A Arte da Guerra

Caro leitor americano, se você acha que disputar a Série A é apenas mais um campeonato, este texto não é para você. Se você acredita que apenas as quatro linhas definem o futuro do América, este texto não é para você.

No século VI antes de Cristo, viveu na China um dos maiores generais , estrategistas e filósofos da história, Sun Tzu. Este grande mestre escreveu um dos primeiros tratados sobre estratégia militar, “A Arte da Guerra”, em que falava de todas as questões que permeiam um exército vencedor, tanto durante a guerra quanto nos períodos de paz.

General de Guerra e General de Paz

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Sun Tzu – Wikimedia Commons

Sun Tzu dizia que um país precisava de generais para a guerra e outros generais para a paz. Um general de guerra precisa liderar em campo, motivar as tropas, posicionar os batalhões e ganhar as batalhas de fato. Já o general de paz tem soldados ociosos, sem batalhas a serem vencidas, mas que podem ser acionados a qualquer momento. Portanto, ele precisa manter as tropas treinadas e coordenar os órgãos de inteligência em busca de ameaças e oportunidades.

Entendo o papel do diretor/gerente de futebol em um time como um general de paz. Ele precisa estar atento ao mercado, ativo na gestão de conflitos internos e alerta para a insubordinação de um ou outro general de guerra. O técnico é para a guerra, para o campo de batalha, as quatro linhas, o dia a dia. Ele não se preocupa com o que vai acontecer após a batalha.

Observe que esse dois perfis são bem diferentes e quase sempre incompatíveis. Talvez desta diferenciação venha a propagada qualidade e continuidade do trabalho no América. Talvez Ricardo Drubscky renda  melhor sem a pressão diária do campo, enquanto Enderson rendesse melhor sem a necessidade de visão a longo prazo.

Meu medo? Ilustro com uma piada. Dizem que certa vez a NASA resolveu criar um super astronauta, combinando o DNA de Albert Einstein com o DNA de Sylvester Stallone, pois um astronauta que tivesse o corpo do Stallone com o cérebro do Einstein seria fenomenal. Feito o experimento, terminaram com um astronauta que tinha o corpo de Einstein e o cérebro de Stallone.

Erros

Ainda do livro de Sun Tzu temos o seguinte trecho: “Durante uma campanha, o desastre pode surgir de seis diferentes erros do general em comando. Os erros são deserção, insubordinação, ineficácia, precipitação, caos e incompetência.”

Sobre deserção, nosso ex-técnico já pode escrever um livro. A deserção de um soldado em si não é vergonhosa, pois pode ser interpretada como um ato de sobrevivência. Da mesma forma, o pedido de demissão de Enderson pode ser interpretada simplesmente como uma melhoria em busca da sobrevivência financeira. O que é vergonhoso na deserção é o fato de que um soldado a menos pode provocar uma derrota que levará a morte de seus ex-colegas. Portanto, o pior efeito do ato de Enderson é o efeito ruim sobre a moral do time e de seus torcedores.

Já a efetivação do Ricardo errado (eu pelo menos, esperava o Zé Ricardo) na minha opinião, ilustra os princípios da ineficácia e da precipitação. Ineficácia pelo fato de que a carreira de Drubscky COMO TREINADOR não contempla nenhum grande sucesso. Precipitação pela facilidade em que foi imbuído do cargo. Não consigo acreditar que não exista no Brasil um técnico na faixa salarial proposta ou um pouco mais que tope assumir o América e que seja melhor credenciado para a tarefa.

Você me pergunta novamente. Qual seu medo? Ilustro agora com uma frase de George Hebbert:

“Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura. Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro. Por falta de um cavaleiro, perdeu-se uma batalha. E assim, um reino foi perdido. Tudo por falta de um prego.”

Estamos em um ponto da história americana em que não podemos nos permitir o erro, mesmo que pequeno. Quanto mais os grandes.

Grande abraço a todos.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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