Retrospectiva 2019

O ano de 2019 já está com seus dias contatos, e como torcedor americano podemos dizer que este ano foi uma montanha russa de emoções. Fomos do otimismo ao pessimismo diversas vezes e não é nem preciso lembrar que o fechar das cortinas da nossa temporada foi das mais cruéis… E agora que a poeira já abaixou e se é possível racionalizar a dor da partida contra o São Bento, vamos tentar fazer uma análise desse ano multipolar. 

Marcus Salum durante entrevista coletiva no CT Lanna Drumond – Foto: Estevão Germano / América

Em entrevista a Itatiaia na semana passada, Salum avaliou muito positivamente a temporada do América, voltou a reforçar as dificuldades orçamentarias que temos, e etc. Um pouco do discurso de sempre, enaltecendo o trabalho do segundo semestre e dizendo que o planejamento para este ano era de fazermos uma Serie B digna, e como não conseguimos o acesso por muito pouco, ele avalia que o ano foi até um pouco melhor que o planejado. Será? 

Bem, que de fato o acesso parecia extremamente improvável no final do primeiro turno do Brasileirão deste ano, não se tem dúvidas. Entretanto, em entrevista realizada em abril, o mesmo Salum esbanjava otimismo com o acesso, chegando até a dizer “subir o América consegue sozinho”. E se levarmos em consideração que tínhamos a quarta maior folha salarial (empatados com o Sport), podemos sim afirmar que se montou este elenco pensando em subir de divisão. Confira aqui o ranking das folhas de pagamento. 

E se julgando que o planejamento então mirava o acesso, foi este planejamento bem feito? 

Eu penso que não.  

Givanildo Oliveira e Marcus Salum durante apresentação no CT Lanna Drumond – Foto: Mourão Panda / América

O planejamento de 2019, para mim, já começou errado em dezembro do ano passado, quando logo após o fim da Série A renovaram o contrato do Givanildo para que ele comandasse o time neste ano. 

Givanildo Oliveira durante treino na manhã de quarta-feira, 24/4/2019, no CT Lanna Drumond – Foto: Mourão Panda / América

Eu sou fã do mestre Giva, sou extremamente grato a tudo que ele fez pelo América nas suas diversas passagens por aqui. E compreendi a sua contratação para os jogos finais do ano passado uma vez que ninguém mais toparia pegar aquela barca por apenas 5 jogos e topando uma remuneração dentro do nosso orçamento. Até mesmo porque ali na reta final já não havia mais tempo para treinamentos e aprimoramento tático, iria na conversa e motivação, o que ele é bom. Mas dizia naquele momento que independentemente se ele conseguisse ou não nos salvar, que se fizesse uma estátua para ele e buscássemos alguém mais atualizado e adequado ao cenário atual do futebol. 

Mas optaram por renovar e apostar na mística pecha de Rei do Acesso que ele consigo traz. 

Felipe Conceição, Givanildo Oliveira, Marcus Salum e Gerson Rocha durante treino na manhã de sábado, 12/1/2019, no CT Lanna Drumond – Foto: Estevão Germano / América

Outro erro foi não se ter buscado um Diretor de Futebol com a saída de Tião Drubscky. Quando da oficialização de sua saída para ser treinador da Tombense, nosso departamento de futebol ficou sem um responsável técnico.  

Neste momento se juntaram duas coisas bastante datadas atualmente, um presidente atuando muito ativamente no planejamento do futebol e um técnico com uma maneira de trabalho mais centrada em si.  

Esta combinação não causaria espécie na década de 90, ainda era comum na primeira década deste século, mas faz alguns anos que se datou. Hoje é necessário ter um departamento de futebol com profissionais qualificados, alguém que consiga dialogar com departamento de scouting e análise, que tenha claro um planejamento para o time no escopo que envolva as filosofias de jogo e metas de desempenho, e que trabalhe para tornar isto possível, desde a definição de treinador, da busca pelos jogadores mais adequados para o projeto, a cobrança e mediação com treinador e jogadores para que os objetivos sejam alcançados e possíveis correções de curso durante a temporada. 

E isto faltou. E como faltou. 

Diego Jussani e Leandro Silva durante apresentação, na tarde de sexta-feira, 11/1/2019, na sala de imprensa Paulo Papini, no CT Lanna Drumond – Foto: Mourão Panda / América

Ainda que me lembre que as contratações feitas no início da temporada estavam deixando todos otimistas, eram jogadores com certo renome, bastante experiencia no currículo, mas também de mais idade. Toscano (34 anos), Joao Paulo (33 anos), Berola e Azevedo (32 anos), Belusso, Leandro Silva e Diego Jussani (31 anos) e Viçosa (30 anos). 

Destes a maioria já chegou no time de titular de Givanildo, que juntamente com Fernando Leal (38 anos), Paulão (33 anos) e Juninho (32) formavam uma equipe titular com uma média de idade muito elevada, apesar das presenças de Matheusinho e Zé Ricardo. 

A avançada idade do elenco aliada a filosofia do Givanildo de não poupar jogadores gerou desgastes nos atletas, e não ter rodado o elenco acabou por não dar rodagem a jogadores da base durante o mineiro, bem como não permitiu ver outras formações ou testar pecas que deveriam ser reforçadas para a série B.  

Acabamos por pagar o preço por não ter um Diretor ali para mediar as ações e cobrar Givanildo, e acabamos por perder nas semis do mineiro sem oferecer resistência ao Cruzeiro, caímos cedo na copa do Brasil para o Juventude, depois de sofrer contra o poderoso São Raimundo e, após dois tropeços na Série B o trabalho de Givanildo se encerrou. 

Marcus Salum e Maurício Barbieri durante apresentação na manhã de terça-feira, 7/5/2019, na sala de imprensa Paulo Papini, no CT Lanna Drumond – Foto: Mourão Panda / América

Depois da saída de GivaMito, veio a vez do biscoiteiro. Em uma nova entrevista nesta semana, Salum disse que o trouxe por ser um técnico preparado, com boa passagem pelo Flamengo e métodos novos de trabalho, e ali soubemos que lhe foi dada carta branca para comandar o América ao seu estilo, trouxe os jogadores que pediu, afastou quem ele não gostaria de contar, entretanto os resultados não vieram. 

E depois de uma curta passagem 7 jogos, com 1 vitória, 2 empatas e 4 derrotas, sendo a última uma humilhante goleada para o figueirense em casa. 

Novamente, nos faltou um Diretor de Futebol neste momento. A ruptura de estilo de jogo e métodos de trabalho entre Giva e Barbieri foi brutal. Não houve uma linha de trabalho a se seguir, bem como não houve quando se anunciou o Tigrão para o lugar do Biscoiteiro. 

Marcus Salum e Paulo Bracks, novo Diretor de Futebol Profissional do América – Foto: Mourão Panda / América

Fomos ali uma nau à deriva, e os rumos estavam sendo tomados pelas marés de pensamento do Salum, não por um comando técnico que sabia o que queria e aonde chegar. Tudo bem que desde maio o Bracks já ocupava o cargo de Diretor, ele foi promovido ao cardo próximo do anúncio do biscoiteiro, mas a participação dele foi muito pequena em qualquer escolha até ali.  

Por sorte, a escolha mais controversa deu certo. Deu certo muito mais por sorte que por juízo, mas funcionou para tirar o time da lanterna, nos livrar de um rebaixamento que a muitos assustava e nos fazer acreditar em algo mais. 

Felipe Coneição durante duelo entre Cuiabá-MT e América – Foto: Daniel Hott / América

Uma pena que no final faltou um pouco mais de competência, faltou competência para dar ao time mais possibilidades táticas e ao nosso ataque mais tramas ofensivas e poder de criar mais jogadas. Foi o que nos faltou na reta final em que estávamos dependendo quase que exclusivamente que bolas paradas para anotar os gols. 

Faltou competência também para motivar os jogadores e os preparam para os últimos jogos em casa, uma vez que empatamos com uma ponte muito desinteressada, perdemos para nosso algoz Paraná e por fim fomos derrotados pelo São Bento, que no momento era lanterna da competição. E aí não tem desculpa de mala branca, uma vez que dinheiro pode motivar, mas não traz qualidade.  

Marcus Salum e Felipe Conceição durante entrevista coletiva no duelo entre América x São Bento-SP – Foto: Mourão Panda / América

Se fosse para analisar a temporada, diria que ela em si foi ruim. O planejamento para ela como um todo foi ruim. As promessas feitas em entrevistas no final de 2018 de utilizar mais a base no início do ano não se cumpriram, aliás, a base mesmo só foi ser bem utilizada com o Tigrão já na reta final. 

O que poderia ficar de lição é a de que hoje em dia tem de se ter uma maior profissionalização do futebol, que um dirigente estilo anos 90 que se acha infalível e toma para si o controle das ações. É preciso delegar, e delegar para profissionais capazes dentro de um departamento de Futebol profissionalizado.  

Treino no CT Lanna Drumond – Foto: Mourão Panda / América

Quanto a isto nos resta aguardar, ver se o Paulo Bracks é realmente o dirigente que capaz que a tantos encanta. Ver se ele terá a competência e a liberdade necessária para traçar uma direção para a temporada, e acompanhar o processo todo, avaliando o desempenho a agindo para que as metas sejam cumpridas.  

No momento isto parece difícil, uma vez que na última entrevista do Salum ao Superesportes ele voltou a bradar sua competência em fazer futebol com poucos recursos, reforçou cada decisão tomada no planejamento para a temporada como a acertada para cada momento e culpou falta de sorte para o não acesso. E novamente volta a prometer que a base será a base para o início do trabalho para a temporada e que vamos entrar na série B brigando pelo acesso, apesar das dificuldades orçamentarias. Com toda a sua pompa de vasto conhecedor do futebol e da Série B. 

A nós, torcedores, só nos resta esperar que 2020 seja um ano mais tranquilo, que o planejamento para este ano de certo e o time volte anos encher de alegria e orgulho, e que possamos quem sabe beliscar um título… Afinal, somos América e temos sempre de acreditar… 

Nosso ataque no divã

Marcus Salum durante pronunciamento no duelo entre América x São Bento-SP – Foto: Mourão Panda / América

Em entrevista à Rádio Itatiaia esta semana, Salum afirmou que ficamos a um golzinho da série A, classificando até como uma obra do acaso, como se por um mero capricho divino tenha nos faltado um golzinho para o acesso. Tal entrevista por si só merece um texto próprio, afinal não foi obra de Deus ou do acaso, e há sem de se colocar o planejamento de 2019 no divã.  Mas por hora, analisemos o desempenho de nossos atacantes este ano. 

Júnior Viçosa durante duelo entre América e Vitória – BA – Foto: Mourão Panda / América

Junior Viçosa foi nosso principal atacante para este ano, e gera na torcida uma montanha russa de sensações, um reflexo dos altos e baixos da temporada. De titular absoluto com o Giva a descartável e treinando a parte com Biscoiteiro Barbiere, Viçosa deu a volta por cima no início da trajetória do Tigrão no comando do time, mas por fim passou os últimos 11 jogos sem marcar um gol sequer, e bem, digamos que esse gol fez falta. 

Com uma impressionante média de 0.8 finalizações certas por jogo, não e de se estranhar que a média de 0.24 gols por jogo. O total de 5 assistências no campeonato também não são um indicativo de eficiência ofensiva, mas há quem defendesse sua titularidade fervorosamente como a única opção possível no elenco, uma vez que ele seria o menos ruim dentre os demais. Será? 

Jonatas Belusso durante treino no CT Lanna Drumond – Foto: Estevão Germano / América

Bem, Belusso com certeza uma grande decepção no campeonato, seu pomposo topete se destacou muito mais pelo futebol. Com uma média de 0.11 gols por jogo e tendo anotado um total de 0 assistências nesta série B apenas um louco o defenderia como uma opção viável para o ataque. 

Do Elias não se pode falar nada, foi contratado como opção ofensiva diante do afastamento do Viçosa, entretanto não jogou um minuto sequer e pouco ficou no banco. Nem sequer se destacou como o uruguaio Boselli por gravar vídeos no vestiário. Neste caso, o fato de ter sido preterido por todas as outras opções possíveis seja um indício de sua qualidade e do quanto poderia ter acrescentado… 

Vitão foi uma grata surpresa no final do ano, revelado nas categorias de base do clube passou a ser a segunda opção para atacante na reta final do campeonato. Muito voluntarioso, embora ainda com muito a amadurecer, conseguiu anotar um gol importantíssimo contra o Guarani. Foi lançado na reta final do jogo contra o São Bento para tentar repetir a mística, entretanto sem sucesso.  

Vitão comemora gol durante duelo entre Guarani-SP x América – Foto: Estevão Germano / América

É difícil crer que um menino recém promovido da base fosse ser nossa solução ofensiva, e seus números este ano somando base e profissional não foram extremamente convincentes, uma média de 0.25 gols por jogo no total. No entanto, uma vez que os números do Viçosa não se justificavam e a seca de gols dele já durava 10 jogos, talvez ter dado ao Vitão a chance de comandar o ataque contra o São Bento talvez nos rendesse melhor sorte. 

O que se pode afirmar desse ataque e que ele de fato não marcava muitos gols, Belusso teve a pior média de gols de um atacante titular desde 2013, Viçosa só fica à frente do Hugo Almeida e nossos ataques de série A, ainda que se contando apensa a Serie A de 2018 o Leitão tenha uma média melhor que a dele.  

Em última análise, não e de se estranhar que nos tenha faltado um gol contra o São Bento, afinal, nosso ataque nos faltou em gols na maior parte do campeonato. O que nos faltou foi um centroavante confiável, como tivemos em 2014 e 2015, ou até mesmo um eficiente como nos foi Fabio Junior em 2013, ainda que tenha sido seu ano de declínio técnico, ou o Bill em 2017. O que nos custou o acesso não foi mero acaso ou obra do divino, foi um planejamento mal feito para 2019 e carência de peças ofensivas. 

Pode-se criticar o bonde do Tigrão ?

Jogadores durante duelo entre América e São Bento – Foto: Mourão Panda / América

Foi bonita a nossa festa, pá… Mas diferentemente da música de Chico Buarque não deu para ficarmos contentes com o desfecho de toda a bela algazarra que nossa torcida fez antes do jogo mais importante que tivemos no ano.  
 
Poderia ter sido o desfecho perfeito para uma campanha de reação impressionante que nos tirou da lanterna que amargamos por várias rodadas e nos colocou a um simples empate contra o rebaixado São Bento em casa do tão sonhado acesso… Mas não deu. Murcharam nossa festa ainda no primeiro tempo e até hoje me pesa a tristeza desse placar. 

Ainda na revolução dos cravos, Chico mantem a esperança de haver uma semente em algum canto de jardim… Mas será que desta incrível reação que o time teve sob a tutela do Tigrão deixou sementes para a próxima temporada?  

Felipe Conceição durante entrevista coletiva no duelo entre América x São Bento-SP – Foto: Mourão Panda / América

O trabalho do Felipe Conceição pode ser dividido em 3 etapas, um estágio inicial de três partidas em que o time estava se ajustando defensivamente, a impressionante arrancada com uma sequência positiva em 18 jogos em que tivemos 12 jogos de invencibilidade e a última sequência de 8 jogos já como postulantes ao acesso. 

A primeira parte foi titubeante, o time ainda se ajustando e ganhando confiança, obtivemos 2 empates e uma derrota. Depois desse momento estávamos no fundo do posso e daí ele mostrou uma capacidade de motivação impressionante e partiu para uma arrancada em que em 18 jogos tivemos um aproveitamento de 74%. 

Tamanha reação nos colocou como candidatos ao acesso, naquele momento as chances de acesso se mostravam já reais, entretanto quando a chave da pressão virou de franco atiradores para nos salvar da série C para postulantes a jogar a série A o aproveitamento caiu. Tivemos 58% de aproveitamento nesses últimos jogos, e conseguimos apenas uma vitória nos últimos 4 jogos em casa, o que não desmerece o trabalho de reação, mas e sim passível de críticas. 

Jogadores durante treino no CT Lanna Drumond – Foto: Mourão Panda / América

Se julgarmos apenas o aproveitamento dessa campanha, Tigrão teve 64.36% no total, o que é bastante significativo, mas podemos fazer uns parênteses. Embora sejamos muito gratos ao Givanildo, penso que ninguém cogita mais o seu retorno, muito por se concordar que o auge dele já passou. Entretanto em 2016, pelo Náutico, e em 2014 conosco ele teve aproveitamentos de 64.44% e 75.5% de aproveitamento, também não conseguindo o acesso na última rodada em ambas as ocasiões. 

Essas arrancadas salomônicas no Brasil acontecem com certa frequência, ano passado o Lisca arrancou para salvar o Ceara, o Felipão gozou de invencibilidade no Palmeiras, o Andrade já arrancou com o Flamengo para o título, e se formos buscar podemos chegar a diversos casos de reações memoráveis. Entretanto quando o trabalho não é solido, já na temporada seguinte o desempenho cai drasticamente. 

Nessa questão, tenho algumas ressalvas quanto ao trabalho do Felipe Tigrão em uma análise Macro. Ele foi muito bem como motivador no início do trabalho, mas até mesmo nesse quesito ele deixou a desejar nos últimos jogos, afinal, com ou sem mala não é aceitável que o São Bento tenha jogado com mais vontade e motivação que nós no jogo do ano. 

No aspecto tático o time deixou bastante a desejar, defensivamente fomos muito fortes, entretanto ofensivamente fomos nos tornando muito previsíveis, uma vez que o time não tinha variações táticas ou jogadas ofensivas bem elaboradas, e isto nos custou muito nas últimas 4 partidas em casa. 

Felipe Azevedo durante duelo entre América x São Bento-SP – Foto: Mourão Panda / América

No aspecto de administração de grupo também há aspectos a se pontuar, Tigrão rodou muito pouco o elenco, insistiu em jogadores que não estavam dando retorno técnico algum em campo, em especial o Azevedo e o Viçosa (que não marcou nenhum gol nas últimas 11 rodadas), e alguns jogadores que tiveram boa produção quando acionados praticamente não foram aproveitados. 

Por isto discordo do Felipe que na sua última entrevista disse que esta campanha não pode ser criticada, não só se pode como se deve. O trabalho dele teve muitos aspectos positivos, ele merece sim uma chance de começar um trabalho na próxima temporada, entretanto cabe ressaltar que há sim vários aspectos em que ele necessita melhorar e nos cabe torcer para que ele evolua, ajuste as falhas que teve e monte um elenco que nos leve a série A no próximo ano. 

Maranhão, um mal necessário ou não?

Apesar de a atual fase do nosso América ser bastante positiva, há sempre uns jogadores que não são bem vistos pela torcida e estão sempre presentes como opções do famigerado prêmio Colatina de pior jogador em campo. Dentre estes está o possante William Maranhão, que apesar das críticas da torcida se mantem como titular. Há na sabedoria popular o dizer de que toda unanimidade e burra, será que esta regra se aplica ao Maranhão?  

Willian Maranhão durante treino no CT Lanna Drumond – Foto: João Zebral / América

Com um futebol longe de ser vistoso em campo Maranhão vem sendo escalado como segundo volante no esquema de Felipe Tigrão, tendo bastante liberdade para apoiar ao ataque e incumbido de auxiliar a recomposição do lado esquerdo da defesa do Coelhão. Entretendo seus números não bem justificam esta presença recorrente como titular. 

A julgar pela parte defensiva, ele tem uma média de 1.5 desarmes por jogo, o que embora não seja excelente o coloca como sétimo melhor em média no time, entretanto sua diferença em número de desarmes para Toscano e Geovane que ocupam a mesma função não é significativa e, se levarmos em consideração o percentual de acerto de desarmes, o Maranhão passa a figurar na vigésima-quarta colocação entre os jogadores do elenco. Não à toa ele e o quarto jogador no elenco em média de faltas cometidas por jogo, com 1.6 faltas/partida. Ou seja, o Maranhão em média comete mais falta do que recupera a bola. E se levarmos em conta que ele registra uma média de 1.6 perdas de posse por partida, podemos dizer também que ele mais entrega a bola do que rouba. 

Jogadores comemoram gol durante duelo entre América x Guarani-SP – Foto: Mourão Panda / América

Se o destaque não se dá pela questão defensiva, seria ele uma peça importante ofensivamente? Bem, sem ter ainda marcado um gol, o possante Maranha conta com um índice de acerto de 27.8% em suas finalizações, ele figura em decimo quinto no elenco neste quesito, um aproveitamento pior não apenas que o de Juninho, que tem mais chances de arremate próximas ao gol, mas também pior que Zé Ricardo, Flavio e Geovane. Ficando próximo neste quesito apenas ao toscano, que possui 27% de média.  Ele tampouco contribui muito para que os companheiros de time finalizem, ainda sem registrado nenhuma assistência, Maranhão possui média de 0.4 passes para finalização por partida, número similar ao registrado por Zé Ricardo e Geovane e bem abaixo das outras opções de meio campo. 

Felipe Conceição durante duelo entre Botafogo-SP x América – Foto: Estevão Germano / América

Não podemos negar que, assim como o time a performance do Maranhão também melhorou na batuta do Tigrão, entretanto seus números não o justificam como titular. Há quem diga que o ele seja um mal necessário para o bonde do Tigrão funcionar, entretanto pode-se ver que há jogadores no elenco capazes de entregar mais do que ele vem entregando, que produzem mais ofensivamente e defensivamente. Logo, já que o Felipe Conceição vem surpreendendo positivamente, quem sabe outros jogadores não passem a ser mais usados em detrimento de nosso possante volante que, como o velho Colatina que nomeia o prêmio ao qual ele tanto recebe, também é canhoto. 

Matheusinho: Fracasso ou promessa?

Matheusinho é um jogador que divide opiniões, a eterna promessa da base americana conta com a boa vontade de parte da torcida ao mesmo passo que é visto com desconfiança por outros tantos. Mas afinal, são justos os elogios de seus defensores e as críticas dos que o atacam? 

Matheusinho durante duelo entre América x Guarani-SP - Foto: Mourão Panda / América
Matheusinho durante duelo entre América x Guarani-SP – Foto: Mourão Panda / América

Nosso Rei do Instagram já atingiu a marca de 99 jogos como profissional, trazendo um baixo número de gols, apenas 8 gols nestes jogos totais e, se retirarmos os jogos do campeonato mineiro, ele registra apenas 4 gols e 5 assistências nesses 78 jogos pelas competições de melhor nível técnico. Estes números não são muito promissores, não condizem com a expectativa criada em torno dele no seu tempo e parça do Neymar. 

No entanto ele ainda goza de prestígio com nossos treinadores, tinha a confiança do Posto Ipiranga, foi muito elogiado pelo Pardal Batista, era peça importante no esquema do Givanildo e se mantem firme no Bonde do Tigrão.  Mas ele se justifica em campo?  

Bem, analisando os números dele nesta Serie B, podemos ver que há exageros tanto nas críticas quanto nos elogios: 

 Nos 14 jogos em que entrou em campo, nosso camisa 10 levou em média 282 minutos para cada finalização certa, 212 minutos para acertar um drible, deu um passe para finalização a cada 47 minutos e acertou 23% dos cruzamentos tentados. Se compararmos com as outras opções ofensivas ele possui a segunda melhor média no quesito passes para finalização, perdendo apenas para o Berola que cria uma oportunidade a cada 28 minutos. Se pegarmos o tempo para cada drible, Berola lidera o quesito disparadamente, e o Bilu também apresenta certo destaque, deixando o Matheusinho aparece em terceiro neste ranking. Em compensação é nosso Instagramer quem leva mais tempo para acertar um chute no gol, quesito liderado pelo Azevedo. 

Neto Berola durante duelo entre São Bento-SP e América - Foto: Daniel Hott / América
Neto Berola durante duelo entre São Bento-SP e América – Foto: Daniel Hott / América

Se formos olhar a parte defensiva do seu jogo, Matheusinho faz um desarme a cada 71 minutos. Uma média similar à de Azevedo e Berola, 71 e 72 minutos por roubada de bola respectivamente, em compensação é inferior à dos 62 minutos que o Bilu leva para cada ação destas e em geral e bem que nossos jogadores de defesa.  

Bem, os números de nossa eterna promessa não são de fato um primor. Ao comparar com as opções ofensivas que mais foram utilizadas este ano, podemos dizer que ele não está longe da média, ele não se destoa tanto negativamente quando se apregoa, mas também não é essencial taticamente como outros dizem. Talvez tudo o que falta para o Matheusinho ser analisado mais justamente e aceitar que ele dificilmente será um craque ou um jogador para ser destaque de clube, mas e um jogador que pode ser sim um coadjuvante. Se não um jogador para ser titular absoluto, alguém em que se possa confiar no plantel, para fazer uma boa quantidade de jogos por ano, seja por lesão de um jogador destaque, para rodar elenco ou por mais se adequar ao estilo de jogo de um adversário.  

O tempo não para…

“Eu vejo o futuro repetir o passado”, talvez Cazuza fosse americano e não se sabia… 

Outro ano com um período longo de Inter temporada, outra vez em que trocamos de treinador logo após esta parada, e assim vamos perdendo mais um ano, falhando em nossa missão de nos firmarmos como clube de série A.  

Felipe Conceição durante treino no CT Lanna Drumond – Foto: Estevão Germano / América

Após curta e tenebrosa passagem, trocamos o biscoiteiro Barbieri por Felipe “Tigrão” Conceição, uma unanimidade por outra. Quando houve o anúncio de Barbieri como nosso treinador a torcida unanimemente aprovou a ideia, profissional promissor, “estudioso”, buscando vingar… O que deu errado? 

Bem, talvez este elenco seja um abacaxi maior do que ele poderia descascar. Na sua curta passagem pelo clube, o time não engrenou, e continuou apresentando os mesmos problemas da última era Givanildo. 

Gerson Rocha, Felipe Conceição e Givanildo Oliveira durante treino na tarde de quarta-feira, 13/3/2019, no CT Lanna Drumond – Foto: Mourão Panda / América

A passagem de Givanildo neste ano durou 17 jogos, nos quais marcamos 27 gols e sofremos 19. Com o biscoiteiro foram apenas 7 jogos, no qual marcamos 6 gols e sofremos 12 gols. A diferença nestes números pode se mascarar um pouco no fato de a maior parte dos jogos do Giva terem sido do campeonato mineiro, entretanto e sintomático o fato de que, defensivamente o time ia mal com o interminável mestre dos magos americano e piorou com o Barbiere. 

Hoje somos o time mais fácil de ser vazado na série B, a cada 5.79 finalizações do adversário sofremos um gol, e para piorar um pouco, nosso time reage mal aos gols sofridos. Em um comparativo dos 15 minutos antes e depois de sofrer gols, nossa média de finalizações cai de 2.34 para 1.23 e a quantidade de passes trocadas diminui, caindo de uma média de 50.9 para 35.93. 

Ou seja, apesar de prezar pela posse, após sofrermos gols passamos e ter menos a bola e trocar menos passes e consequentemente, finalizar menos. 

Nosso ataque também caiu de rendimento com o aventureiro carioca, se nosso ataque não foi brilhante no início do ano, as mudanças feitas por Barbiere não ajudaram, e ao que pese o fato de o Viçosa não ser um primor técnico, ele e nosso artilheiro no ano, e foi deixado completamente de lado. E num ataque móvel comandado pelo Belusso em má fase passou a reter menos bola no ataque e a fazer menos gols. 

Maurício Barbieri durante treino no CT Lanna Drumond – Foto: Mourão Panda / América

E e neste ponto que mora o maior problema do Barbiere ao meu ver, o apego que ele teve a certos jogadores, que culminou em afastar o Christian ainda mais do time titular já de início, até o ponto de retirar o Zé Ricardo em prol do possante Maranhão. A mão dele pesou muito em trocar onde tínhamos o menor de nossos problemas, reforçamos o setor onde as peças que tínhamos eram melhores das buscadas a pedido do biscoiteiro, e nossos maiores problemas no elenco persistem… 

E ao que pese o fato de a diretoria ter evitado um Pardal batista 2.0 abortando a missão biscoito antes que fosse tarde demais, o Bonde do Tigrão se apresenta como um Tião Drubsky 2.0, novamente efetivamos alguém que já estava no clube cujo currículo não o credencia ao cargo, é que tal qual o mentor que o trouxe ao clube ano passado, e unanimidade na torcida de péssima escolha. 

E o que podemos esperar de nosso novo treineiro? O que esperar daquele que comandava os treinos para o Givanildo? O que esperar daquele que vê no Drubsky um exemplo de treinador? Bem… talvez só nos reste apelar ao Cazuza novamente, e cantar o Blues da Piedade
 
“Agora eu vou cantar pros miseráveis 
Que vagam pelo mundo derrotados… 
… 
Vamos pedir piedade 
Senhor, piedade 
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.”