Agora vai?

Como disse certa vez Adoniran Barbosa: “Pobre quando come canja ou ele ou a galinha estão doentes!”. Chegaram os “reforços”.

O pacote de reforços dessa semana chega em hora mais que necessária após o jogo com o Sport de domingo passado. Segunda e terça eu ainda parava, com olhar perdido,  e lembrando que saí do estádio ganhando e cheguei no carro estacionado já perdendo de dois. Alguns amigos me chamaram de pé frio, mas nesse caso eu era o pé quente, correto? Quem mandou sair antes?

Sport

Vi evolução no último jogo. A defesa estava mais bem postada e até as laterais que pra mim já eram vela e caixão funcionaram melhores, inclusive com João Paulo guardando  a posição defensiva. Não estou defendendo nem João Paulo, nem Leandro Silva. Ambos estão devendo e muito.

O time começa a se arrumar de trás pra frente. Jori é jovem e tem seus momentos ruins, mas no geral me agrada mais que o Leal. Tive pena do zagueiro Pedrão, que foi com um excesso de vontade na voadora do pênalti e depois se desfez psicologicamente. Pedrão também é jovem, mas tem jogado bem principalmente em comparação ao horrível e abundante Jussani.

O meio e o ataque ainda necessitam trabalho. Christian pede passagem, mas com a contratação de volantes essa situação precisa se definir. O setor de armação de jogadas , nulo. O terço final do campo do América provavelmente será invadido pelo Movimento dos Sem Terra em pouco tempo, uma vez que é um dos terrenos mais improdutivos do país.

Apresentação do Diretor de Futebol Paulo Bracks no América

Mourão Panda(@photompanda) / América-MG

Novo Diretor

Das novidades dessa semana, a que mais me deixou feliz foi a promoção de Paulo Bracks a diretor do futebol profissional. Há muito tempo já falamos no programa dessa solução caseira, que provavelmente dará bons resultados. Se assim fosse no final do ano passado, muito sofrimento desse ano, principalmente na formação de elenco, podia ser evitado. Desejo muito sorte!

Reforços

Já chegaram Luiz Fernando(volante) e Thiago (goleiro), que ao que parece já até viajaram para Pelotas. Para os próximos dias, chegam Michel Bastos (meia?), Diego Ferreira (lateral direito) ,William Maranhão (volante) e Rafael Bilu(meia).  Ainda estamos a espera do centroavante Thalles, da Ponte Preta. Não vejo um grande aumento na qualidade geral do grupo, que atualmente é pequeno (21 jogadores) e formado em boa parte pela base. A grande interrogação é Michel Bastos, que tem futebol, mas decepcionou ano passado no Sport e tudo indica que virá para terminar a carreira. Além da fama de desagregador. Mas vamos torcer.

 

Grande abraço a todos!

Crédito da foto de capa: Mourão Panda(@photompanda) / América-MG

 

E se ganharmos na Mega?

Toda essa conversa sobre dinheiro estrangeiro no América tem me deixado pensativo. Assim como aquele apostador da Mega Sena que já sonha com as viagens na aba do prêmio, fico pensando de que forma um dinheiro novo deveria ser empregado.

Considerando o que saiu na imprensa e o papo de alguns conhecidos, os 200 milhões se tornariam 100 milhões para investimentos no futebol e a outra metade para pagamento de dívidas e desenvolvimento da infraestrutura (Planeta América).  Esse dado pode ser tão real quanto a hora que o coelhinho da Páscoa fará sua aparição anual, uma vez que não há confirmação de nada disso.

A única dívida envolvendo o América que sei realmente o valor é a minha. Estou devendo uma camisa do América pro mâitre Luis, lá do “La Chacra Del Porto”, no Mercado portuário de Montevidéu. Quando me viu com uma camisa do Coelhão, me deu um grande abraço e tirou, de um armário atrás das grelhas, uma camisa de 2009, de número 10. De acordo com ele, era de jogador, mas que ele não lembrava o nome. Respondi que era do Luciano, mas confesso que eu também não tenho certeza!

Chacra

O que muda?

Pensei em fazer uma análise SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças), mas não quero fazer dormir aos poucos leitores dessa coluna. Em 2019, já temos uma boa noção das possibilidades que o América possui ao investidor e até já falei sobre isso na última coluna ( Vermelho 27 ou Preto 17? ).

É preciso dizer: um investimento único de 200 milhões, por mais paradoxal que seja, melhora muito nossa vida, mas não nos eleva de patamar. Um verdadeiro salto de qualidade só ocorrerá com o sucesso do empreendimento, de forma que novos valores sejam constantemente reinvestidos.

Entendo que a melhoria em Infraestrutura é essencial, pois melhora as condições de surgimento de craques na categoria de base. Se hoje já produzimos bem com condições regulares, é aí que mora o segredo. Além disso, é preciso qualificar nosso time profissional com o talento externo, de forma que os jogadores que subirem se espelhem e aprendam. Nossos grandes times foram mesclas da experiência com a molecada da base. Mas sem apostar em figurões que só vem aqui pegar os últimos salários antes da aposentadoria.

O pagamento de dívidas é importante, pois permite um planejamento racional dos próximos anos, sem a volatilidade do mercado a futuro. Não acho nossa dívida tão grande, em relação ao nosso faturamento, mas juros são um pesadelo estratégico para qualquer organização.

Sport

Maurício Barbieri, o técnico com nome de biscoito, melhorou muito o time no segundo tempo contra o Criciúma. Acho essa formação final o ideal para o jogo contra o Sport, com exceção de Marcelo Toscano. Pelas entrevistas dessa semana, Toscano continua no time e mais centralizado, mantendo o freio de mão do time puxado.  Sempre que a bola vai em seu pé, o time entra em câmera lenta como em uma cena do filme Matrix.

A diretoria colaborou e teremos promoções de ingressos. Então essa não é a hora de usar sua desculpa preferida. Vá ao campo e leve outros. Esse domingo é para mostramos força. O time precisa!

Grande abraço e nos vemos domingo!

Créditos da Imagem de Capa: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

 

 

 

Decadentes #189 – Criciúma 0 x 0 América (Campeonato Brasileiro – Série B 2019)

Hoje é um novo dia, de um novo tempo, que começou…

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Vermelho 27 ou Preto 17?

A sexta-feira passada, logo após a publicação da última coluna,  trouxe excelentes notícias. A primeira delas foi a transferência do abundante zagueiro Diego Jussani pro Vila Nova de Goiás. O que particularmente não entendi, pois a arroba de boi gordo está mais valorizada em Belo Horizonte do que em Goiás, conforme o site do Canal Rural.

A transferência do nosso ex-capitão me parece um golpe de mestre, uma vez que o único fiador de sua presença no time, inclusive como capitão, era Givanildo. Mesmo que uma catraca do Independência fosse contratada como novo técnico do Coelhão,  certamente  perderia a titularidade. E obviamente, deixaria de ser capitão. Se fosse pro banco, o máximo que poderia ser era gerente.

Torço para que o jogador encontre sua forma e seu futebol no Vila. Em campos mineiros, mostrou apenas preguiça, desânimo e falta de técnica, a ponto de ser xingado constantemente pelos colegas.

Interesse Sino-Búlgaro

A segunda boa notícia é o interesse chinês em investir 200 milhões de reais no time do América. Logo em seguida, apareceu também uma carta de intenções do consulado da Bulgária, com o mesmo objetivo mas sem valores.

Como no tango de Herivelto Martins( Aqui ), imortalizado por Nelson Gonçalves, estamos entre o Vermelho 27 (a sorte na roleta) e o Preto 17 (a perda de tudo que se conquistou). Entendo que uma parceria adiantaria um sucesso que se fizéssemos tudo certo, chegaria em uns 10 anos. Mas se não for bem feita, podemos regredir.

No final do último programa, falamos um pouco sobre isso. O América está em uma posição privilegiada para atrair investidores, que tem fugido da Europa devido a mudanças fiscais e regulatórias. Somos um time com dívida relativamente baixa, patrimônio farto, um estádio moderno, política interna pacificada, categoria de base funcional e produtiva e baixíssima rejeição em termos de marketing.

Considero que a parceria, seja ela qual for, deve começar com uma auditoria de ambos os lados de forma que todos saibam claramente onde estão se metendo. Essa providência já está sendo tomada. Além disso, precisamos ter salvaguardas que nos protejam caso o parceiro pule fora do barco, para evitar um caso semelhante a Parmalat no Palmeiras. Além disso, sou contra a cessão completa de direitos dos jogadores da base, pois entendo que a manutenção de uma parte dos percentuais é essencial no caso de uma super valorização.

Parafraseando o amigo Maurício Kfoury, da Turma do Fundão, uma parceria como essa profissionaliza todos os setores do clube, traz torcida, mídia e oportunidades. A ideia é produzir um ciclo virtuoso.

Treino do América MG

Créditos : Mourão Panda (@photompanda) / América MG

Novo técnico

Gostei da contratação de Maurício Barbieri, que tem um perfil interessante. Para me deixar mais satisfeito, sua primeira escalação para o jogo de amanhã é muito semelhante a que propus no último programa. Veremos se a mudança de técnico produz resultados, mas é preciso tempo e paciência.

 

Créditos da Imagem de Capa: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

A encruzilhada

Não consegui pensar em um título mais adequado ao atual momento do América do que este.

Um dos filmes preferidos da minha infância/adolescência é “A Encruzilhada”, de 1986, estrelado por Ralph Macchio (o Daniel-San de Karate Kid). É a estória de um estudante de violão clássico, desanimado com o estudo acadêmico e apaixonado pelo Blues do Mississipi, que vai atrás da canção perdida de Robert Johnson, um dos mais famosos bluesman de todos os tempos. Robert Johnson faz parte do “Clube dos 27”, onde constam os nomes de músicos famosos que morreram aos 27 anos , como Kurt Cobain, Amy Winehouse e Janis Joplin.

O tema principal do filme é o conflito interno do estudante Eugene Martone entre o estudo formal do violão clássico e sua paixão pelo Blues que sai da alma. Esse conflito é resolvido em uma batalha de guitarra organizada pelo Cramulhão lá nas prefundas. Psicologia dos infernos!

 

A-Encruzilhada

Cena do filme “A Encruzilhada” – Columbia Pictures/Sony Entertainment

O que isso tem a ver com o América? Nos últimos anos, o América também vive esse conflito interno, entre uma profissionalização e a eterna vontade de manter o futebol como sempre foi.

Idas e Vindas

Como sempre digo, somos um time que não pode errar. E não pensar o futuro do América é um erro grave. Entre Givanildo, Sérgio Vieira, Enderson, Drubsky, Adílson Batista e Givanildo de novo, apenas para ficar nos últimos anos, quantas vezes mudamos de perfil de treinador?

Sou claramente favorável a um departamento de futebol com alto nível de profissionalização. Sou contra , por exemplo, a presidente do clube ir bater boca com jogador no CT. Na minha opinião, um bom presidente deve favorecer a instituição, trazendo parcerias, prestígio e dinheiro para o clube e principalmente, colocar quem entenda para gerir o futebol, o operacional do clube.

Um bom diretor de futebol é garantia de manutenção das boas práticas, independente do plantel e da comissão técnica. É fiador da política do clube e fiel da balança nos conflitos.

Enquanto nos mantivermos vacilantes entre as soluções profissionais e a “boleiragem”, estaremos sempre reféns das escolhas pessoais. Escolhas pessoais que tem surtido menos efeito do que os breves momentos onde abraçamos escolhas mais racionais.

Grande abraço a todos e que venha um bom técnico!

Créditos da imagem de capa: Mourão Panda (@photompanda) /América-MG

Decadentes #188 – América 0 x 1 Botafogo-SP (Campeonato Brasileiro – Série B 2019)

O jogo que só serviu pra derrubar o homem!

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Decadentes #187 – Operário 1×0 América (Campeonato Brasileiro – Série B 2019)

Jogo horroroso e preocupante. Luz amarela no coelhão?

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Voltando aos trabalhos!

Depois de um tempo sem a inspiração correta para escrever, a coluna está de volta com o papo de sempre ás sextas-feiras. Saudade de falar dessa paixão que é o Coelhão mais lindo das gerais. A tentativa é preencher o espaço deixado pela coluna do grande Paulo Vilara. Se não nos dão espaço, o criaremos.

Campeonato Mineiro

Que dificuldade se entusiasmar com o Campeonato Mineiro!

Criticar o Campeonato Mineiro é algo que todo mundo faz, mas é preciso separar as críticas ao campeonato das críticas ao formato de disputa. Entendo que em um país de dimensões continentais como o Brasil, é difícil  escapar dos formatos regionais por uma questão de custos logísticos e também pela necessidade de fomentar os times menores. Nenhum país no mundo tem a densidade de times que temos no Brasil. 128 times disputam as séries A, B, C e D. Observe a distribuição desses times conforme as regiões.

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Se temos 128 times em capacidade de disputa nacional, é necessário um formato regional que viabilize a existência desses clubes fora do período de disputa do Brasileiro. O que me incomoda no campeonato mineiro é na verdade a fase de grupos. São disputados 66 jogos , que classificam 8 times entre 12. Historicamente, 10 pontos classificam um time para as quartas de final.

Em minha opinião, o ideal é uma fórmula regionalista onde ocorram as disputas localmente, com custos de deslocamento baratos que classifiquem para fases posteriores que levam a deslocamentos maiores. Uma fórmula parecida com o sistema americano de base para o basquete e futebol americano. A disputa nasce nas cidades e condados e vão evoluindo até disputas nacionais.

Para o América, o campeonato mineiro é quase sempre agridoce. Ao mesmo tempo em que temos a obrigação moral de ficar sempre em terceiro pelo menos, o campeonato desse ano provou que isso é cada vez mais fácil. Os times do interior mais alijados das grandes disputas do que nunca. Dito isso, nossa verdadeira chance de um título seria aproveitar o fato da duplinha estar disputando a Libertadores e ficarmos em primeiro na fase de grupos, para que pegássemos oitavas e semi finais teoricamente mais fáceis e acreditar em bons jogos na final. Vacilamos contra a dupla e contra o Guarani na fase de grupos. Se já jogamos contra tudo e contra todos, também não colaboramos quando necessário.

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Crédito da Foto: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

Elenco

Givanildo , em entrevistas, disse que usou o Mineiro como uma forma de dar entrosamento a um time base para a Série B. Acho um objetivo muito modesto. Principalmente quando me lembro que o mesmo Givanildo recusou amistosos na pré-temporada e nas duas semana após nossa eliminação. Além de dar entrosamento, o Mineiro deveria ter servido também para conhecer melhor as peças do elenco. Em outra entrevista, o auxiliar Felipe Conceição criticou o time como tendo “jovens demais” e precisando melhorar o nível de experiência para a Série B. A questão é que nem os experientes nem os jovens foram rodados no jogo o suficiente para sabermos qual deles se encaixam.

No meu entender, o Mineiro deixou algumas coisas claras. Em primeiro lugar, a defesa. Um time campeão começa com uma defesa firme. Fernando Leal, quando realmente necessário, não correspondeu e só compõe elenco. Paulão foi ok e Pedrão fez apenas um jogo. Jussani está completamente sem condições de jogo e muitos gols que tomamos vieram de falhas dele de posicionamento ou acompanhando mal o jogador adversário. Nossos laterais são outra preocupação. Leandro Silva também foi correto, mas não mais do que isso. João Paulo, embora tenha alguns lampejos no ataque, estes não compensam o buraco que largam na defesa, sobretudo com uma zaga envelhecida sem a presença de Messias, que nos faz muita falta. O menino da base Ronaldo também não foi bem, mas pesa a favor dele o fato de ter entrado em “frias” homéricas. Provavelmente contra alguns times do interior teria ido muito melhor e também ficasse na categoria “correto” de Leandro Silva. Fico muito preocupado com o Sávio, que se não entrou, deve estar treinando pior que essa turma toda.

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Crédito da Foto: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

Na volância, temos um ponto forte. Zé Ricardo, Christian ,Juninho e até Morelli, corresponderam. Juninho voltou para 2019 em pior fase que o final de 2018, mas ainda disputa espaço com os outros. Na frente precisamos melhorar alguns pontos, pois encontraremos times bem fechados na série B de 2019. Toscano está fazendo hora extra no time e precisa urgentemente de um banco para repensar seu jogo. Sobre Matheusinho, tenho dúvidas se seu posicionamento em campo não está errado. Um jogador do tamanho dele, no futebol moderno, não pode jogar atrás de duas linhas adversárias. Se o América acredita no jogador, é preciso ajuda-lo a encontrar seu futebol. Alguns programas atrás falamos sobre ele. Quanto a Belusso, Viçosa e Berola , acho que talvez seja suficiente para uma Série B. Vale uma menção a Felipe Azevedo, que pra mim, parece ser a melhor contratação desse ano. Objetivo com a bola e participativo na recomposição.

Dessa forma , vamos para a Série B sem reforços além de um goleiro aposta. Tão aposta quanto o Jori. Preferia nosso rapaz.

Desabafo

Essa semana, o companheiro Walisson Fernandes publicou esse texto (Momento desabafo!), sobre nossa tentativa de colocação de uma faixa no Independência. Recomendo a leitura e acrescento que a coluna ilustra perfeitamente a dicotomia do futebol moderno, a de que um time precisa ser paixão e negócios ao mesmo tempo. Para resumir a “treta”, nosso propósito era colocar uma faixa escrita “SOU DECA”, em letras garrafais, numa mistura de grito catártico e ofensa a quem não é. Nós, os decadentes, também mudaríamos nosso nome para Sou Deca. Fomos barrados.

Essa negativa nos provocou um desânimo muito grande. Barrados em nosso próprio estádio, é como se tivéssemos uma casa e nela não pudéssemos colocar uma faixa escrita “Amo minha família”, por exemplo. O triste é que o América se comporta como um clube quando interessa , como uma empresa quando interessa e como uma ação entre amigos, uma panelinha quando interessa. Enquanto essa for a realidade da instituição, continuaremos Decadentes.

Grande abraço a todos!

 

Crédito da Foto de capa: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

 

 

 

 

 

 

 

Momento desabafo!

Era início de 2016. América prestes a enfrentar uma Série A duríssima, com um time que, sabíamos, era bastante limitado. Mas, nós, americanos, sempre acreditamos. E foi essa paixão que fez com que 3 caras mais do que atarefados criassem um programa sobre o América na internet. Uma ideia tão sem sentido que acabou fazendo muito sentido pra nós.

Walisson Fernandes, Henrique Pinheiro e Cláudio Sálvio levaram ao ar o primeiro episódio do Decadentes no dia 1º de abril de 2016. Pode parecer mentira, mas não é. Foi uma data escolhida a dedo para lançar o programa, com o objetivo de ser algo irreverente sobre o América, dando o tempo que julgamos que o América merece (já tivemos programas de mais de duas horas… uma loucura)!

O tempo foi passando e, sem perceber, o Decadentes já está no ar há mais de 3 anos. Dentre idas e vindas, “contratações” e “demissões”, já presenciamos e vivemos juntos um título mineiro, dois rebaixamentos, dois acessos (um com o título da Série B e o outro já contando o deste ano, é claro!), as batalhas do time feminino, a chegada do América Locomotiva e outras tantas aventuras neste planeta América.

O programa melhorou neste período? Não sei. O público aumentou? Muito pouco. Mas, é inegável que, dentro do “mundinho americano”, o Decadentes faz um baita barulho. Como gostamos de falar, somos o melhor e o pior programa sobre o América, afinal somos os únicos a produzir este tipo de conteúdo sobre o clube na internet.

A hora do próximo passo

Já há muito tempo temos, internamente, conversas e mais conversas sobre possibilidades de evolução do Decadentes. Nestas conversas, um assunto sempre apareceu: a mudança do nome. Esta questão ganhou ainda mais força quando começamos a pensar em colocar uma faixa nossa no Independência. Algo que nos fazia brilhar os olhos: ter uma faixa nossa no estádio do nosso clube! O único com um estádio para chamar de seu em Belo Horizonte. Mas, ter uma faixa no estádio com o nome “Decadentes”? Seria esta uma boa ideia?

Foi neste momento, no início deste ano, que decidimos por mudar o nome e, com isso, conseguir voar mais alto. Com um novo nome, que enaltecesse o América e os americanos, poderíamos alcançar mais pessoas. A faixa no estádio passou a ser uma realidade ainda mais próxima. A nossa primeira consulta ao América (ainda extra-oficial) foi fantástica! “É claro que podem. Não tem nem que mandar para nossa validação.”, disseram. Pronto! Estava aí a motivação que precisávamos para tocar o projeto de mudança de nome e de marca.

Foram meses de trabalho acelerado. Intercalando com nossas já atarefadas vidas, fomos desenvolvendo nome e marca. Inúmeras ajudas importantes: do nosso público (inclusive sugerindo o novo nome escolhido), da melhor e mais linda designer deste mundo (minha esposa) e de amigos. Desenvolvemos layouts e projetos para tudo: a faixa, bonés, cerveja própria, brindes, etc. Tudo no jeito para começar a Série B “de roupa nova”.

O balde de água fria

Foi então, no dia 04 de abril, em um ato de preciosismo nosso (já que tínhamos recebido o retorno informal de que nem precisaria de aprovação) que resolvi enviar o layout da faixa com a nova marca para validação no América. Gosto das coisas preto no verde (porque preto no branco é coisa da turma de Vespasiano). Preferi ter uma validação formal para evitar surpresas em cima da hora.

A primeira resposta indicava que tirássemos da faixa o endereço do novo site. Ok. Apesar de alguns precedentes de endereços eletrônicos em divulgação nas arquibancadas do Independência, mas ok. Tiramos o site. Foi então que, após alguns dias de negociação, tivemos uma resposta definitiva: a nossa faixa não foi autorizada por termos um “viés comercial”. E que a faixa só seria autorizada se nos tornássemos uma torcida organizada, inclusive passando a receber cortesias para os jogos. Ah, já ia me esquecendo: disseram que esta é uma determinação da Arena Independência.

Quero, também, registrar que todas as nossas mensagens foram respondidas com clareza, educação e boa vontade por parte do profissional do clube. Sabemos, também, que as decisões não couberam a ele, que segue sendo alguém que admiro.

Vamos aos pontos:

  • “Viés comercial”

Eu, que estou de dentro, passei horas tentando entender esse lado do viés comercial. Desde o nosso início, temos gastos com domínio do site, servidor, equipamentos para algumas gravações e coisas do tipo. Tudo isso bancado, durante um período, pelo Henrique Pinheiro. Depois de um tempo, tivemos a ideia de fazer o que alguns outros produtores de conteúdo fazem: “passar a sacolinha”. Criamos uma vaquinha virtual. Isso até funcionou bem e deu pra pagar estas contas. Depois de um tempo, criamos uma camisa do Decadentes e a vendemos por R$ 65,00. O objetivo maior era de levar a nossa marca para os arredores do Independência e, com isso, fazer propaganda do programa. Estas, senhoras e senhores, são as “enormes” ações de “viés comercial” praticadas pelo Decadentes em 3 anos. Se colocar tudo na balança direitinho, já saiu mais dinheiro dos nossos rasos bolsos neste período do que entrou (para a caixinha do Decadentes, porque o que entra não entra para o bolso de nenhum participante). Enquanto isso, Máfia Azul e Galoucura, por exemplo, ganham, estes sim, rios de dinheiro com vendas de camisas e outros produtos e estão com as faixas lá, inclusive no Independência.

  • Virar torcida organizada

Este não é um objetivo nosso. Poderíamos até virar uma “torcida de fachada” para colocar a faixa lá e, de quebra, ainda “ganhar cortesias para os jogos”. Não é a nossa onda. Não mesmo. Somos torcedores que produzem conteúdo para o clube. E assim queremos continuar sendo, até para continuar tendo a nossa independência nas nossas análises. Não queremos ter nenhum tipo de “viés comercial” com o clube. Só queríamos poder expor a nossa marca no estádio do nosso clube. Ah, este é o próximo ponto.

  • O “nosso” estádio

Quando tivemos nossa conversa informal, a resposta de que “é claro que podem” soou como música. Afinal, se o dono do estádio está autorizando, quem poderá nos deter? Engano nosso. Ao longo do processo, percebi que o estádio é nosso, mas não apitamos quase nada dentro dele. Se a torcida do time de Vespasiano quiser colocar uma faixa lá dizendo “O Horto é nosso”, acho bem provável que consigam. Mas, nós, os donos do estádio, não fomos autorizados a colocar uma faixa que dizia que somos decacampeões!

Bateu o desânimo

Depois de 3 anos produzindo conteúdo, esse balde de água fria trouxe o desânimo, pelo menos para mim. Ver o tempo já dedicado a isso e perceber a falta de um apoio mínimo me fez e faz refletir se vale a pena continuar neste ritmo. Quero muito que meus companheiros de batalha (Jairo, Marcão e Thales) sigam na luta e, se precisarem, contem comigo. Não penso em sair do Decadentes mas, hoje, não me vejo com a motivação necessária para ser “linha de frente”. O Decadentes é algo que me orgulho muito por ter criado, mas neste momento o desânimo supera minha vontade de seguir tão atuante.

Decadentes #186 – Cruzeiro 3×0 América (Campeonato Mineiro 2019)

Derrota com vergonha. Não jogamos nada!

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