A Arte da Guerra

Caro leitor americano, se você acha que disputar a Série A é apenas mais um campeonato, este texto não é para você. Se você acredita que apenas as quatro linhas definem o futuro do América, este texto não é para você.

No século VI antes de Cristo, viveu na China um dos maiores generais , estrategistas e filósofos da história, Sun Tzu. Este grande mestre escreveu um dos primeiros tratados sobre estratégia militar, “A Arte da Guerra”, em que falava de todas as questões que permeiam um exército vencedor, tanto durante a guerra quanto nos períodos de paz.

General de Guerra e General de Paz

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Sun Tzu – Wikimedia Commons

Sun Tzu dizia que um país precisava de generais para a guerra e outros generais para a paz. Um general de guerra precisa liderar em campo, motivar as tropas, posicionar os batalhões e ganhar as batalhas de fato. Já o general de paz tem soldados ociosos, sem batalhas a serem vencidas, mas que podem ser acionados a qualquer momento. Portanto, ele precisa manter as tropas treinadas e coordenar os órgãos de inteligência em busca de ameaças e oportunidades.

Entendo o papel do diretor/gerente de futebol em um time como um general de paz. Ele precisa estar atento ao mercado, ativo na gestão de conflitos internos e alerta para a insubordinação de um ou outro general de guerra. O técnico é para a guerra, para o campo de batalha, as quatro linhas, o dia a dia. Ele não se preocupa com o que vai acontecer após a batalha.

Observe que esse dois perfis são bem diferentes e quase sempre incompatíveis. Talvez desta diferenciação venha a propagada qualidade e continuidade do trabalho no América. Talvez Ricardo Drubscky renda  melhor sem a pressão diária do campo, enquanto Enderson rendesse melhor sem a necessidade de visão a longo prazo.

Meu medo? Ilustro com uma piada. Dizem que certa vez a NASA resolveu criar um super astronauta, combinando o DNA de Albert Einstein com o DNA de Sylvester Stallone, pois um astronauta que tivesse o corpo do Stallone com o cérebro do Einstein seria fenomenal. Feito o experimento, terminaram com um astronauta que tinha o corpo de Einstein e o cérebro de Stallone.

Erros

Ainda do livro de Sun Tzu temos o seguinte trecho: “Durante uma campanha, o desastre pode surgir de seis diferentes erros do general em comando. Os erros são deserção, insubordinação, ineficácia, precipitação, caos e incompetência.”

Sobre deserção, nosso ex-técnico já pode escrever um livro. A deserção de um soldado em si não é vergonhosa, pois pode ser interpretada como um ato de sobrevivência. Da mesma forma, o pedido de demissão de Enderson pode ser interpretada simplesmente como uma melhoria em busca da sobrevivência financeira. O que é vergonhoso na deserção é o fato de que um soldado a menos pode provocar uma derrota que levará a morte de seus ex-colegas. Portanto, o pior efeito do ato de Enderson é o efeito ruim sobre a moral do time e de seus torcedores.

Já a efetivação do Ricardo errado (eu pelo menos, esperava o Zé Ricardo) na minha opinião, ilustra os princípios da ineficácia e da precipitação. Ineficácia pelo fato de que a carreira de Drubscky COMO TREINADOR não contempla nenhum grande sucesso. Precipitação pela facilidade em que foi imbuído do cargo. Não consigo acreditar que não exista no Brasil um técnico na faixa salarial proposta ou um pouco mais que tope assumir o América e que seja melhor credenciado para a tarefa.

Você me pergunta novamente. Qual seu medo? Ilustro agora com uma frase de George Hebbert:

“Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura. Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro. Por falta de um cavaleiro, perdeu-se uma batalha. E assim, um reino foi perdido. Tudo por falta de um prego.”

Estamos em um ponto da história americana em que não podemos nos permitir o erro, mesmo que pequeno. Quanto mais os grandes.

Grande abraço a todos.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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De Letra – nº 1152

OLÁ, caros leitores semanais! Judas ressuscitado! O barbadinho voltou! Que bela traição! Que papelão, hein, Enderson Moreira? Depois de falar que ainda iria completar o plano que ajudou o meu glorioso e querido América traçar, resolveu, de um momento para outro, pedir o boné e se mandar para Salvador, na tentativa de salvar o Bahia, que está se afundando no Brasileirão. Isso, em minha querida Abre Campo, tem nome e sobrenome: traição, um sentimento nada nobre. O “Judas Escariotes” está pegando o Bahia na Zona de Rebaixamento, enquanto o Coelho está ainda em situação cômoda. Tirar o Bahia de novo rebaixamento não deve ser tão difícil assim. Difícil é não deixar o Mecão ser rebaixado. No Nordeste, qualquer coisa que o Enderson fizer já será um tremendo lucro. Mas, se deixar o Coelho cair…

O Enderson Moreira até que poderia fazer um grande favor para o Coelho, levando para a Boa Terra alguns “bondes” que atrapalhavam mais do que ajudavam. Não vou citar nomes, pois o treinador sabe muito bem de quem estou falando. Uma meia dúzia de quatro ou cinco enganados pela cegonha, vez que, do velho ludopédio nada sabem. Aí, quem sabe, ele conseguiria um título de expressão no futebol brasileiro? Ou, até mesmo, um trabalho mais aceitável? O que nós americanos não queremos

Miguel Santiago
Blog Miguel de Letra: http://migueldeletra.blogspot.com.br
Miguel Santiago publica originalmente em seu blog, Miguel de Letra, e carinhosamente cede sua lavra para ser republicada no Decadentes.

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De Letra – nº 1151

OLÁ, caros leitores semanais! Para quem entrou na mais importante competição nacional com a missão de nela apenas permanecer, até que o desempenho do meu glorioso e querido América no Brasileirão está dentro da normalidade. Veja bem, caro e atento leitor de meu modesto Blog internacional, em 12 rodadas, tudo normal, com resultados dentro do previsto. O único placar anormal até agora foi o diante do Vasco da Gama, uma amarga goleada de quatro a um, de virada. Depois de abrir o placar em pleno São Januário, “caiu de quatro” no segundo tempo. Coelho, isso não se faz… De resto, tudo normal, com 14 pontos (quatro vitórias, dois empates e seis derrotas). Na décima terceira colocação, o Mecão está, na “virada da Copa”, na frente de clubes tradicionais como Chapecoense/SC, Santos, Vitória/BA, Bahia, Paraná, Atlético/PR e Ceará. Ora, tirando o líder disparado Flamengo (27 pontos), o Coelho não está tão longe assim dos ainda vice-líderes Galinho e São Paulo (ambos com 23 pontos) e Internacional (22). Os demais concorrentes também estão por perto, como Grêmio (20), Palmeiras (19), Sport (idem), Raposinha (18), Botafogo (17), Corinthians (16), Vasco (15) e Fluminense (14). Creio que um novo campeonato brasileiro vai começar após a Copa do Mundo. É só o treinador Enderson Moreira mudar seus inexplicáveis métodos de escalação da nossa equipe. Zé Ricardo na reserva é pura brincadeira. Ou “marcação”, quem sabe…

PS – O gol da vitória galista ontem contra a “lanterna” Ceará começou com um impedimento do Ricardo Oliveira e terminou com uma ajeitada de mão do Luan. E a mídia galista nada falou. Calada…
ATÉ a próxima.

Miguel Santiago
Blog Miguel de Letra: http://migueldeletra.blogspot.com.br
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De Letra – nº 1150

OLÁ, caros leitores semanais! De que vale tudo isso/ se você, vitória, não está aqui? De que vale o Céu azul e o sol sempre a brilhar/ se você, vitória, não vem e eu estou a te esperar? O que para o Roberto Carlos é filosofia, para o meu glorioso e querido América é o X do problema. Vitória, objeto de desejo do Coelho. O problema é que ela tem custado muito a surgir…

DE nada está adiantando jogar bem e dominar os adversários, se o esférico não tem sido colocado na “casinha” por falta de um ataque de verdade. Veja bem, caro e atento leitor de meu modesto Blog, que, em onze jogos, o Mecão só balançou as redes inimigas por 14 vezes, média irrisória de pouco mais de um gol por partida. Ontem, depois de sofrer aquele gol esquisito, tipo “pastelão”, tomou as rédeas do jogo e colocou o Grêmio em seu campo defensivo. Domínio histérico o nosso. Se não fosse a cabeçada do Rafael Moura no último minuto, o goleiro gremista não teria sequer sujado seu uniforme. Irritante posse de bola. É um tal de tocar a bola para cá e para lá e atrasá-la para o goleiro que não acaba nunca. Futebol infrutífero! O goleiro Jori tem sido o nosso principal armador, dando chutões para a frente, na base do “Bumba meu boi, meu boi bumbá…”.

PS – O americano Marck Tavares disse que o tão criticado armador Juninho fez uma falta danada, ao passo que o retrospecto do treinador Enderson Moreira contra a duplinha RapoGalo é lamentável. Concordo plenamente. Ele não ganhou uma…

Miguel Santiago
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De Letra – nº 1149

OLÁ, caros leitores semanais! Minha bisavó paterna, Lucinda de Assis, que sequer entendia do velho ludopédio, falava, nos anos 1800, que, em futebol em time que vence e convence não se mexe. Seu neto, meu saudoso genitor, José de Assis, dizia a mesma coisa. Isso é óbvio, ululante, como dizia o imortal cronista tricolor carioca Nelson Rodrigues. E o Zé Migué aqui do pedaço, que não é bobo, endossa tal dito.

POIS bem! Quem não deve comungar com tal ditado popular é o treinador Enderson Moreira, que, após a bela partida do meu glorioso e querido América na penúltima rodada do Brasileirão (três a um no Galinho paranaense), resolveu mudar tudo. Embaralhou geral! Resolveu, veja bem, caro e atento leitor de meu modesto Blog internacional, recolocando na equipe jogadores como Luan e Leandro Donizete e deixando no “banco” atletas como Zé Ricardo, Juninho e Ademir. Ora, o verbo embaralhar, a meu sentir, é o ato de se misturar as cartas do baralho. Caracas! Cuidado, leitor amigo, pois as palavras são parecidas. Entretanto, têm significados diferentes, O torcedor americano não “engole” tais jogadores. Nem eu! Não suporto ver ex-jogadores da “fuleira” duplinha RapoGalo beijando o escudo do glorioso Coelho. Judas Escariotes, pois sim…

PS – No próximo clássico das multidões vou pedir emprestado o uniforme da Chapecoense, algoz do Galinho na Copa do Brasil. Afinal, Chapecó tem como prato preferido um galeto ao molho pardo…

ATÉ a próxima.

Miguel Santiago
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É hora de vencer um clássico!

Na verdade, já passou da hora de vencer um clássico. Pela 10ª rodada do Brasileirão, o América enfrenta o Atlético Mineiro nesta quinta-feira, 7 de junho, às 21h, na Arena Independência. É confronto direto: do atual 10º colocado contra o atual 11º. Em caso de vitória, o América ultrapassará seu rival e se aproximará da zona de classificação da Libertadores.

Pelo Campeonato Brasileiro, de 1971 até hoje, as duas equipes já se enfrentaram 16 vezes, com ampla vantagem para o time de Vespasiano. São 9 vitórias alvinegras, 5 empates e apenas duas vitórias americanas.

O América

A equipe americana vem de importante vitória por 3 x 1 contra o xará paranaense do nosso próximo adversário. Uma vitória imponente e com um futebol bem jogado. A moral americana poucas vezes esteve tão alta para um clássico regional. Mas, o retrospecto em clássicos da equipe dirigida por Enderson Moreira é uma verdadeira pedra no sapato. O treinador americano, com mais de dois anos no cargo, nunca conseguiu vencer uma partida contra Atlético ou Cruzeiro.

A hora é esta! O momento é bom, a equipe vem jogando bem, principalmente no seu estádio, e o adversário vem de uma campanha bem irregular. O América terá os prováveis retornos de Leandro Donizete e Luan. O volante recuperou seu bom futebol no América e o seu retorno traz mais segurança o sistema defensivo do time. Já o atacante é um jogador brigador e acostumado com clássicos. Mas, a atenção do torcedor americano está em Ademir. O atacante, que veio do Patrocinense, tem entrado muito bem nas partidas. Um jogador rápido, agudo e que “faz fumaça” nas defesas adversárias. O time de Vespasiano tem uma defesa lenta, o que pode ser a situação ideal para Ademir.

Leandro Donizete

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/ América-MG

O Atlético

A equipe de Vespasiano começou muito bem o Campeonato Brasileiro. Mas, essa boa fase inicial deu lugar a uma irregularidade recente. Com um treinador ainda interino, Thiago Larghi, o Atlético segue em busca de uma equipe titular e de um padrão de jogo. O ponto fraco da equipe é o seu sistema defensivo. O goleiro Victor não é mais o mesmo, apresentando insegurança e falhas constantes. Os laterais, zagueiros e volantes deixam um bom espaço para a equipe adversária trabalhar. É um time espaçado defensivamente. Com os possíveis retornos de Patric e Leonardo Silva, o sistema defensivo atleticano fica mais lento.

Em contrapartida, possuem um ataque rápido e eficaz. O bom Ricardo Oliveira (olho nele, América) é municiado por Cazares, Luan e, principalmente, por Roger Guedes, que tem sido o grande destaque da equipe neste início de campeonato. É um time, também, muito perigoso nas cobranças de faltas próximas à área. Mesmo com a saída de Otero, essa ainda é uma arma da equipe, com Cazares assumindo as cobranças. E o América, em especial o zagueiro Matheus Ferraz, tem dado essas chances para os adversários.

Arquibancada verde

O América é o mandante da partida em seu estádio. A presença do torcedor americano é importantíssima para o sucesso do time dentro de campo. A diretoria americana está promovendo algumas ações visando um grande público americano. Em uma delas, o sócio Onda Verde terá o direito de levar, gratuitamente, dois acompanhantes. Além disso, o sócio que levar os dois acompanhantes concorrerá à camisas oficiais do clube.

Para esta partida, o torcedor poderá comprar ingressos na loja do América, bilheteria da rua Pitangui, Loja Aqui, Quiosque Loja Aqui e Postinho Alaska.

Para mais informações sobre ingressos, clique aqui.

Possível escalação do América: Jory; Norberto, Messias, Matheus Ferraz e Giovanni; Leandro Donizete, Juninho (Cristian) e Serginho; Aylon, Luan e Judivan.
Treinador: Enderson Moreira.

Possível escalação do Atlético: Victor; Patric, Leonardo Silva, Gabriel e Juninho; Adilson; Luan, Gustavo Blanco, Cazares e Róger Guedes; Ricardo Oliveira.
Treinador: Thiago Larghi.

Decadentes

Você também acha que o América tem pouco espaço nas mídias convencionais? Então, conheça o Decadentes: a única mídia feita por americanos para americanos. O Decadentes, como de costume, fará um programa pós-jogo dessa partida. Será na sexta-feira, 8 de junho, 20h, neste link. Para acompanhar, é só clicar no link próximo ao horário do programa. Você também pode solicitar um lembrete do início do programa. Basta clicar neste link e, depois, clicar em “definir lembrete”.

Ficha do jogo
Onde: Arena Independência
Quando: quinta-feira, 7 de junho, 21h
Motivo: 10ª rodada do Brasileirão 2018
Arbitragem: Braulio da Silma Machado (CBF), auxiliado por Kleber Lucio Gil (FIFA) e Neuza Ines Back (FIFA)
Transmissão: Premiere e Sportv (menos para região metropolitana de BH)

Walisson Fernandes
twitter.com/FernandesWali

Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

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De Letra – nº 1148


OLÁ, caros leitores semanais! Quem é Rafael Moura, ou quem era, sei lá? Um artilheiro que não faz gols em profusão, pelo menos, no meu Coelho. O cidadão voltou para as Montanhas, assinou contrato e, nem bem esquentou o lugar, já anunciou que está na hora de ir embora, para enganar em outras paragens. Pergunte ao distinto quanto ele está recebendo para não fazer nada, ou quase nada. Um gol aqui e outro acolá, o que, para mim, não passa de enganação…

ESTOU com o Jair Bala e o Otávio di Toledo e não abro! O nosso glorioso e querido América merece muito respeito. O que está pensando o tal de Moura? Ora, jogadores bem melhores, ao contrário dele, respeitaram o meu clube no tempo em que vestiram o nosso consagrado uniforme verde e branco, ocasionalmente preto. Ninguém tem o direito de desconhecer o passado glorioso do América Futebol Clube. Ora, meu clube foi respeitado por fantásticos jogadores como Tostão, Gilberto Silva, Zuca, Jair Bala, Euler, Juca Show e tantos outros. Muitos nem mineiros são, como Jair Bala, um capixaba quer saiu do Rio de Janeiro para brilhar no futebol mineiro e virar o maior ídolo da torcida americana. Veio e nunca mais votou ao Espírito Santo. E vive cantando “Cachoeiro, cachoeiro (do Itapemirim), fui para Minas Gerais para nunca mais voltar”…

PS – Realmente, sensacional o site “Decadentes.com.br”. Completo! Na segunda-feira, preciso o comentário do Matheus Laboissière do jogo do América contra o Galinho dos ricos (o paranaense, bem entendido). Tem de tudo: até belas estórias do Coelho, como uma histórica goleada de “mão cheia” no Galinho dos pobres (o mineiro, bem entendido), no início da década de 60, em que o hoje amigo Jair Bala marcou três golaços. Vamos em frente, amigos! O site nasceu para vencer. Parabéns…

[NOTA DO EDITOR: Assim a gente fica até encabulado. Obrigado, Miguel, principalmente por nos permitir republicar suas palavras aqui no site.]

ATÉ a próxima.

Miguel Santiago
Blog Miguel de Letra: http://migueldeletra.blogspot.com.br
Miguel Santiago publica originalmente em seu blog, Miguel de Letra, e carinhosamente cede sua lavra para ser republicada no Decadentes.

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Mais um capítulo da história

Recordar para inspirar: 

Dia: 17 de Maio de 1964.

Era o clássico das multidões. Um ano antes da inauguração do Mineirão. As batalhas eram até então no Independência, dividido ao meio.

A bola mal sai do círculo central e o América parte pra cima. Jair Bala estufa as redes logo no primeiro minuto. A torcida americana explode. O Atlético, visivelmente nervoso, até com jogadores discutindo entre si, não enxerga novo ataque americano. Jair Bala de novo, logo aos três minutos de jogo. 2 a 0. Técnico Bijú não se contém e pula como louco de alegria. Na divisa das torcidas, que mal tinham corda de isolamento, já eram vistos troca de sopapos entre atleticanos e americanos. O clássico na saída já era quente.

Zé Horta lá da defesa orienta e pede calma pra tocar a bola. Era o América administrando. Afinal, o clássico caminhava com o nosso 2 a 0. Fim do primeiro tempo. Segundo tempo o Atlético está enfurecido. Parte pra cima. A massa alvinegra exige a busca do resultado. Logo aos nove minutos, Viladôniga marca. O lado alvinegro explode. Jair Bala sinaliza pra ter calma. Americanos na arquibancada apreensivos. Atlético abre a caixa de ferramenta e tenta na pancada intimidar o Coelho. As veias dos narradores quase saltam. O clássico sacode o Independência. Logo aos 13 do segundo, com o Atlético partindo todo pro ataque, América arma o contra-ataque. Mortal. Dario prestes a marcar, a defesa do Atlético achando que podia fazer o que quiser, levanta o atacante americano a dois metros de altura na área. É pênalti senhoras e senhores. Sérgio corre e marca. Coelho 3 a 1. Nessa altura do campeonato, as táticas deram lugar para cada um buscar de qualquer forma o resultado. Aos 15, o defensor alvinegro Bueno marca. O Atlético tinha a fama de nunca entregar o resultado. Corriam até o fim. 3 a 2 e o coro da massa embalava que a virada estava chegando. Aos 21, Jair Bala, sempre ele, entra driblando e confere. Americanos davam cambalhotas nas arquibancadas. 4 a 2. América buscava essa diferença para ter tranquilidade nesse torneio triangular. Mas o Atlético não entregava os pontos. E aos 36, num momento em que os nervosismos estão à flor da pele, JAIR BALA, de novo, 5 a 2. Acaba a partida nos 45 cravado, o juiz já estava doido para encerrar, pois alguns mal perdedores já incitava do lado de fora acabar o jogo de “outra forma”, no braço.

Jair Bala, fantástico. Em 1964, só no Independência, marcou 25 gols pelo Mineiro. É o maior artilheiro do Independência por uma edição do Mineiro. Momentos que marcam uma vida toda. E que os novos torcedores precisam saber o legado pesado da camisa americana e sua vocação pela eternidade.

17 de Maio de 1964 : América 5 x 2 Atlético

Um momento na história.

Foto do time vice-campeão estadual de 1964.

Time vice-campeão estadual de 1964. Em pé: Klebs, Catocha, Zé Horta, Zé Ernesto, Murilo e Zé Emilio Agachados: Saci, Luizinho, Jair Bala, Dario Alegria e Sérgio.

Retomando o fôlego:
A história, além de tentar evidenciar os erros para aprendermos com eles, também possuem efemérides que inspiram. Inspirar porque a tradição exige uma responsabilidade para fazermos um presente melhor e um futuro promissor. O maravilhoso “Planeta América” está aí para não nos deixar mentir.

Esquadrão Enderson:

ademir

O COELHÃO 2018 proporciona uma organização jamais vista do América na era dos pontos corridos, na série de elite do futebol nacional.  Mesmo com substituições e variações de posicionamento, o time mantém o equilíbrio. Isso nos dá confiança para irmos pro clássico com a sensação que podemos sim buscar o resultado. Cabeça no lugar, podemos continuar na incrível série de vitórias em casa. Em pontos corridos, cada jogo não deixa de ser um mata mata. Pontos por pontos, traçaremos nossos objetivos. Apesar da confiança, sabemos das históricas adversidades. Por isso todo cuidado é pouco.

Todos à nossa CASA.

Abraço verde. 

Mário César Monteiro
twitter.com/MarioMonteirone

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De Letra – nº 1147

OLÁ, caros leitores semanais! Tirando aquela “marmota” do segundo tempo de São Januário, uma virada de quatro a um contra o Vasco da Gama, que só foi do agrado do antipático Eurico Miranda, o meu glorioso e querido América jogou bem nas demais partidas que realizou até agora no Brasileirão da Série A. Para quem entrou na competição pretendendo somente permanecer na nossa maior competição, sonhar com Sul-americana ou Libertadores, está de ótimo tamanho. Eu acredito em dias melhores, a despeito do “apito amigo”, que está sempre do lado dos poderosos. Tem nada não! Vamos lá Coelho…

ALÉM de jogar bem, o Mecão está crescendo a cada partida. Veja bem, caro e atento leitor de meu modesto Blog internacional, que, ontem, diante do forte Galinho dos ricos (o paranaense, bem entendido), com cinco desfalques, uma bela vitória de virada (três a um), que ficou de bom tamanho para os paranaenses. Não foi vantagem? Ora, o Galinho do Sul vinha de uma vitória convincente sobre o também meu Santos, que, ontem, “sapecou” uma sonora “mão cheia” no Vitória da Bahia.

AGORA, que venha o outro Galinho, o dos pobres. Jogo duro, mais um “clássico das multidões”. Se não houver interferência externa, sei lá, será mais uma vitória do Verdão…

PS – Estou sabendo do site Decadentes.com.br, que está replicando minha modesta coluna, o que, para mim, é muito gratificante. Vou conferir. Depois comento.

ATÉ a próxima.

Miguel Santiago
Blog Miguel de Letra: http://migueldeletra.blogspot.com.br
Miguel Santiago publica originalmente em seu blog, Miguel de Letra, e carinhosamente cede sua lavra para o Decadentes.

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Coelhão soma 3 pontos: vitória obrigatória e merecida

América Coelho 2

Foto: Mourão Panda / América

O América poderia ter tido resultados melhores nas duas partidas anteriores. Contra o São Paulo, o árbitro fez o serviço e nos atrapalhou de no mínimo empatar. Diante do Corinthians levamos azar, era jogo para 0 a 0. Apesar de não termos merecido as derrotas, fato é que perdemos as duas, o que nos obrigava a vencer o Atlético Paranaense. Afinal, nosso objetivo é manter distância da zona de rebaixamento e fazer uma Série A sem sustos.

E a meta não só foi alcançada, como tivemos vários pormenores a ser comemorados. Empatar um jogo no minuto seguinte mostra a confiança dos jogadores. Virar e ainda matar o jogo, dando tranquilidade a todos, é prova de que o Coelhão tem força suficiente para enfrentar os times da Série A. 

O que teve de bom

Dessa vez, Enderson Moreira acertou nas duas substituições que fez, já que foi obrigado a colocar Giovanni no primeiro tempo – só demorou um pouco para efetuar a primeira. Gerson Magrão saiu para a entrada de Ademir que, mesmo se não tivesse marcado o gol, teria sido uma mudança acertada do técnico. O adversário deu uma cansada no segundo tempo, e o América precisava desesperadamente da vitória. Valia a pena arriscar os quatro atacantes.

Com o placar favorável, foi correta a saída de Judivan, que já estava muito cansado, para a entrada de Aderlan. O time não foi para trás, mas ficou um pouco mais protegido na marcação. Tanto que Aderlan apareceu dentro da área para dominar e rolar para o bonito gol de Ademir – Luan nunca faria o gol, pois fecharia os olhos e enfiaria o petardo, isolando a bola!

Serginho fez dois gols, mas não foi o melhor em campo. Ainda no primeiro tempo, perdeu um gol ridículo ao chutar em cima do goleiro, era só mirar o canto – é o tipo de gol que não se pode perder na Série A.

Vários jogadores foram muito bem na partida, mas o destaque fica para Juninho. Marcando mais atrás ao invés de ir lá na intermediária ofensiva pressionar o adversário, nosso volante deu mais força defensiva ao time. Porém, ele foi ainda melhor quando tínhamos a bola lá na frente, participando da troca de passes. Seu único erro foi no toque para Messias, que também errou ao querer recuar a bola para Juninho ao invés de jogar para a lateral. Nota-se que são erros que não podem ocorrer na Série A, ainda bem que foi contra o Atlético Paranaense.

Outra grande partida foi a de Christian, que conseguiu rodar a bola no meio-campo e deu um belo lançamento para Aylon na esquerda, no lance que originou o cruzamento deste para a virada do América.

O que podemos melhorar

América Coelho

Foto: Mourão Panda / América

O América foi melhor que o adversário no jogo inteiro, mas não poderia ter tomado um gol como aquele. O motivo foi o grande risco que Jory impôs ao time na saída de bola. Ele estava fazendo isso desde o início da partida, o América já havia errado uma saída num lance anterior, mas o goleiro americano continuou agindo da mesma forma. Contra o Atlético Paranaense, que marca em cima na reposição de bola, o melhor era chutar para longe, preferencialmente na direção de Aylon, que sabe fazer o pivô. Isso se chama estratégia. Nem é necessário falar de uma bola que passa no meio da barreira, né? 

Sugestões

Outro que finalmente fez um bom jogo foi Judivan, que foi melhorando no decorrer da partida. Detalhe que ele se destacou nas assistências, como se fosse um ponta entrando na área. Será que não vale Enderson testá-lo como segundo atacante, deixando Aylon de centroavante? Aylon tem porte físico para proteger a bola e fazer o pivô, mas às vezes erra aquele passe mais vertical, o definitivo para um lance perigoso. No mínimo, os dois deveriam trocar mais de posição ao longo da partida, pode ser uma boa arma do América.

Ademir já vinha entrando bem e agora marca seu primeiro gol. Que ele continue começando os jogos no banco de reservas e seja uma arma importante quando o América precisar de gols ou estiver mandando bem nos contra-ataques.

O que falta ao América? Somar pontos contra o chamado G12, nem que seja com empates. Se conseguirmos isso, estaremos cada vez mais próximos da permanência na Série A. Detalhe curioso: demoramos um turno inteiro para alcançar 13 pontos na Série A 2016, algo que atingimos em 2018 com apenas nove rodadas.

Estamos no caminho certo! Precisamos apoiar mais esse Coelhão, viu?

Matheus Laboissière

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