o que diminuiu muito nosso poder de fogo. Rafael Moura até dominou as bolas altas, mas não deu sequência aos lances.

Dando a bola ao adversário a todo momento, o América não conseguiu propor o jogo e sofreu pressão do adversário. Até no gol, pode-se ver que Giovanni estava mal posicionado, fora da lateral. Ele quebrou a marcação, Rafael Lima saiu da área para fazer a cobertura e Zé Ricardo não acompanhou o autor do gol. Talvez não precisasse se houvesse o terceiro volante, a área estaria mais povoada de jogadores americanos.

Curiosamente, o América foi um pouco melhor no segundo tempo do que no primeiro, mas ainda insuficiente para levar mais perigo ao gol adversário. Fica claro que a parte defensiva é isso aí mesmo: volantes, zagueiros e laterais sabem defender. O problema é na armação de jogadas, inclusive pelos volantes, e no ataque. Num próximo texto, vou explorar esse tema um pouco mais.

Homenagem?

Todo mundo percebeu as meias amarelas do Time do Zoológico no primeiro tempo, certo? Deve ter sido uma homenagem ao árbitro da federação mineira, que não deu vários cartões amarelos claríssimos ao adversário durante toda a partida. Isso muda o jogo, pois quem tem amarelo afrouxa a marcação diante do perigo de ser expulso. No segundo tempo, a vergonha foi tanta que voltaram para as meias brancas. Ou, quem sabe, o árbitro tenha avisado de que nem precisava da homenagem, não é mesmo?

ESTAMOS DE OLHO!

Matheus Laboissière


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16 comentários sobre “O que Enderson Moreira pode tirar do primeiro clássico

  1. Excelente análise.
    O ponto levantado da omissão da arbitragem foi acertado. E olha que logo no começo do jogo, quando o juiz deu uma bronca nos gandulas, eu tive a doce ilusão que teríamos uma arbitragem coerente…

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    • Obrigado, Thales! É tão fácil apitar certo para os dois lados, essa diferença não pode ocorrer. Quando vi as meias amarelas, tive certeza do que estaria por vir, ahahahahah Abração, Thales!

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  2. Precisamos de um meia criativo e veloz. Paulinho? Marquinhos que está para chegar?
    Apostaria minhas fichas ($$) no Danilo; encostado no Corinthias.
    Que seria o terceiro volante?

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    • Acho o Marquinhos uma boa aposta, mas há o risco de dar errado, já que ele estava encostado. Mas entendo que é o que podemos trazer nesse momento. Para esse terceiro volante com mais liberdade, não sei apontar nomes, mas gostei da postura do América com os empresários do Luis Antônio. Vir para sair de graça daqui a alguns meses não é o que queremos.

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  3. O América foi bicampeão brasileiro jogando dessa forma, ou seja, não entramos com “um volante a menos” como você disse. Na verdade, o Enderson foi muito corajoso de não mudar o esquema tático do time, especialmente se considerarmos que o adversário é um dos melhores elencos do Brasil, jogando em casa, com mais de 50 mil presentes. O América jogou o de sempre do ano passado: defesa excelente (o Cruzeiro não chegou com perigo muitas vezes e só ganhou num lance de raríssima felicidade do Arrascaeta – mérito dele!) e ataque sem criatividade. É claro que na série A o time não pode jogar “o de sempre do ano passado”, mas foi só o primeiro grande teste do Enderson, o time está evoluindo e jogadores estão chegando. Precisamos valorizar e manter a nossa defesa (a melhor dos últimos anos, como os números comprovam), lembrando que os nossos zagueiros e o Zé Ricardo são acima da média, que os laterais titulares, na verdade, são Carlinhos e Aderlan (e não Giovanni e Norberto como ontem) e que o Mateus Sales pode render muito mais do que rendeu até agora. Além disso, o Renan Oliveira e o Luan são reservas! O Serginho é a esperança para melhorar a criatividade do time e o Capixaba ou o Marquinhos (que está em negociação) vão dar mais velocidade ao ataque junto com o Aylon. Com isso, a bola vai chegar mais e melhor ao Rafael Moura, que, sem dúvida, vai fazer muito gol se isso acontecer.

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    • Olá, Fernando. Referi-me ao “um volante a menos” em relação ao que deveria ocorrer na minha visão, não ao ano passado. Eu vi o Cruzeiro chegando com perigo umas duas ou três vezes e tocando muito passe perto da nossa área, ou seja, aumentando o risco de levarmos gols. Em jogos desse tipo, entendo ser mais prudente ficar um pouco mais recuado, a não ser que tivéssemos atacantes de força. No jogo de domingo, não tínhamos. Concordo que Luan e Renan Oliveira precisam ser reservas na temporada, mas se foram titulares, como no jogo de domingo, não dá pra ser três atacantes.

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  4. Para mim, realmente jogamos o primeiro tempo com um volante a menos, pois o Matheus Sales estava “perdidão” em campo. No segundo, com dois volantes participando do jogo, a coisa mudou de figura. Também, o Serginho produziu mais que o Renan Oliveira. Mas, aí fica a dúvida se o Renan foi prejudicado pela atuação sofrível do Matheus Sales, se o Serginho buscou mais o jogo, ou se foi um pouco das duas coisas.

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    • Concordo que o Matheus Sales ainda não foi bem, mas temos de dar tempo mesmo, às vezes acontece. Achei o Serginho mais participativo, mas é muito pouco pra avaliar. Não é um craque, mas quem sabe possa contribuir. Como já sabemos o que o Renan pode entregar, melhor utilizar o Serginho, se ele tiver condições físicas para tal.

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  5. O América foi medroso, o cruzeiro veio para cima, com marcação forte e atacando bastante, teríamos que marcar pressionado, bem em cima deles. Ao terminar o primeiro tempo comentei com meu filho, que o cruzeiro não conseguiria correr na mesma proporção no segundo tempo., que foi equilibrado, mas o adversário chegava com mais perigo. A defesa é boa, sim, concordo que falta mais um no meio, precisamos de jogador que saiba buscar e distribuir o jogo. O Renan Oliveira não aparece e nada faz de útil e esse Mateus Sales, até o momento, não justificou e nem ficou longe de justificar sua contratação.Pelo primeiro tempo é Série B em 2019 , pelo segundo tempo, se evoluirmos e tivermos melhor toque de bola, jogadores encostando para armar jogadas no ataque, temos esperança de continuar na Série A. Mas chama a atenção a diferença técnica entre os jogadores de América e cruzeiro. Temos que superar no conjunto. Pelo ao menos 2 jogadores são necessários, principalmente, alguém que arme as jogadas.

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    • Concordo com a maioria de suas opiniões, Rodrigo. Só não acho que o time foi medroso, o América é que não teve atacantes capazes (Luan, principalmente) de passar pelo adversário. Pra mim, o Enderson foi até ousado por escalar três atacantes, o América mal tocou a bola no primeiro tempo, era só chutão da defesa pro ataque. Precisamos desse jogador que organiza mais o meio e tenho esperança de que ele virá. Mas o Enderson tem que montar o esquema de acordo com os jogadores que tem, não baseado em suas convicções. Só pode ser ofensivo se tiver jogadores que saibam fazer isso, senão é suicídio.

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      • Que o América não conseguiu sair da marcação do Cruzeiro é verdadeiro, no entanto ficou atrás, deveria ter feito o mesmo que eles, marcar com pressão, forte desde ao menos a intermediária deles. Ficávamos atrás, quase os chamando ao ataque, não temos contra-ataque rápido então ficou assim. Para mi, 3 atacantes com um time forte como o cruzeiro é um a menos no meio. Pelo 1o. tempo deles, sabia que não correriam o mesmo no segundo tempo. Renan Oliveira e Mateus Sales duas nulidades. João Ricardo excelente e Zé Ricardo joga muito.

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        • Exato, como fazer marcação forte com um a menos no meio-campo, íamos tomar um-dois fácil, fácil! E, convenhamos, o Matheus Sales não está muito bem, ficando praticamente tudo para o Zé Ricardo. Por isso ele cansou e pediu pra sair. Não levamos mais gols por causa do João Ricardo, ou seja, pra mim foi um placar mentiroso pelo que foi a partida. Cruzeiro não é parâmetro pra briga por permanência na Série A (é forte demais), mas temos que conseguir atacar mais vezes e dar mais segurança na defesa.

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    • Resumiu bem a minha análise, Ronne! Lá na Série A talvez tenhamos esses jogadores, pode ser o Marquinhos, quem sabe. Mas, para o jogo de domingo, não tínhamos. Então, não dá pra ir de três atacantes. O Enderson costuma ficar muito preso às suas convicções, na Série B mesmo ele só foi passar a ser mais defensivo na reta final, depois da derrota para o Oeste.

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