Voltando aos trabalhos!

Depois de um tempo sem a inspiração correta para escrever, a coluna está de volta com o papo de sempre ás sextas-feiras. Saudade de falar dessa paixão que é o Coelhão mais lindo das gerais. A tentativa é preencher o espaço deixado pela coluna do grande Paulo Vilara. Se não nos dão espaço, o criaremos.

Campeonato Mineiro

Que dificuldade se entusiasmar com o Campeonato Mineiro!

Criticar o Campeonato Mineiro é algo que todo mundo faz, mas é preciso separar as críticas ao campeonato das críticas ao formato de disputa. Entendo que em um país de dimensões continentais como o Brasil, é difícil  escapar dos formatos regionais por uma questão de custos logísticos e também pela necessidade de fomentar os times menores. Nenhum país no mundo tem a densidade de times que temos no Brasil. 128 times disputam as séries A, B, C e D. Observe a distribuição desses times conforme as regiões.

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Se temos 128 times em capacidade de disputa nacional, é necessário um formato regional que viabilize a existência desses clubes fora do período de disputa do Brasileiro. O que me incomoda no campeonato mineiro é na verdade a fase de grupos. São disputados 66 jogos , que classificam 8 times entre 12. Historicamente, 10 pontos classificam um time para as quartas de final.

Em minha opinião, o ideal é uma fórmula regionalista onde ocorram as disputas localmente, com custos de deslocamento baratos que classifiquem para fases posteriores que levam a deslocamentos maiores. Uma fórmula parecida com o sistema americano de base para o basquete e futebol americano. A disputa nasce nas cidades e condados e vão evoluindo até disputas nacionais.

Para o América, o campeonato mineiro é quase sempre agridoce. Ao mesmo tempo em que temos a obrigação moral de ficar sempre em terceiro pelo menos, o campeonato desse ano provou que isso é cada vez mais fácil. Os times do interior mais alijados das grandes disputas do que nunca. Dito isso, nossa verdadeira chance de um título seria aproveitar o fato da duplinha estar disputando a Libertadores e ficarmos em primeiro na fase de grupos, para que pegássemos oitavas e semi finais teoricamente mais fáceis e acreditar em bons jogos na final. Vacilamos contra a dupla e contra o Guarani na fase de grupos. Se já jogamos contra tudo e contra todos, também não colaboramos quando necessário.

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Crédito da Foto: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

Elenco

Givanildo , em entrevistas, disse que usou o Mineiro como uma forma de dar entrosamento a um time base para a Série B. Acho um objetivo muito modesto. Principalmente quando me lembro que o mesmo Givanildo recusou amistosos na pré-temporada e nas duas semana após nossa eliminação. Além de dar entrosamento, o Mineiro deveria ter servido também para conhecer melhor as peças do elenco. Em outra entrevista, o auxiliar Felipe Conceição criticou o time como tendo “jovens demais” e precisando melhorar o nível de experiência para a Série B. A questão é que nem os experientes nem os jovens foram rodados no jogo o suficiente para sabermos qual deles se encaixam.

No meu entender, o Mineiro deixou algumas coisas claras. Em primeiro lugar, a defesa. Um time campeão começa com uma defesa firme. Fernando Leal, quando realmente necessário, não correspondeu e só compõe elenco. Paulão foi ok e Pedrão fez apenas um jogo. Jussani está completamente sem condições de jogo e muitos gols que tomamos vieram de falhas dele de posicionamento ou acompanhando mal o jogador adversário. Nossos laterais são outra preocupação. Leandro Silva também foi correto, mas não mais do que isso. João Paulo, embora tenha alguns lampejos no ataque, estes não compensam o buraco que largam na defesa, sobretudo com uma zaga envelhecida sem a presença de Messias, que nos faz muita falta. O menino da base Ronaldo também não foi bem, mas pesa a favor dele o fato de ter entrado em “frias” homéricas. Provavelmente contra alguns times do interior teria ido muito melhor e também ficasse na categoria “correto” de Leandro Silva. Fico muito preocupado com o Sávio, que se não entrou, deve estar treinando pior que essa turma toda.

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Crédito da Foto: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

Na volância, temos um ponto forte. Zé Ricardo, Christian ,Juninho e até Morelli, corresponderam. Juninho voltou para 2019 em pior fase que o final de 2018, mas ainda disputa espaço com os outros. Na frente precisamos melhorar alguns pontos, pois encontraremos times bem fechados na série B de 2019. Toscano está fazendo hora extra no time e precisa urgentemente de um banco para repensar seu jogo. Sobre Matheusinho, tenho dúvidas se seu posicionamento em campo não está errado. Um jogador do tamanho dele, no futebol moderno, não pode jogar atrás de duas linhas adversárias. Se o América acredita no jogador, é preciso ajuda-lo a encontrar seu futebol. Alguns programas atrás falamos sobre ele. Quanto a Belusso, Viçosa e Berola , acho que talvez seja suficiente para uma Série B. Vale uma menção a Felipe Azevedo, que pra mim, parece ser a melhor contratação desse ano. Objetivo com a bola e participativo na recomposição.

Dessa forma , vamos para a Série B sem reforços além de um goleiro aposta. Tão aposta quanto o Jori. Preferia nosso rapaz.

Desabafo

Essa semana, o companheiro Walisson Fernandes publicou esse texto (Momento desabafo!), sobre nossa tentativa de colocação de uma faixa no Independência. Recomendo a leitura e acrescento que a coluna ilustra perfeitamente a dicotomia do futebol moderno, a de que um time precisa ser paixão e negócios ao mesmo tempo. Para resumir a “treta”, nosso propósito era colocar uma faixa escrita “SOU DECA”, em letras garrafais, numa mistura de grito catártico e ofensa a quem não é. Nós, os decadentes, também mudaríamos nosso nome para Sou Deca. Fomos barrados.

Essa negativa nos provocou um desânimo muito grande. Barrados em nosso próprio estádio, é como se tivéssemos uma casa e nela não pudéssemos colocar uma faixa escrita “Amo minha família”, por exemplo. O triste é que o América se comporta como um clube quando interessa , como uma empresa quando interessa e como uma ação entre amigos, uma panelinha quando interessa. Enquanto essa for a realidade da instituição, continuaremos Decadentes.

Grande abraço a todos!

 

Crédito da Foto de capa: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

 

 

 

 

 

 

 

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