Mais um capítulo da história

Recordar para inspirar: 

Dia: 17 de Maio de 1964.

Era o clássico das multidões. Um ano antes da inauguração do Mineirão. As batalhas eram até então no Independência, dividido ao meio.

A bola mal sai do círculo central e o América parte pra cima. Jair Bala estufa as redes logo no primeiro minuto. A torcida americana explode. O Atlético, visivelmente nervoso, até com jogadores discutindo entre si, não enxerga novo ataque americano. Jair Bala de novo, logo aos três minutos de jogo. 2 a 0. Técnico Bijú não se contém e pula como louco de alegria. Na divisa das torcidas, que mal tinham corda de isolamento, já eram vistos troca de sopapos entre atleticanos e americanos. O clássico na saída já era quente.

Zé Horta lá da defesa orienta e pede calma pra tocar a bola. Era o América administrando. Afinal, o clássico caminhava com o nosso 2 a 0. Fim do primeiro tempo. Segundo tempo o Atlético está enfurecido. Parte pra cima. A massa alvinegra exige a busca do resultado. Logo aos nove minutos, Viladôniga marca. O lado alvinegro explode. Jair Bala sinaliza pra ter calma. Americanos na arquibancada apreensivos. Atlético abre a caixa de ferramenta e tenta na pancada intimidar o Coelho. As veias dos narradores quase saltam. O clássico sacode o Independência. Logo aos 13 do segundo, com o Atlético partindo todo pro ataque, América arma o contra-ataque. Mortal. Dario prestes a marcar, a defesa do Atlético achando que podia fazer o que quiser, levanta o atacante americano a dois metros de altura na área. É pênalti senhoras e senhores. Sérgio corre e marca. Coelho 3 a 1. Nessa altura do campeonato, as táticas deram lugar para cada um buscar de qualquer forma o resultado. Aos 15, o defensor alvinegro Bueno marca. O Atlético tinha a fama de nunca entregar o resultado. Corriam até o fim. 3 a 2 e o coro da massa embalava que a virada estava chegando. Aos 21, Jair Bala, sempre ele, entra driblando e confere. Americanos davam cambalhotas nas arquibancadas. 4 a 2. América buscava essa diferença para ter tranquilidade nesse torneio triangular. Mas o Atlético não entregava os pontos. E aos 36, num momento em que os nervosismos estão à flor da pele, JAIR BALA, de novo, 5 a 2. Acaba a partida nos 45 cravado, o juiz já estava doido para encerrar, pois alguns mal perdedores já incitava do lado de fora acabar o jogo de “outra forma”, no braço.

Jair Bala, fantástico. Em 1964, só no Independência, marcou 25 gols pelo Mineiro. É o maior artilheiro do Independência por uma edição do Mineiro. Momentos que marcam uma vida toda. E que os novos torcedores precisam saber o legado pesado da camisa americana e sua vocação pela eternidade.

17 de Maio de 1964 : América 5 x 2 Atlético

Um momento na história.

Foto do time vice-campeão estadual de 1964.

Time vice-campeão estadual de 1964. Em pé: Klebs, Catocha, Zé Horta, Zé Ernesto, Murilo e Zé Emilio Agachados: Saci, Luizinho, Jair Bala, Dario Alegria e Sérgio.

Retomando o fôlego:
A história, além de tentar evidenciar os erros para aprendermos com eles, também possuem efemérides que inspiram. Inspirar porque a tradição exige uma responsabilidade para fazermos um presente melhor e um futuro promissor. O maravilhoso “Planeta América” está aí para não nos deixar mentir.

Esquadrão Enderson:

ademir

O COELHÃO 2018 proporciona uma organização jamais vista do América na era dos pontos corridos, na série de elite do futebol nacional.  Mesmo com substituições e variações de posicionamento, o time mantém o equilíbrio. Isso nos dá confiança para irmos pro clássico com a sensação que podemos sim buscar o resultado. Cabeça no lugar, podemos continuar na incrível série de vitórias em casa. Em pontos corridos, cada jogo não deixa de ser um mata mata. Pontos por pontos, traçaremos nossos objetivos. Apesar da confiança, sabemos das históricas adversidades. Por isso todo cuidado é pouco.

Todos à nossa CASA.

Abraço verde. 

Mário César Monteiro
twitter.com/MarioMonteirone

Continuar lendo

Sob o novo escudo vencerás!

In hoc signo vinces 

Esta expressão é a tradução latina da frase grega “Por este sinal conquistarás “.

 

De Constantino a Enderson 

Constantino, o Grande, foi um imperador romano proclamado “Augusto”, alcunha que expressava algo como “escolhido pelos anjos”, por sua tropa no ano de 306 da Era Cristã. Governou o Império Romano até a sua morte no ano de 337.

Constantino venceu guerras civis, travou batalhas expansionistas, rompeu as barreiras do Império até o chamado Oriente. Riu do termo impossível. Construiu uma residência imperial nas terras do Leste, na cidade de Bizâncio. Diante da conquista, resolveu chamar a antiga Bizâncio de Nova Roma. Mas muitas pessoas, diante à reverência ao grande conquistador, passaram a chamar a cidade de Constantinopla. Essa cidade reinou como a capital romana do Oriente por mil anos! Ao longo da história, essa importante cidade recebeu inúmeras denominações, até chegar no nome de Istambul, situada na Turquia.

Para Constantino ter conseguido chegar tão longe em seus domínios imperiais, ele teve que vencer os conflitos internos contra vários tipos de inimigos. Diante de Guerras colossais, tivemos batalhas que marcaram a história. Dentre várias, destaco a famosa batalha da Ponte Mílvia, travada em 312, às margens do rio Tibre, em Roma. Essa batalha foi crucial para Constantino ter marcado seu nome na história. Ele conseguiu, na raça, acabar com uma tetrarquia em Roma e se tornar o único governante máximo do império. Essa batalha também marcou o início da conversão de Constantino ao Cristianismo.  Constantino revela que sonhou com um símbolo, trazido por Deus. Era a promessa divina da vitória se esta insígnia viesse na frente de suas tropas. Era o sinal Qui-Rô, as duas primeiras letras do nome de Cristo em grego. Isso foi estampado nos escudos da tropa, além de estandartes. O famoso Arco de Constantino, erigido para lembrar a vitória, possui este símbolo esculpido em seu panteão.

As tropas de Magêncio, (a dobradinha CAM+FMF contra Constantino), era no mínimo o dobro em quantidade de soldados. Em estratégia errada, em cobiça, a respectiva retaguarda dos inimigos ficou à mercê das margens do rio. No ataque da cavalaria de Constantino, muitos de Magêncio acuados na ponte, acabaram caindo no rio. O excesso de soldados em fuga não comportou todos na ponte. Constantino entrara de forma triunfal em Roma. Recebera o Arco do triunfo como lembrança eterna da vitória épica.

 

O primeiro desafio do novo escudo 

Sob o novo escudo do América Futebol Clube, composto pelas duas estrelas de campeão brasileiro 1997-2017, também tive um sonho. Era uma pelada de crianças, todos se divertindo, gol marcado por chinelos, só toque de primeira,  no meio daqueles garotos cuja idade se assemelha à faixa etária dos fundadores do América, vejo o volante Gutemberg, com o uniforme americano de campeão mineiro de 1993, ano que fizemos um 4 a 0 sem dó no nosso maior rival cacarejante. De traje completo, ele brincava com as crianças, e ria muito também. Justo o Gute, que não era a estrela daquele time, mas fez o gol de empate no último clássico de 1993, o que nos credenciou ir à Valadares buscar o título. Ele me entrega a nova camisa 2018. Acordei num misto de sensações. O estandarte foi entregue, sob o brilho das duas estrelas amarelas e dos meus olhos marejados ao acordar. A alegria verdadeira da criança vista de forma explícita no sonho é a mesma daquela que conheceu o América e que vive dentro do meu ser.

O sinal foi revelado: Um representante de um time que fez o Deca encarar federação e calou o cacarejante de 4, me entrega a camisa sorrindo, sem proferir uma palavra sequer. Senti um recado de “vai, parte pra cima”.  

 

Mesmo com tanta roubalheira? 

Sim, eu sei. A sensação que temos é que toda vez que o América joga contra os cacarejantes precisa fazer uns 4 gols para a bandidagem da arbitragem validar um. Mas pra quem luta contra tudo e contra todos, é buscar forças para bater mais esse obstáculo. Uns optam se entregar para desaparecer. Nunca foi o caso do América.

 

Espada, escudo e elmo 

Chegou a hora de encaramos aqueles que também tem a tropa infinitamente superior em quantidade, incluindo toda turma de “amarelo”. Sob o novo escudo, o COELHO vencerá. O sinal de Qui-Rô agora é outro: coe-lhô!!!!

Que todos os presságios de luta eternizados na antiga Alameda estejam presentes. O América luta pela honra dos que já se foram e aos que tentam entregar para as futuras gerações uma instituição repleta de glórias. “É imperioso o dever que nos impõe”: era uma frase estampada na carteira de sócio de 1971. Imperioso vem da luta em impor, na raça, no famoso queiram ou não, terão de nos engolir, em mais um capítulo que a história nos coloca em xeque. Arrastem todos ao campo!

É uma grande batalha, daquilo que se prolonga desde 1912. E que, ganhando ou perdendo, cada capítulo reforça somente uma máxima: JAMAIS NOS MATARÃO. O América Futebol Clube, bem como seu legado esportivo, social e cultural, SÃO ETERNOS!

Todos ao NOSSO campo. Lutaremos até o fim!

Um abraço verde. 

Mário César Monteiro
twitter.com/MarioMonteirone

Leia também: A gota versus Oceano

espartano 2


ASSINE O CANAL E ACOMPANHE O PODCAST AO VIVO: http://www.youtube.com/decadentes/

ASSINE O PODCAST NO SEU SMARTPHONE: iTunes, Android, RSS, DeezerTuneIn

SIGA OS DECADENTES NAS REDES SOCIAIS:
Facebook: http://www.fb.com/DecadentesAMG
Twitter: http://twitter.com/DecadentesAMG
Aplicativo: http://app.vc/decadentes

A gota versus Oceano

 

Olhando pra gota e esquecendo o oceano a mais de cem anos.

Jamais campeão contra dobradinha FMF + CAM. Não se prendam em mais um fato. Analisem a História!

Após mais uma derrapada, num universo centenário de “erros” que o América sofre em clássicos contra o Atlético, resolvi ir além e pensar se já tivemos, em jogos decisivos, a condição de ser campeão tendo do outro lado a dobradinha CAM + FMF. E o resultado impressiona. Pois o Campeonato Mineiro já tem mais de 100 anos, sendo mais da metade no período profissional, e surge uma conclusão: considerando o período da Era Profissional do futebol mineiro, que se inicia na segunda metade dos anos 30, o América NUNCA conseguiu ser campeão tendo em uma final o adversário Atlético e um árbitro mineiro da FMF.

E com Árbitro NEUTRO?  

Parece uma loucura, mas não é. Quando teve árbitro de fora, na mesma situação de final contra eles, o América se sagrou campeão três vezes: 1948, 2001 e 2016.

Respirando os “ares” de Belo Horizonte  

Não acuso de haver algo ilícito nessa análise. Eu vejo muito mais o resultado de uma pressão que extrapola dos limites quando o árbitro da FMF apita decisões. A começar pelo aspecto de não haver profissionalização na categoria. Sendo assim, o árbitro está inserido no mercado de trabalho e exercendo as mais variadas profissões. E em contato com a sociedade, ele sabe tranquilamente, que se errar contra o Atlético, a série de represálias é grande: vai direto pra “geladeira”, pode ter interrompida a sua projeção para obter a chancela da FIFA, sofre falta de prestígio para a comissão do arbitral, pode até ser hostilizado e agredido nas ruas, pois a mídia explicita com veemência os erros quando lhe convêm e as consequências disso nos tempos atuais é imensurável. Alguém aqui imaginaria o árbitro José Roberto Wright tranquilamente escolhendo queijo no Mercado Central? Ou o Carlos Eugênio Simon saboreando um sorvete tranquilo num banco de praça na Savassi? Em menos de cinco minutos eles sofreriam o que vocês estão pensando mesmo por algum maluco fanático, alimentado pelas campanhas da mídia. Imagina então um árbitro que tem sua vida toda aqui em Belo Horizonte? Ele já entra no clássico cheio de “pé atrás”, alguns com medo de errar, outros se borrando mesmo.

O relâmpago deles é mais lento que o nosso 

É humanamente impossível o bandeira dar com tanta certeza o desfecho de dois lances tão instantâneos como no último clássico. O reflexo teria de ser imenso, fora dos padrões humanos. O reflexo ali só daria para enxergar a camisa. Pronto. Para bom entendedor, meio pingo é letra. Em qualquer lugar do mundo se espera um comportamento padrão de atuação. Ou seja, ou anula tudo que tiver dúvida, ou valida tudo. Se com recursos técnicos eu já vi versões positivas e negativas dos dois lances, a única certeza que tenho é que suscita a dúvida. É aí que está a questão. Não discuto o erro em si, isso todos nós estamos sujeitos. Discuto a diferença enorme de “convicções”.  Conversei com ex-árbitros e alguns foram categóricos, é um lance muito rápido, que o árbitro marca aquilo que ele achar primeiro e vai para o vestiário rezando para ter acertado e não cometer injustiça. E ao ver que errou no lance do Atlético, ele poderia validar o gol do América no segundo tempo nas duas interpretações: se ele achou errado o lance do América, compensa o erro do primeiro tempo. E se achar que foi gol, nada mais justo que correr pro meio. Nas duas situações de “interpretação” poderia se validar.

E numa tentativa de blindar os árbitros para o campeonato não perder a credibilidade – já que a Federação possui um presidente declaradamente torcedor do alvinegro, e que demonstra pelo menos tentar presidir sem “comprometimentos” da imagem – partiu pra cima da mídia com defesa do bandeira desmentindo o recurso técnico da TV. Isso daria discussão interminável.

Qual a maior relevância da discussão? 

De novo, o que está em jogo é a diferença de tomada de decisões em duas situações relâmpagos, não precisa discutir as particularidades de cada fato.

Isso tem que ser divulgado, pois a grande mídia trata como “choro” da presidência americana. Mas pra quem nunca estudou a história do futebol mineiro, entende os momentos como fatos isolados, adotaria essa mesma impressão. Quem verifica tudo como um processo histórico, entende perfeitamente o que o América passa em termos de lutar contra tudo e contra todos. É um tsnumani na linha do tempo.

E fica feio, Federação. Não ache que assim vocês estão reforçando o mais forte. Esse mais forte de MG, que possui mais de 40 títulos mineiros, é o único forte estadual do país que quando sai do Estado está a quase 50 anos sem ver título no brasileirão. Lá fora não tem FMF. Aí o “choro” passa a ser a tônica dos hipócritas de plantão que hoje ridicularizam a indignação americana.

Não estou dando valor demais em um clássico de turno, não estou tapando o sol com a peneira e evitando falar dos erros apresentados pela equipe do Enderson Moreira. Não caiam nessa e não enxerguem isso como mais um “mero” fato isolado. É HISTÓRICO!

Reparem que o Atlético voltou a não vencer, empatando com o Tupi. Perdeu pontos para a Patrocinense no Independência. Perdeu para o Villa com time dito alternativo. Só “sobrou” no clássico? Nos momentos chave? Aonde estava em jogo a permanência do técnico interino e de todo um planejamento anual? No primeiro clássico do ano televisionado? Só sobrou no 3×0, sem nenhum elemento facilitador? Só não enxerga quem não quer.

Justiça é diferente de benefício

Árbitro de fora não significa NUNCA que seremos beneficiados. E para ser justo, publico também as situações que o América perdeu com árbitro de fora em jogos decisivos contra o Atlético. Mas espera-se no mínimo isonomia, que erra para os dois, acerta para ambos, define dúvidas de forma proporcional, com um cara que desce do aeroporto, troca de roupa, apita, toma banho e vai embora. Não vive as semanas de ladainha dessa imprensa mineira que trata o alvinegro como Real Madrid, mas que lá fora não mete medo nem em time do Acre.

Olho no lance Salum! Um abraço verde.

P.S.:  A História não mente. Mesmo que queiram insistir e repetir erros…

Referências: Era profissional do Campeonato Mineiro: títulos do América e os confrontos em decisões contra o Atlético.

1 – 1948 | Árbitro de fora | América campeão
28/11/1948 – América 3×1 Atlético| Árbitro: Mr. Barrick (Inglaterra)

2- 1957 | Não houve final contra o Atlético |  América campeão
22/12/1957 – Democrata SL 1×4 América.
29/12/1957 – América 0x0 Democrata SL
5/1/1958 – América 1×1 Democrata SL

3 – 1958 | Árbitro de fora | Atlético campeão
14/4/1959 – América 0x1 Atlético | Alberto de Gama Malcher (RJ)
23/4/1959 – América 0x1 Atlético | Alberto de Gama Malcher (RJ)
*As finais do campeonato de 1958 foram disputadas em 1959.

4 – 1971 | Não houve final contra o Atlético* | América campeão
4/4/1971 – Atlético 1×2 América | Maurílio José Santiago (MG)
23/5/1971 – América 1×0 Atlético | Maurílio José Santiago (MG)
*Partidas de turno e returno. O campeonato foi disputado no sistema de pontos corridos.

5 – 1993 | Não houve final contra o Atlético* | América campeão
6/6/1993 – América 4×0 Atlético | Márcio Rezende de Freitas (MG)
20/6/1993 – América 2×2 Atlético | Lincoln Afonso Bicalho (MG).
*Partidas América x Atlético no quadrangular final

6 – 1999 |  Árbitro FMF | Atlético campeão
27/6/1999 – América 2×1 Atlético | Paulo César de Oliveira. (SP)
1/7/1999 – Atlético 1×1 América | Paulo Cesar de Oliveira (SP)
4/7/1999 – Atlético 1×0 América | Lincoln Afonso Bicalho (MG)

7 – 2001 | Árbitro de fora | América campeão
27/5/2001 – América 4×1 Atlético. Paulo César de Oliveira (SP)
3/6/2001 – Atlético 3×1 América. Paulo César de Oliveira (SP).

8 – 2010 | Árbitro FMF | Quartas-de-final | Atlético passou para a semifinal
24/1/2010* – América 1×1 Atlético. Cleisson Veloso Pereira (MG)
4/4/2010 – América 3×3 Atlético | Joel Tolentino da Mata Júnior (MG)
7/4/2010 – América 2×2 Atlético | Renato Cardoso Conceição (MG) | Expulsão do zagueiro Preto aos 37′ de jogo, quando o dominava a partida. O Atlético abre 2×0 no segundo tempo e o América, com um a menos, vai buscar o empate. (Vídeo com os lances da partida, incluindo a expulsão esdrúxula – https://youtu.be/rrYpk35SOrI)
* Jogo da fase de classificação

9 – 2011 | Árbitro de fora | Semifinal | Atlético passou para a final
24/4/2011 – América 1×3 atlético | Luiz Flávio de Oliveira (SP)
30/4/2011 – Atlético 2×1 América | Cléber Wellington Abade (SP)

10 – 2012 | Árbitro de fora | Atlético campeão
6/5/2012 – América 1×1 Atlético | Francisco Carlos do Nascimento (AL)
15/5/2012 – Atlético 3×0 América | Leandro Pedro Vuaden (SP)
*Ano do centenário americano

11 – 2014 | Árbitro FMF | Semifinal | Atlético passou para a final
23/3/2014 – Atlético 4×1 América | Cleisson Veloso Pereira (MG)
30/3/2014 – Atlético 1×1 América | Emerson de Almeida Ferreira (MG)

12 – 2016 | Árbitro de fora | América campeão
1/5/2016 – América 2×1 Atlético | Dewson Fernando Freitas da Silva (PA)
8/5/2016 – Atlético 1×1 América | Wilton Pereira Sampaio (GO)

SALDO:
América campeão com árbitro FMF contra o Atlético: 0. REPETINDO: ZERO.
América campeão com árbitro de fora contra o Atlético: 3.
Dos 6 sucessos do CAM, envolvendo finais e semi, 3 foram com árbitros de fora e 3 com FMF.

Conclusão : América NUNCA levantou uma taça no dia em que esteve um árbitro mineiro apitando contra o atlético na era profissional.

Mário César Monteiro
twitter.com/MarioMonteirone


ASSINE O CANAL E ACOMPANHE O PODCAST AO VIVO: http://www.youtube.com/decadentes/

ASSINE O PODCAST NO SEU SMARTPHONE: iTunes, Android, RSS, DeezerTuneIn

SIGA OS DECADENTES NAS REDES SOCIAIS:
Facebook: http://www.fb.com/DecadentesAMG
Twitter: http://twitter.com/DecadentesAMG
Aplicativo: http://app.vc/decadentes

A partida de 106 anos

Belo Horizonte , como foi uma cidade planejada, teve uma inauguração oficial: 1897. Logo, em 1912, ano da fundação do América F. Clube, a cidade era uma mera “debutante” de 15 anos.

A cidade nascia quase junto com uma partida eterna, que jamais terminará. Essa partida é o clássico América x Atlético, que já foi América x Athlético, clássico das multidões, galo x coelho, etc. Ao longo das Eras, atravessando ditaduras, cortinas de ferro, Guerras frias, tsunamis, terremotos no mundo, Copas, o clássico resiste a tudo.

Convencionalmente uma partida possui dois tempos. Essa já possui 2.404 tempos, já passou da esfera dos milhares. Começamos bem com a vitória de 1 x 0, gol do Júlio Cunha em 14 de Junho de 1914. Também em 1914 se deu a primeira goleada do COELHÃO, 4 x 0. O campeonato mineiro oficialmente começou como “campeonato da cidade” e só teve início em 1915. Sim, senhoras e senhores. O clássico é mais velho que até o Campeonato Mineiro. O clássico existe antes da estratosfera, das placas tectônicas, ouso a dizer que Caim e Abel estiveram cada um de um lado, vestindo os panteões dos dois clubes em algum embate do Prado Mineiro.

Foto de Marinho Monteiro ao lado de Jair BalaAo longo das décadas, o COELHO foi visto de formas diferentes. Era a máquina demolidora do Deca, depois o contestador do profissionalismo, a fênix da ressurreição da Nova Alameda, o resistente da tríplice coroa, o tradicional da era Mineirão, regido pelo maestro Jair Bala, o quase extinto dos anos 80,  a retomada das grandes vitórias em clássicos dos anos 90 e a reconstrução dos ano 2000.

Independente dessa forma como o América estava, era clássico o Coelho dar a vida no jogo mais importante do ano. E daí surgem exemplos épicos: como o Coelho, que mal tinha campo para treinar, ganhar de uma seleção atleticana com gol do Luís Carlos Gaúcho. Tradição não se explica. Essa partida tem vida própria.

Por ela ter autonomia na sua existência, ela não depende de campeonatos. Ela nasceu antes. Muitos do futebol moderno olham o clássico depois de olhar em que campeonato ele está inserido, ou até mesmo em qual fase, para atribuir relevância. O clássico vem antes disso tudo. Pode ser um inimistoso (amistoso não ouso dizer) ou uma possível semifinal de Libertadores (um dia chegaremos). Não importa. É América x Atlético, antes de tudo. Tem que vencer! Quando digo que é muito mais que 3 pontos, não significa o aspecto de pontuar somente na tabela. É o coração do perpétuo que está em jogo. É mais um tempo daquilo que nunca terá fim. É a auto estima para a nossa sobrevivência institucionalmente. Estranho, “eles”, que se julgam sempre superiores e nos tratam como “mequinha”, simplesmente cobiçam tudo que temos, desde o início da história. Estranho cobiçar aquilo que se julga inferior, não é? São incoerentes até nisso.

Isso não é de hoje:

– Fizeram de tudo para tomar o Independência.

– Fizeram de tudo para colocar arquibancadas metálicas do jeito deles.

– América, histórico revelador de talentos, sempre teve seus craques mega desejados pelos carijós. E pior, era “obrigatório”, na visão deles, passar para eles a preço de banana.

– Várias vezes em priscas eras queriam fundir as estruturas. Fundir no caso para o América deixar de existir e eles manterem todos os seus simbolismos na instituição.

– Usam o 9×2 como a maior partida deles contra o Cruzeiro. Sendo que o 9×2 foi uma partida do contexto dos DEZ anos de títulos seguidos do América. E justo o DECA do Coelho é ACHINCALHADO por eles. Estranho. Enaltecem uma partida e desdenham 10 canecos do mesmo contexto… Isso explica como um jogo pode ser maior que tudo. Sem contar que o Cruzeiro assumiu ter perdido de propósito para o América não abocanhar o 11º título seguido, confissão do zagueiro Ninão e já publicado no Estado Minas e no livro Futebol do embalo da nostalgia, do Plínio Barreto, citação na página 108. Sim, juntaram todas as forças para acabarem com o América. Até duas ligas foram feitas em 1926 para minar a máquina do DECA.

– Alegam ser o clube do povão sendo que tem os ingressos mais caros e o sócio-torcedor mais elitista do futebol mineiro. Chamam o nosso COELHO, o time das entradas mais modestas e populares, como excludente. América, justo o único clube fundado por negro em Belo Horizonte, Geraldino de Carvalho. Aquele formado por crianças que aceitavam tudo e todos em seu quadro, com o nome escolhido por uma menina num sorteio, Alda Meira, que aceitou até os dissidentes do Atlético na famosa briga de 1913, aonde gente lá de dentro saiu e prometeu acabar com eles, o que foi realmente feito, já que o deca campeonato de 1916-1925 foi construído com auxílio daqueles ex-alvinegros que juraram vingança. O nosso reduto até os dias de hoje é o ambiente mais familiar do futebol mineiro. É muito comum se cumprimentar aquele que jamais conversou com a gente, ou enturmar logo de cara. Por isso é comum muitos americanos irem sozinhos ao campo e mergulhar nesse universo de novas e antigas amizades.

Posso ficar o ano inteiro citando fatos. Um ano não é nada pra aquilo que é eterno. Assim, até na antiga “purrinha” na frente do Café Nice, se tiver um atleticano do outro lado, é vencer ou ganhar.

Aliás, é costumeiro conhecermos o clássico antes mesmo de ir ao jogo propriamente dito. Meu saudoso avô, me levando para o parque dos Mangabeiras, ao levar uma fechada acintosa na av. Afonso Pena, com todo pudor, avisa: “sai pra lá atleticano”. Para uma criança de cinco ou seis anos, entendia que era o pior dos xingamentos. E com o tempo, tive trabalho para “desfazer” essa lavagem cerebral.  Se bem que quando ouço o soar do apito de mais um tempo dessa batalha, aquela criança aparece ao meu lado caladinha e segura a minha mão. Há mais de 30 anos.

O Mineirão ou o Independência com um barulho ensurdecedor da vibrante massa rival, é o cenário que faz um modesto time americano encarar ataques milionários. São os dedos cruzados de cada americano. É o típico jogo em que até os que se foram descem à Terra para conferir.

Esqueço o campeonato, ou a fase. Em qualquer situação, balançar a rede alvinegra me faz a pessoa mais feliz do mundo.

Todos ao Independência para apoiar os comandados do Enderson Moreira. Eles passam, as camisas dos dois times continuam se digladiando. A camisa deles, eles torcem contra o vento. A nossa é mais pesada porque tem sangue jorrado pela luta da sobrevivência. E sangue não evapora como água do suor. Fica no tecido, marcado. Não sai nem com lavagem. Não torcemos contra o vento. Rimos dos furacões.

América, eu te amo.

Mário César Monteiro
twitter.com/MarioMonteirone


ASSINE O CANAL E ACOMPANHE O PODCAST AO VIVO: http://www.youtube.com/decadentes/

ASSINE O PODCAST NO SEU SMARTPHONE: iTunes, Android, RSS, DeezerTuneIn

SIGA OS DECADENTES NAS REDES SOCIAIS:
Facebook: http://www.fb.com/DecadentesAMG
Twitter: http://twitter.com/DecadentesAMG
Aplicativo: http://app.vc/decadentes