Esperança decadente

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Foto: Daniel Hott / América

O momento que passamos não é dos melhores, nossa seca de vitorias no momento é grande e ver toda nossa distancia para a zona de rebaixamento ter sido reduzida a pó é de fato preocupante e traz duras, e merecidas, críticas ao nosso treineiro, Parda Batista. Entretanto há de se relativizar certas coisas, e vou tentar ter uma visão um pouco mais otimista para nossos próximos jogos. 

Times  Posto Ipiranga  Pardal Batista 
Sport  vitória  vitória 
Flamengo  derrota  empate 
Vitoria  vitória  derrota 
Vasco  derrota  vitória 
Ceara  empate  empate 
Botafogo  vitória  derrota 
São Paulo  derrota  empate 
Corinthians  derrota  empate 
CAP  vitória  derrota 
CAM  derrota  empate 
Chape  empate  derrota 

 

Analisando os jogos do primeiro turno que correspondem aos já disputados no segundo, com o Posto fizemos 14 pontos, com o Pardal, 11.  Na dura analise destes números é uma diferença de 3 pontos, o que na nossa briga contra o descenso é muito, entretanto pode-se perceber que nosso desempenho nunca foi muito brilhante. 

É verdade que o futebol apresentado pelo time sob a batuta do Pardal não é bom, o time até fez bons jogos contra o flamengo, o Inter, o Vasco, os galináceos de Vespasiano, mas em geral o futebol é muito pobre, finalizamos pouco e quase não fazemos gols. Mas como escrevi no último texto, em estatísticas o time até mantem mais a bola que o carrossel Ipirangues (cuja fama se deve mais pela série B do que por este ano). O que me faz acreditar que, ainda que o estilo de jogo com o Posto fosse um pouco mais aprazível no geral, não podemos esquecer que fizemos jogos muito ruins com ele também, como os jogos contra Vasco, Corinthians, São Paulo e Chape, o que me faz crer que estaríamos também nesta situação ainda que não tivéssemos sido traídos pelo Judas tecedor de cestas. 

Eu não nutro simpatia pelo Pardal, em verdade, achei um erro a sua contratação, não um erro tão grande quanto efetivar o Tião das Perdas Drubsky, mas ainda sim um erro. Não acho que ninguém muito competente fica 3 anos sem comandar um time de futebol, e os seus últimos trabalhos antes desse longo hiato não podem ser definidos como de sucesso. Mas ainda tenho esperança. 

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Foto: Daniel Hott / América

Minha esperança reside no fato de que agora passaremos pela sequência que com o Tião Drubsky tivemos duas derrotas e depois o período dourado do Pardal na sua curta passagem pelo América.  Tenho esperança pois enfrentaremos agora um Cruzeiro relaxado, em ritmo de férias e depois o já rebaixado Paraná, e nessa situação, nesta luta contra o rebaixamento, duas vitorias seguidas dão um animo muito grande e podem ajudar a depois de obter esses 6 pontos, buscar os pontos restantes para conseguir a permanência na série A. Tenho esperança pois embora não esperasse nada do Pardal ele conseguiu alguns bons resultados e creio que os pode voltar a conseguir. 

Sei que o momento é difícil, mas não joguemos a toalha ainda. O futebol que apresentamos não é bom, mas o nível do futebol no Brasil como um todo não o é. Agora mais do que nunca época o momento de abraçar o time, de ir ao Indepa, de incentivar e torcer da forma que cabe a cada um, mas se fazendo presente. Afinal, se a esperança época verde, façamo-la Alviverde e preta.

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Foto: Mourão Panda / América

Carrossel Pardiola

Nesta semana o jornalista Mauro Cezar Pereira publicou em seu blog uma entrevista com nosso treineiro, Adilson Batista, e neste texto me chamou atenção uma fala do Pardal em que ele disse gostar de armar times que propõem o jogo, mantendo a posse e etc. Tal afirmação foi feita após uma perguntada acerca da jogada do gol do “Little Mathews” que nos assegurou o pontinho contra o São Paulo.

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Foto: Estevão Germano / América

A resposta do Pardal Batista me levou a refletir sobre o tema, uma vez que para boa parte da torcida, Adilson é a antítese ao Posto, sendo muito defensivista e abusando de inventividade para escalar a maior quantidade de volantes em campo, enquanto o Judas Moreira era reconhecido pelo seu futebol de posse estéril, rodando a bola sem efetividade e pouca finalização. Porém, ao comparar as estatísticas de ambos no Brasileiro, e também ao hiato de 2 jogos com o “Tião das Perdas” Drubsky, temos uma surpresa.

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Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Ao contrário do que pregava, o Enderson não estava teve domínio da posse de bola em nenhum jogo deste brasileiro, embora o time dele não fosse reativo (a transição era lenta e o time tentava construir o jogo desde o campo de defesa sem muito contra-atacar), ele não conseguiu fazer o time reter a bola e trocar muitos passes, o que boa parte da torcida esperava e apregoava ao “Carrossel Ipirangues”.

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Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

O Tião Drubsky de fato tentou mudar certos aspectos de jogo quando substituiu o Posto, já apresentando uma maior posse de bola e de trocas de passe que o seu antecessor, o que não representou muito, uma vez que ele foi, por sorte, remanejado ao cargo de Diretor de Futebol após duas derrotas, mas já mostra que o Carrossel Ipirangues não era de fato o mesmo.

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Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Sob o comando de Pardal Batista, apechoado de retranqueiro, o time de fato passou a tomar muito menos gols, a média passou de 1.5 com o Posto para 0.6!!! E, de fato, o time passou a fazer menos gols e a finalizar menos por partida, isto poderia apenas reafirmar a pecha que lhe fora apregoada, mas há algo mais nos números. O time hoje sofre menos gols, no entanto o número de finalizações certas dos adversários não caiu como a de gols sofridos, pelo contrário, ela subiu em média, e a posse de bola e número de passes trocados hoje é maior que nos tempos de Judas Moreira.

Claro que não vou dizer que vemos nos jogos com o Adilson um time super ofensivo, com semelhanças aos esquetes comandados por Klopp e Guardiola (em quem ele disse se inspirar na referida entrevista), mas talvez muitos já condicionam isto à inventividade de escalar muitos volantes, e não somente ao jeito de se portar em campo.

Conforme disse no texto da semana passada, há sim o que se melhorar no trabalho do Pardal Batista, podemos discutir as opções pelos sub-óbito em detrimento dos jovens, ou as improvisações do Juninho na meia direita, do David como armador ou Ruy isolado na frente, bem como o baixíssimo número de finalizações por jogo, mas o trabalho a priori é bem positivo e, se tiver uma continuidade e aprimoramento das ideias talvez possamos ter um novo Carrossel no futuro: O “Carrossel Pardiola”.

Adilson Batista e seus vovô-lantes

Ao assumir o comando do América depois da rápida e desastrosa passagem do Drubscky pela função, Adilson Batista disse que o uma das coisas que o motivou a aceitar o convite era o fato de que o nosso elenco contava com jogadores de qualidade e que a bola não queimaria no pé deles. Seguindo esta lógica, ele disse que para encarar a luta pelo rebaixamento e a situação difícil em que encontrara o time escalaria jogadores cascudos, reafirmando que eram os que a bola não queimaria no pé.

Colocando o discurso em pratica, Adilson mudou drasticamente o jeito da equipe jogar, os cuidados defensivos agora são ainda maiores que nos tempos do Posto, o time abdica de propor jogo mas tem pecado ainda em ser reativo, um exemplo disto pode ser visto nos últimos 8 jogos a equipe finalizou em gol num total de 10 vezes, com 6 delas resultando em gol.

Adilson

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Não há problema em se buscar o futebol reativo, esta proposta de jogo até se encaixa muito bem diante das limitações financeiras que temos para investir em elenco. O problema é que falta ao time a transição rápida para agredir o adversário e finalizar mais, pois não será sempre que vamos conseguir converter 60% das finalizações em gol, e esta falta de velocidade na transição nos traz um outro ponto do discurso do nosso comandante.

Aparentemente almejando o time em que a bola não queimaria no pé, Pardal Batista tem optado por volantes mais experientes (os sub-óbito do nosso elenco), e os dois volantes da base que vinham se destacando no time principal perderam espaço, e recentemente foram liberados para jogar pelo time de aspirantes. Isto poderia fazer sentido se realmente eles ainda estivessem verdes, se de fato a bola queimasse no pé deles, entretanto isto não procede.

O ápice desta proposta se deu no jogo contra o botafogo, poucos dias depois de liberar Christian e Zé para os aspirantes e jogando sem o Magrão, Adilson optou por escalar o time com 4 volantes: David (36 anos), Donizete (36 anos), Wesley (31 anos) e Juninho (30 anos), sendo que o Juninho começou como um ponta direita e Wesley mais avançado como um armador.

Zé Ricardo

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Moral do jogo, o time foi muito lento no jogo, não tinha transição rápida da defesa para o ataque e nossa melhor chance criada de gol foi uma bola enfiada para o Juninho, que, por não ter um cacoete ofensivo, não conseguiu aproveitar a chance para finalizar ou tentar sofrer um pênalti.

Isto abriu bastante discussão no último programa do decadentes, será que os vovô-lantes são mesmo melhores que os oriundos da nossa base? Bem, em minha analise subjetiva de desempenho e na objetiva de dados estatísticos, não.

Como sei que a análise subjetiva cabe muita discussão, até porque os parâmetros de gostos podem ser muito pessoais e contaminados por outros fatores para além do futebol jogado de fato, ater-me-ei a explanação dos números.

O que dizem os números?

Juninho (30 anos):  22 jogos, 55 desarmes totais, sendo 48 destes certos. Média de 2.4 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 7 interceptações, com uma média de 0.3 por jogo. Comete um número de 1.4 faltas por jogo, índice de 86.5% de passes certos e de 47.7% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.4 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 10 vezes, apresentando uma media 0.5 por jogo e tendo marcado 2 gols.

Christian (22 anos):  8 jogos, 16 desarmes totais, sendo 15 destes certos. Média de 2.0 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 6 interceptações, com uma média de 0.8 por jogo. Comete um número de 0.4 faltas por jogo, índice de 91.8% de passes certos e de 50% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.6 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 10 vezes, apresentando uma média 1.3 por jogo e tendo marcado 1 gol.

Magrão (33 anos): 15 jogos, 22 desarmes totais, sendo 20 destes certos. Média de 1.5 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 3 interceptações, com uma média de 0.2 por jogo. Comete um número de 1.3 faltas por jogo, índice de 88.1% de passes certos e de 60% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.9 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 13 vezes, apresentando uma média 0.9 por jogo e tendo marcando 2 gols.

Magrão

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Donizete (36 anos): 19 jogos, 24 desarmes totais, sendo 20 destes certos. Média de 1.3 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 8 interceptações, com uma média de 0.4 por jogo. Comete um número de 1.5 faltas por jogo, índice de 91.8% de passes certos e de 48.3% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.3 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 6 vezes, apresentando uma média 0.3 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

David (36 anos): 6 jogos, 6 desarmes totais, sendo 6 destes certos. Média de 1 desarme por jogo. Conseguiu também fazer 4 interceptações, com uma média de 0.7 por jogo. Comete um número de 1.2 faltas por jogo, índice de 92.3% de passes certos e de 60% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.2 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 2 vezes, apresentando uma média 0.3 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

Wesley (31 anos): 16 jogos, 10 desarmes totais, sendo 8 destes certos. Média de 0.6 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 1 interceptação, com uma média de 0.1 por jogo. Comete um número de 1.1 faltas por jogo, índice de 92.8% de passes certos e de 46.7% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.4 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 4 vezes, apresentando uma média 0.4 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

Wesley

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Zé Ricardo (22 anos):  115 minutos jogados espalhados por 6 jogos, tendo feito 3 desarmes, todos eles certos e também tem 1 interceptação, média de 0.5 faltas por jogo, índice de 90.4% de acerto de passes e de 40% de lançamentos certos. Finalizou 3 vezes nestes 115 minutos, sem ter marcado nenhum gol.

Os meninos são alvi-verdes, mas não estão verdes

Os números do Christian impressionam, ele só fica atrás do Juninho em termos de desarmes por jogo, e só fica atrás do Donizete em termos de interceptação por jogo, somando as duas estatísticas não seria leviano especular que ele é o melhor recuperador de bolas do nosso elenco. Entretanto sua contribuição ofensiva é ainda mais impressionante, sendo o que mais finaliza em média e o segundo que dá mais passes para finalização, tendo já marcado um gol (e que golaço). No entanto, dos volantes que temos parece ser a última opção para o Adilson, não figurando nem no banco de reservas na maioria dos jogos.

Os números do Zé Ricardo ficam um pouco mascarados pela falta de minutos jogados, mas chama a atenção também a participação ofensiva dele nestes minutos, sendo que a maioria deles jogados no final de partidas, entrando mais para ajudar a segurar o placar. Vale lembrar que o Zé foi adaptado a posição de primeiro volante pelo posto, na base ele sempre saiu muito mais pro jogo, tendo sido inclusive utilizado na linha de 3 meias do 4-2-3-1 em algumas situações.

Cabe ressaltar que de fato Wesley e David deram uma melhorada em relação ao desempenho inicial de ambos, entretanto ainda sim, contribuem pouco defensivamente para o time, e a contribuição ofensiva que lhes seria o ponto mais forte deixa a desejar em relação a outras opções.

Treinadores de futebol são famosos por ser muito agarrados a suas convicções, mas espero que o Adilson Batista abra os olhos e de mais chances ao Christian e ao Zé Ricardo, a entrada dos dois não representariam apenas a rejuvenescida de nossa volância, trará ganhos de performance para além de acelerar bastante a transição. A chave para que o futebol defensivista atual se torne o tão aclamado futebol reativo pode passar por estes dois, pois teríamos tanto a pegada que nos faltou no último jogo, como velocidade na transição e um melhor poder de finalização. Continuar lendo