Desabafo americano

Eu fui o Americano. Estive junto ao meu time nas pequenas e grandes batalhas.  Eu fui o amor na ponta da chuteira do Wellington Paulo na final da série C. Eu fui o carinho do Euller distribuindo ingressos na porta do antigo independência. Já fui a lágrima do último americano a trancar as portas da Alameda antes de sua venda. Também fui o choro do Rafael Lima na cabeçada de 2017. Serei o Americano enquanto ele existir e depois.

Hoje sou Esperança. Esperança de dias melhores no CT Lanna Drummond. Não, não me convença a torcer para outro time, porque a essência do amor que tenho ao América é único e intransferível. Já vivi as trevas da Série C e do módulo 2 do mineiro e tenho pesadelos com esses momentos, que vivi intensamente, tão intensamente quanto se jogasse um mundial. Se Guimarães Rosa disse que o sertanejo é um bravo, o Americano é a brava paixão de torcer por um time que faz de tudo para que o abandonemos.

Permita-me evitar uma imprecisão: o time que nos maltrata é diferente da instituição América, pois chamo de time o retrato atual de sua diretoria, seus conselhos, sua comissão técnica e seus jogadores. Esses passarão,mas enquanto estão, não nos permitem passarinhar quintaneiramente.

Certas coisas são sintomáticas. Em julho, ainda não temos um patrocinador master. Se não foi possível encontrar um patrocinador master, é claro que ninguém aposta em nós. Carregamos um peso do ano passado, pagando salários fora da nossa realidade por exemplo ao Leandro Donizete. 100 mil reais a menos por mês em um orçamento já exíguo. A formação de um elenco com jogadores em fim de carreira, sem gana e conformados com a segunda prateleira do futebol brasileiro, produziu um time sem vontade, sem técnica e sem raça. A titularidade do quinto reserva do Vasco em detrimento de um dos melhores volantes da base é para nós um tapa na cara.

Treino do América 09072019

Não concordo com acusações de crime ou algo do tipo em relação à diretoria. Não existem indícios nessa direção. Acuso Salum e companhia de incompetência, derivada da soberba absolutista que domina aquele andar do Boulevard, onde dezenas de fotos de ex-presidentes assombram uma sala de troféus que nunca saiu do papel. 

Existe uma máxima estatística que diz que sucessos passados não garantem certeza de sucesso futuro. Agradeço ao Salum pelas alegrias que nos deu no passado. Sei de sua abnegação pelo América e nunca negarei sua paixão. Mas também não caio nessa conversa de que só assume porque ninguém mais quer pegar esse “abacaxi”. Sua centralização evitou que tivéssemos um diretor de futebol na formação do elenco, levando a distorções. Sua quase onipresença evita que novas lideranças sejam formadas no América.

A soberba fica ainda mais clara quando Salum comete o mesmo erro do ano passado. Assim como escolheu Drubscky porque este queria voltar a ser técnico, fez o mesmo esse ano com Felipe Conceição. São pequenos para o América. Ou pelo menos para o América que mora em meu coração. Perdemos mais uma parada que poderia nos ser benéfica com um técnico que trouxe apadrinhados e não conseguir formar um esqueleto de time.

É preciso planejar para dar certo. Se o planejamento for bem feito, e ainda assim falhar, é preciso corrigir na execução. Se durante a execução ainda não der certo, é preciso corrigir o caminho.

A Zuzu ter sido escolhida terça passada como melhor em campo foi a decisão mais justa. Entre a incompetência e o amor incontestável, escolho o amor. Porque os times passam, mas o amor da torcida encarnada naquela senhorinha de cabelo verde se mantém. Assim como Dona Zuzu chega ao Independência amparada por quem a ama, nós, A Torcida, chegamos amparados á esperança de dias melhores.

Sou a Esperança e espero por uma nova vida ao meu clube.

3 comentários sobre “Desabafo americano

  1. Esse é o Jairo contador de causos que tanto nós admiramos!
    Num é causo o exposto…é um apontamento mais puro e honesto de quem está na arquibancada,no alambrado e onde mais puder que se faça alusão à presença do America.
    Coragem! Isso vai passar! O patamar vai mudar.

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  2. O pior é que mesmo com um time ruim, fraco mesmo, só vi uma equipe com uma qualidade melhor, o Bragantino. Os demais…muito fracos como o América. Não era para estarmos assim.

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