Meu Herói, por Alexandre Dolabela Dias

Uma das coisas mais gratificantes em participar do Decadentes é prover espaço a todos os americanos. E foi nesse espírito que o Alexandre Dolabela Dias, leitor desse espaço e ouvinte do programa, leu a coluna de ontem do Rodrigo sobre o campeonato de 73 (73 – o ano que devemos repetir) e decidiu contar um pouco sobre o jogo em que o Neneca foi expulso, que reproduzo abaixo com a autorização dele. Parabéns pelo texto, Alexandre! Me emocionou muito, mesmo não tendo vivido este jogo e muito obrigado a você e ao Rodrigo por dividirem outros capítulos dessa história linda que é o América.


MEU HERÓI

Nunca tive um herói na infância. Falo de heróis  famosos tipo Zorro,  Super Man, Flash. Mas naquela tarde no Mineirão ele me apareceu…

Tarde cinzenta de domingo  no Gigante da Pampulha que recebia grande público apesar do mau tempo . Era um dia de dezembro de 1973  e meu América jogaria contra o Atlético  pelo Campeonato Brasileiro.  A nossa fiel e apaixonada torcida  fazia uma boa presença e a torcida do Atlético, numerosa e vibrante, ocupava a maior parte das arquibancadas.

Dois grandes times se enfrentariam no clássico. De um lado estava o Galo  que  fazia uma campanha regular no campeonato e tinha grandes jogadores  e o mítico Tele Santana como técnico. Do outro o Coelho que vinha de várias partidas invicto, grandes vitórias e cumpria espetacular campanha num longo Campeonato Brasileiro.

Na pré-hora do jogo, ainda nos bares do estádio, fui surpreendido pela gente americana ou pelo menos a maioria dos nossos torcedores estranhamente tomada de excessiva  confiança no triunfo. Confiança justificada, é claro,   pelo retrospecto do time e pela análise técnica de jogadores que vestiam a camisa verde e preta em 1973. Mas em verdade as considerações técnicas sobre os times e  o retrospecto no Campeonato, nada disso importava à apaixonada torcida. Sentia-se independentemente de qualquer análise que  para a gente americana  o jogo estava ganho, o jogo era nosso.

Dentro daquele imenso estádio e em meio àquela multidão um sempre cauteloso jovem “alamedino”,meu apelido de infância, tinha o coração dividido,  acostumado que estava  a ver o Atlético vencer o América na maioria dos jogos no início da “Era Mineirão”. O coração incontrolavelmente  verde queria cantar vitória mas a razão não permitia euforia e recomendava prudência.

Jogo equilibrado no início, com chances para os dois lados. Com o passar do tempo, porém, o Coelho foi dominando as ações e já no final do primeiro tempo de um clássico disputadíssimo o América mostrava um melhor futebol e ameaçava muito mais. A essa altura o placar já não mostrava o que acontecia em campo. Merecíamos pelo menos um gol, que não acontecia. Nossa torcida vibrava mas já transpirando ansiedade porque o placar não traduzia com justiça  as ações de cada time no gramado.

Começa o segundo tempo e o que era domínio passa a ser supremacia absoluta. Resultado: um gol de Cândido logo de início e, alguns minutos após grande domínio do Coelho, outro  gol de Pedro Omar.  O  2 a 0 do América só fez justiça ao que acontecia no jogo.

Delírio da nossa torcida que não parava de gritar. Do outro lado a torcida do Atlético atônita e silenciosa… Parecia naquele momento tudo muito fácil e placar consumado. O time de  Pedro Omar,Neneca, Vander, Spencer e Juca Show era o dono do jogo e o Galo  completamente dominado… Era só administrar a partida e aumentar o placar. Spencer, um dos maiores craques do América e do futebol mineiro chegou a ser substituído por  Alemão, que ainda teria papel importantíssimo naquele jogo espetacular.

De repente, porém, aconteceu aquilo que nem o mais pessimista  americano poderia imaginar.  Neneca,  que juntamente com Leão eram os dois melhores goleiros daquele Brasileirão é expulso de forma injusta  juntamente com Arlem do Atlético, que provocou a expulsão do goleiro. Lembro-me que fiquei atônito na arquibancada, não só porque perdíamos a nossa “muralha” mas também  porque já havíamos feito as duas substituições permitidas. Silêncio total entre a torcida americana nas arquibancadas do Mineirão, ainda mais quando o nosso jogador de meio campo Alemão, substituto do Spencer no jogo, se encaminhou em direção ao gol e colocou a camisa do goleiro reserva que mais  parecia um vestido no pequeno e baixo meio-campista .  Como consequência, era previsível que  teríamos de suportar uma grande pressão do Galo que nos via como um time “sem goleiro”.

E aconteceu exatamente assim. Nos minutos seguintes o Atlético foi desesperadamente pra cima do time americano , que se defendia como podia, com raça e técnica, inclusive com a participação importante do nosso Alemão, corajoso goleiro improvisado que para nosso alívio se desdobrava debaixo do gol.

Cinco minutos após a expulsão a pressão alvinegra ainda aumentava e  quando o coração adolescente daquele americano   já não aguentava mais e que um ou mais gols do Atlético seriam inevitáveis,  aparece no jogo, com força descomunal e surpreendente , um ser de outro planeta. Aquele que já era o melhor jogador em campo ressurge em  espetacular forma de um gigante: JUCA SHOW.

Passados 45 anos do dia daquele jogo ainda me emociono ao relembrar.

Aquele jogador  alto , de pernas longas e corpo ligeiramente encurvado, de forma corajosa e com uma categoria inigualável, resolveu mostrar a todos presentes  que naquele dia o jogo já tinha um dono. Aproximadamente aos 20  minutos do segundo tempo o herói americano decidiu: esse jogo a partir de agora é só meu.  Pareceu-me a partir daquele instante que a bola do jogo era só sua pois praticamente até o final do jogo  ficou com  ela, seja recuperando-a nas investidas  adversárias, seja fazendo inúmeras arrancadas em direção ao gol ou ganhando vários preciosos minutos de jogo nas laterais do campo . Para mim e para os presentes no gigante da Pampulha é até hoje  inacreditável :  em determinado momento do jogo com o adversário tentando retomar desesperadamente a posse de bola,  aquele “monstro” de corpo curvado e pernas tortas ficou mais de um minuto,quase dois minutos seguidos com ela nos pés, fintando em progressão e para os lados, cercado por vários jogadores do Galo, mas não dando a menor chance aos jogadores alvinegros de retomar a bola. Lembro-me que a grande torcida do Atlético emudeceu diante de tamanha categoria e coragem. Parecia-me e a todos que só existia JUCA SHOW em campo. Repito:nunca vi nada igual, até hoje.

Surgia ali no gramado do Mineirão naqueles minutos finais do segundo tempo do jogo , ainda que um pouco tardiamente na minha vida, meu grande herói.

E mais, a única vez que tive a certeza absoluta que  o América ganharia um clássico, mesmo que disputado em circunstâncias desfavoráveis.  E foi exatamente assim. O Atlético ainda marcou um gol meio por acaso perto dos 35 minutos  mas  não me apavorei: já tinha me dado conta que no jogo tinha um super-homem capaz de resolver tudo e que ele estava do do nosso lado.

Final América 2 x 1 Atlético para alegria e festa indescritível dos americanos na saída do Mineirão, fato que deixou marcas fortes, indeléveis, na minha memória e no meu coração.

Obrigado, muito obrigado Juca Show, pela imensa alegria que você me deu nos gramados do Brasil. Obrigado Juca , também pelos bons momentos que passamos  em estádios de Minas Gerais afora assistindo lado a lado na arquibancada até sua morte nos jogos do nosso querido América Futebol Clube.

Alexandre Dolabela Dias

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Canção do Exílio

Não vou ao jogo de amanhã.

Todas as noites em que há jogo do Coelhão fico tentado a matar aula para ir pro jogo. Aí lembro que sou o professor e não posso fazer isso. Mas na próxima quinta-feira, não terei nem essa vontade.

Nossos jogadores e comissão técnica merecem muito nossa  presença e são a única razão que me entristece de não estar lá. Esse grupo fez por merecer nosso apoio, mesmo com todas as críticas e cornetadas que usamos a gosto. Como em toda boa família, criticamos a quem amamos, mas os protegemos da crítica do outro de fora. Essa equipe se classificou em segundo, à frente do time da federação, mesmo tendo sofrido com as arbitragens e com os esquemas extracampo, que foram desde fofocas com o nome do técnico até a escolha de posicionamento da torcida no jogo de amanhã. Portanto, o justo seria sermos presença em qualquer partida onde se exiba nosso escudo. No sentido financeiro, a diretoria se esforçou para tornar acessível o preço salgado de R$ 100,00 o ingresso inteiro. Sócio Onda Verde poderá adquirir o ingresso pelo preço de meia e ainda tem direito a uma cortesia, transformando o preço em virtuais 25 reais, se você levar uma companhia.

Desequilíbrio

Entretanto, o jogo de amanhã está revestido de uma capa de infâmia e injustiça. O time da federação se classificou em terceiro graças a uma série de “erros” da arbitragem, que começaram naquele jogo do turno contra nós. Todo Campeonato Mineiro é influenciado por esses erros, que sempre ocorrem a favor da dupla, mas sobretudo a favor dos caninos. Quanto pior o time de Vespasiano naquele ano, mais erros acontecem a favor deles. Deve ser algum mecanismo de compensação cósmica, acredito. Uma espécie de karma canino, sempre cobrado a preço justo nos campeonatos nacionais, onde os erros costumam acontecer contra eles. Acho é pouco.

Além da questão moral, existe a questão da segurança. Fomos colocados no portão 3, na Rua Pitangui. O contrato de cessão com o Estado garante que todas as arquibancadas da Pitangui sejam cedidas a torcida do América em qualquer jogo em que participar, conforme o inciso 9.4.16 destacado abaixo, disponível aqui na página 19 do Contrato de Concessão de Uso da Arena Independência. Portanto, suponho que a diretoria americana abriu mão dos portões superiores da Pitangui em troca de algo. Mais uma vez, SUPONHO! Talvez a possibilidade de que nosso sócio torcedor Onda Verde tenha o desconto proposto. Se não houve nenhum tipo de acordo, estamos simplesmente dando lucro ao rival.

pitangui

Como estamos isolados no portão 3, a cachorrada ocupará a Pitangui, nossa faixa de Gaza, pois tem acesso aos portões 4 e 6 . Fico muito triste em pensar na Dona Zuzu ou no Tio Wagner tendo que atravessar essa barricada de ignorantes ouvindo piadinhas e insultos, apenas por estarem como sempre vestindo as cores americanas. Se nenhum de nós merece essa situação, que dirá boa parte da nossa torcida, que já acompanham o Coelhão por mais tempo do que temos de idade. Se indignem ao pensar em um deles, ali onde as organizadas se organizam no portão 3, recebendo um copo de chuva dourada e quente vindo do portão 4, da mão de um dos babacas que existem nessa torcida. Os poucos americanos que forem ficarão abrigados sob a laje, acuados. Com sorte, acuados apenas pela chuva que é prometida para amanhã pelos meteorologistas, chuva que cairá sobre justos e injustos.

Não estou propondo boicote. Eu mesmo não posso e não quero ir. Mas cada americano sabe sua disposição e vou louvar aqueles que forem mesmo sob todas essas circunstâncias.

A justa retribuição

No entanto, a nação americana torcerá pela vitória que vingará todas essas injustiças. Caso isso aconteça, devemos lotar o independência no domingo. Caso não aconteça, também devemos lotar o independência domingo.

Mahatma Gandhi, ao denunciar o quanto os indianos sofriam com a dominação inglesa, levava multidões aos campos de extração de sal para que estes simplesmente ocupassem seus espaços, sem violência. Os soldados ingleses de Lorde Mountbatten batiam nos indianos passivos, tornando ridícula uma luta dos que batem contra os que simplesmente queriam seu espaço. Então, não importa o resultado, vamos invadir o Independência domingo, com nossa família e amigos. Leve todos. Mais bonita que um jogo de futebol é a batalha filosófica que esta semifinal se tornou.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr


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Foi Muito Feio (FMF)

Igor Junio Benevenuto será o apitador da primeira partida da semifinal do Campeonato Mineiro 2018. Pra quem não se lembra (nós americanos lembramos muito bem), ele foi o comandante da desastrosa trupe de arbitragem do embate entre América x Atlético no primeiro turno do campeonato.

Leia mais sobre a partida entre América x Atlético no primeiro turno do Campeonato Mineiro

Pouco mais de um mês. Foi o tempo necessário para que a Federação Mineira de Futebol colocasse, novamente, o  juiz em um sorteio para uma partida do América. E a questão não é apenas o tempo curto: o apitador foi escalado para o mesmo embate. E justo em uma partida decisiva. Coincidência?

Igor

Igor (entre os dois atletas) e a equipe da desastrosa arbitragem do primeiro turno – Foto: Mourão Panda / América

Igor pode até fazer uma arbitragem perfeita na próxima quinta-feira, 22 de março, 20h, no Independência. Capacidade para isso ele tem: já fez boas arbitragens, inclusive em jogos do Coelhão. Mas, a pergunta que fica é: pra quê escalar novamente o comandante da arbitragem mais desastrosa do futebol mineiro no ano justamente na repetição da partida entre América e Atlético? Será que não dá pra ter bom senso ao menos uma vez na vida e escalar um outro árbitro para a partida?

Escalar outro apitador seria saudável para o jogo (que não estaria sob suspeita, como está agora), para o campeonato e para o próprio Igor. Mas, agir com sensatez não parece, definitivamente, ser o caso da Federação Mineira de Futebol. Principalmente quando a situação envolve o queridinho de Vespasiano.

O vídeo do link abaixo mostra o sorteio da arbitragem das duas partidas semifinais. No minuto 4:00 do vídeo, vemos a esfera de número 01 (de Igor Benevenuto) sendo sorteada para o clássico. Logo após o sorteio, é possível ouvir um “porra!” e algumas risadas. Estranho, não? Seria uma comemoração pelo resultado do sorteio? Se sim, quem estaria ali comemorando?

Clique aqui para ver o vídeo do sorteio dos árbitros das semifinais do Campeonato Mineiro 2018. Vídeo postado no Twitter da FMF.

Diante de tanto descaso com o América, o que nos resta é tentar acreditar que as coisas possam ser resolvidas, dessa vez, dentro das quatro linhas, sem interferência da arbitragem. Afinal de contas, somos a resistência!

Walisson Fernandes
twitter.com/FernandesWali


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A gota versus Oceano

 

Olhando pra gota e esquecendo o oceano a mais de cem anos.

Jamais campeão contra dobradinha FMF + CAM. Não se prendam em mais um fato. Analisem a História!

Após mais uma derrapada, num universo centenário de “erros” que o América sofre em clássicos contra o Atlético, resolvi ir além e pensar se já tivemos, em jogos decisivos, a condição de ser campeão tendo do outro lado a dobradinha CAM + FMF. E o resultado impressiona. Pois o Campeonato Mineiro já tem mais de 100 anos, sendo mais da metade no período profissional, e surge uma conclusão: considerando o período da Era Profissional do futebol mineiro, que se inicia na segunda metade dos anos 30, o América NUNCA conseguiu ser campeão tendo em uma final o adversário Atlético e um árbitro mineiro da FMF.

E com Árbitro NEUTRO?  

Parece uma loucura, mas não é. Quando teve árbitro de fora, na mesma situação de final contra eles, o América se sagrou campeão três vezes: 1948, 2001 e 2016.

Respirando os “ares” de Belo Horizonte  

Não acuso de haver algo ilícito nessa análise. Eu vejo muito mais o resultado de uma pressão que extrapola dos limites quando o árbitro da FMF apita decisões. A começar pelo aspecto de não haver profissionalização na categoria. Sendo assim, o árbitro está inserido no mercado de trabalho e exercendo as mais variadas profissões. E em contato com a sociedade, ele sabe tranquilamente, que se errar contra o Atlético, a série de represálias é grande: vai direto pra “geladeira”, pode ter interrompida a sua projeção para obter a chancela da FIFA, sofre falta de prestígio para a comissão do arbitral, pode até ser hostilizado e agredido nas ruas, pois a mídia explicita com veemência os erros quando lhe convêm e as consequências disso nos tempos atuais é imensurável. Alguém aqui imaginaria o árbitro José Roberto Wright tranquilamente escolhendo queijo no Mercado Central? Ou o Carlos Eugênio Simon saboreando um sorvete tranquilo num banco de praça na Savassi? Em menos de cinco minutos eles sofreriam o que vocês estão pensando mesmo por algum maluco fanático, alimentado pelas campanhas da mídia. Imagina então um árbitro que tem sua vida toda aqui em Belo Horizonte? Ele já entra no clássico cheio de “pé atrás”, alguns com medo de errar, outros se borrando mesmo.

O relâmpago deles é mais lento que o nosso 

É humanamente impossível o bandeira dar com tanta certeza o desfecho de dois lances tão instantâneos como no último clássico. O reflexo teria de ser imenso, fora dos padrões humanos. O reflexo ali só daria para enxergar a camisa. Pronto. Para bom entendedor, meio pingo é letra. Em qualquer lugar do mundo se espera um comportamento padrão de atuação. Ou seja, ou anula tudo que tiver dúvida, ou valida tudo. Se com recursos técnicos eu já vi versões positivas e negativas dos dois lances, a única certeza que tenho é que suscita a dúvida. É aí que está a questão. Não discuto o erro em si, isso todos nós estamos sujeitos. Discuto a diferença enorme de “convicções”.  Conversei com ex-árbitros e alguns foram categóricos, é um lance muito rápido, que o árbitro marca aquilo que ele achar primeiro e vai para o vestiário rezando para ter acertado e não cometer injustiça. E ao ver que errou no lance do Atlético, ele poderia validar o gol do América no segundo tempo nas duas interpretações: se ele achou errado o lance do América, compensa o erro do primeiro tempo. E se achar que foi gol, nada mais justo que correr pro meio. Nas duas situações de “interpretação” poderia se validar.

E numa tentativa de blindar os árbitros para o campeonato não perder a credibilidade – já que a Federação possui um presidente declaradamente torcedor do alvinegro, e que demonstra pelo menos tentar presidir sem “comprometimentos” da imagem – partiu pra cima da mídia com defesa do bandeira desmentindo o recurso técnico da TV. Isso daria discussão interminável.

Qual a maior relevância da discussão? 

De novo, o que está em jogo é a diferença de tomada de decisões em duas situações relâmpagos, não precisa discutir as particularidades de cada fato.

Isso tem que ser divulgado, pois a grande mídia trata como “choro” da presidência americana. Mas pra quem nunca estudou a história do futebol mineiro, entende os momentos como fatos isolados, adotaria essa mesma impressão. Quem verifica tudo como um processo histórico, entende perfeitamente o que o América passa em termos de lutar contra tudo e contra todos. É um tsnumani na linha do tempo.

E fica feio, Federação. Não ache que assim vocês estão reforçando o mais forte. Esse mais forte de MG, que possui mais de 40 títulos mineiros, é o único forte estadual do país que quando sai do Estado está a quase 50 anos sem ver título no brasileirão. Lá fora não tem FMF. Aí o “choro” passa a ser a tônica dos hipócritas de plantão que hoje ridicularizam a indignação americana.

Não estou dando valor demais em um clássico de turno, não estou tapando o sol com a peneira e evitando falar dos erros apresentados pela equipe do Enderson Moreira. Não caiam nessa e não enxerguem isso como mais um “mero” fato isolado. É HISTÓRICO!

Reparem que o Atlético voltou a não vencer, empatando com o Tupi. Perdeu pontos para a Patrocinense no Independência. Perdeu para o Villa com time dito alternativo. Só “sobrou” no clássico? Nos momentos chave? Aonde estava em jogo a permanência do técnico interino e de todo um planejamento anual? No primeiro clássico do ano televisionado? Só sobrou no 3×0, sem nenhum elemento facilitador? Só não enxerga quem não quer.

Justiça é diferente de benefício

Árbitro de fora não significa NUNCA que seremos beneficiados. E para ser justo, publico também as situações que o América perdeu com árbitro de fora em jogos decisivos contra o Atlético. Mas espera-se no mínimo isonomia, que erra para os dois, acerta para ambos, define dúvidas de forma proporcional, com um cara que desce do aeroporto, troca de roupa, apita, toma banho e vai embora. Não vive as semanas de ladainha dessa imprensa mineira que trata o alvinegro como Real Madrid, mas que lá fora não mete medo nem em time do Acre.

Olho no lance Salum! Um abraço verde.

P.S.:  A História não mente. Mesmo que queiram insistir e repetir erros…

Referências: Era profissional do Campeonato Mineiro: títulos do América e os confrontos em decisões contra o Atlético.

1 – 1948 | Árbitro de fora | América campeão
28/11/1948 – América 3×1 Atlético| Árbitro: Mr. Barrick (Inglaterra)

2- 1957 | Não houve final contra o Atlético |  América campeão
22/12/1957 – Democrata SL 1×4 América.
29/12/1957 – América 0x0 Democrata SL
5/1/1958 – América 1×1 Democrata SL

3 – 1958 | Árbitro de fora | Atlético campeão
14/4/1959 – América 0x1 Atlético | Alberto de Gama Malcher (RJ)
23/4/1959 – América 0x1 Atlético | Alberto de Gama Malcher (RJ)
*As finais do campeonato de 1958 foram disputadas em 1959.

4 – 1971 | Não houve final contra o Atlético* | América campeão
4/4/1971 – Atlético 1×2 América | Maurílio José Santiago (MG)
23/5/1971 – América 1×0 Atlético | Maurílio José Santiago (MG)
*Partidas de turno e returno. O campeonato foi disputado no sistema de pontos corridos.

5 – 1993 | Não houve final contra o Atlético* | América campeão
6/6/1993 – América 4×0 Atlético | Márcio Rezende de Freitas (MG)
20/6/1993 – América 2×2 Atlético | Lincoln Afonso Bicalho (MG).
*Partidas América x Atlético no quadrangular final

6 – 1999 |  Árbitro FMF | Atlético campeão
27/6/1999 – América 2×1 Atlético | Paulo César de Oliveira. (SP)
1/7/1999 – Atlético 1×1 América | Paulo Cesar de Oliveira (SP)
4/7/1999 – Atlético 1×0 América | Lincoln Afonso Bicalho (MG)

7 – 2001 | Árbitro de fora | América campeão
27/5/2001 – América 4×1 Atlético. Paulo César de Oliveira (SP)
3/6/2001 – Atlético 3×1 América. Paulo César de Oliveira (SP).

8 – 2010 | Árbitro FMF | Quartas-de-final | Atlético passou para a semifinal
24/1/2010* – América 1×1 Atlético. Cleisson Veloso Pereira (MG)
4/4/2010 – América 3×3 Atlético | Joel Tolentino da Mata Júnior (MG)
7/4/2010 – América 2×2 Atlético | Renato Cardoso Conceição (MG) | Expulsão do zagueiro Preto aos 37′ de jogo, quando o dominava a partida. O Atlético abre 2×0 no segundo tempo e o América, com um a menos, vai buscar o empate. (Vídeo com os lances da partida, incluindo a expulsão esdrúxula – https://youtu.be/rrYpk35SOrI)
* Jogo da fase de classificação

9 – 2011 | Árbitro de fora | Semifinal | Atlético passou para a final
24/4/2011 – América 1×3 atlético | Luiz Flávio de Oliveira (SP)
30/4/2011 – Atlético 2×1 América | Cléber Wellington Abade (SP)

10 – 2012 | Árbitro de fora | Atlético campeão
6/5/2012 – América 1×1 Atlético | Francisco Carlos do Nascimento (AL)
15/5/2012 – Atlético 3×0 América | Leandro Pedro Vuaden (SP)
*Ano do centenário americano

11 – 2014 | Árbitro FMF | Semifinal | Atlético passou para a final
23/3/2014 – Atlético 4×1 América | Cleisson Veloso Pereira (MG)
30/3/2014 – Atlético 1×1 América | Emerson de Almeida Ferreira (MG)

12 – 2016 | Árbitro de fora | América campeão
1/5/2016 – América 2×1 Atlético | Dewson Fernando Freitas da Silva (PA)
8/5/2016 – Atlético 1×1 América | Wilton Pereira Sampaio (GO)

SALDO:
América campeão com árbitro FMF contra o Atlético: 0. REPETINDO: ZERO.
América campeão com árbitro de fora contra o Atlético: 3.
Dos 6 sucessos do CAM, envolvendo finais e semi, 3 foram com árbitros de fora e 3 com FMF.

Conclusão : América NUNCA levantou uma taça no dia em que esteve um árbitro mineiro apitando contra o atlético na era profissional.

Mário César Monteiro
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Decadentes #122 – América 0x3 Atlético (Mineiro 2018)


“Se gritar pega ladrão / Não fica um meu irmão” — Ary do Cavaco e Bebeto di São João


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Rádio-Polícia

Nascido e criado no Bairro da Graça, nas barbas e sob a machadinha de São Judas Tadeu, estudei no turno da manhã em um colégio próximo. Quando voltava da escola, passava sempre em frente ao “Seu Fortes”, sapateiro de mão cheia, com seu radinho sempre um volume acima do recomendável, sintonizado na Itatiaia ou na Inconfidência na hora do almoço, para ouvir o futebol. Americano como eu, trocávamos frequentemente as lamúrias de americanos vivendo os anos 80 e 90 do Coelhão. Um dia, após um dos vários assaltos que sofremos da cachorrada, passei por ele e seu radinho tocava um samba, que ele acompanhava com o martelo consertando a sola do sapato de algum vizinho. Melhor que a indignação é a indignação compartilhada. Portanto, parei na oficina do Seu Fortes pra compartilharmos a revolta, quando perguntei o que a rádio dizia sobre o assalto. Veio a resposta seca: “Se eu quisesse ficar revoltado com a roubalheira, ouvia a Glória Lopes, no Rádio-Polícia. Só vão falar que o Atlético é um timaço e o ‘Ameriquinha’ teve lances polêmicos. Vou ouvir não!”.

Assalto

Se “Seu Fortes’ estivesse entre nós, hoje seu rádio de pilha tocaria um samba, pois nesse quesito, tudo continua igual. Salum, nosso atual cacique, definiu: “Este é o velho futebol mineiro ” e acrescento, Futebol Mineiro Raiz no pior sentido possível. Essa coluna poderia aqui ficar falando de quantas vezes fomos roubados no Campeonato Mineiro, em favor do lado canino (sem ofensa a esses verdadeiros amigos que são os cães) e do lado fresco da lagoa. Serjão poderia fornecer as estatísticas e o Marinho prover o contexto psicológico, histórico e social dessa palhaçada toda.  O verdadeiro fato inconteste é que ontem jogamos contra um time apoiado pela imprensa e pela FMF, na figura de seu presidente que frequenta os bailes de carnaval vestido de Frango com camisa de presidiário e é conselheiro votante de um dos times que disputa o campeonato por ele organizado. Sempre apoiado e em necessidade de apoio, esse time, após duas semanas de “nãos”  e dois meses de falta de futebol em campo, precisavam urgentemente de fatos novos que justificassem um ano de péssimo planejamento. Para isso, valeu a fofoca, o “disse-me-disse” e, por fim, o que fosse necessário em campo e fora dele. Falar mais do que isso seria arriscar um  processo por injúria. Mas cada americano sabe bem do que falo.

Decadentes #073 – Especial América 105 Anos – Parte 3

Último capítulo da trilogia americana, fechando os anos 2000 até este 105º ano de existência.

O título da Copa Sul-Minas, o Campeonato Mineiro de 2001, a descida ao inferno do Módulo II e da Série C, até o Centenário e a chegada à redenção atual.

Se é aniversário, que seja homenageado o grande americano Miguel Santiago, que ainda hoje nos brinca com suas colunas, agora online.

BLOG DO MIGUEL SANTIAGO: http://migueldeletra.blogspot.com.br/

Convidados: Mário César Monteiro.

Veja os programas anteriores do Especial América 105 Anos:
Parte 1: https://decadentes.com.br/2017/05/01/decadentes-071-especial-america-105-anos-parte-1/
Parte 2: https://decadentes.com.br/2017/05/08/decadentes-072-especial-america-105-anos-parte-2/

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Decadentes #072 – Especial América 105 Anos – Parte 2

Segunda parte do Especial de Aniversário do Coelhão, 105 anos, uma conversa sobre a história americana com Marinho Monteiro e Miguel Jabur.

O Campeonato Mineiro de 1957, as Décadas de 60, 70 e 80. O início da Década de 90, com a conquista do Mineiro de 1993, o rebaixamento e a luta contra a CBF em 1994.

Mais um excelente programa, fundamental para qualquer torcedor.

Convidados: Mário César Monteiro e Miguel Jabur (Acervo do Coelho: acervodocoelho.com.br).

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Ouça a também primeira parte:
Especial América 105 Anos – Parte 1: https://decadentes.com.br/2017/05/01/decadentes-071-especial-america-105-anos-parte-1/


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Decadentes #071 – Especial América 105 Anos – Parte 1

Especial de aniversário do Coelhão, 105 anos, a primeira parte de uma conversa sobre a história americana com Marinho Monteiro.

Convidado: Mário César Monteiro.

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Decadentes #006 América 2×1 Atlético

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Decadentes #006, comentando a vitória na 1ª partida da final do Campeonato Mineiro 2016 contra o inquilino.

Convidado: Ramon Gregório

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