Elegia

Começo a coluna com um questionamento. De onde vem a sua americanidade?

A minha é relativamente fácil. Minha família é formada em grande parte por americanos. Pelo lado materno, meu avô era um americano apaixonado e minha avó, de ascendência italiana, era cruzeirense de quatro costados. A carteirinha dele ilustra essa coluna. A paixão dos dois dividiu os sete filhos entre as duas facções, com vantagem pro Coelhão. Minha mãe não cansa de dizer que quando me vê indo pro “Sete” quatro horas antes do jogo se lembra do pai, que pegava sua almofadinha do América e o rádio em direção a sua segunda casa. Dentre meus tios, destaco meus tios Mauro e Cacá, que me fizeram adotar o Coelhão. Em um dia de clássico América e Cruzeiro, meu tio Mauro se esqueceu do jogo e chegou em casa mais tarde, caindo na besteira de perguntar a minha vó quando havia ficado o jogo. Dona Gilda prontamente arrancou seu tamanco de madeira e bateu fortemente na cabeça dele três vezes, dizendo “Um!Dois!Três a Zero!”.

Por outro lado, meu pai nasceu em Morro do Ferro, antigo distrito de Bom Sucesso em 1935. A casa de meu pai não era ligada em futebol e quando ele veio para Belo Horizonte em 1953, chegou aqui “virgem” de time. Trabalhando como carregador no Mercado Central (para quem não sabe, local de nosso primeiro estádio!), foi convidado por um amigo atleticano para ir ao clássico contra o América. O amigo contou muita vantagem, que aquele dia seria de goleada. Tenho certeza que todos conhecem um desses. Ao chegarem ao Alameda, ocorreu o de sempre: o Coelhão sendo roubado. Dois gols ilegais foram dados ao time de Vespasiano, fazendo um 2×0 vergonhoso, o que revoltou meu pai. Decidido a torcer pro injustiçado, virou americano naquele dia. Para coroar sua decisão, o Coelhão virou aquele jogo, se não me engano para um 4×2.

Quando meu pai se casou com minha mãe, a equipe estava formada. Iam ao jogo religiosamente meu avô, meu pai e tio Mauro. Viram Jair, viram Ari, viram Zuca, viram Juca Show juntos.

 

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Créditos : Reprodução/Sportv

No dia 22 passado, perdi meu pai. Meu avô morreu quando eu era pequeno. Pelas curvas do destino, eu e meu pai americano nunca havíamos ido a um jogo do América juntos, principalmente pelo fato dele morar no interior. Realizei esse sonho no ano passado, quando fomos a Varginha juntos ver o jogo contra o Boa. Como lembrança, consegui adquirir as camisas do Bill ,que fez os dois gols daquele jogo, e do Felipe Amorim, que deu o passe pro segundo gol naquele 2×2. Talvez essa seja a lembrança recente mais bonita de meu pai.

O América é esse fio de ouro que amarra tantas vidas e tantas histórias. Que eu tenha tantas histórias bonitas pra contar no futuro como eles contaram a mim.

Grêmio

Não se iludam: o time do Grêmio que virá não é nenhuma mosca morta. Em qualidade individual, os reservas que estão vindo se igualam ao nosso time. Portanto, será um jogo duríssimo.

Além do fato de quererem mostrar serviço em época de renovação de contrato, é preciso ficar atento ao esquema de jogo. Infelizmente não é um jogo que dê pra jogar defensivamente. Precisamos ganhar.

Nosso papel é comparecer em peso e apoiar o time não importa o que aconteça. A permanência na série A também é responsabilidade de todos nós.

Grande abraço a todos e nos vemos no Independência!

 

 

Os quatro exilados

Quem vai se dispor a criticar um técnico que está sendo vitorioso? Infelizmente é preciso. A crítica em geral só é nociva aos vaidosos e aos condescendentes. Para o humilde, a crítica é o início de uma melhoria.

Essa coluna não quer tirar os méritos de Adílson Batista, inclusive pelas anteriores desde a sua chegada terem sido sempre elogiosas e portanto, não há razão para que uma invalide outras. Conquistamos mais pontos e estamos melhor agora do que na era Enderson. Então por que a crítica?

Quis Custodiet ipsos custodes?

A frase latina acima é do poeta romano Juvenal e pergunta “Quem vigia os vigilantes?”. É um aviso de que mesmo aqueles que prestam bom trabalho precisam de supervisão.  Ontem a tarde foi divulgada a notícia de que Sabino, Ademir, Christian e Zé Ricardo foram enviados ao grupo de atletas sub-23, os Aspirantes do Coelhão. No programa de domingo passado, comentamos o fato de Ademir e Christian estarem treinando em separado.

Como não faço parte do grupo do América ou da diretoria, tudo escrito daqui pra frente é a opinião de um torcedor sem nenhum tipo de informação privilegiada e na melhor das hipóteses, representa as conversas de porta de Independência sobre o assunto.

Considero muita injusta essa involução dos quatro, demovidos da equipe principal para a de aspirantes. Não tenho procuração pra defender nenhum deles. Com todo o respeito a equipe de aspirantes, que tem feito bonito em seu campeonato, estamos tirando desses meninos a oportunidade de jogar em nível de Série A, com jogadores qualificados e toda a pompa e circunstância que a cerca.

Caso a caso

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Fonte: Site do América / Plantel

O zagueiro Sabino é de quem menos posso falar. Contratado para a equipe de aspirantes em abril, compôs elenco até a chegada de Paulão. Como não o vimos jogar e pela juventude até não me parece algo tão descabido sua volta aos aspirantes. Entretanto, é preciso destacar o efeito psicológico sobre ele e os outros três. Enquanto a promoção deve ter sido comemorada, qual o efeito do caminho contrário?

Ademir “Fumacinha”, promessa que veio da Patrocinense e fez alguns jogos no Coelhão teria espaço nesse time. Fez algumas raivas? Fez. Mais do que Marquinhos, por exemplo? Mais do que Wesley? Para esses houve paciência. Ademir teve uma grande variação nos jogos em que participou, atuando bem e mal. Natural em um jogador jovem como os próximos dois casos.

Zé Ricardo passou de craque a nada em menos de um mês. Consistentemente eleito melhor jogador no Campeonato Mineiro, teve uma queda absurda em seu rendimento nos dois jogos da Semi contra a cachorrada. As teorias da conspiração das catracas do Independência são muitas. Algumas dizem que ele deslumbrou com o seu próprio futebol, outras que amarelou. Depois disso, raramente entrou até o episódio de ontem. Na minha opinião, seu futebol não acabou. Não se esquece o que se ama tanto. E o Zé do Coelho joga bola sim! E se estou errado, devemos punir severamente quem renovou seu contrato. Se seu futebol variou em qualidade, é por sua juventude, mas não por seu amor ao América que já foi demonstrado algumas vezes.

Por último, a maior de todas as injustiças: Christian. Nosso volante e vez em quando lateral tem muito lugar nesse time do Adílson Batista. Veja, estamos falando de um plantel de meio de campo que sem Zé Ricardo e Christian, tem como volantes Donizete, Wesley, Juninho, David e só. Christian nunca fez um jogo ruim no Coelho. Todos os seus jogos foram de discretos a positivos, em alguns até se destacando. Portanto não consigo vê-lo atrás de um David, que esse ano tem feito bons jogos. Mas bons jogos o Christian também sempre fez.

Minhas preocupações

Adílson Batista já parece estar transformando o América em uma panelinha. Todo técnico tem suas paixonites e o técnico que barrou Sorín nas meninas pra escalar Magrão tem histórico disso. Sobra paciência com os figurões, o que pode e parece estar funcionando pra alguns.

Um efeito dessa fixação pelos jogadores mais rodados do elenco já foi sentido no jogo com o Ceará. Um time envelhecido, cansado da sequência de jogos, que não conseguiu apresentar nada. Na entrevista, Adilson culpou calendário, CBF, política, tudo quanto há. Mas veja, sem defender o indefensável calendário, as datas estão dadas há quase dois meses. É dever do técnico se planejar para isso. E justamente nesses casos é que jogadores mais jovens fazem a diferença. Sentem menos a sequência e aproveitam as oportunidades dadas com mais afinco. O exílio dos quatro meninos só colabora com o envelhecimento do time titular e reserva.

Por último, me preocupa o “day after“, o dia após o fim do campeonato. Segundo o site  Transfermarkt , Adílson e quase todos os nossos jogadores tem contrato até dezembro de 2018, com pouquíssimas  exceções, entre eles os quatro transferidos. Então imaginem o fim do campeonato. Permanecendo ou não, teremos que reformar o time todo. Renovar com alguns, liberar outros. Por tanto, manter aqueles sob contrato dentro do elenco teria um efeito positivo de continuidade.

Essa politicagem interna do América me cansa demais. Toda informação é secreta e crucial demais para ir a público. O torcedor médio deve ser protegido de viver seu clube. Precisamos melhorar muito esse jeito “colégio de freiras” de ser da direção do América. Nos envolvam. Queremos mais.

Grande abraço a todos e vitória no Rio!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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Meu Herói, por Alexandre Dolabela Dias

Uma das coisas mais gratificantes em participar do Decadentes é prover espaço a todos os americanos. E foi nesse espírito que o Alexandre Dolabela Dias, leitor desse espaço e ouvinte do programa, leu a coluna de ontem do Rodrigo sobre o campeonato de 73 (73 – o ano que devemos repetir) e decidiu contar um pouco sobre o jogo em que o Neneca foi expulso, que reproduzo abaixo com a autorização dele. Parabéns pelo texto, Alexandre! Me emocionou muito, mesmo não tendo vivido este jogo e muito obrigado a você e ao Rodrigo por dividirem outros capítulos dessa história linda que é o América.


MEU HERÓI

Nunca tive um herói na infância. Falo de heróis  famosos tipo Zorro,  Super Man, Flash. Mas naquela tarde no Mineirão ele me apareceu…

Tarde cinzenta de domingo  no Gigante da Pampulha que recebia grande público apesar do mau tempo . Era um dia de dezembro de 1973  e meu América jogaria contra o Atlético  pelo Campeonato Brasileiro.  A nossa fiel e apaixonada torcida  fazia uma boa presença e a torcida do Atlético, numerosa e vibrante, ocupava a maior parte das arquibancadas.

Dois grandes times se enfrentariam no clássico. De um lado estava o Galo  que  fazia uma campanha regular no campeonato e tinha grandes jogadores  e o mítico Tele Santana como técnico. Do outro o Coelho que vinha de várias partidas invicto, grandes vitórias e cumpria espetacular campanha num longo Campeonato Brasileiro.

Na pré-hora do jogo, ainda nos bares do estádio, fui surpreendido pela gente americana ou pelo menos a maioria dos nossos torcedores estranhamente tomada de excessiva  confiança no triunfo. Confiança justificada, é claro,   pelo retrospecto do time e pela análise técnica de jogadores que vestiam a camisa verde e preta em 1973. Mas em verdade as considerações técnicas sobre os times e  o retrospecto no Campeonato, nada disso importava à apaixonada torcida. Sentia-se independentemente de qualquer análise que  para a gente americana  o jogo estava ganho, o jogo era nosso.

Dentro daquele imenso estádio e em meio àquela multidão um sempre cauteloso jovem “alamedino”,meu apelido de infância, tinha o coração dividido,  acostumado que estava  a ver o Atlético vencer o América na maioria dos jogos no início da “Era Mineirão”. O coração incontrolavelmente  verde queria cantar vitória mas a razão não permitia euforia e recomendava prudência.

Jogo equilibrado no início, com chances para os dois lados. Com o passar do tempo, porém, o Coelho foi dominando as ações e já no final do primeiro tempo de um clássico disputadíssimo o América mostrava um melhor futebol e ameaçava muito mais. A essa altura o placar já não mostrava o que acontecia em campo. Merecíamos pelo menos um gol, que não acontecia. Nossa torcida vibrava mas já transpirando ansiedade porque o placar não traduzia com justiça  as ações de cada time no gramado.

Começa o segundo tempo e o que era domínio passa a ser supremacia absoluta. Resultado: um gol de Cândido logo de início e, alguns minutos após grande domínio do Coelho, outro  gol de Pedro Omar.  O  2 a 0 do América só fez justiça ao que acontecia no jogo.

Delírio da nossa torcida que não parava de gritar. Do outro lado a torcida do Atlético atônita e silenciosa… Parecia naquele momento tudo muito fácil e placar consumado. O time de  Pedro Omar,Neneca, Vander, Spencer e Juca Show era o dono do jogo e o Galo  completamente dominado… Era só administrar a partida e aumentar o placar. Spencer, um dos maiores craques do América e do futebol mineiro chegou a ser substituído por  Alemão, que ainda teria papel importantíssimo naquele jogo espetacular.

De repente, porém, aconteceu aquilo que nem o mais pessimista  americano poderia imaginar.  Neneca,  que juntamente com Leão eram os dois melhores goleiros daquele Brasileirão é expulso de forma injusta  juntamente com Arlem do Atlético, que provocou a expulsão do goleiro. Lembro-me que fiquei atônito na arquibancada, não só porque perdíamos a nossa “muralha” mas também  porque já havíamos feito as duas substituições permitidas. Silêncio total entre a torcida americana nas arquibancadas do Mineirão, ainda mais quando o nosso jogador de meio campo Alemão, substituto do Spencer no jogo, se encaminhou em direção ao gol e colocou a camisa do goleiro reserva que mais  parecia um vestido no pequeno e baixo meio-campista .  Como consequência, era previsível que  teríamos de suportar uma grande pressão do Galo que nos via como um time “sem goleiro”.

E aconteceu exatamente assim. Nos minutos seguintes o Atlético foi desesperadamente pra cima do time americano , que se defendia como podia, com raça e técnica, inclusive com a participação importante do nosso Alemão, corajoso goleiro improvisado que para nosso alívio se desdobrava debaixo do gol.

Cinco minutos após a expulsão a pressão alvinegra ainda aumentava e  quando o coração adolescente daquele americano   já não aguentava mais e que um ou mais gols do Atlético seriam inevitáveis,  aparece no jogo, com força descomunal e surpreendente , um ser de outro planeta. Aquele que já era o melhor jogador em campo ressurge em  espetacular forma de um gigante: JUCA SHOW.

Passados 45 anos do dia daquele jogo ainda me emociono ao relembrar.

Aquele jogador  alto , de pernas longas e corpo ligeiramente encurvado, de forma corajosa e com uma categoria inigualável, resolveu mostrar a todos presentes  que naquele dia o jogo já tinha um dono. Aproximadamente aos 20  minutos do segundo tempo o herói americano decidiu: esse jogo a partir de agora é só meu.  Pareceu-me a partir daquele instante que a bola do jogo era só sua pois praticamente até o final do jogo  ficou com  ela, seja recuperando-a nas investidas  adversárias, seja fazendo inúmeras arrancadas em direção ao gol ou ganhando vários preciosos minutos de jogo nas laterais do campo . Para mim e para os presentes no gigante da Pampulha é até hoje  inacreditável :  em determinado momento do jogo com o adversário tentando retomar desesperadamente a posse de bola,  aquele “monstro” de corpo curvado e pernas tortas ficou mais de um minuto,quase dois minutos seguidos com ela nos pés, fintando em progressão e para os lados, cercado por vários jogadores do Galo, mas não dando a menor chance aos jogadores alvinegros de retomar a bola. Lembro-me que a grande torcida do Atlético emudeceu diante de tamanha categoria e coragem. Parecia-me e a todos que só existia JUCA SHOW em campo. Repito:nunca vi nada igual, até hoje.

Surgia ali no gramado do Mineirão naqueles minutos finais do segundo tempo do jogo , ainda que um pouco tardiamente na minha vida, meu grande herói.

E mais, a única vez que tive a certeza absoluta que  o América ganharia um clássico, mesmo que disputado em circunstâncias desfavoráveis.  E foi exatamente assim. O Atlético ainda marcou um gol meio por acaso perto dos 35 minutos  mas  não me apavorei: já tinha me dado conta que no jogo tinha um super-homem capaz de resolver tudo e que ele estava do do nosso lado.

Final América 2 x 1 Atlético para alegria e festa indescritível dos americanos na saída do Mineirão, fato que deixou marcas fortes, indeléveis, na minha memória e no meu coração.

Obrigado, muito obrigado Juca Show, pela imensa alegria que você me deu nos gramados do Brasil. Obrigado Juca , também pelos bons momentos que passamos  em estádios de Minas Gerais afora assistindo lado a lado na arquibancada até sua morte nos jogos do nosso querido América Futebol Clube.

Alexandre Dolabela Dias

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Alguém quer que o campeonato acabe hoje?

Com a grande vitória de ontem sobre o Sport, lá na ilha do Retiro, mais uma vez a psicologia abalada do americano retornou com toda a força. O time da Cachorra de Peruca, carinhoso apelido dado pelo rival Náutico, vem se tornando um freguês cativo e o jogo de ontem, além de ter  garantido três pontos na caixinha em um jogo fora de casa, quebrou o jejum de gols de Luan e Rafael Moura. Nos grupos americanos nas redes sociais, já se fala em pré Libertadores.

No sexto jogo, já é possível afirmar que Adilson Batista não perdeu suas principais características. É um estudioso e um inventor. Em cada um dos seis jogos, trabalhou o time conforme o adversário, variando desde uma retranca pesada (contra o Santos) a um jogo mais aberto (Fluminense), o que demonstra sua capacidade como técnico estudioso de esquemas táticos. Ainda assim, promoveu algumas invenções polêmicas. A que me incomoda mais é a improvisação de Juninho na lateral, onde aliás esse carregador de piano tem atuado bem. Apenas acredito que preferiria improvisar o Christian e deixar o Juninho no meio, onde acho que ele rende mais ainda. No programa venho comentando sobre a reserva ara o Zé Ricardo e Christian, que não concordo.

Mas esse comportamento vem de uma outra posição filosófica do Adilson: a preferência por jogadores com mais “tarimba” em série A. Daí a insistência em Magrão e Wesley. E esse último sou obrigado a admitir que tem rendido mais do que eu jamais esperava dele em 2018. Não que o Wesley seja craque ou que tenha recuperado o futebol que um dia jogou, mas tem tido uma clara evolução jogo a jogo. Tenho certeza que a confiança depositada pelo técnico ajudou.

Depois que atingirmos a Meta, vamos dobrar?

Na coluna de 19 de abril, Somos bipolares. Ou não? propus uma ideia de meta para que conseguíssemos nos manter na primeirona. A cada seis jogos, ou 18 pontos, conseguindo 8 pontos estaríamos mantidos na série A. Essa continha produziria um total de 48 pontos, que certamente garantem permanência.

Terminado o primeiro turno, já é possível fazer a conta da primeira metade.

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Separei em dois conjuntos de seis jogos e o terceiro com sete jogos, uma vez que a conta original sobravam dois “jogos bônus”.

No primeiro conjunto, ficamos acima da meta com 10 pontos. Entretanto é preciso observar que dos seis times enfrentados, apenas o Flamengo está acima de nós na tabela atual, assim como é válido o raciocínio de que fomos bem os confrontos diretos contra possíveis rebaixados.

O segundo conjunto foi o pior de todos, com apenas 4 pontos em 18 disputados e mais uma vez, só tiramos pontos de times que estão abaixo de nós na classificação.

O terceiro conjunto só tem pontos obtidos sob a batuta de Adilson Batista e aqui conseguimos ganhar pontos em cima de times que estão em melhor posição. Atingimos a meta .

Não fossem os pontos perdidos durante o tempo “Jabuti em cima do árvore” do Drubscky, poderíamos estar ainda melhores.

Flamengo

Jogaremos domingo com um dos times que disputam o título brasileiro desse ano. Acredito que o jogo dependerá muito da tática flamenguista em relação a escalação, uma vez que o time carioca decide sua classificação na Libertadores na quarta seguinte contra o Cruzeiro. Então, acredito que alguns jogadores serão poupados no jogo contra nós.

A defesa desse time do Adilson deve ser elogiada e mesmo desejando muito a vitória domingo, um empate não seria um mau resultado. Teremos desfalques como o monstro Messias e talvez Ruy, mas em casa podemos conseguir uma vitória!

Grande abraço a todos e vamos lotar o Nosso Estádio domingo!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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Voltamos!

Estamos todos de volta! Esta coluna, o time do América, a primeira página da classificação do campeonato e a autoestima dos americanos.

Informo a todos que estou vivo após o jogo de ontem. Informo inclusive ao Doutor Kleysson, meu cardiologista, que atualmente é o maior adversário do meu Coelhão. Já me disse que não há remédio pro coração que resolva o problema de quem torce pro América. Mas fico tranquilo, porque se meu coração estiver para sofrer um ataque, o Juninho ou o Messias desarmam!

A nação americana, limitada atualmente a norte pelo Fluminense e a sul pelo Botafogo, chegou a 20 pontos em um jogo que teve todos os ingredientes de tensão possíveis, com exceção de uma expulsão. O Santos teve duas bolas na trave, 31 finalizações e muita posse de bola, mas como a expressão da moda é “saber sofrer”, sofremos mais do que nunca. Inclusive soubemos sofrer com a dignidade de um poeta, de um personagem da poesia épica.

Nova era?

Como não vi os jogos contra as meninas e contra o Paraná, a era Drubscky só me atingiu psicologicamente. Na coluna anterior, acreditava que não funcionaria. E como disse o Barão de Itararé: “De onde não se espera nada é que geralmente não vem nada mesmo”. Na verdade  a era Drubscky passará na história do campeonato 2018 como um “bode na sala”.

Você e sua família mudam para um apartamento pequeno e todos reclamam que não há espaço, que antes era melhor e etc. O pai da família compra um bode e coloca no meio da sala. O bode, sendo um bode, faz as coisas de um bode. Defeca na sala, faz barulho, come o sofá e incomoda a todos. O pai da família então vende o bode e todos acham maravilhoso o novo espaço aberto.

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Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Sendo assim, a chegada de Adilson Batista após o bode foi muito bem aceita por todos nós. Se Adilson fosse contratado na parada da Copa, imagino que a resistência a ele seria muito maior, com toda a discussão sobre o tempo que ficou parado e seus últimos trabalhos.

Ainda é cedo para que Adilson tenha feita alguma mudança mais efetiva no time, mas ao que parece provocou uma vibração positiva no time, o que o Judas Moreira devia e muito. Tem apostado na experiência, jogando com Wesley, Magrão e Marquinhos por exemplo.

Acredito que Adilson Batista tem tudo pra dar certo no Coelho. É um estudioso, mesmo que goste de inventar o ininventável de vez em quando. Entre as opções que se dispuseram ao Coelho, acho que é uma das melhores. Só acho uma pena que tenhamos perdido a parada da Copa em uma era desnecessária e infrutífera.

O jogo

Na minha opinião, jogamos muito bem defensivamente e quase zero no ataque. Entendo que por opção do treinador em jogar fechadinho. Valem os três pontos.

João Ricardo muito bem, Matheus Ferraz evoluindo. Messias e Juninho verdadeiros monstros em campo. Magrão não comprometeu. Como destaques negativos, Marquinhos que só sofreu o pênalti em 90 minutos e Aderlan, que deixou muitas brechas na defesa.

No próximo jogo contra o Palmeiras temos uma missão dificílima, mas precisamos comparecer em peso!

Foto da Capa: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

A Arte da Guerra

Caro leitor americano, se você acha que disputar a Série A é apenas mais um campeonato, este texto não é para você. Se você acredita que apenas as quatro linhas definem o futuro do América, este texto não é para você.

No século VI antes de Cristo, viveu na China um dos maiores generais , estrategistas e filósofos da história, Sun Tzu. Este grande mestre escreveu um dos primeiros tratados sobre estratégia militar, “A Arte da Guerra”, em que falava de todas as questões que permeiam um exército vencedor, tanto durante a guerra quanto nos períodos de paz.

General de Guerra e General de Paz

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Sun Tzu – Wikimedia Commons

Sun Tzu dizia que um país precisava de generais para a guerra e outros generais para a paz. Um general de guerra precisa liderar em campo, motivar as tropas, posicionar os batalhões e ganhar as batalhas de fato. Já o general de paz tem soldados ociosos, sem batalhas a serem vencidas, mas que podem ser acionados a qualquer momento. Portanto, ele precisa manter as tropas treinadas e coordenar os órgãos de inteligência em busca de ameaças e oportunidades.

Entendo o papel do diretor/gerente de futebol em um time como um general de paz. Ele precisa estar atento ao mercado, ativo na gestão de conflitos internos e alerta para a insubordinação de um ou outro general de guerra. O técnico é para a guerra, para o campo de batalha, as quatro linhas, o dia a dia. Ele não se preocupa com o que vai acontecer após a batalha.

Observe que esse dois perfis são bem diferentes e quase sempre incompatíveis. Talvez desta diferenciação venha a propagada qualidade e continuidade do trabalho no América. Talvez Ricardo Drubscky renda  melhor sem a pressão diária do campo, enquanto Enderson rendesse melhor sem a necessidade de visão a longo prazo.

Meu medo? Ilustro com uma piada. Dizem que certa vez a NASA resolveu criar um super astronauta, combinando o DNA de Albert Einstein com o DNA de Sylvester Stallone, pois um astronauta que tivesse o corpo do Stallone com o cérebro do Einstein seria fenomenal. Feito o experimento, terminaram com um astronauta que tinha o corpo de Einstein e o cérebro de Stallone.

Erros

Ainda do livro de Sun Tzu temos o seguinte trecho: “Durante uma campanha, o desastre pode surgir de seis diferentes erros do general em comando. Os erros são deserção, insubordinação, ineficácia, precipitação, caos e incompetência.”

Sobre deserção, nosso ex-técnico já pode escrever um livro. A deserção de um soldado em si não é vergonhosa, pois pode ser interpretada como um ato de sobrevivência. Da mesma forma, o pedido de demissão de Enderson pode ser interpretada simplesmente como uma melhoria em busca da sobrevivência financeira. O que é vergonhoso na deserção é o fato de que um soldado a menos pode provocar uma derrota que levará a morte de seus ex-colegas. Portanto, o pior efeito do ato de Enderson é o efeito ruim sobre a moral do time e de seus torcedores.

Já a efetivação do Ricardo errado (eu pelo menos, esperava o Zé Ricardo) na minha opinião, ilustra os princípios da ineficácia e da precipitação. Ineficácia pelo fato de que a carreira de Drubscky COMO TREINADOR não contempla nenhum grande sucesso. Precipitação pela facilidade em que foi imbuído do cargo. Não consigo acreditar que não exista no Brasil um técnico na faixa salarial proposta ou um pouco mais que tope assumir o América e que seja melhor credenciado para a tarefa.

Você me pergunta novamente. Qual seu medo? Ilustro agora com uma frase de George Hebbert:

“Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura. Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro. Por falta de um cavaleiro, perdeu-se uma batalha. E assim, um reino foi perdido. Tudo por falta de um prego.”

Estamos em um ponto da história americana em que não podemos nos permitir o erro, mesmo que pequeno. Quanto mais os grandes.

Grande abraço a todos.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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Este não é um pós-jogo

A quinta-feira de Américo Coelho já começou “quente pelando”. Um pique de luz noturno queimou seu rádio-relógio, que por 30 anos o acorda às seis da manhã, em geral com a voz de Bruno Azevedo, Alvaro Damião ou Ênio Lima. Mas hoje o cansaço da semana pesou sobre ele e acordou com o barulho do interfone quase às nove, aos sustos, com a voz mecânica informando que um oficial de justiça o aguardava com uma intimação. Lembrou-se de Simone, ex-esposa de mais de 20 anos, que se separava dele. Recebida a intimação, banho, roupas, chaves e um pingado na padaria perto do serviço. Mas tudo iria melhorar: Hoje tem jogo do Coelhão!

Theo era só felicidade naquela quinta.  Hoje era o dia. Já não aguentava a zoeira que seus colegas de colégio lhe aplicavam toda vez que o América perdia um clássico e no final do Campeonato Mineiro, chegou a ganhar uma suspensão por mandar um “Vai tomar caju, cachorrada!” na cara de um dos imbecis colegas. Mas aquele era o dia. Já esperava o que ia rolar no Decadentes do pós-jogo. Já se via desfilando na Educação Física da sexta-feira com a camisa verde e dourada de sua paixão. Ele e Vicente, a dupla de zaga coelhônica do Colégio.

Miguel Americano só conseguia pesar em duas coisas naquela quinta: as centenas de tarefas a serem feitas no dia e o clássico da noite. Acordou cedo e enquanto tomava banho, ouvia Bruno Azevedo na Itatiaia falar sobre o América e se animou. “Hoje é nosso!” Tomou café forte com uma broa regular, que lhe parecia excelente pelo amor com que Sônia, sua esposa, a fez. Chaves, carro, pasta e filho na escola, com a lembrança de que mais a noite tinha jogo. Ao chegar no fórum, despachou algumas intimações a uns pobres diabos e chamou Ricardo, colega de trabalho atleticano, para um café com resenha. Disse a ele: “Hoje é nosso!”

A Tarde

Américo entrou pela porta do trabalho às 11 horas, parcialmente por conta do ônibus que quebrou. A outra porção do atraso vinha da pouca vontade de chegar ao trabalho no banco. O colega já o encontra em tom de gozação na porta dizendo: “Boa tarde, Bela Adormecida!”. Outro colega comenta sobre a crise e de que um novo corte de funcionários está chegando. Pensa que empresas não tem coração, tem CNPJ. Com saudade do filho, que via muito pouco depois da separação, mandou um WhatsApp perguntando se queria ir no jogo. Um de seus poucos orgulhos era ter feito o filho americano, mesmo o tendo levado a um América x União Luziense pelo Módulo 2 do Mineiro. Recebeu um “joinha”, aquela mãozinha com um dedo levantado que diz quase tudo ou quase nada.

Na prova de matemática do dia, Theo se deu bem ao contrário de Vicente. Os dois estudaram juntos, mas algo parecia estar perturbando o colega, que parecia mais triste e arredio nos últimos meses. Combinaram de estudar na casa de Theo no Bairro Floresta e depois irem a pé pro jogo, afinal a prova de História da sexta prometia.

O dia de Miguel continuou ocupado, monótono e sem graça. Ocupado, monótono e sem graça até as 20:00. Basta essa linha.

A Noite

Américo saiu do banco o mais rápido que pode. Sua vida andava tão complicada quanto um quebra-cabeças sem cores. Ao passar em casa, uma mensagem do filho no WhatsApp:

“Passa aqui pra gnt ir p jogo mas n vem na porta n q a mamãe tá uma fera. Me espera na casa da vovó.”

A casa da mãe era perto de sua ex-casa e lá se encontrou com o filho e com o colega. Todo o dia está perdoado. Agora era Coelhão com o filho. O Atlético tem jogado conosco como um time do interior, nos contra-ataques, na covardia. Quem sabe não era hoje que o Judivan desencantava…

O estudo dos meninos se resumiu a falar do jogo e ver alguns vídeos sobre História do Brasil Colonial no YouTube. Theo estava feliz porque tinha sido aceito no grupo de WhatsApp dos Decadentes. Vicente nem se interessou. Foram para o jogo conversando sobre o Luan, Ademir Fumacinha e Enderson Moreira. História para eles agora só se falasse do Jair Bala, Pedro Omar e Juca Show.

Miguel saiu tarde do fórum e antes combinou com o filho para se encontrarem no Indepêndencia, pois o filho era ansioso demais para chegar em cima da hora. Gostava da conversa com os meninos da Barra UNA e de comer um tropeirão no capricho antes do jogo. Pensou que Ademir precisava entrar no lugar do Luan, mas que o Enderson tinha seus preferidos.

O Jogo

Américo é sócio-torcedor no Portão Minas. Como o filho e o amigo chegaram com ele e cada sócio podia trazer dois acompanhantes, botou os meninos pra dentro. Ao mesmo tempo que sai o primeiro gol dos canídeos, uma mão puxa com força o amigo de seu filho e Américo pensa: “Será que o colega é atleticano e comemorou?”

Theo e Vicente estão preocupados. O time parece nervoso. Quando acontece o um a zero, um grande susto.

Miguel chegou esbaforido ao Independência e quando já quase entrava no portão 4 com seu sócio VIP para encontrar com o filho, resolve checar o celular. Uma mensagem no celular dizia:

“Tô no 6 com a Barra UNA.”

Vicente se assustou ao olhar para cima e a mão que puxava sua camisa era a do pai:

– Por que você me fez vir no 6? Gosto de ficar no 4. A visão aqui é um lixo!

– Você veio porque quis. Já quase não te vejo mesmo, tanto faz portão 4 ou 6.

Miguel sentiu a ausência que vivia na vida do filho. O homem que estava junto a seu filho chega próximo para saber o que acontecia e se apresenta. Miguel e Américo conversam sobre o jogo. Um critica Jori, o outro Luan e ambos a Judivan.

Quando o segundo gol do lado presidiário sai, Theo Coelho olha para seu pai como se buscasse nele alento. Américo só tem a oferecer a frase “Vamos virar!”. No intervalo, Miguel e Vicente conversam apenas o essencial.

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Foto: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

A esperança só precisa de uma fagulha. Nada mais adequado para trazer uma esperança que um Messias. O gol reacende a torcida e Miguel e Vicente se abraçam. O sonho de um gol redentor une o que a vida separa. O time parece encontrar nova vida em campo, com Ademir pouco acionado mas presente.

Quando o jogo acaba, Américo, Miguel, Theo e Vicente se despem da magia da futebol e todos voltam a realidade. Américo leva o filho Theo a pé até a casa da vó, onde fica vendo o filho acabar de chegar em sua própria casa e doma a vontade de botá-lo pra dormir, mesmo que não tenha feito isso desde que era bem pequeno. Miguel e Vicente estão um pouco mais unidos, mesmo que pela revolta de perder mais um clássico. Amanhã é um novo dia e talvez um dia menos ausente.

Sobre o jogo mesmo, tenho pouco a dizer e disse através dos personagens. Queria sinceramente que nos próximos clássicos, nosso time pensasse nesse texto e no quanto poderiam ter escrito um final melhor.

Continuo apoiando o grupo e o técnico, mas é preciso rever seriamente a vontade demonstrada pelo time em clássicos.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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Adquira aqui seu tijolo do América!

No começo dessa semana, tive uma felicidade muito grande. Recebi em casa um tijolo, com uma placa de metal, dizendo que eu fazia parte da história do América, acompanhando um convite para que eu conhecesse o projeto do nosso novo CT. Sinceramente, me senti feliz e ao mesmo tempo, um impostor.

Explico: Quanto mais eu pensava, mais gente eu achava na minha mente que fizeram mais que eu pelo América. Eu recebi um tijolo porque sou associado cotista, o que diz simplesmente que em algum momento eu comprei uma cota do clube, que vale mais que barras de ouro. Mas ainda assim o “evento gerador” do tijolo, como se diz em contabilidade, da minha contribuição para a história do América foi um cheque.

Lembrei de muita gente que merecia mais um tijolo do que eu. Pensei no Saraiva e no Marco Antônio; pensei no colega Marinho Monteiro;  nos meninos da Seita Verde e da Barra UNA; pensei em meu avô falecido, que se filiou ao América em 1948 (80 anos de América!). Quantas pessoas conheço que doaram seu tempo, dinheiro e sanidade mental pro América. Comprando luvas de limpeza, vassouras, bolas, etc para o time. E cada vez mais me sentia um impostor.

A metáfora de Marcus Salum

Ainda entre orgulhoso e impostor, compareci ao evento porque quando o América convoca, é obrigação do devoto responder. A explicação do presidente do nosso Conselho Administrativo para a ação do tijolo me tornou menos impostor. Nas palavras dele:

“Ninguém é mais importante que ninguém não. (…)O tijolo representa (…) aquele que dá seu dinheirinho no campo, que faz seu filho ser americano, o neto ser americano. Esse é o tijolo, ninguém tem mais direito que ninguém não. A parede só fica em pé se for um tijolo em cima do outro. (…) É um sonho que é nosso. (…) O tijolo representa isso. Se tirar dois, três tijolos a parede cai. Não se constrói nada se não for todo mundo junto. (…) Nós somos o América. Ninguém é mais que ninguém. Nem presidente, nem diretoria, nem ex-presidente, ninguém. O América é de todos. O sonho aqui hoje é de todos nós.”

Já falei na coluna “Mais Bonito não há” sobre o sonho que é o América. E presidente Salum, me permita aprofundar sua metáfora. Somos todos tijolos agora porque a obra coletiva que é o América nos permite finalmente subir paredes. Muitos suaram e choraram para que as fundações e as balizas fossem colocadas em seu lugar. Estamos subindo paredes hoje para que amanhã possamos construir telhados.

Peço perdão pelo título da coluna um pouco enganoso, mas a fala do Marcus Salum nos faz crer que todos já estão ganhando seu tijolo fazendo sua parte.

Planeta América

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Área atual e área a ser anexada

O novo CT do América, o Planeta América parece ser um sonho para quem dez anos atrás, estava amargando o rebaixamento para o módulo 2 do Mineiro. Com 165.000 metros quadrados de área, teremos o maior Centro de Treinamento de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil. Como comparação, o C.T. de Vespasiano tem 90.000 metros quadrados e as Tocas 1 e 2 SOMADAS, possuem 143.000 metros quadrados. A sinergia das categorias de base e a equipe profissional convivendo todas em um mesmo espaço tende a produzir resultados excelentes, pois permite a troca de experiências entre as equipes e uma maior identificação do atleta com seu clube formador.

O Americano tem muito do que se orgulhar. Vivemos um tempo que não me lembro de outro tão bom no América. O que mais temos pela frente são obstáculos. “Mares calmos não produzem bons marinheiros”. Sairemos sempre mais fortes de todos eles.

Um grande abraço a todos e domingo nos encontramos no Independência!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

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Intervalo pra quê?

Em minha carreira como professor universitário em faculdades particulares, participei no último mês da minha primeira greve, que ocorreu por uma variedade de fatores, quase nenhum tendo a ver com dinheiro e quase todos a ver com qualidade de ensino. Uma das propostas dos patrões era acabar com o “recreio”, aquele intervalo de 20 minutos que separam as duas primeiras aulas das duas últimas. Os alunos e professores se revoltaram com a possibilidade de 3 horas e meia de aulas ininterruptas, o que permitiu que essa proposta fosse derrubada.

Por que estou contando isso? Porque acho que deveríamos propor que os jogos do América não deveriam ter intervalo entre os dois tempos! O América tem voltado para o segundo tempo sempre mais lento, mais desatento, mais perdido. Contra o Vasco e o Ceará isso ficou mais claro, mas de forma geral, nossos segundos tempos tem sido piores que os primeiros. Uma das razões consigo ver claramente: preparo físico. Temos o time com maior média de idade da Série A. Além disso, o esquema do Enderson privilegia a movimentação, sobretudo dos volantes e laterais. Ganhando ou perdendo, o ritmo do time cai bastante sobretudo após os 20 minutos do segundo tempo, quando Enderson tipicamente começa as substituições.

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Foto: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Ceará

No jogo contra o Ceará, as substituições que vieram do banco não contribuíram para que o ritmo se mantivesse. Concordo que estávamos ganhando e portanto um ritmo intenso era desnecessário, a princípio. Esse tempo em que apenas o ataque precisava ser intenso acabou. No futebol moderno, que gostemos ou não veio para ficar, o time inteiro precisa se movimentar com intensidade. Um bom exemplo foi a seleção da Itália de 2006, que ganhou uma Copa do Mundo jogando um futebol regular, mas constante e intenso.

E o juiz? Confesso que perder roubado pro Ceará me deixou mais nervoso que o habitual. No nordeste, o Ceará é chamado de “o Corinthians do Sertão” não por seu futebol, claro. Acredito mais na hipótese de um juiz ruim do que um juiz mal intencionado. Os erros foram infantis, tão infantis que o bandeira ainda tentou evitar que um acontecesse, o do primeiro gol. A CBF assumiu seu erro aqui. Não muda nada para nós, que continuamos sem os dois pontos.  Ao trazer para a série A um árbitro que consegue fazer lambança no campeonato goiano, errou a CBF e nos prejudicou.

Enderson Moreira

Como já disse outras vezes no nosso programa e aqui neste espaço, não sou a favor da demissão do técnico. Em particular, o modelo da NFL e da NBA me agrada muito mais que o jeito brasileiro de lidar com o grupo e com a comissão técnica. A NFL, liga de futebol americano dos EUA,  vale atualmente 12 bilhões de dólares anuais, ou seja, valem 6 campeonatos espanhóis ou 20 campeonatos brasileiros da série A.  No modelo da NFL, os jogadores e comissão técnica são alterados entre as temporadas. Se um técnico ou jogador não funcionou em uma temporada, parte da culpa é dada a quem também é de direito: quem os contratou. O fenômeno brasileiro de demitir técnico é na verdade uma forma velada de transferir a culpa de quem contrata para quem é contratado.

Dito isso, não quero dizer que Enderson seja intocável ou que esteja imune a críticas. Como quase todos que aqui passaram, inclusive o Mestre Giva, tem suas preferências bizarras e suas picuinhas gratuitas. Acredito que o trabalho dele é muito bom e provavelmente acima do que 95% dos técnicos que podemos pagar poderiam fazer. Além disso, as opções que se apresentam no mercado são bem piores que ele. O erro de 2016, da demissão do Givanildo a tudo que veio depois, ainda me assombra. Prefiro errar mantendo a coerência do que errar seguindo algum tipo de linchamento.

Divulgação/Acervo Pessoal Fernando Sabino

Com o disse o maior americano escritor, Fernando Sabino: “O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove.”

Grande abraço a todos e nos encontramos no Indepa!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

P.S. : Já ia me esquecendo de dar as boas-vindas ao grande Miguel Santiago, que agora nos faz companhia aqui no Decadentes. Me sinto um menino da Copa Itatiaia jogando uma partida com Pelé. Seja bem-vindo, Mestre! Este espaço já era seu muito antes que você o soubesse. Todos que escrevemos sobre o “ludopédio” do Coelhão temos a ti como inspiração.

Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

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Somos cada vez mais

A teoria dos Seis Graus de Separação é uma teoria surgida nos EUA nos anos 60 que prega que existem, no máximo, seis graus de separação entre você que está lendo e qualquer pessoa no planeta. Ou seja, você tem um conhecido, que conhece alguém, que conhece alguém que eventualmente conhece o esquimó que mora no iglu número 5 do Círculo Polar Ártico. Se isso era verdade em 1961, imagine hoje com advento das  redes sociais e de um mundo cada vez mais globalizado. Somos cada vez mais uma tribo menor em um planeta desimportante em um canto remoto de uma galáxia sem graça, como disse Carl Sagan.

Me lembrei dessa teoria enquanto pensava nas novas médias de público do América esse ano. Se você tem frequentado o Independência, certamente observou mudanças interessantes nas pessoas que ficam ali na Rua Pitangui, esperando mais um jogo do Coelhão. Costumo chamar essas pessoas de “a maior família do mundo”, pois nos conhecemos quase todos direta ou indiretamente. Aponte um indivíduo aleatório comendo um espetinho distraído e se você não o conhece, certamente é amigo de alguém que conhece.

Refinamento Sucessivo

Por que somos um grupo tão concentrado assim? Sofremos um processo de depuração e refinamento sucessivo com os anos. Não tenho a vivência para escrever sobre as mudanças na torcida antes dos anos 80, a não ser pelos relatos de quem viveu. Mas me lembro de criança nos anos 80, ver muito mais torcedores do América em campo do que vemos hoje. Entretanto, as décadas de 80, 90 e 2000, com poucos momentos de exceção, foram difíceis. Ao mesmo tempo, a duplinha alternadamente teve conquistas e bons times, não o tempo todo, mas o suficiente para afastar um simpatizante daquele time simpático mas que só sabia sofrer.

Além disso, existe a figura do torcedor ocasional. Aquele que nunca vai ler esse texto. Sabe aquele seu amigo que diz pra todo mundo que é americano mas que você quase nunca conseguiu levar pro campo? Aquele tio que se orgulha do time mas não sabe quais são os próximos jogos? Não o caracterizo como simpatizante, pois possui uma identificação mais firme com o América. Ele consome o time ocasionalmente, quando lhe convém e quando não existe algo mais prioritário no horizonte.

Sobramos nós, o núcleo duro dos torcedores do América. Se você está lendo uma coluna no site dos Decadentes, provavelmente você é um torcedor que respira América. Opina nas escalações, apoia ou critica certos jogadores, já foi pelo menos uma vez na Sede do América e acompanha notícias sobre o Feminino, a Base e o Futebol Americano. Nós somos aqueles mil e poucos que formamos a média de público do time até 2017, aqueles manos e minas que já decoramos a cara na Pitangui.

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Crédito: Mourão Panda(@photompanda)/América

Crescimento

Se essa divisão tem algum sentido, podemos entender a evolução da nossa média de público através dela. Aumentar a média de público é uma coisa boa? Já vi muitos torcedores reclamando da dificuldade de entrar, estacionar, de comprar cerveja, mil coisas enfim. Mas para o clube, que é a razão final de todos irmos em campo, é importantíssimo trazer gente para o estádio. No curto prazo, mais torcedores representam mais apoio em campo e mais representatividade na mídia. No médio prazo, ganhamos em verbas de patrocínio e consumo de produtos América, que reflete em melhores contratos e jogadores. A longo prazo, estamos garantindo a sobrevivência do clube, na conquista de novos torcedores que formarão o núcleo duro  do futuro América. Todo jogo é o primeiro jogo de alguém. O menininho ou a menininha que está entrando no Pitangui hoje será quem vai chorar com você na arquibancada no título daqui alguns anos. Será um futuro presidente da Barra UNA, da Avacoelhada, da Seita Verde ou do América.

As ações do Onda Verde e do Departamento de Marketing tem sido muito acertadas no seu objetivo: melhorar a média. Parabéns a quem detalhou o plano de Marketing do Coelhão, trabalhando públicos diferentes. As promoções de atração de público tem focado no simpatizante e no torcedor ocasional, com a dupla aceitação nas catracas, a ação com a Cabify, Brahma grátis e, no ano passado, pula-pula e outros mimos. Já o público cativo tem sido trabalhado com ações de acolhida, como a narração da escalação, o Match Day e o Café com o Técnico. O sócio-torcedor Onda Verde é um programa com excelente custo-benefício, sobretudo se comparado aos equivalentes da duplinha.

Portanto, esse aumento de média ocorre pela absorção dos simpatizantes e ocasionais, que com o tempo vão se aproximando do clube. Uma boa fase em campo aliada a uma acolhida familiar nossa desse novo grupo farão com que o Coelhão seja cada vez maior. Estamos sofrendo as dores do crescimento e isso é ótimo!

Grande abraço a todos!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr


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Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda(@photompanda)/América