Decadentes #165 – América 0x1 Paraná (Brasileirão 2018)

Perdeu pro Paraná, em casa, com uma a mais, vai ganhar de quem?! Acabou a era Adilson Batista. Olá, GivaMito!


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Covardia ou fragilidade?

Faltando menos de dois meses para o início da Série A do Campeonato Brasileiro, uma coisa está tirando o sono do torcedor americano: sob o comando de Enderson Moreira, o time não consegue vencer e/ou fazer boas partidas contra os grandes clubes do futebol brasileiro, sobretudo nos embates contra o Cruzeiro e o Atlético/FMF. Somando-se os três últimos jogos contra o time de Vespasiano, por exemplo, o placar fica em 10 x 1 para os galináceos.

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Mas, por que esse desempenho é tão ruim contra os grandes justamente quando o clube passa por um bom momento em sua história? Estamos perdendo a nossa capacidade de ser a pedra no sapato da duplinha justamente em um ano de tanta expectativa? Aquele América que sempre nos encanta por ser a resistência contra as hegemonias do futebol brasileiro tirou folga?

No início deste mês, meus amigos Sérgio Tavares e Ramon Gregório fizeram um ótimo texto aqui no decadentes.com.br sobre os santos de casa que não fazem milagre. O estudo dos dois nos mostra que treinadores mineiros têm desempenho pior contra a duplinha, supostamente por respeitarem mais estes adversários. Os “forasteiros” possuem desempenho melhor, supostamente por não conhecerem tanto a rivalidade e enfrentarem sem medo. Porém, o ponto fora da curva em favor dos treinadores de fora é apenas um: Givanildo Oliveira, com um desempenho muito bom nos clássicos. Com isso, vou propor um contraponto aqui apenas entre duas figuras: Enderson Moreira e Givanildo.

Givanildo - Mourão Panda

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Givanildo enfrentou Atlético/FMF e Cruzeiro por 18 vezes. Foram 6 vitórias, 8 empates e 4 derrotas. Um aproveitamento de 48,1%. Já Enderson enfrentou a duplinha por 8 vezes. São 7 derrotas, um empate e nenhuma vitória. Um aproveitamento pífio de 4,16%. A justificativa para essa enorme diferença de aproveitamento seria apenas a postura da equipe nestas diferentes épocas? Uma postura mais ofensiva seria, necessariamente, indício de vitória? E, ao contrário, uma postura reativa é certeza de derrota? Não! Não mesmo!

A primeira mentira a ser combatida é a de que o Givanildo enfrentava a duplinha de peito aberto. Na verdade, o véio era sempre esperto ao analisar a força do seu time e a força do adversário. Muitas vezes vencia pelos méritos dessa análise, armando o time de forma a surpreender o adversário. Nunca esqueceremos a inusitada dobradinha de laterais esquerdos nas finais do Campeonato Mineiro de 2016, explorando a fragilidade defensiva do Marcos Rocha no time atleticano. Nestas e em outras partidas sob o comando do Giva, o que se via não era um time super ofensivo ou coisa parecida. Mas, um time que sabia da superioridade dos adversários e que tinha a humildade de buscar surpreender o oponente nos seus pontos fracos. Era lindo de se ver? Não sei. Era eficaz? Os números estão aí para provar.

A segunda mentira a ser combatida é a de que o time do Enderson Moreira sempre se acovarda em campo contra a duplinha. O terrível desempenho nestes jogos é muito preocupante, mas nem sempre acontece por covardia ou retranca. Neste domingo, enfrentamos o time de Vespasiano e, mais uma vez, saímos de campo com uma dolorosa derrota, por 3 x 0. O grande desempenho do ponta-direita atleticano, aquele de amarelo, foi decisivo na construção do placar. Mas, mesmo assim, não podemos deixar de destacar a péssima atuação do América na partida.

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Acontece que, mais uma vez, o problema passou longe de ser uma possível postura defensiva ou covarde. O América teve 49% de posse de bola na partida. Trocou mais passes que o Atlético (344 contra 330). Até os 30 minutos do 1º tempo, o América dominou as ações em campo, sem sofrer qualquer incômodo do adversário. As entrevistas dos dois treinadores após a partida comprovam que o América entrou com uma postura ofensiva e o Atlético, de fato, foi quem entrou no jogo primeiramente para se defender (a tal da “postura covarde”).

O grande problema é que ofensividade sem efetividade não adianta. Volume de jogo sem criatividade para oferecer perigo ao adversário é inútil. Dominar os 2 primeiros terços do campo sem saber o que fazer no último terço não assusta ninguém. E não assustou o jovem treinador atleticano que, na metade final do primeiro tempo, vendo que a “ofensividade” americana não levava perigo ao gol alvinegro, começou a gostar da partida. E o time de Vespasiano, com volume de jogo parecido ao nosso na partida, acabou com 12 finalizações, contra 6 nossas; 49 lançamentos, contra 25 nossos; e, o mais importante, com 3 bolas na nossa casinha. Venceu quem entrou com a postura mais covarde, mas que teve qualidade e poder de criação quando se lançou ao ataque.

Sérgio Tavares e eu entrevistamos Enderson Moreira no fim do ano passado. Prestes a confirmar o acesso, o treinador nos disse que a intenção para este ano (2018) era montar um time capaz de enfrentar os grandes jogos da Série A com a mesma postura da Série B de 2017: ofensividade, posse de bola, marcação alta e domínio das ações. Mas, para que isso dê certo, ainda precisamos de um salto enorme de qualidade, principalmente no setor ofensivo. Do contrário, corremos o risco de ser um pinscher da Série A: corajoso, mas frágil.

Walisson Fernandes
twitter.com/FernandesWali


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