Zen-Americanismo

A sabedoria oriental diz que no século 4 antes de Cristo, viveu o mestre Chuang Tzu, também conhecido como Lao Tsé. Em um belo dia de sol, caminhou pelos campos e acabou tirando uma soneca digna de um sábio chinês embaixo de uma amoreira. Dormindo, sonhou que era uma borboleta voando por aqueles campos e se sentiu feliz e completo. No entanto, acordou de repente e se viu diante do seu maior problema filosófico: Seria ele um homem que sonhou que era uma borboleta ou uma borboleta que sonhava ser um homem?

Esse conto zen ilustra muito bem o atual dilema que temos como americanos: Somos um time de série B sonhando a série A ou um time de série A que teve pesadelos com a série B? A resposta a essa pergunta é crucial para os próximos anos do América. Torcer para o América é como ter um pai amoroso, mas alcoólatra: Sempre que ele nos apronta uma presepada, vem a raiva e a revolta. Mas quando os bons momentos acontecem, compensam todo o resto e nos fazem acreditar que a reabilitação de todos os problemas um dia acontecerá.

O que somos?

A primeira divisão, desde a fase de pontos corridos, tem aprontado surpresa aos ditos grandes. Corinthians, Vasco e a massa falida de Vespasiano andaram frequentando a segundona, esse território dominado eternamente pela sombra do nosso próprio sábio pernambucano. Portanto, todo time de série A pode eventualmente “sonhar” com a série B. O que os difere do Paraná, Ceará e outros? Quando caíram, voltaram pra a primeira divisão na primeira oportunidade.

Até as catracas do independência já dizem o clichê de que “somos grandes para a B e pequenos para a A”.  Temos todas as condições extracampo para nos considerarmos um time de série A que sonha com a B ocasionalmente. Boa saúde financeira, política favorável, Infraestrutura de qualidade e uma organização que, se não é perfeita, melhorou muito nos últimos anos. Estamos muito à frente de outros times chamados grandes nesses quesitos. O que nos falta é respeito. E respeito é algo que se consegue em campo, com boas campanhas.

Um reflexo dessa falta de respeito foram os “equívocos” da arbitragem, já esmiuçados desde domingo retrasado. A FMF não respeita o América. E não se enganem: A CBF também não. Assim como fomos o bode expiatório para levantar o fraco e combalido, seremos novamente se necessário para um Corinthians, um Flamengo, a duplinha ou até mesmo um Botafogo. E nesse sentido, representações, documentos e DVDs explicando como fomos prejudicados só valem de recibo. Em um país onde o bandeirinha acertou o lance conforme a FMF e que errada está a imagem do tira-teima, eventualmente descobriremos que foi o homem que mordeu o cachorro e não o contrário.

Domingo com preliminar

Domingo haverá uma situação inusitada na rua Pitangui. Temos uma preliminar ás 11 no nosso estádio e nosso jogo contra o Democrata ás 17. A boa prática e um pouco de bom senso sugeririam que um dos jogos fosse trocado para o sábado. Mas o jogo do Coelhão não poderia ser mudado, pois é o jogo da Globo. O jogo entre o lado podre e o lado fresco da lagoa não poderia ser no sábado pois os caninos jogaram na quinta. Reflexo de um calendário maluco em anos normais e semialeatório em anos de Copa do Mundo.

Até o último momento, acreditei que a Polícia Militar barraria a execução dos dois eventos com tão pouco espaçamento entre eles. Ao que parece, não veem problema que dois grandes times de BH mais os caninos frequentem as mesmas imediações. Torço para que realmente não haja problema, pois provavelmente encontraremos alguns remanescentes nos botecos da Pitangui. Na roça, os antigos costumam dar cachaça ao frango para “amaciar a carne e aliviar a morte do bichinho”. Caso encontrem algum frango bêbado, não perca seu bom humor. Estão só se preparando pra morte iminente do seu time nesse ano.

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Mourão Panda (@photompanda)/América

Ode ao Pardal

Aproveito para deixar um recado aqui ao Pardal, proprietário do Bar que leva seu nome e celebrante-mor das reuniões da Turma do Fundão. Se um dia o pessoal da renovada TV Coelho quiser fazer uma matéria sobre o diferencial da torcida americana, entrevistem o Pardal. Apenas em jogos do América, as portas do seu bar ficam abertas para que as pessoas lá dentro circulem. Para os outros jogos, o atendimento é feito apenas através do balcão para a rua. A Turma do Fundão, grupo de amigos americanos que fazem do Bar do Pardal seu templo e quartel-general, faz em seu passeio um churrasco de primeira, sem fins lucrativos, com todo o apoio logístico do proprietário. Em Minas, quem você deixa entrar em sua casa, em geral, são aqueles a quem você deixa entrar no coração. Portanto, peço ao Pardal que guarde aquela pinga salineira boa e a cerveja gelada para que os americanos de domingo se preparem pra vitória que virá.

Um grande abraço a todos!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr


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