108 Velas Verdes

Em tempos de pandemia, uma das coisas mais tristes é fazer aniversário. Falo com conhecimento de causa: fiz a conclusão de minha translação anual no dia 21 de março, um dia após o início da quarentena.

Ando bastante sumido deste espaço e houveram razões. Em primeiro lugar, a chegada do Francisco (Ao que chegou!) bagunçou a vida de uma forma caótica mas linda. O mal estar pós-São Bento também teve um papel importante. Finalmente cheguei na quinta fase do luto, a Aceitação, após passar pela Negação, Raiva, Barganha e Depressão. Por último, a própria parada do futebol em fornecido pouco assunto para essas missivas.

Mas o aniversariante de hoje é especial. Mesmo em tempos de confinamento, é preciso comemorar de alguma forma. A minha foi simples: pendurei minhas bandeiras na janela. Tenho fé que estaríamos comemorando nosso aniversário junto ao título do mineiro desse ano.

São 108 anos de muita luta, resistência, glórias e vida. Nossos historiadores vão relembrar nesse dia nossas vitórias e derrotas. O historiador se lembra dos feitos dos reis e imperadores, de suas guerras e reinos. Prefiro pensar nesse dia nas coisas sutis do América.

Vejo os 108 anos em um menininho de uns 6 anos em um jogo desse ano. Estava correndo para cima e para baixo nas escadas próximas da Barra UNA. Quando sai o gol, ele se assustou com a comemoração e quis chorar, mas quando acha o pai comemorando vem correndo pra ele e os dois se abraçam em uma alegria fugaz mas que ecoa muitos outros gols que esse pai e filho verão.

Vejo os 108 anos nos desejos de amor e recuperação que todos mandamos ao glorioso Jair Bala que se recupera no hospital. Amamos esse que nós mais novos não vimos jogar, mas que nos fez fãs por sua dedicação ao Coelhão.

Vejo os 108 anos nas palavras dos ídolos que tem comparecido nas Lives que a torcida anda organizando na Internet e que nos contam um pouco desse mundo interno de algo que amamos tanto.

Vejo os 108 anos na fugidia lembrança do avô do Jotapê Saraiva, que sofrendo de uma doença que lhe tira as recordações, ainda guarda o amor pelo seu América.

Já disse aqui que o América é maior que seus dirigentes, seus patrimônios ou qualquer outra coisa transitória. O América é a bola que nossa criança interna chuta pela eternidade.  Parabéns, Coelhão! A você dedicamos nossa vida.

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