Reivindicando o espaço americano na mídia

Na última sexta-feira de fevereiro, fui surpreendido com a morte de uma velha amiga. O Colunista do América nos Diários Associados (Superesportes e Estado de Minas) Paulo Vilara se despediu dos americanos em sua coluna, informando que por motivos pessoais não mais a escreveria.

A esse amigo nunca conhecido pessoalmente que é o Paulo Vilara só tenho a agradecer pelos anos de dedicação ao América e pela eterna luta nas trincheiras que é manter o América vivo na imprensa. Quando em um espaço livre e diverso como a Internet já é difícil manter a chama acesa, nas máquinas editoriais deve ser ainda mais complexo.

Suas colunas não guardavam o monopólio da verdade, como um certo companheiro carioca do Superesportes, mas o germe da dúvida e a argumentação coerente, o que engrandecia seu texto. Quando discordei, ainda assim entendi seus pontos de vista e suas colocações. Fica o elogio desse grande colunista e suas 364 colunas em oito anos  e a certeza de seu sucesso em qualquer empreendimento a partir de agora.

A nós, americanos, fica a preocupação com a lacuna deixada pela coluna “Da arquibancada” em relação ao espaço do Coelhão e torço muito para que eu esteja enganado e nesta sexta-feira haja uma nova coluna americana. Não ficou claro em nenhum momento que nosso espaço continua vivo, o que é muito importante para nós! Espero sinceramente que esta coluna consiga chegar aos senhores Álvaro Duarte e Bruno Furtado, editores respectivamente do Estado de Minas e do Superesportes.

Para o americano, qualquer espaço nas mídias tradicionais é um cabo de guerra, pois sabemos que todo espaço tirado de nós é dado a nossos rivais. Eles, que já tem tanto espaço e onde qualquer idiotice estilo “Piscininha, amor” aparecem com destaque. Se um deles tivesse um time feminino campeão como o nosso foi, por exemplo, certamente teria mais destaque, o que facilitaria a permanência de patrocinadores.

Não se trata de uma “síndrome de vira-lata”, mas da constatação legítima de que somos parte do público consumidor dos meios de comunicação. O futebol é um dos últimos prazeres legitimamente analógicos que restam, pois nenhum Barcelona e Real Madrid televisionado consegue transmitir uma torcida vibrante e cantando ao seu lado. Da mesma forma, a mídia impressa ainda guarda em si o prazer íntimo da leitura da coluna do seu time enquanto toma um café ou a alegria do pôster impresso após um título. Mesmo o meio digital traz a alegria da pequena vingança em mandar um link com o título de uma vitória para aquele seu amigo cruzeirense ou atleticano.

Enquanto isso não acontece, vamos tocando daqui esse espaço americano que é o Decadentes. Somos poucos, mas representamos uma torcida resistente, tradicional e que merece respeito. A cada dia, cavando mais uma trincheira.

Grande abraço a todos!

Créditos da foto de capa: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

 

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