Decadentes #171 – Expetativas Coelhônicas 2019

Ó nóis aqui traveis! Cabô férias!
Expetativas para o 2019 do Coelhão, que começa no próximo final de semana!

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Adilson Batista e seus vovô-lantes

Ao assumir o comando do América depois da rápida e desastrosa passagem do Drubscky pela função, Adilson Batista disse que o uma das coisas que o motivou a aceitar o convite era o fato de que o nosso elenco contava com jogadores de qualidade e que a bola não queimaria no pé deles. Seguindo esta lógica, ele disse que para encarar a luta pelo rebaixamento e a situação difícil em que encontrara o time escalaria jogadores cascudos, reafirmando que eram os que a bola não queimaria no pé.

Colocando o discurso em pratica, Adilson mudou drasticamente o jeito da equipe jogar, os cuidados defensivos agora são ainda maiores que nos tempos do Posto, o time abdica de propor jogo mas tem pecado ainda em ser reativo, um exemplo disto pode ser visto nos últimos 8 jogos a equipe finalizou em gol num total de 10 vezes, com 6 delas resultando em gol.

Adilson

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Não há problema em se buscar o futebol reativo, esta proposta de jogo até se encaixa muito bem diante das limitações financeiras que temos para investir em elenco. O problema é que falta ao time a transição rápida para agredir o adversário e finalizar mais, pois não será sempre que vamos conseguir converter 60% das finalizações em gol, e esta falta de velocidade na transição nos traz um outro ponto do discurso do nosso comandante.

Aparentemente almejando o time em que a bola não queimaria no pé, Pardal Batista tem optado por volantes mais experientes (os sub-óbito do nosso elenco), e os dois volantes da base que vinham se destacando no time principal perderam espaço, e recentemente foram liberados para jogar pelo time de aspirantes. Isto poderia fazer sentido se realmente eles ainda estivessem verdes, se de fato a bola queimasse no pé deles, entretanto isto não procede.

O ápice desta proposta se deu no jogo contra o botafogo, poucos dias depois de liberar Christian e Zé para os aspirantes e jogando sem o Magrão, Adilson optou por escalar o time com 4 volantes: David (36 anos), Donizete (36 anos), Wesley (31 anos) e Juninho (30 anos), sendo que o Juninho começou como um ponta direita e Wesley mais avançado como um armador.

Zé Ricardo

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Moral do jogo, o time foi muito lento no jogo, não tinha transição rápida da defesa para o ataque e nossa melhor chance criada de gol foi uma bola enfiada para o Juninho, que, por não ter um cacoete ofensivo, não conseguiu aproveitar a chance para finalizar ou tentar sofrer um pênalti.

Isto abriu bastante discussão no último programa do decadentes, será que os vovô-lantes são mesmo melhores que os oriundos da nossa base? Bem, em minha analise subjetiva de desempenho e na objetiva de dados estatísticos, não.

Como sei que a análise subjetiva cabe muita discussão, até porque os parâmetros de gostos podem ser muito pessoais e contaminados por outros fatores para além do futebol jogado de fato, ater-me-ei a explanação dos números.

O que dizem os números?

Juninho (30 anos):  22 jogos, 55 desarmes totais, sendo 48 destes certos. Média de 2.4 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 7 interceptações, com uma média de 0.3 por jogo. Comete um número de 1.4 faltas por jogo, índice de 86.5% de passes certos e de 47.7% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.4 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 10 vezes, apresentando uma media 0.5 por jogo e tendo marcado 2 gols.

Christian (22 anos):  8 jogos, 16 desarmes totais, sendo 15 destes certos. Média de 2.0 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 6 interceptações, com uma média de 0.8 por jogo. Comete um número de 0.4 faltas por jogo, índice de 91.8% de passes certos e de 50% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.6 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 10 vezes, apresentando uma média 1.3 por jogo e tendo marcado 1 gol.

Magrão (33 anos): 15 jogos, 22 desarmes totais, sendo 20 destes certos. Média de 1.5 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 3 interceptações, com uma média de 0.2 por jogo. Comete um número de 1.3 faltas por jogo, índice de 88.1% de passes certos e de 60% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.9 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 13 vezes, apresentando uma média 0.9 por jogo e tendo marcando 2 gols.

Magrão

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Donizete (36 anos): 19 jogos, 24 desarmes totais, sendo 20 destes certos. Média de 1.3 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 8 interceptações, com uma média de 0.4 por jogo. Comete um número de 1.5 faltas por jogo, índice de 91.8% de passes certos e de 48.3% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.3 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 6 vezes, apresentando uma média 0.3 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

David (36 anos): 6 jogos, 6 desarmes totais, sendo 6 destes certos. Média de 1 desarme por jogo. Conseguiu também fazer 4 interceptações, com uma média de 0.7 por jogo. Comete um número de 1.2 faltas por jogo, índice de 92.3% de passes certos e de 60% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.2 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 2 vezes, apresentando uma média 0.3 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

Wesley (31 anos): 16 jogos, 10 desarmes totais, sendo 8 destes certos. Média de 0.6 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 1 interceptação, com uma média de 0.1 por jogo. Comete um número de 1.1 faltas por jogo, índice de 92.8% de passes certos e de 46.7% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.4 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 4 vezes, apresentando uma média 0.4 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

Wesley

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Zé Ricardo (22 anos):  115 minutos jogados espalhados por 6 jogos, tendo feito 3 desarmes, todos eles certos e também tem 1 interceptação, média de 0.5 faltas por jogo, índice de 90.4% de acerto de passes e de 40% de lançamentos certos. Finalizou 3 vezes nestes 115 minutos, sem ter marcado nenhum gol.

Os meninos são alvi-verdes, mas não estão verdes

Os números do Christian impressionam, ele só fica atrás do Juninho em termos de desarmes por jogo, e só fica atrás do Donizete em termos de interceptação por jogo, somando as duas estatísticas não seria leviano especular que ele é o melhor recuperador de bolas do nosso elenco. Entretanto sua contribuição ofensiva é ainda mais impressionante, sendo o que mais finaliza em média e o segundo que dá mais passes para finalização, tendo já marcado um gol (e que golaço). No entanto, dos volantes que temos parece ser a última opção para o Adilson, não figurando nem no banco de reservas na maioria dos jogos.

Os números do Zé Ricardo ficam um pouco mascarados pela falta de minutos jogados, mas chama a atenção também a participação ofensiva dele nestes minutos, sendo que a maioria deles jogados no final de partidas, entrando mais para ajudar a segurar o placar. Vale lembrar que o Zé foi adaptado a posição de primeiro volante pelo posto, na base ele sempre saiu muito mais pro jogo, tendo sido inclusive utilizado na linha de 3 meias do 4-2-3-1 em algumas situações.

Cabe ressaltar que de fato Wesley e David deram uma melhorada em relação ao desempenho inicial de ambos, entretanto ainda sim, contribuem pouco defensivamente para o time, e a contribuição ofensiva que lhes seria o ponto mais forte deixa a desejar em relação a outras opções.

Treinadores de futebol são famosos por ser muito agarrados a suas convicções, mas espero que o Adilson Batista abra os olhos e de mais chances ao Christian e ao Zé Ricardo, a entrada dos dois não representariam apenas a rejuvenescida de nossa volância, trará ganhos de performance para além de acelerar bastante a transição. A chave para que o futebol defensivista atual se torne o tão aclamado futebol reativo pode passar por estes dois, pois teríamos tanto a pegada que nos faltou no último jogo, como velocidade na transição e um melhor poder de finalização. Continuar lendo

Os quatro exilados

Quem vai se dispor a criticar um técnico que está sendo vitorioso? Infelizmente é preciso. A crítica em geral só é nociva aos vaidosos e aos condescendentes. Para o humilde, a crítica é o início de uma melhoria.

Essa coluna não quer tirar os méritos de Adílson Batista, inclusive pelas anteriores desde a sua chegada terem sido sempre elogiosas e portanto, não há razão para que uma invalide outras. Conquistamos mais pontos e estamos melhor agora do que na era Enderson. Então por que a crítica?

Quis Custodiet ipsos custodes?

A frase latina acima é do poeta romano Juvenal e pergunta “Quem vigia os vigilantes?”. É um aviso de que mesmo aqueles que prestam bom trabalho precisam de supervisão.  Ontem a tarde foi divulgada a notícia de que Sabino, Ademir, Christian e Zé Ricardo foram enviados ao grupo de atletas sub-23, os Aspirantes do Coelhão. No programa de domingo passado, comentamos o fato de Ademir e Christian estarem treinando em separado.

Como não faço parte do grupo do América ou da diretoria, tudo escrito daqui pra frente é a opinião de um torcedor sem nenhum tipo de informação privilegiada e na melhor das hipóteses, representa as conversas de porta de Independência sobre o assunto.

Considero muita injusta essa involução dos quatro, demovidos da equipe principal para a de aspirantes. Não tenho procuração pra defender nenhum deles. Com todo o respeito a equipe de aspirantes, que tem feito bonito em seu campeonato, estamos tirando desses meninos a oportunidade de jogar em nível de Série A, com jogadores qualificados e toda a pompa e circunstância que a cerca.

Caso a caso

exilados

Fonte: Site do América / Plantel

O zagueiro Sabino é de quem menos posso falar. Contratado para a equipe de aspirantes em abril, compôs elenco até a chegada de Paulão. Como não o vimos jogar e pela juventude até não me parece algo tão descabido sua volta aos aspirantes. Entretanto, é preciso destacar o efeito psicológico sobre ele e os outros três. Enquanto a promoção deve ter sido comemorada, qual o efeito do caminho contrário?

Ademir “Fumacinha”, promessa que veio da Patrocinense e fez alguns jogos no Coelhão teria espaço nesse time. Fez algumas raivas? Fez. Mais do que Marquinhos, por exemplo? Mais do que Wesley? Para esses houve paciência. Ademir teve uma grande variação nos jogos em que participou, atuando bem e mal. Natural em um jogador jovem como os próximos dois casos.

Zé Ricardo passou de craque a nada em menos de um mês. Consistentemente eleito melhor jogador no Campeonato Mineiro, teve uma queda absurda em seu rendimento nos dois jogos da Semi contra a cachorrada. As teorias da conspiração das catracas do Independência são muitas. Algumas dizem que ele deslumbrou com o seu próprio futebol, outras que amarelou. Depois disso, raramente entrou até o episódio de ontem. Na minha opinião, seu futebol não acabou. Não se esquece o que se ama tanto. E o Zé do Coelho joga bola sim! E se estou errado, devemos punir severamente quem renovou seu contrato. Se seu futebol variou em qualidade, é por sua juventude, mas não por seu amor ao América que já foi demonstrado algumas vezes.

Por último, a maior de todas as injustiças: Christian. Nosso volante e vez em quando lateral tem muito lugar nesse time do Adílson Batista. Veja, estamos falando de um plantel de meio de campo que sem Zé Ricardo e Christian, tem como volantes Donizete, Wesley, Juninho, David e só. Christian nunca fez um jogo ruim no Coelho. Todos os seus jogos foram de discretos a positivos, em alguns até se destacando. Portanto não consigo vê-lo atrás de um David, que esse ano tem feito bons jogos. Mas bons jogos o Christian também sempre fez.

Minhas preocupações

Adílson Batista já parece estar transformando o América em uma panelinha. Todo técnico tem suas paixonites e o técnico que barrou Sorín nas meninas pra escalar Magrão tem histórico disso. Sobra paciência com os figurões, o que pode e parece estar funcionando pra alguns.

Um efeito dessa fixação pelos jogadores mais rodados do elenco já foi sentido no jogo com o Ceará. Um time envelhecido, cansado da sequência de jogos, que não conseguiu apresentar nada. Na entrevista, Adilson culpou calendário, CBF, política, tudo quanto há. Mas veja, sem defender o indefensável calendário, as datas estão dadas há quase dois meses. É dever do técnico se planejar para isso. E justamente nesses casos é que jogadores mais jovens fazem a diferença. Sentem menos a sequência e aproveitam as oportunidades dadas com mais afinco. O exílio dos quatro meninos só colabora com o envelhecimento do time titular e reserva.

Por último, me preocupa o “day after“, o dia após o fim do campeonato. Segundo o site  Transfermarkt , Adílson e quase todos os nossos jogadores tem contrato até dezembro de 2018, com pouquíssimas  exceções, entre eles os quatro transferidos. Então imaginem o fim do campeonato. Permanecendo ou não, teremos que reformar o time todo. Renovar com alguns, liberar outros. Por tanto, manter aqueles sob contrato dentro do elenco teria um efeito positivo de continuidade.

Essa politicagem interna do América me cansa demais. Toda informação é secreta e crucial demais para ir a público. O torcedor médio deve ser protegido de viver seu clube. Precisamos melhorar muito esse jeito “colégio de freiras” de ser da direção do América. Nos envolvam. Queremos mais.

Grande abraço a todos e vitória no Rio!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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De Letra – nº 1158

OLÁ, caros leitores semanais! Estão dando ao sofrido torcedor americano o direito de duvidar da inteligência (futebolística, bem entendido) do treinador Adilson Batista. Ora, errar é humano, mas, permanecer no erro, é uma tremenda burrice! Futebol, pelo que sei, é um esporte inventado para se fazer gols. Quanto mais, melhor! Tanto que, na sua origem, eram cinco os atacantes. Hoje, time que tem dois no ataque é uma equipe agressiva. Retranca é covardia…

POIS bem! Onde, em que anuário, alfarrábio ou almanaque consta que um time de futebol pode atuar com um goleiro, três laterais (ou alas, sei lá), três zagueiros e quatro volantes. Cadê os atacantes? Esse time, infelizmente, tem sido o meu glorioso e querido América, que foi dos treinadores Enderson e Ricardo e hoje é do Adilson. O Coelho viajou para Salvador/BA sem seu único atacante razoável (Rafael Moura) e sem seus melhores volantes (Christian e Zé Ricardo). Com a inaceitável escalação, um aviso foi dado, a despeito dos idiotas “treinos secretos”: o Coelho foi para a Bahia perder de pouco ou jogar por uma bola. Então, de que valeu viajar com uma equipe defensiva por excelência? Se atacando na Boa Terra seu time maior, imagine, caro e atento leitor de meu modesto Blog internacional, o que significa jogar em escandalosa “retranca”. Ora, baiano pode ser preguiçoso, burro, nunca. Três zagueiros. Credo! A invenção não serviu sequer para evitar o gol solteiro do Bahia, após o infeliz rebote do goleirão João Ricardo. Resumindo: está tudo errado…

PS – Não conheço Christian, Zé Ricardo e Rafael Moura. E nem tenho procuração para defendê-los. Portanto…

ATÉ a próxima.

Miguel Santiago
Blog Miguel de Letra: http://migueldeletra.blogspot.com.br
Miguel Santiago publica originalmente em seu blog, Miguel de Letra, e carinhosamente cede sua lavra para ser republicada no Decadentes.

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A Arte da Guerra

Caro leitor americano, se você acha que disputar a Série A é apenas mais um campeonato, este texto não é para você. Se você acredita que apenas as quatro linhas definem o futuro do América, este texto não é para você.

No século VI antes de Cristo, viveu na China um dos maiores generais , estrategistas e filósofos da história, Sun Tzu. Este grande mestre escreveu um dos primeiros tratados sobre estratégia militar, “A Arte da Guerra”, em que falava de todas as questões que permeiam um exército vencedor, tanto durante a guerra quanto nos períodos de paz.

General de Guerra e General de Paz

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Sun Tzu – Wikimedia Commons

Sun Tzu dizia que um país precisava de generais para a guerra e outros generais para a paz. Um general de guerra precisa liderar em campo, motivar as tropas, posicionar os batalhões e ganhar as batalhas de fato. Já o general de paz tem soldados ociosos, sem batalhas a serem vencidas, mas que podem ser acionados a qualquer momento. Portanto, ele precisa manter as tropas treinadas e coordenar os órgãos de inteligência em busca de ameaças e oportunidades.

Entendo o papel do diretor/gerente de futebol em um time como um general de paz. Ele precisa estar atento ao mercado, ativo na gestão de conflitos internos e alerta para a insubordinação de um ou outro general de guerra. O técnico é para a guerra, para o campo de batalha, as quatro linhas, o dia a dia. Ele não se preocupa com o que vai acontecer após a batalha.

Observe que esse dois perfis são bem diferentes e quase sempre incompatíveis. Talvez desta diferenciação venha a propagada qualidade e continuidade do trabalho no América. Talvez Ricardo Drubscky renda  melhor sem a pressão diária do campo, enquanto Enderson rendesse melhor sem a necessidade de visão a longo prazo.

Meu medo? Ilustro com uma piada. Dizem que certa vez a NASA resolveu criar um super astronauta, combinando o DNA de Albert Einstein com o DNA de Sylvester Stallone, pois um astronauta que tivesse o corpo do Stallone com o cérebro do Einstein seria fenomenal. Feito o experimento, terminaram com um astronauta que tinha o corpo de Einstein e o cérebro de Stallone.

Erros

Ainda do livro de Sun Tzu temos o seguinte trecho: “Durante uma campanha, o desastre pode surgir de seis diferentes erros do general em comando. Os erros são deserção, insubordinação, ineficácia, precipitação, caos e incompetência.”

Sobre deserção, nosso ex-técnico já pode escrever um livro. A deserção de um soldado em si não é vergonhosa, pois pode ser interpretada como um ato de sobrevivência. Da mesma forma, o pedido de demissão de Enderson pode ser interpretada simplesmente como uma melhoria em busca da sobrevivência financeira. O que é vergonhoso na deserção é o fato de que um soldado a menos pode provocar uma derrota que levará a morte de seus ex-colegas. Portanto, o pior efeito do ato de Enderson é o efeito ruim sobre a moral do time e de seus torcedores.

Já a efetivação do Ricardo errado (eu pelo menos, esperava o Zé Ricardo) na minha opinião, ilustra os princípios da ineficácia e da precipitação. Ineficácia pelo fato de que a carreira de Drubscky COMO TREINADOR não contempla nenhum grande sucesso. Precipitação pela facilidade em que foi imbuído do cargo. Não consigo acreditar que não exista no Brasil um técnico na faixa salarial proposta ou um pouco mais que tope assumir o América e que seja melhor credenciado para a tarefa.

Você me pergunta novamente. Qual seu medo? Ilustro agora com uma frase de George Hebbert:

“Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura. Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro. Por falta de um cavaleiro, perdeu-se uma batalha. E assim, um reino foi perdido. Tudo por falta de um prego.”

Estamos em um ponto da história americana em que não podemos nos permitir o erro, mesmo que pequeno. Quanto mais os grandes.

Grande abraço a todos.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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De Letra – nº 1151

OLÁ, caros leitores semanais! Para quem entrou na mais importante competição nacional com a missão de nela apenas permanecer, até que o desempenho do meu glorioso e querido América no Brasileirão está dentro da normalidade. Veja bem, caro e atento leitor de meu modesto Blog internacional, em 12 rodadas, tudo normal, com resultados dentro do previsto. O único placar anormal até agora foi o diante do Vasco da Gama, uma amarga goleada de quatro a um, de virada. Depois de abrir o placar em pleno São Januário, “caiu de quatro” no segundo tempo. Coelho, isso não se faz… De resto, tudo normal, com 14 pontos (quatro vitórias, dois empates e seis derrotas). Na décima terceira colocação, o Mecão está, na “virada da Copa”, na frente de clubes tradicionais como Chapecoense/SC, Santos, Vitória/BA, Bahia, Paraná, Atlético/PR e Ceará. Ora, tirando o líder disparado Flamengo (27 pontos), o Coelho não está tão longe assim dos ainda vice-líderes Galinho e São Paulo (ambos com 23 pontos) e Internacional (22). Os demais concorrentes também estão por perto, como Grêmio (20), Palmeiras (19), Sport (idem), Raposinha (18), Botafogo (17), Corinthians (16), Vasco (15) e Fluminense (14). Creio que um novo campeonato brasileiro vai começar após a Copa do Mundo. É só o treinador Enderson Moreira mudar seus inexplicáveis métodos de escalação da nossa equipe. Zé Ricardo na reserva é pura brincadeira. Ou “marcação”, quem sabe…

PS – O gol da vitória galista ontem contra a “lanterna” Ceará começou com um impedimento do Ricardo Oliveira e terminou com uma ajeitada de mão do Luan. E a mídia galista nada falou. Calada…
ATÉ a próxima.

Miguel Santiago
Blog Miguel de Letra: http://migueldeletra.blogspot.com.br
Miguel Santiago publica originalmente em seu blog, Miguel de Letra, e carinhosamente cede sua lavra para ser republicada no Decadentes.

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De Letra – nº 1150

OLÁ, caros leitores semanais! De que vale tudo isso/ se você, vitória, não está aqui? De que vale o Céu azul e o sol sempre a brilhar/ se você, vitória, não vem e eu estou a te esperar? O que para o Roberto Carlos é filosofia, para o meu glorioso e querido América é o X do problema. Vitória, objeto de desejo do Coelho. O problema é que ela tem custado muito a surgir…

DE nada está adiantando jogar bem e dominar os adversários, se o esférico não tem sido colocado na “casinha” por falta de um ataque de verdade. Veja bem, caro e atento leitor de meu modesto Blog, que, em onze jogos, o Mecão só balançou as redes inimigas por 14 vezes, média irrisória de pouco mais de um gol por partida. Ontem, depois de sofrer aquele gol esquisito, tipo “pastelão”, tomou as rédeas do jogo e colocou o Grêmio em seu campo defensivo. Domínio histérico o nosso. Se não fosse a cabeçada do Rafael Moura no último minuto, o goleiro gremista não teria sequer sujado seu uniforme. Irritante posse de bola. É um tal de tocar a bola para cá e para lá e atrasá-la para o goleiro que não acaba nunca. Futebol infrutífero! O goleiro Jori tem sido o nosso principal armador, dando chutões para a frente, na base do “Bumba meu boi, meu boi bumbá…”.

PS – O americano Marck Tavares disse que o tão criticado armador Juninho fez uma falta danada, ao passo que o retrospecto do treinador Enderson Moreira contra a duplinha RapoGalo é lamentável. Concordo plenamente. Ele não ganhou uma…

Miguel Santiago
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De Letra – nº 1149

OLÁ, caros leitores semanais! Minha bisavó paterna, Lucinda de Assis, que sequer entendia do velho ludopédio, falava, nos anos 1800, que, em futebol em time que vence e convence não se mexe. Seu neto, meu saudoso genitor, José de Assis, dizia a mesma coisa. Isso é óbvio, ululante, como dizia o imortal cronista tricolor carioca Nelson Rodrigues. E o Zé Migué aqui do pedaço, que não é bobo, endossa tal dito.

POIS bem! Quem não deve comungar com tal ditado popular é o treinador Enderson Moreira, que, após a bela partida do meu glorioso e querido América na penúltima rodada do Brasileirão (três a um no Galinho paranaense), resolveu mudar tudo. Embaralhou geral! Resolveu, veja bem, caro e atento leitor de meu modesto Blog internacional, recolocando na equipe jogadores como Luan e Leandro Donizete e deixando no “banco” atletas como Zé Ricardo, Juninho e Ademir. Ora, o verbo embaralhar, a meu sentir, é o ato de se misturar as cartas do baralho. Caracas! Cuidado, leitor amigo, pois as palavras são parecidas. Entretanto, têm significados diferentes, O torcedor americano não “engole” tais jogadores. Nem eu! Não suporto ver ex-jogadores da “fuleira” duplinha RapoGalo beijando o escudo do glorioso Coelho. Judas Escariotes, pois sim…

PS – No próximo clássico das multidões vou pedir emprestado o uniforme da Chapecoense, algoz do Galinho na Copa do Brasil. Afinal, Chapecó tem como prato preferido um galeto ao molho pardo…

ATÉ a próxima.

Miguel Santiago
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América não foi bem contra o Boa, mas tem chance de encaixar

América

Foto: Mourão Panda/América

Todo mundo sabia como se desenharia a partida contra o Boa Esporte: o adversário lá atrás, esperando o América errar para sonhar em aproveitar de alguma forma. Foi exatamente isso que aconteceu, mas o time de Varginha não conseguiu marcar num erro crasso de comunicação da nossa defesa. Claro, a bola caiu nos pés de William Barbio, que ainda surpreende o mundo do futebol ao dar prosseguimento à carreira mesmo sendo muito ruim!

Depois de um primeiro tempo bem fraco tecnicamente, o Coelhão melhorou um pouco na etapa final, pois começou a fazer tabelas e dar toques de primeira na intermediária ofensiva.

Serginho ora aparecia para organizar, ora sumia entre os zagueiros adversários, ora errava lançamentos considerados muito fáceis, não conseguindo colocar o companheiro na cara do gol. Fez isso apenas uma vez, justamente no lance do gol, mas precisa contribuir mais nas jogadas decisivas. Seu desempenho ainda está aquém para uma Série A, ele não parece ter a cara de quem vai conduzir o time.

Aylon não foi nem sombra do que jogou em algumas partidas do estadual. É bem provável que a causa disso seja seu posicionamento: o atacante fez gols como exímio centroavante, função que ele não realizou nenhuma vez nos 90 minutos contra o Boa.

Qual o problema de, em alguns momentos do jogo, ele fazer dupla com Rafael Moura na área ou próximo dela? Ficar errando enfiadas de bola a torto e a direito é que não dá,  não é mesmo? É isso que Enderson precisa perceber, não adianta insistir naquilo que o jogador não sabe fazer, é perda de tempo.

O principal problema que o técnico precisa resolver, já para as semifinais, é Marquinhos. Não se sabe o motivo de ele ter errado 99% dos lances dos quais participou, só fazendo uma boa jogada exatamente na que resultou no gol – ele saiu logo depois.

Enderson precisa entender que aqui é futebol profissional e não há espaço para um jogador que erra praticamente tudo continuar sendo titular. É o atleta que precisa recuperar a autoestima e a vontade de ganhar para merecer uma oportunidade. Isso em qualquer divisão, quanto mais na Série A.

A defesa não esteve firme como no ano passado, mesmo com Zé Ricardo tendo bom desempenho no geral. Ele só precisa soltar a bola um pouco mais rápido e ter visão periférica mais apurada para perceber a aproximação de adversários. Contra o Boa Esporte, ele errou um lance desse tipo. Na Série A, um vacilo desses pode resultar em gol adversário.

Quem é o América de agora

Enderson Moreira

Enderson precisa trocar quem não está dando certo Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Hoje, os garantidos como titulares são: João Ricardo, Norberto, Messias, Rafael Lima, Zé Ricardo, Aylon e Rafael Moura. Falta Enderson Moreira decidir-se por alguns jogadores.

Giovanni ou Carlinhos. O primeiro pode ser titular, mas precisa ficar mais na lateral-esquerda do que no meio-campo.

Juninho, Wesley ou Christian. Juninho pode dar lugar a um volante com mais habilidades ofensivas, que pode ser Christian, melhor lançador que ele. Wesley também briga por essa posição, precisamos observá-lo mais antes de qualquer conclusão.

Serginho, Ruy ou Renan Oliveira. Os três vão brigar pela titularidade, mas a tendência é que ela seja rotativa entre eles durante a Série A. A não ser que alguém tenha tão bom desempenho que supere os concorrentes.

Marquinhos, Matheus Santos, Luan ou Matheusinho. Marquinhos ainda não merece ser chamado de titular, precisa melhorar muito. Portanto, Matheus Santos pode ser uma boa alternativa, já que Luan não deve dar conta do recado – considero sua renovação um erro da diretoria. Se voltar bem da contusão, Matheusinho supera os três.

Ou seja, mesmo com o futebol um pouco preocupante diante do Boa Esporte já vislumbrando a Série A, o América tem boas chances de encaixar e evoluir. Para isso, porém, Enderson Moreira precisa dar oportunidade a outros jogadores, mantendo-se a espinha dorsal que todos já conhecem. Dependemos muito do treinador para começar a Série A com bom desempenho.

Matheus Laboissière


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Candidato a ídolo

Ahhh, o ídolo! Esta figura tão importante dentro do mundo do futebol. Em nossa história, temos vários: Jair Bala, Juca Show, Milagres, Satyro Taboada e tantos outros que honraram nosso manto verde e preto com a dedicação que merecemos. Mas, atualmente, um certo garoto bom de bola tem se colocado como candidato a este posto: Zé Ricardo!

Natural de Bom Jesus do Amparo e ex-vendedor de pastéis na beira da BR-381, Zé Ricardo vem conquistando cada vez mais espaço no time e moral com a torcida americana. O “Zé do Coelho” tem, hoje, todos os ingredientes para, com o tempo, se tornar um ídolo americano.

Amor à camisa
Ídolo que se preze tem que ter identificação com o clube. Isso o Zé Ricardo tem de sobra. Oriundo das categorias de base do clube, o Zé do Coelho não se cansa de demonstrar o amor pelo América. É nítido o orgulho dele em defender as cores americanas, dizendo isto aos quatro cantos. Esse amor é tão grande que até mesmo no Natal, de folga entre os familiares, o volante candidato a ídolo foi visto vestindo o manto verde. Nada de tão surpreendente, afinal a noite de Natal costuma ser aquela em que costumamos escolher a melhor e mais bonita roupa, certo?

Carisma
Zé Ricardo está se tornando o queridinho das entrevistas. A humildade e o carisma do garoto tem encantado o público e os jornalistas. Terminadas as partidas, é hora de colocar o fone de ouvido e ouvir a simpatia e os inocentes palavrões do Zé do Coelho. E, logo depois do palavrão “escapulido”, vem o “Deus que ajude” do carismático Zé, ao agradecer pelo já tradicional relógio, prêmio dado ao melhor em campo. Em uma era em que jogadores de futebol dão respostas padronizadas, chatas e politicamente corretas, o Zé Ricardo foge à regra, esbanjando espontaneidade.

Zé Ricardo Mourão Panda

O sorriso fácil de Zé Ricardo – Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Permanência no clube
Um ponto importante para que um jogador se torne um ídolo de um clube é o “tempo de casa”. Zé Ricardo está no América desde março de 2013 e, neste ano, renovou o seu contrato, que agora vai até 31 de dezembro de 2022. São 5 temporadas de contrato garantido pela frente. Tempo mais que suficiente para que a moral do jovem volante cresça ainda mais com a torcida. Porém, é óbvio que, durante este período, Zé Ricardo será cortejado por equipes mais poderosas do futebol brasileiro e mundial. O que nos resta é a esperança de que a identificação do volante com o clube, aliada à recente postura do América em manter suas joias, garanta uma longa permanência do Zé do Coelho no CT Lanna Drumond.

Raça
A garra de vencer demonstrada em campo é elemento importantíssimo na trajetória de um ídolo. Ainda mais para um volante. E esta já é uma característica muito forte no jovem Zé. Em entrevista recente, Zé Ricardo disse que, para ele, “treino é jogo e jogo é Copa do Mundo”. E isso não fica apenas nas palavras. Em nossa casa, no Estádio Independência, é prazeroso ver o Zé do Coelho lutando por cada bola, independente do adversário. Em partida contra o Cruzeiro, pelo Campeonato Mineiro de 2018, o jovem volante americano não abaixou a cabeça para os experientes atletas adversários. Pelo contrário! Zé Ricardo participou de jogadas duras e não fugiu dos confrontos do jogo. O sangue verde corre nas veias!

Zé chorando

Zé Ricardo emocionado com o título de Campeão da Série B 2017 – Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Bom futebol
Um jogador apenas com amor à camisa, carisma, permanência e raça, será, no máximo, uma figura importante e querida no clube. O que falta para esta conta fechar e a idolatria vir é ser bom de bola! Zé Ricardo é um jogador de qualidade desde os tempos de categoria de base. Na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2016, o Zé do Coelho já chamava a atenção pelo estilo pegador na marcação, aliado ao refinado passe na saída de bola, chegando a aparecer como surpresa no ataque. E, no profissional, a coisa não está diferente. Dono de uma personalidade forte em campo, ele fez parte do melhor sistema defensivo do Brasil em 2017, além de facilitar a saída de bola e a vida dos armadores e atacantes.

Em ano eleitoral, está oficialmente lançada a candidatura de Zé Ricardo ao cargo de ídolo da Nação Americana! Se será eleito, o tempo e o “eleitorado” americano é quem vai dizer.

Walisson Fernandes
twitter.com/FernandesWali


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