Covardia ou fragilidade?

Faltando menos de dois meses para o início da Série A do Campeonato Brasileiro, uma coisa está tirando o sono do torcedor americano: sob o comando de Enderson Moreira, o time não consegue vencer e/ou fazer boas partidas contra os grandes clubes do futebol brasileiro, sobretudo nos embates contra o Cruzeiro e o Atlético/FMF. Somando-se os três últimos jogos contra o time de Vespasiano, por exemplo, o placar fica em 10 x 1 para os galináceos.

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Mas, por que esse desempenho é tão ruim contra os grandes justamente quando o clube passa por um bom momento em sua história? Estamos perdendo a nossa capacidade de ser a pedra no sapato da duplinha justamente em um ano de tanta expectativa? Aquele América que sempre nos encanta por ser a resistência contra as hegemonias do futebol brasileiro tirou folga?

No início deste mês, meus amigos Sérgio Tavares e Ramon Gregório fizeram um ótimo texto aqui no decadentes.com.br sobre os santos de casa que não fazem milagre. O estudo dos dois nos mostra que treinadores mineiros têm desempenho pior contra a duplinha, supostamente por respeitarem mais estes adversários. Os “forasteiros” possuem desempenho melhor, supostamente por não conhecerem tanto a rivalidade e enfrentarem sem medo. Porém, o ponto fora da curva em favor dos treinadores de fora é apenas um: Givanildo Oliveira, com um desempenho muito bom nos clássicos. Com isso, vou propor um contraponto aqui apenas entre duas figuras: Enderson Moreira e Givanildo.

Givanildo - Mourão Panda

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Givanildo enfrentou Atlético/FMF e Cruzeiro por 18 vezes. Foram 6 vitórias, 8 empates e 4 derrotas. Um aproveitamento de 48,1%. Já Enderson enfrentou a duplinha por 8 vezes. São 7 derrotas, um empate e nenhuma vitória. Um aproveitamento pífio de 4,16%. A justificativa para essa enorme diferença de aproveitamento seria apenas a postura da equipe nestas diferentes épocas? Uma postura mais ofensiva seria, necessariamente, indício de vitória? E, ao contrário, uma postura reativa é certeza de derrota? Não! Não mesmo!

A primeira mentira a ser combatida é a de que o Givanildo enfrentava a duplinha de peito aberto. Na verdade, o véio era sempre esperto ao analisar a força do seu time e a força do adversário. Muitas vezes vencia pelos méritos dessa análise, armando o time de forma a surpreender o adversário. Nunca esqueceremos a inusitada dobradinha de laterais esquerdos nas finais do Campeonato Mineiro de 2016, explorando a fragilidade defensiva do Marcos Rocha no time atleticano. Nestas e em outras partidas sob o comando do Giva, o que se via não era um time super ofensivo ou coisa parecida. Mas, um time que sabia da superioridade dos adversários e que tinha a humildade de buscar surpreender o oponente nos seus pontos fracos. Era lindo de se ver? Não sei. Era eficaz? Os números estão aí para provar.

A segunda mentira a ser combatida é a de que o time do Enderson Moreira sempre se acovarda em campo contra a duplinha. O terrível desempenho nestes jogos é muito preocupante, mas nem sempre acontece por covardia ou retranca. Neste domingo, enfrentamos o time de Vespasiano e, mais uma vez, saímos de campo com uma dolorosa derrota, por 3 x 0. O grande desempenho do ponta-direita atleticano, aquele de amarelo, foi decisivo na construção do placar. Mas, mesmo assim, não podemos deixar de destacar a péssima atuação do América na partida.

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Acontece que, mais uma vez, o problema passou longe de ser uma possível postura defensiva ou covarde. O América teve 49% de posse de bola na partida. Trocou mais passes que o Atlético (344 contra 330). Até os 30 minutos do 1º tempo, o América dominou as ações em campo, sem sofrer qualquer incômodo do adversário. As entrevistas dos dois treinadores após a partida comprovam que o América entrou com uma postura ofensiva e o Atlético, de fato, foi quem entrou no jogo primeiramente para se defender (a tal da “postura covarde”).

O grande problema é que ofensividade sem efetividade não adianta. Volume de jogo sem criatividade para oferecer perigo ao adversário é inútil. Dominar os 2 primeiros terços do campo sem saber o que fazer no último terço não assusta ninguém. E não assustou o jovem treinador atleticano que, na metade final do primeiro tempo, vendo que a “ofensividade” americana não levava perigo ao gol alvinegro, começou a gostar da partida. E o time de Vespasiano, com volume de jogo parecido ao nosso na partida, acabou com 12 finalizações, contra 6 nossas; 49 lançamentos, contra 25 nossos; e, o mais importante, com 3 bolas na nossa casinha. Venceu quem entrou com a postura mais covarde, mas que teve qualidade e poder de criação quando se lançou ao ataque.

Sérgio Tavares e eu entrevistamos Enderson Moreira no fim do ano passado. Prestes a confirmar o acesso, o treinador nos disse que a intenção para este ano (2018) era montar um time capaz de enfrentar os grandes jogos da Série A com a mesma postura da Série B de 2017: ofensividade, posse de bola, marcação alta e domínio das ações. Mas, para que isso dê certo, ainda precisamos de um salto enorme de qualidade, principalmente no setor ofensivo. Do contrário, corremos o risco de ser um pinscher da Série A: corajoso, mas frágil.

Walisson Fernandes
twitter.com/FernandesWali


ASSINE O CANAL E ACOMPANHE O PODCAST AO VIVO: http://www.youtube.com/decadentes/

ASSINE O PODCAST NO SEU SMARTPHONE: iTunes, Android, RSS, DeezerTuneIn

SIGA OS DECADENTES NAS REDES SOCIAIS:
Facebook: http://www.fb.com/DecadentesAMG
Twitter: http://twitter.com/DecadentesAMG
Aplicativo: http://app.vc/decadentes

4 comentários sobre “Covardia ou fragilidade?

  1. Na Minho modesta opiniao; contra o Atlético, o time foi mal escalado e as substituicoes, apesar de necessárias, foram equivocadas.
    Precisamos de mais um meia (qualidade) e Marquinho titular no lugar do Luan.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Enderson é fã de Parreira. Valoriza posse de bola. Só que com esses pangarés vai ser difícil fazer gol na base do passinho pra lá, passinho pra cá. Sem agredir. Sem avacoelhar a defesa adversária.

    Curtido por 1 pessoa

  3. ANALISE FEITA ERROS COMETIDOS . TREINADOR TEM DE TRABALHAR SUAS DEFICIENCIAS E DO TIME. TA FALTANDO AJUSTAR O MEIO PRA MARCAR AS DECIDAS DO LATERAIS, UM CAMISA DEZ PRA LIGAR ESSE MEIO AO ATAQUE. UM CAMISA DEZ PRA LANÇAR AS BOLAS NOS ATACANTES QUE AINDA NAO APARECERAM. TO ESPERANDO A MONTAGEM DO TIME PARA O JOGO CONTRA SPORT NO BRASILEIRO. FALTA 8 JOGOS PRA ACABAR O LABORATORIO!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s