Decadentes #171 – Expetativas Coelhônicas 2019

Ó nóis aqui traveis! Cabô férias!
Expetativas para o 2019 do Coelhão, que começa no próximo final de semana!

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Pesquisão Decadentes 2019

Chegou a sua hora de ser o “Diretor de Futebol” do América para 2019!

Na nossa pesquisa, você terá o poder de contratar, demitir e pensar o futebol para o próximo ano.

Elenco 2018

Créditos: Mourão Panda (@photompanda) /América MG

Leva apenas 5 minutos para responder. É só clicar neste link.

Participe!

Por que?

Por que com o América?

Por que quando quase perdemos 21 pontos no caso Eduardo nunca se achou um culpado e muito menos este foi punido?

Por que insistimos nas velhas soluções para novos problemas?

Por que sempre perdemos o bonde da história, desde a recusa ao profissionalismo?

Por que perdemos um técnico no meio de um campeonato para um rival?

Por que esse técnico não foi substituído a altura?

Por que perdemos um mês de pré temporada durante a copa?

Por que deixamos alguém “realizar seu sonho em voltar a ser técnico” com o Drubcsky?

Por que repetimos o erro em deixar alguém “realizar seu sonho em voltar a ser técnico” com o Adílson Batista?

Por que montamos um time a base de empréstimos com taxa de vitrine baixíssima, sendo que jogávamos uma série A?

Por que a permanência do Serginho não foi viabilizada com algum empresário amigo, sendo que para trazer os encostos de outros times sempre se acha uma alma boa?

Por que insistir em um armador bichado e trazer um reserva que fez apenas um jogo?

Por que manter os mesmos atacantes que foram ineficientes no fraco campeonato mineiro?

Por que nosso mais bem pago jogador amarelou para bater um penal em seu ex-clube?

Por que o Luan bateu aquele pênalti “na boleiragem” , ao contrário de um pênalti de segurança?

Por que um atacante perde um gol na cara em um jogo de vida e morte?

Por que apoiar um conjunto de dirigentes que tem a cabeça no passado e teme o futuro?

Por que continuar torcendo pra esse time, o América Futebol Clube?

Essa eu sei. Continuo torcendo pois ali está consagrado o que eu sou, meu amor, minha vontade e minha alma. Sou americano e nenhum desses porquês me fará menos. Como disse Mário Quintana, “Eles passarão, eu passarinho”. O América um dia passarinhará desses abutres.

“Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura. Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro. Por falta de um cavaleiro, perdeu-se uma batalha. E assim, um reino foi perdido. Tudo por falta de um prego.”

 

Crédito da Imagem da capa: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

Os humilhados serão exaltados!

No evangelho de Lucas, capítulo 18, o Cristo conta uma parábola sobre dois homens que foram ao templo para rezar. O primeiro deles diz a Deus que não é como as pessoas comuns, que era um homem de bem, que jejuava duas vezes por semana e dava seu dízimo aos pobres. O segundo homem só pede a Deus a Sua misericórdia, pois ele mesmo é um pecador. Cristo diz aos seus apóstolos que irá aos céus apenas o segundo homem, porque quem se exalta, falando de seus próprios feitos, será humilhado e que o humilhado será exaltado.

Nada mais simbólico para o nosso momento do que começar essa coluna com um trecho bíblico. Se não fosse tão pouco religioso, já teria largado os livros de matemática e agarrado na Bíblia, no Alcorão, no Bhagavad-Gita ou qualquer outro tomo que oferecesse salvação.

Mas no começo da semana, chegou Givanildo, supremo profeta da simplicidade e do futebol raiz, com uma missão quase impossível de nos salvar da segunda divisão. E os humilhados do América começam a ser exaltados.

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Créditos: Mourão Panda (@photompanda) /América MG

Givanildo

O mestre dos magos sertanejo Givanildo é uma solução caseira. Pode resolver? Pode resolver. Sua maior qualidade é a simplicidade nas escolhas. Após um longo tempo, conseguimos ver no Coelhão uma escalação que realmente pareça uma escalação e não um amontoado semi-caótico de jogadores mais o Gerson Magrão. Ao escolher a formação, escala seus dois melhores zagueiros, seus dois melhores laterais e assim por diante. Sem dobras exóticas, sem profusão de volantes. Dobra de lateral com o mestre Giva só se for pra surpreender a cachorrada em final de campeonato.

A escalação contra o Inter já se mostrou diferente do desastre de trem que foi o jogo contra o Paraná. Convenhamos que o jogo já seria dificílimo se estivéssemos jogando em alto nível. Mesmo com os colorados jogando em casa e buscando um título, jogamos bem. Como disse no programa de sexta passada (Decadentes #166 – Internacional 2×0 América (Brasileirão 2018)), o futebol mostrado me deixou revoltado em pensar no tempo que perdemos com as invencionices do fã de futebol inglês Adílson Batista. Na  minha opinião, o dito cujo deveria ter sido demitido ainda em Curitiba após a vergonha contra o Furacão. Ali o time já estava perdido e confuso, tão perdido e confuso quanto seu técnico.

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Créditos: Mourão Panda (@photompanda) /América MG

Santos

O americano que ontem foi a nossa casa teve sua esperança renovada. Menos pelos três pontos conquistados do que pelo futebol demonstrado. O Coelhão demonstrou uma vontade e uma raça que estava sumida desde muito tempo atrás. Uma partida tão boa que eu e Sérgio Tavares, na resenha pós, tivemos dificuldade em escolher um Colatina que não fosse o juiz.

Entre os destaques da partida de ontem, três humilhados. Ademir, Zé Ricardo e Christian fizeram uma excelente partida, assim como Ricardo Silva contra o Inter. Para quem não se lembra (Os quatro exilados), esses quatro foram rebaixados para a equipe de aspirantes sem muita explicação. Com essa atitude, Adilson Batista tirou as “sombras” dos velhacos do plantel. Observe como o futebol de seus pares mais experientes piorou com o exílio dos meninos, que foram voltando gradativamente mas com poucas chances.

Fiquei muito feliz sobretudo com a entrada de Christian, o injustiçado dessa temporada. Nunca fez uma partida ruim no América. Sempre fez jogos bons, com poucos jogos regulares. Considero-o até mais estável que o Zé Ricardo nas atuações, embora o Zé do Coelho alterne mais em termos de qualidade, tanto para cima quanto para baixo. Mas a vontade que os quatro demonstraram em campo, correndo, roubando bolas e até os lançamentos do Zé estavam caprichados. Parabéns pra eles. A pequenez das mentes de quem nos persegue é sempre vencida pela força do trabalho e da vontade. Quem dera aquela falta no ângulo tivesse entrado.

Contas

Nos restam três partidas. O Departamento de Matemática da UFMG considera que um time com 43 pontos tem menos de 5% de chance de rebaixamento. Portanto precisamos de mais seis pontos. Considero o jogo de quarta contra o Palmeiras praticamente perdido, uma vez que poderão ser campeões na quarta, em casa,  dependendo de uma combinação de resultados. Se conseguirmos um empate já será sensacional.

Portanto, o jogo chave é o de domingo, contra o Bahia de Enderson Moreira. Se ganharmos, chegamos bem vivos ao último jogo contra o Fluminense no Rio. Fluminense que provavelmente, com uma classificação para a sul-americana, já não estará disputando nada.

Sendo assim, já rogo ao Marketing do América que mude o Futebol do Sócio que está marcado para dia 1/12 para o outro fim de semana. Com fé, precisaremos invadir o RIO!

Grande abraço a todos!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda (@photompanda) /América MG

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Esperança decadente

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Foto: Daniel Hott / América

O momento que passamos não é dos melhores, nossa seca de vitorias no momento é grande e ver toda nossa distancia para a zona de rebaixamento ter sido reduzida a pó é de fato preocupante e traz duras, e merecidas, críticas ao nosso treineiro, Parda Batista. Entretanto há de se relativizar certas coisas, e vou tentar ter uma visão um pouco mais otimista para nossos próximos jogos. 

Times  Posto Ipiranga  Pardal Batista 
Sport  vitória  vitória 
Flamengo  derrota  empate 
Vitoria  vitória  derrota 
Vasco  derrota  vitória 
Ceara  empate  empate 
Botafogo  vitória  derrota 
São Paulo  derrota  empate 
Corinthians  derrota  empate 
CAP  vitória  derrota 
CAM  derrota  empate 
Chape  empate  derrota 

 

Analisando os jogos do primeiro turno que correspondem aos já disputados no segundo, com o Posto fizemos 14 pontos, com o Pardal, 11.  Na dura analise destes números é uma diferença de 3 pontos, o que na nossa briga contra o descenso é muito, entretanto pode-se perceber que nosso desempenho nunca foi muito brilhante. 

É verdade que o futebol apresentado pelo time sob a batuta do Pardal não é bom, o time até fez bons jogos contra o flamengo, o Inter, o Vasco, os galináceos de Vespasiano, mas em geral o futebol é muito pobre, finalizamos pouco e quase não fazemos gols. Mas como escrevi no último texto, em estatísticas o time até mantem mais a bola que o carrossel Ipirangues (cuja fama se deve mais pela série B do que por este ano). O que me faz acreditar que, ainda que o estilo de jogo com o Posto fosse um pouco mais aprazível no geral, não podemos esquecer que fizemos jogos muito ruins com ele também, como os jogos contra Vasco, Corinthians, São Paulo e Chape, o que me faz crer que estaríamos também nesta situação ainda que não tivéssemos sido traídos pelo Judas tecedor de cestas. 

Eu não nutro simpatia pelo Pardal, em verdade, achei um erro a sua contratação, não um erro tão grande quanto efetivar o Tião das Perdas Drubsky, mas ainda sim um erro. Não acho que ninguém muito competente fica 3 anos sem comandar um time de futebol, e os seus últimos trabalhos antes desse longo hiato não podem ser definidos como de sucesso. Mas ainda tenho esperança. 

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Foto: Daniel Hott / América

Minha esperança reside no fato de que agora passaremos pela sequência que com o Tião Drubsky tivemos duas derrotas e depois o período dourado do Pardal na sua curta passagem pelo América.  Tenho esperança pois enfrentaremos agora um Cruzeiro relaxado, em ritmo de férias e depois o já rebaixado Paraná, e nessa situação, nesta luta contra o rebaixamento, duas vitorias seguidas dão um animo muito grande e podem ajudar a depois de obter esses 6 pontos, buscar os pontos restantes para conseguir a permanência na série A. Tenho esperança pois embora não esperasse nada do Pardal ele conseguiu alguns bons resultados e creio que os pode voltar a conseguir. 

Sei que o momento é difícil, mas não joguemos a toalha ainda. O futebol que apresentamos não é bom, mas o nível do futebol no Brasil como um todo não o é. Agora mais do que nunca época o momento de abraçar o time, de ir ao Indepa, de incentivar e torcer da forma que cabe a cada um, mas se fazendo presente. Afinal, se a esperança época verde, façamo-la Alviverde e preta.

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Foto: Mourão Panda / América

Elegia

Começo a coluna com um questionamento. De onde vem a sua americanidade?

A minha é relativamente fácil. Minha família é formada em grande parte por americanos. Pelo lado materno, meu avô era um americano apaixonado e minha avó, de ascendência italiana, era cruzeirense de quatro costados. A carteirinha dele ilustra essa coluna. A paixão dos dois dividiu os sete filhos entre as duas facções, com vantagem pro Coelhão. Minha mãe não cansa de dizer que quando me vê indo pro “Sete” quatro horas antes do jogo se lembra do pai, que pegava sua almofadinha do América e o rádio em direção a sua segunda casa. Dentre meus tios, destaco meus tios Mauro e Cacá, que me fizeram adotar o Coelhão. Em um dia de clássico América e Cruzeiro, meu tio Mauro se esqueceu do jogo e chegou em casa mais tarde, caindo na besteira de perguntar a minha vó quando havia ficado o jogo. Dona Gilda prontamente arrancou seu tamanco de madeira e bateu fortemente na cabeça dele três vezes, dizendo “Um!Dois!Três a Zero!”.

Por outro lado, meu pai nasceu em Morro do Ferro, antigo distrito de Bom Sucesso em 1935. A casa de meu pai não era ligada em futebol e quando ele veio para Belo Horizonte em 1953, chegou aqui “virgem” de time. Trabalhando como carregador no Mercado Central (para quem não sabe, local de nosso primeiro estádio!), foi convidado por um amigo atleticano para ir ao clássico contra o América. O amigo contou muita vantagem, que aquele dia seria de goleada. Tenho certeza que todos conhecem um desses. Ao chegarem ao Alameda, ocorreu o de sempre: o Coelhão sendo roubado. Dois gols ilegais foram dados ao time de Vespasiano, fazendo um 2×0 vergonhoso, o que revoltou meu pai. Decidido a torcer pro injustiçado, virou americano naquele dia. Para coroar sua decisão, o Coelhão virou aquele jogo, se não me engano para um 4×2.

Quando meu pai se casou com minha mãe, a equipe estava formada. Iam ao jogo religiosamente meu avô, meu pai e tio Mauro. Viram Jair, viram Ari, viram Zuca, viram Juca Show juntos.

 

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Créditos : Reprodução/Sportv

No dia 22 passado, perdi meu pai. Meu avô morreu quando eu era pequeno. Pelas curvas do destino, eu e meu pai americano nunca havíamos ido a um jogo do América juntos, principalmente pelo fato dele morar no interior. Realizei esse sonho no ano passado, quando fomos a Varginha juntos ver o jogo contra o Boa. Como lembrança, consegui adquirir as camisas do Bill ,que fez os dois gols daquele jogo, e do Felipe Amorim, que deu o passe pro segundo gol naquele 2×2. Talvez essa seja a lembrança recente mais bonita de meu pai.

O América é esse fio de ouro que amarra tantas vidas e tantas histórias. Que eu tenha tantas histórias bonitas pra contar no futuro como eles contaram a mim.

Grêmio

Não se iludam: o time do Grêmio que virá não é nenhuma mosca morta. Em qualidade individual, os reservas que estão vindo se igualam ao nosso time. Portanto, será um jogo duríssimo.

Além do fato de quererem mostrar serviço em época de renovação de contrato, é preciso ficar atento ao esquema de jogo. Infelizmente não é um jogo que dê pra jogar defensivamente. Precisamos ganhar.

Nosso papel é comparecer em peso e apoiar o time não importa o que aconteça. A permanência na série A também é responsabilidade de todos nós.

Grande abraço a todos e nos vemos no Independência!

 

 

Carrossel Pardiola

Nesta semana o jornalista Mauro Cezar Pereira publicou em seu blog uma entrevista com nosso treineiro, Adilson Batista, e neste texto me chamou atenção uma fala do Pardal em que ele disse gostar de armar times que propõem o jogo, mantendo a posse e etc. Tal afirmação foi feita após uma perguntada acerca da jogada do gol do “Little Mathews” que nos assegurou o pontinho contra o São Paulo.

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Foto: Estevão Germano / América

A resposta do Pardal Batista me levou a refletir sobre o tema, uma vez que para boa parte da torcida, Adilson é a antítese ao Posto, sendo muito defensivista e abusando de inventividade para escalar a maior quantidade de volantes em campo, enquanto o Judas Moreira era reconhecido pelo seu futebol de posse estéril, rodando a bola sem efetividade e pouca finalização. Porém, ao comparar as estatísticas de ambos no Brasileiro, e também ao hiato de 2 jogos com o “Tião das Perdas” Drubsky, temos uma surpresa.

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Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Ao contrário do que pregava, o Enderson não estava teve domínio da posse de bola em nenhum jogo deste brasileiro, embora o time dele não fosse reativo (a transição era lenta e o time tentava construir o jogo desde o campo de defesa sem muito contra-atacar), ele não conseguiu fazer o time reter a bola e trocar muitos passes, o que boa parte da torcida esperava e apregoava ao “Carrossel Ipirangues”.

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Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

O Tião Drubsky de fato tentou mudar certos aspectos de jogo quando substituiu o Posto, já apresentando uma maior posse de bola e de trocas de passe que o seu antecessor, o que não representou muito, uma vez que ele foi, por sorte, remanejado ao cargo de Diretor de Futebol após duas derrotas, mas já mostra que o Carrossel Ipirangues não era de fato o mesmo.

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Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Sob o comando de Pardal Batista, apechoado de retranqueiro, o time de fato passou a tomar muito menos gols, a média passou de 1.5 com o Posto para 0.6!!! E, de fato, o time passou a fazer menos gols e a finalizar menos por partida, isto poderia apenas reafirmar a pecha que lhe fora apregoada, mas há algo mais nos números. O time hoje sofre menos gols, no entanto o número de finalizações certas dos adversários não caiu como a de gols sofridos, pelo contrário, ela subiu em média, e a posse de bola e número de passes trocados hoje é maior que nos tempos de Judas Moreira.

Claro que não vou dizer que vemos nos jogos com o Adilson um time super ofensivo, com semelhanças aos esquetes comandados por Klopp e Guardiola (em quem ele disse se inspirar na referida entrevista), mas talvez muitos já condicionam isto à inventividade de escalar muitos volantes, e não somente ao jeito de se portar em campo.

Conforme disse no texto da semana passada, há sim o que se melhorar no trabalho do Pardal Batista, podemos discutir as opções pelos sub-óbito em detrimento dos jovens, ou as improvisações do Juninho na meia direita, do David como armador ou Ruy isolado na frente, bem como o baixíssimo número de finalizações por jogo, mas o trabalho a priori é bem positivo e, se tiver uma continuidade e aprimoramento das ideias talvez possamos ter um novo Carrossel no futuro: O “Carrossel Pardiola”.

Meu Herói, por Alexandre Dolabela Dias

Uma das coisas mais gratificantes em participar do Decadentes é prover espaço a todos os americanos. E foi nesse espírito que o Alexandre Dolabela Dias, leitor desse espaço e ouvinte do programa, leu a coluna de ontem do Rodrigo sobre o campeonato de 73 (73 – o ano que devemos repetir) e decidiu contar um pouco sobre o jogo em que o Neneca foi expulso, que reproduzo abaixo com a autorização dele. Parabéns pelo texto, Alexandre! Me emocionou muito, mesmo não tendo vivido este jogo e muito obrigado a você e ao Rodrigo por dividirem outros capítulos dessa história linda que é o América.


MEU HERÓI

Nunca tive um herói na infância. Falo de heróis  famosos tipo Zorro,  Super Man, Flash. Mas naquela tarde no Mineirão ele me apareceu…

Tarde cinzenta de domingo  no Gigante da Pampulha que recebia grande público apesar do mau tempo . Era um dia de dezembro de 1973  e meu América jogaria contra o Atlético  pelo Campeonato Brasileiro.  A nossa fiel e apaixonada torcida  fazia uma boa presença e a torcida do Atlético, numerosa e vibrante, ocupava a maior parte das arquibancadas.

Dois grandes times se enfrentariam no clássico. De um lado estava o Galo  que  fazia uma campanha regular no campeonato e tinha grandes jogadores  e o mítico Tele Santana como técnico. Do outro o Coelho que vinha de várias partidas invicto, grandes vitórias e cumpria espetacular campanha num longo Campeonato Brasileiro.

Na pré-hora do jogo, ainda nos bares do estádio, fui surpreendido pela gente americana ou pelo menos a maioria dos nossos torcedores estranhamente tomada de excessiva  confiança no triunfo. Confiança justificada, é claro,   pelo retrospecto do time e pela análise técnica de jogadores que vestiam a camisa verde e preta em 1973. Mas em verdade as considerações técnicas sobre os times e  o retrospecto no Campeonato, nada disso importava à apaixonada torcida. Sentia-se independentemente de qualquer análise que  para a gente americana  o jogo estava ganho, o jogo era nosso.

Dentro daquele imenso estádio e em meio àquela multidão um sempre cauteloso jovem “alamedino”,meu apelido de infância, tinha o coração dividido,  acostumado que estava  a ver o Atlético vencer o América na maioria dos jogos no início da “Era Mineirão”. O coração incontrolavelmente  verde queria cantar vitória mas a razão não permitia euforia e recomendava prudência.

Jogo equilibrado no início, com chances para os dois lados. Com o passar do tempo, porém, o Coelho foi dominando as ações e já no final do primeiro tempo de um clássico disputadíssimo o América mostrava um melhor futebol e ameaçava muito mais. A essa altura o placar já não mostrava o que acontecia em campo. Merecíamos pelo menos um gol, que não acontecia. Nossa torcida vibrava mas já transpirando ansiedade porque o placar não traduzia com justiça  as ações de cada time no gramado.

Começa o segundo tempo e o que era domínio passa a ser supremacia absoluta. Resultado: um gol de Cândido logo de início e, alguns minutos após grande domínio do Coelho, outro  gol de Pedro Omar.  O  2 a 0 do América só fez justiça ao que acontecia no jogo.

Delírio da nossa torcida que não parava de gritar. Do outro lado a torcida do Atlético atônita e silenciosa… Parecia naquele momento tudo muito fácil e placar consumado. O time de  Pedro Omar,Neneca, Vander, Spencer e Juca Show era o dono do jogo e o Galo  completamente dominado… Era só administrar a partida e aumentar o placar. Spencer, um dos maiores craques do América e do futebol mineiro chegou a ser substituído por  Alemão, que ainda teria papel importantíssimo naquele jogo espetacular.

De repente, porém, aconteceu aquilo que nem o mais pessimista  americano poderia imaginar.  Neneca,  que juntamente com Leão eram os dois melhores goleiros daquele Brasileirão é expulso de forma injusta  juntamente com Arlem do Atlético, que provocou a expulsão do goleiro. Lembro-me que fiquei atônito na arquibancada, não só porque perdíamos a nossa “muralha” mas também  porque já havíamos feito as duas substituições permitidas. Silêncio total entre a torcida americana nas arquibancadas do Mineirão, ainda mais quando o nosso jogador de meio campo Alemão, substituto do Spencer no jogo, se encaminhou em direção ao gol e colocou a camisa do goleiro reserva que mais  parecia um vestido no pequeno e baixo meio-campista .  Como consequência, era previsível que  teríamos de suportar uma grande pressão do Galo que nos via como um time “sem goleiro”.

E aconteceu exatamente assim. Nos minutos seguintes o Atlético foi desesperadamente pra cima do time americano , que se defendia como podia, com raça e técnica, inclusive com a participação importante do nosso Alemão, corajoso goleiro improvisado que para nosso alívio se desdobrava debaixo do gol.

Cinco minutos após a expulsão a pressão alvinegra ainda aumentava e  quando o coração adolescente daquele americano   já não aguentava mais e que um ou mais gols do Atlético seriam inevitáveis,  aparece no jogo, com força descomunal e surpreendente , um ser de outro planeta. Aquele que já era o melhor jogador em campo ressurge em  espetacular forma de um gigante: JUCA SHOW.

Passados 45 anos do dia daquele jogo ainda me emociono ao relembrar.

Aquele jogador  alto , de pernas longas e corpo ligeiramente encurvado, de forma corajosa e com uma categoria inigualável, resolveu mostrar a todos presentes  que naquele dia o jogo já tinha um dono. Aproximadamente aos 20  minutos do segundo tempo o herói americano decidiu: esse jogo a partir de agora é só meu.  Pareceu-me a partir daquele instante que a bola do jogo era só sua pois praticamente até o final do jogo  ficou com  ela, seja recuperando-a nas investidas  adversárias, seja fazendo inúmeras arrancadas em direção ao gol ou ganhando vários preciosos minutos de jogo nas laterais do campo . Para mim e para os presentes no gigante da Pampulha é até hoje  inacreditável :  em determinado momento do jogo com o adversário tentando retomar desesperadamente a posse de bola,  aquele “monstro” de corpo curvado e pernas tortas ficou mais de um minuto,quase dois minutos seguidos com ela nos pés, fintando em progressão e para os lados, cercado por vários jogadores do Galo, mas não dando a menor chance aos jogadores alvinegros de retomar a bola. Lembro-me que a grande torcida do Atlético emudeceu diante de tamanha categoria e coragem. Parecia-me e a todos que só existia JUCA SHOW em campo. Repito:nunca vi nada igual, até hoje.

Surgia ali no gramado do Mineirão naqueles minutos finais do segundo tempo do jogo , ainda que um pouco tardiamente na minha vida, meu grande herói.

E mais, a única vez que tive a certeza absoluta que  o América ganharia um clássico, mesmo que disputado em circunstâncias desfavoráveis.  E foi exatamente assim. O Atlético ainda marcou um gol meio por acaso perto dos 35 minutos  mas  não me apavorei: já tinha me dado conta que no jogo tinha um super-homem capaz de resolver tudo e que ele estava do do nosso lado.

Final América 2 x 1 Atlético para alegria e festa indescritível dos americanos na saída do Mineirão, fato que deixou marcas fortes, indeléveis, na minha memória e no meu coração.

Obrigado, muito obrigado Juca Show, pela imensa alegria que você me deu nos gramados do Brasil. Obrigado Juca , também pelos bons momentos que passamos  em estádios de Minas Gerais afora assistindo lado a lado na arquibancada até sua morte nos jogos do nosso querido América Futebol Clube.

Alexandre Dolabela Dias

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73 – o ano que devemos repetir

Na década de 70, o campeonato brasileiro era bem diferente desse que conhecemos hoje em dia. Não existia ainda os pontos corridos e a quantidade de equipes participantes aumentou gradativamente ao longo dessa década. em 1971, no primeiro brasileiro eram 20, mas em 1979 tivemos 94 times participando.

E foi em meio a este cenário, sem rebaixamento e com 40 clubes disputando, que nosso Coelhão fez sua melhor campanha em um campeonato brasileiro. o Ano era 1973 e o campeonato era divido em 3 fases.

Na primeira fase, os 40 clubes foram divididos em dois grupos de 20 equipes cada. No 1º turno, os clubes se enfrentaram dentro dos próprios grupos em jogos de ida. No 2º Turno desta fase, ao invés de fazer os jogos da volta, os times foram divididos em 4 chaves de 10 clubes. Jogos também dentro dos próprios grupos.
Somando todos os pontos ganhos nesses dois turnos, os 20 clubes que melhores se classificaram foram para a segunda fase.

Na segunda fase os 20 clubes classificados foram separados em duas chaves de dez equipes cada. Jogos só em ida dentro dos grupos. Os dois primeiros de cada grupo, passaram para o quadrangular final.

A terceira fase foi um quadrangular, onde os quatro finalistas disputaram jogos só de ida, por pontos corridos, tornando-se campeão a equipe que somou mais pontos ganhos.

O América começou 73 com um time que não prometia muito. Mas equipe foi se acertando e terminou a primeira fase em 5º lugar. Na segunda fase até a terceira rodada liderou sozinho o campeonato. E, impressionante, ficou 17 partidas invicto. A equipe que se firmou era:

Neneca

Luís Carlos Beleza
Vander
Luís Alberto
Claudinho

Pedro Omar
Juca Show
Spencer

Eli Mendes
Cândido
Edson Ratinho

O time jogava bem, o cérebro e mentor das principais jogadas era Juca Show, mas o time era coeso, coerente e jogava um belo futebol. O comandante dentro de campo era Pedro Omar, único jogador que ganhou a Bola de Prata da Revista Placar jogando pelo América MG.

1971 - Pedro Omar

Time de 71 com destaque para Pedro Omar, que foi nosso líder na campanha espetacular de 73.

Em 17/10/1973, na 14º rodada do 1º turno, perdemos  para o Bahia, foi 2 a 1 para o time baiano e a torcida pegou no pé do goleiro americano Nego. Logo depois, a diretoria contratou o Neneca, vindo do Londrina, que foi um dos destaques da equipe e se sagraria campeão brasileiro em 1978 pelo Guarani de Campinas.

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Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1973

Após esse jogo com o Bahia ficamos 17 partidas sem perder. Segue abaixo a listagem dos jogos, em negrito a campanha invicta:

PRIMEIRO TURNO

1ª Rodada – 25/08/1973 – Sábado
CRB 0x1 América-MG

2ª Rodada – 29/08/1973 – Quarta-feira
América-MG 4×1 Sport

3ª Rodada – 31/08/1973 – Sexta-feira
América-MG 1×0 Fortaleza

4ª Rodada – 06/09/1973 – Quinta-feira
América-RJ 1×0 América-MG

5ª Rodada – 09/09/1973 – Domingo
Cruzeiro 1×0 América-MG

6ª Rodada – 12/09/1973 – Quarta-feira
São Paulo 1×0 América-MG

7ª Rodada – 16/09/1973 – Domingo
Moto Clube 0x0 América-MG

8ª Rodada – 10/10/1973 – Quarta-feira
Internacional 1×1 América-MG

9ª Rodada – 22/09/1973 – Sábado
América-MG 0x0 Tiradentes

10ª Rodada – 30/09/1973 – Domingo
Coritiba 0x2 América-MG

11ª Rodada – 03/10/1973 – Quarta-feira
América-MG 0x0 Fluminense

12ª Rodada – 06/10/1973 – Sábado
América-MG 1×1 Guarani

13ª Rodada – 14/10/1973 – Domingo
Figueirense 0x0 América-MG

14ª Rodada – 17/10/1973 – Quarta-feira
América-MG 1×2 Bahia

15ª Rodada – 20/10/1973 – Sábado
América-MG 1×1 Botafogo

16ª Rodada – 25/10/1973 – Quinta-feira
Corinthians 1×1 América-MG

17ª Rodada – 27/10/1973 – Sábado
CEUB 0x1 América-MG

18ª Rodada – 31/10/1973 – Quarta-feira
América-MG 2×0 Paysandu

19ª Rodada – 03/11/1973 – Sábado
Nacional 0x0 América-MG

SEGUNDO TURNO

1ª Rodada – 10/11/1973 – Sábado
América-MG 0x0 Vasco

2ª Rodada – 14/11/1973 – Quarta-feira
América-MG 1×0 Botafogo

3ª Rodada – 17/11/1973 – Sábado
Flamengo 1×1 América-MG

4ª Rodada – 24/11/1973 – Sábado
América-MG 1×0 Fluminense

5ª Rodada – 28/11/1973 – Quarta-feira
América-MG 1×1 América-RJ

6ª Rodada – 02/12/1973 – Domingo
América-MG 2×2 Cruzeiro

7ª Rodada – 08/12/1973 – Sábado
Atlético-MG 1×2 América-MG

8ª Rodada – 12/12/1973 – Quarta-feira
América-MG 4×0 Figueirense

9ª Rodada – 15/12/1973 – Sábado
América-MG 2×1 Olaria

SEGUNDA FASE

1ª Rodada – 13/01/1974 – Domingo
Vasco 1×2 América-MG Maracanã (RJ)

2ª Rodada – 16/01/1974 – Quarta-feira
América-MG 4×1 Ceará Mineirão (MG) 

3ª Rodada – 19/01/1974 – Sábado
Tiradentes 0x2 América-MG Albertão (PI) 

4ª Rodada – 23/01/1974 – Quarta-feira
Palmeiras 3×1 América-MG Pacaembu (SP)

5ª Rodada – 26/01/1974 – Sábado
América-MG 1×2 Atlético-MG Mineirão (MG)

6ª Rodada – 30/01/1974 – Quarta-feira
América-MG 1×0 Corinthians Mineirão (MG)

7ª Rodada – 03/02/1974 – Domingo
Internacional 1×0 América-MG Beira Rio (RS)

8ª Rodada – 06/02/1974 – Quarta-feira
América-MG 0x1 Coritiba Mineirão (MG)

9ª Rodada – 09/02/1974 – Sábado
Bahia 2×2 América-MG Fonte Nova (BA)

Alguns destes jogos foram memoráveis, por exemplo, no segundo jogo conta o Botafogo, no Rio de Janeiro, em 14/11, Neneca jogou com o pai recém falecido e o reserva era um garoto da base, pois os outros 2 goleiros estavam machucados.

No jogo contra o Cruzeiro, em 02/12, fizemos 1 a 0 e o Cruzeiro virou para 2 a 1. Entrou o Dirceu Belisquete e no final do jogo ele pegou uma bola (era veloz e habilidoso) driblou o zagueiro central do Cruzeiro, o Perfumo, driblou o quarto-zagueiro, Procópio Cardoso, que entrou forte e arrancou a chuteira dele e, de meia, Dirceu Belisquete cara a cara com o goleiro Raul. fez o gol de empate. Foi sensacional!

Em 12 de dezembro foi a vez de outro clássico contra o Atlético MG, torcida do América maior que a do Atlético que não fazia boa campanha. Primeiro tempo 0 a 0. No 2º tempo Juca Show pega uma bola em nossa intermediária dribla uns 3 vai até a linha de fundo na risca da grande área e rola para Cândido que solta a bomba, América 1 a 0, o goleiro do Atlético era Mazurkieviszk, goleiro da seleção uruguaia na Copa de 1970, aquele que tomou o drible genial do Pelé. Alguns minutos depois Juca Show faz jogada semelhante e desta vez a pancada foi do Pedro Omar. América 2 a 0. Posteriormente em um lance, o ponta direita do Atlético , Árlem, fez falta dura no lateral esquerdo do América, Claudinho e Neneca deram socos nele, ambos foram expulsos. Só que o América já havia feito as 2 substituições permitidas na época e Alemão, que havia entrado no meio de campo durante o jogo foi para o gol. Nesse período Juca Show pegou uma bola em nossa intermediária e saiu driblando, para lá, para cá, para frente, para trás, para os lados, um SHOW mesmo! Segundo disseram, mais de um minuto com a bola. Um gênio! O Atlético fez um gol e terminou América 2 a 1 Atlético.

Na época eu estava com 13 anos/14 anos e ficávamos na parte de baixo da arquibancada onde ficava a torcida do América e todos tínhamos bandeira e saímos correndo nos intervalos dos jogos com essas bandeiras por toda a arquibancada do Mineirão, recebíamos aplausos. Eu, Beto (irmão) , Marquinhos (primo), Rui (primo), Renato (irmão in memoriam), Dadinho e outros mais, Éramos a inocência e aquela paixão pelo América!

Ao terminar a primeira fase (14 partidas invicto), uma briga entre o presidente e o técnico Orlando Fantoni resultou na demissão deste, que ao sair disse: “Uma pena, eu faria esse time campeão!”

No 1º jogo da 2ª fase no maracanã enfrentamos o Vasco, foi no início de janeiro, eles fizeram 1 a 0, Juca Show empatou e Cândido fez o gol da vitória, vencemos o Vasco no Maracanã, e no mesmo ano, o Vasco foi campeão brasileiro, mas de 1974. A torcida do América que foi em bom número ao Maracanã, foi cercada pela torcida do Vasco, em plena arquibancada, muito mais numerosa e foi covardemente agredida, com a detecção e certa passividade da polícia carioca. Mas em campo, Juca Show, foi SHOW, foi GÊNIO. Foi TUDO! Após o jogo algumas palavras foram:

– João Saldanha: “Vocês queriam um novo Didi? Está aí, Juca Show!”

– Nelson Rodrigues: “Zagalo: Você está intimado a convocar Juca Show para a Copa do Mundo da Alemanha!”

– Um outro que não me recordo: “Zagalo: A seleção brasileira é Juca Show e mais dez!”

– Armando Nogueira escreveu em sua boa coluna: “Seu nome é o Show!”

Nesta Segunda Fase, que se estendeu por janeiro e fevereiro de 1974, o novo técnico era Barbatana, que não tinha o mesmo prestígio com os jogadores que o Orlando Fantoni, mas com ele lideramos essa fase e perdemos o posto somente na 4ª Rodada, o que merece destaque, pois foi jogo com o campeão, Palmeiras e houve uma situação dele com Juca Show, o grande craque do América, que merece ser relatada.

Fomos enfrentar o Palmeiras em um Pacaembu cheio. América em 1º lugar com 6 pontos, Palmeiras em 2º lugar com 5 pontos e Juca Show e a equipe bem. O Palmeiras fez 1 a 0, Cândido (creio que 3º artilheiro do brasileiro 1973) empatou no 2º tempo, faltando 3 minutos para o final Neneca não segurou uma bola que foi parar na cabeçada do Leivinha e logo depois o Palmeiras fez 3 a 1 e foi para a liderança. Após esse jogo a equipe não ficou bem como estava , e ao final desta fase ficou 3 pontos atrás do 2º colocado (eram 2 chaves e classificavam-se 2 equipes de cada chave para a fase final) e não fomos para o quadrangular final.

Um aparte no texto pra falar desse ídolo: Juca Show (que após se aposentar, ia a todos os jogos do América, vibrava, chorava) disse que o comandante da equipe, o líder, era Pedro Omar e que dentro de campos se ajustavam, que gostavam muito do Orlando Fantoni (titio Fantoni) e nem tanto do Barbatana. Ele relatou que a família foi visita-lo no hotel em São Paulo, antes do jogo contra o Palmeiras e ele estava fumando, Barbatana chegou pegou o cigarro e o quebrou no filtro. Ele não gostou e à época não era incomum jogador de futebol fumar.

Mas merece destaque uma ocorrência com o craque Ademir da Guia, muitos anos depois: Um colega americano , fã dele (era excelente jogador) foi a um lançamento de um livro do Ademir da Guia, em São Paulo, creio que à época ele era vereador na capital paulista. Esse colega adquiriu o livro e disse ser fã dele e que torcia para o América MG. De imediato Ademir da Guia disse: “ América Mineiro? E como está o Juca Show?” O colega americano ficou meio surpreso e Ademir da Guia relatou: “Naquele jogo com o América Mineiro Juca Show estava muito bem e no intervalo chegamos nele eu disse: MANÉRA AÍ”. O craque Ademir da Guia mostrou consideração e respeito por outro craque e gênio Juca Show. Curiosamente, encontrei Juca Show em vários jogos do América, tomamos cerveja juntos e mesmo umas cachacinhas, conversávamos muito e ele por poucas vezes contava casos de futebol, mas nunca falou deste fato que ora relatei. Quando perguntei a ele, tudo foi confirmado ao que ele acrescentou que disse ao Ademir da Guia, Dudu: “Meu jogo é assim mesmo, eu parto para cima!”

Juca Show chegou a liderar a Bola de Prata da Revista Placar em sua posição, foi relacionado na lista dos 40 jogadores, que era uma pré-convocação, quando ao final ficavam os 22 jogadores da Copa do Mundo. Mas ele se machucou. Juca Show era paulistano, começou no São Paulo, indo depois para o Ituiutaba/MG, Fluminense de Araguari/MG, Independente de Uberaba/MG. América/MG, Náutico, jogou no Phanatinaikos da Grécia e segundo ele, Ajax na época de Cruyjf e Internazionale de Milão estiveram para contrata-lo. Quando perguntei a ele que com tanto futebol quanto ele mostrava porque não foi além e ele respondeu: “Foi a “marvada” eu gosto muito dela”. No Campeonato Paulista de 1969 (por aí) o Santos de Pelé perdeu para o Comercial de Ribeirão Preto por 2 a 1 na Vila Olímpica e o craque do jogo foi Juca Show.

Juca Show tem seu pé marcado na Calçada da Fama, no Mineirão. Um cracaço, genial!Juca-Show

Os principais destaque desse timaço do América de 73 foram:

Neneca: se firmou e se tornou um grande goleiro;

Vander: Chamado de Xerife Vander, delegado, era firme, seguro.

Pedro Omar: capitão, líder do time.

Juca Show: O cérebro, o craque , o gênio.

Spencer: Sempre positivo dava andamento às jogadas.

Cândido: Artilheiro do América e um dos principais do campeonato;

Depois do América a segunda maior sensação do campeonato brasileiro foi o Fortaleza, no ano, a melhor equipe do Nordeste. Os vencemos no Mineirão por 1 x 0 com gol de cabeça do Rangel. Na primeira fase lideramos também o campeonato brasileiro de 1973 com 3 vitórias nos 3 primeiros jogos, fomos líderes junto com o Palmeiras.

No cômpito geral, América ficou em 7º lugar e houve problemas com pagamento de salários , que à época era mais comum que atualmente. Enfim, um campeonato fantástico para nós, que só não foi de ouro por problemas que não poderiam ocorrer. Mas de qualquer forma, Série A, qualquer Série ou campeonato, SEMPRE AMERICA, COELHÃO, NOSSO AMERICA É O SHOW!

Este texto é uma homenagem a meu tio Valfrido de Carvalho que escutava a todos os jogos do América em Inhaúma – MG em seu radio elétrico (grande, “radião” como dizíamos), era irmão mais velho de meu pai e o influenciou a ser americano; E a meu saudoso pai Nilton Campolina de Carvalho, grande americano e excelente pai!

 

 


Texto de Rodrigo Pedroso de Carvalho, com complementos de Sérgio Tavares Salviano