Ao que chegou!

Há dois mil anos atrás, um bebê de Nazaré ganhou três presentes. Do mago que veio da Egito, ganhou Ouro, presente dado a um Rei. O mago que veio da Pérsia, atual Irã, lhe deu incenso, usado nos templos e a marca de um grande sacerdote. Por último, o rei mago da Índia lhe trouxe mirra, usada para o remédio e também para embalsamar os mortos, para que o bebê fosse um grande médico e não se esquecesse da própria mortalidade.

Eu, sendo pobre, oferto a meu filho meus sonhos, meus amores e minha história. Francisco nasceu na última terça-feira aos pés do nosso Independência, na Maternidade Santa Fé. Em nosso quarto, o muro da Ismênia desenhava na janela o escudo verde e branco do meu time de coração, de forma que eu podia ver naquele espaço todos os meus amores reunidos.

Nenhum bebê atleticano ou cruzeirense pode ouvir de seu pai o que o Francisco ouviu no primeiro dia:

-Veja meu filho, olha lá nosso estádio!

Te prometo que assim como o fantasma de sua arquibancada velha ou nova ainda ressoa meus passos de criança e ainda pareço ter ali torcendo comigo velhos amigos que já se foram, sentados na ferradura, o Independência também abrigará e contará sua história. Ali derramei minhas lágrimas de felicidade e de tristeza. Que seja sua segunda casa, com sempre foi a minha.

Essa é a dádiva que te dou, filho: O América Futebol Clube.

Mais do que o clube, te dou o exemplo de um amor incondicional a algo tão abstrato e ao mesmo tempo tão onipresente quanto esse time. Se você se entregar a esse amor, sofrerá. Mas qual amor não nos faz sofrer? O que define o amor não é o sofrimento, mas o júbilo do amor correspondido, na forma de um gol que não se espera em um título.

Mais do que um time, te dou o amor da família americana. Assim com seu pai, verá nos rostos dos pedestres da Pitangui a sensação de que somos um só. Que junto desses pedestres, transitam todos aqueles que já amaram o América.

Prometo que trarei você sempre que puder aos nossos jogos, e te peço que me traga aos jogos se esse for o ditame da vida, quando os mais jovens passam a levar seus velhos pela mão. E que se um dia, daqui a muitos anos, talvez com seus próprios filhos, você estiver no estádio e eu não puder mais estar do seu lado, se lembre de mim e pense em como seu pai gostaria de estar ali vendo aquele jogo ao seu lado. Porque amor junto não é somado, é multiplicado.

Te dou todas as bençãos que tenho. Não poderei te poupar das dores do mundo, mas estarei junto com você em todas elas.

 

2 comentários sobre “Ao que chegou!

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