Por que?

Por que com o América?

Por que quando quase perdemos 21 pontos no caso Eduardo nunca se achou um culpado e muito menos este foi punido?

Por que insistimos nas velhas soluções para novos problemas?

Por que sempre perdemos o bonde da história, desde a recusa ao profissionalismo?

Por que perdemos um técnico no meio de um campeonato para um rival?

Por que esse técnico não foi substituído a altura?

Por que perdemos um mês de pré temporada durante a copa?

Por que deixamos alguém “realizar seu sonho em voltar a ser técnico” com o Drubcsky?

Por que repetimos o erro em deixar alguém “realizar seu sonho em voltar a ser técnico” com o Adílson Batista?

Por que montamos um time a base de empréstimos com taxa de vitrine baixíssima, sendo que jogávamos uma série A?

Por que a permanência do Serginho não foi viabilizada com algum empresário amigo, sendo que para trazer os encostos de outros times sempre se acha uma alma boa?

Por que insistir em um armador bichado e trazer um reserva que fez apenas um jogo?

Por que manter os mesmos atacantes que foram ineficientes no fraco campeonato mineiro?

Por que nosso mais bem pago jogador amarelou para bater um penal em seu ex-clube?

Por que o Luan bateu aquele pênalti “na boleiragem” , ao contrário de um pênalti de segurança?

Por que um atacante perde um gol na cara em um jogo de vida e morte?

Por que apoiar um conjunto de dirigentes que tem a cabeça no passado e teme o futuro?

Por que continuar torcendo pra esse time, o América Futebol Clube?

Essa eu sei. Continuo torcendo pois ali está consagrado o que eu sou, meu amor, minha vontade e minha alma. Sou americano e nenhum desses porquês me fará menos. Como disse Mário Quintana, “Eles passarão, eu passarinho”. O América um dia passarinhará desses abutres.

“Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura. Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro. Por falta de um cavaleiro, perdeu-se uma batalha. E assim, um reino foi perdido. Tudo por falta de um prego.”

 

Crédito da Imagem da capa: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

Carta ao Jogador do América

Companheiro em armas,

Escrevo a você às vésperas de nosso jogo contra o Fluminense. Sou um torcedor do América Futebol Clube, time portador da cor Esmeralda-Esperança e vivo a vida desse clube.

Queria dizer em primeiro lugar, que independente do que aconteça domingo, a torcida agradece a você a melhor campanha em Série A que já fizemos. Nunca chegamos, na era dos pontos corridos, a ter a possibilidade de fazer contas na última rodada para nossa permanência e muito menos dependermos apenas de nós mesmos. Somos emotivos, mas quando o julgamento da história acontece, somos justos e fieis a quem nos deu seu sangue.

A sua história de vida eu sei. Você já teve seu futebol questionado e já tentaram convencê-lo que o futebol não era pra você. Você teve lesões que colocaram em dúvida sua carreira e suas próprias escolhas. O Clube em que você está espelha esta história.

Desde que os meninos se reuniam em uma gameleira na Alvares Cabral com Espírito Santo em 1912, o América foi muitas vezes questionado em sua existência. Afinal, como pode esse clube existir em uma cidade que já contém outros dois clubes de maior torcida. Um disse que iria nos fechar, outro que iria nos absorver. Como você, persistimos em nosso sonho. Sofremos lesões muitas, incontáveis e contínuas. Fomos caçados pelos adversários incansavelmente. A primeira irrigação do CT onde vocês hoje treinam foi irrigada pelas lágrimas de um ex-presidente, que anos antes vendeu nosso único patrimônio, a antiga Alameda, para que continuássemos existindo.

Se domingo formos rebaixados, a vida continua. Como fênix, vamos nos reerguer pois é nossa história. Talvez você tenha estado naquela festa bonita ano passado contra o CRB.

Mas se permanecermos na Série A, meu companheiro…

Se permanecermos, estaremos fazendo história e você fará parte disso. Quando ganhamos a Série C em 2009, lembro do Euller gritar a plenos pulmões que “temos nosso lugar na história!”.  Verdade incontestável. Euller e seus companheiros fazem parte da história de um time que foi fundado por um negro quando um negro não podia nem jogar nos outros clubes da capital. Um time que lutou contra injustiças e foi excluído por três anos das competições nacionais apenas por buscar seus direitos. Fomos rebaixados ficando em 16º em um campeonato de 32 times. É uma história bonita demais e que tem um pedaço guardado pra você.

No jogo de domingo, estamos com você em campo. Acredito no seu futebol e na sua vontade. Contra nós, tudo dentro e fora do campo. Antes de entrar, faça uma oração se for de sua vontade e não se incomode com a torcida adversária. Não importa quantos sejam, nós estaremos lá com você. Nossa força será a sua. Dentro de cada camisa americana, um amor maior do que você imagina.

Somos uma torcida forjada a ferro e fogo. Se hoje somos poucos, é porque poucos resistiram a jogar o Módulo 2 do Mineiro, Série C e congêneres. Portanto, a torcida que você vê na arquibancada é o produto onde apenas os americanos mais apaixonados resistiram. Não temos vaidade e nem torcemos contra o vento. Nossa vaidade é saber que estivemos com o time sempre que ele precisou. Nenhum vento nos assusta. Somos moinhos, que usam da tempestade para cumprir seu destino.

Leve no escudo de sua camisa nosso apoio, nosso respeito e nossa união. Estaremos em fé com você naqueles 90 minutos que separam o Céu do Inferno.

Um grande abraço do seu companheiro em armas, o Americano!
Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

O grande americano Thiago Reis (Seu Nome, Seu Bairro) recebeu o texto o interpretou. Ouçam:

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Os humilhados serão exaltados!

No evangelho de Lucas, capítulo 18, o Cristo conta uma parábola sobre dois homens que foram ao templo para rezar. O primeiro deles diz a Deus que não é como as pessoas comuns, que era um homem de bem, que jejuava duas vezes por semana e dava seu dízimo aos pobres. O segundo homem só pede a Deus a Sua misericórdia, pois ele mesmo é um pecador. Cristo diz aos seus apóstolos que irá aos céus apenas o segundo homem, porque quem se exalta, falando de seus próprios feitos, será humilhado e que o humilhado será exaltado.

Nada mais simbólico para o nosso momento do que começar essa coluna com um trecho bíblico. Se não fosse tão pouco religioso, já teria largado os livros de matemática e agarrado na Bíblia, no Alcorão, no Bhagavad-Gita ou qualquer outro tomo que oferecesse salvação.

Mas no começo da semana, chegou Givanildo, supremo profeta da simplicidade e do futebol raiz, com uma missão quase impossível de nos salvar da segunda divisão. E os humilhados do América começam a ser exaltados.

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Créditos: Mourão Panda (@photompanda) /América MG

Givanildo

O mestre dos magos sertanejo Givanildo é uma solução caseira. Pode resolver? Pode resolver. Sua maior qualidade é a simplicidade nas escolhas. Após um longo tempo, conseguimos ver no Coelhão uma escalação que realmente pareça uma escalação e não um amontoado semi-caótico de jogadores mais o Gerson Magrão. Ao escolher a formação, escala seus dois melhores zagueiros, seus dois melhores laterais e assim por diante. Sem dobras exóticas, sem profusão de volantes. Dobra de lateral com o mestre Giva só se for pra surpreender a cachorrada em final de campeonato.

A escalação contra o Inter já se mostrou diferente do desastre de trem que foi o jogo contra o Paraná. Convenhamos que o jogo já seria dificílimo se estivéssemos jogando em alto nível. Mesmo com os colorados jogando em casa e buscando um título, jogamos bem. Como disse no programa de sexta passada (Decadentes #166 – Internacional 2×0 América (Brasileirão 2018)), o futebol mostrado me deixou revoltado em pensar no tempo que perdemos com as invencionices do fã de futebol inglês Adílson Batista. Na  minha opinião, o dito cujo deveria ter sido demitido ainda em Curitiba após a vergonha contra o Furacão. Ali o time já estava perdido e confuso, tão perdido e confuso quanto seu técnico.

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Créditos: Mourão Panda (@photompanda) /América MG

Santos

O americano que ontem foi a nossa casa teve sua esperança renovada. Menos pelos três pontos conquistados do que pelo futebol demonstrado. O Coelhão demonstrou uma vontade e uma raça que estava sumida desde muito tempo atrás. Uma partida tão boa que eu e Sérgio Tavares, na resenha pós, tivemos dificuldade em escolher um Colatina que não fosse o juiz.

Entre os destaques da partida de ontem, três humilhados. Ademir, Zé Ricardo e Christian fizeram uma excelente partida, assim como Ricardo Silva contra o Inter. Para quem não se lembra (Os quatro exilados), esses quatro foram rebaixados para a equipe de aspirantes sem muita explicação. Com essa atitude, Adilson Batista tirou as “sombras” dos velhacos do plantel. Observe como o futebol de seus pares mais experientes piorou com o exílio dos meninos, que foram voltando gradativamente mas com poucas chances.

Fiquei muito feliz sobretudo com a entrada de Christian, o injustiçado dessa temporada. Nunca fez uma partida ruim no América. Sempre fez jogos bons, com poucos jogos regulares. Considero-o até mais estável que o Zé Ricardo nas atuações, embora o Zé do Coelho alterne mais em termos de qualidade, tanto para cima quanto para baixo. Mas a vontade que os quatro demonstraram em campo, correndo, roubando bolas e até os lançamentos do Zé estavam caprichados. Parabéns pra eles. A pequenez das mentes de quem nos persegue é sempre vencida pela força do trabalho e da vontade. Quem dera aquela falta no ângulo tivesse entrado.

Contas

Nos restam três partidas. O Departamento de Matemática da UFMG considera que um time com 43 pontos tem menos de 5% de chance de rebaixamento. Portanto precisamos de mais seis pontos. Considero o jogo de quarta contra o Palmeiras praticamente perdido, uma vez que poderão ser campeões na quarta, em casa,  dependendo de uma combinação de resultados. Se conseguirmos um empate já será sensacional.

Portanto, o jogo chave é o de domingo, contra o Bahia de Enderson Moreira. Se ganharmos, chegamos bem vivos ao último jogo contra o Fluminense no Rio. Fluminense que provavelmente, com uma classificação para a sul-americana, já não estará disputando nada.

Sendo assim, já rogo ao Marketing do América que mude o Futebol do Sócio que está marcado para dia 1/12 para o outro fim de semana. Com fé, precisaremos invadir o RIO!

Grande abraço a todos!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda (@photompanda) /América MG

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Elegia

Começo a coluna com um questionamento. De onde vem a sua americanidade?

A minha é relativamente fácil. Minha família é formada em grande parte por americanos. Pelo lado materno, meu avô era um americano apaixonado e minha avó, de ascendência italiana, era cruzeirense de quatro costados. A carteirinha dele ilustra essa coluna. A paixão dos dois dividiu os sete filhos entre as duas facções, com vantagem pro Coelhão. Minha mãe não cansa de dizer que quando me vê indo pro “Sete” quatro horas antes do jogo se lembra do pai, que pegava sua almofadinha do América e o rádio em direção a sua segunda casa. Dentre meus tios, destaco meus tios Mauro e Cacá, que me fizeram adotar o Coelhão. Em um dia de clássico América e Cruzeiro, meu tio Mauro se esqueceu do jogo e chegou em casa mais tarde, caindo na besteira de perguntar a minha vó quando havia ficado o jogo. Dona Gilda prontamente arrancou seu tamanco de madeira e bateu fortemente na cabeça dele três vezes, dizendo “Um!Dois!Três a Zero!”.

Por outro lado, meu pai nasceu em Morro do Ferro, antigo distrito de Bom Sucesso em 1935. A casa de meu pai não era ligada em futebol e quando ele veio para Belo Horizonte em 1953, chegou aqui “virgem” de time. Trabalhando como carregador no Mercado Central (para quem não sabe, local de nosso primeiro estádio!), foi convidado por um amigo atleticano para ir ao clássico contra o América. O amigo contou muita vantagem, que aquele dia seria de goleada. Tenho certeza que todos conhecem um desses. Ao chegarem ao Alameda, ocorreu o de sempre: o Coelhão sendo roubado. Dois gols ilegais foram dados ao time de Vespasiano, fazendo um 2×0 vergonhoso, o que revoltou meu pai. Decidido a torcer pro injustiçado, virou americano naquele dia. Para coroar sua decisão, o Coelhão virou aquele jogo, se não me engano para um 4×2.

Quando meu pai se casou com minha mãe, a equipe estava formada. Iam ao jogo religiosamente meu avô, meu pai e tio Mauro. Viram Jair, viram Ari, viram Zuca, viram Juca Show juntos.

 

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Créditos : Reprodução/Sportv

No dia 22 passado, perdi meu pai. Meu avô morreu quando eu era pequeno. Pelas curvas do destino, eu e meu pai americano nunca havíamos ido a um jogo do América juntos, principalmente pelo fato dele morar no interior. Realizei esse sonho no ano passado, quando fomos a Varginha juntos ver o jogo contra o Boa. Como lembrança, consegui adquirir as camisas do Bill ,que fez os dois gols daquele jogo, e do Felipe Amorim, que deu o passe pro segundo gol naquele 2×2. Talvez essa seja a lembrança recente mais bonita de meu pai.

O América é esse fio de ouro que amarra tantas vidas e tantas histórias. Que eu tenha tantas histórias bonitas pra contar no futuro como eles contaram a mim.

Grêmio

Não se iludam: o time do Grêmio que virá não é nenhuma mosca morta. Em qualidade individual, os reservas que estão vindo se igualam ao nosso time. Portanto, será um jogo duríssimo.

Além do fato de quererem mostrar serviço em época de renovação de contrato, é preciso ficar atento ao esquema de jogo. Infelizmente não é um jogo que dê pra jogar defensivamente. Precisamos ganhar.

Nosso papel é comparecer em peso e apoiar o time não importa o que aconteça. A permanência na série A também é responsabilidade de todos nós.

Grande abraço a todos e nos vemos no Independência!

 

 

Os quatro exilados

Quem vai se dispor a criticar um técnico que está sendo vitorioso? Infelizmente é preciso. A crítica em geral só é nociva aos vaidosos e aos condescendentes. Para o humilde, a crítica é o início de uma melhoria.

Essa coluna não quer tirar os méritos de Adílson Batista, inclusive pelas anteriores desde a sua chegada terem sido sempre elogiosas e portanto, não há razão para que uma invalide outras. Conquistamos mais pontos e estamos melhor agora do que na era Enderson. Então por que a crítica?

Quis Custodiet ipsos custodes?

A frase latina acima é do poeta romano Juvenal e pergunta “Quem vigia os vigilantes?”. É um aviso de que mesmo aqueles que prestam bom trabalho precisam de supervisão.  Ontem a tarde foi divulgada a notícia de que Sabino, Ademir, Christian e Zé Ricardo foram enviados ao grupo de atletas sub-23, os Aspirantes do Coelhão. No programa de domingo passado, comentamos o fato de Ademir e Christian estarem treinando em separado.

Como não faço parte do grupo do América ou da diretoria, tudo escrito daqui pra frente é a opinião de um torcedor sem nenhum tipo de informação privilegiada e na melhor das hipóteses, representa as conversas de porta de Independência sobre o assunto.

Considero muita injusta essa involução dos quatro, demovidos da equipe principal para a de aspirantes. Não tenho procuração pra defender nenhum deles. Com todo o respeito a equipe de aspirantes, que tem feito bonito em seu campeonato, estamos tirando desses meninos a oportunidade de jogar em nível de Série A, com jogadores qualificados e toda a pompa e circunstância que a cerca.

Caso a caso

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Fonte: Site do América / Plantel

O zagueiro Sabino é de quem menos posso falar. Contratado para a equipe de aspirantes em abril, compôs elenco até a chegada de Paulão. Como não o vimos jogar e pela juventude até não me parece algo tão descabido sua volta aos aspirantes. Entretanto, é preciso destacar o efeito psicológico sobre ele e os outros três. Enquanto a promoção deve ter sido comemorada, qual o efeito do caminho contrário?

Ademir “Fumacinha”, promessa que veio da Patrocinense e fez alguns jogos no Coelhão teria espaço nesse time. Fez algumas raivas? Fez. Mais do que Marquinhos, por exemplo? Mais do que Wesley? Para esses houve paciência. Ademir teve uma grande variação nos jogos em que participou, atuando bem e mal. Natural em um jogador jovem como os próximos dois casos.

Zé Ricardo passou de craque a nada em menos de um mês. Consistentemente eleito melhor jogador no Campeonato Mineiro, teve uma queda absurda em seu rendimento nos dois jogos da Semi contra a cachorrada. As teorias da conspiração das catracas do Independência são muitas. Algumas dizem que ele deslumbrou com o seu próprio futebol, outras que amarelou. Depois disso, raramente entrou até o episódio de ontem. Na minha opinião, seu futebol não acabou. Não se esquece o que se ama tanto. E o Zé do Coelho joga bola sim! E se estou errado, devemos punir severamente quem renovou seu contrato. Se seu futebol variou em qualidade, é por sua juventude, mas não por seu amor ao América que já foi demonstrado algumas vezes.

Por último, a maior de todas as injustiças: Christian. Nosso volante e vez em quando lateral tem muito lugar nesse time do Adílson Batista. Veja, estamos falando de um plantel de meio de campo que sem Zé Ricardo e Christian, tem como volantes Donizete, Wesley, Juninho, David e só. Christian nunca fez um jogo ruim no Coelho. Todos os seus jogos foram de discretos a positivos, em alguns até se destacando. Portanto não consigo vê-lo atrás de um David, que esse ano tem feito bons jogos. Mas bons jogos o Christian também sempre fez.

Minhas preocupações

Adílson Batista já parece estar transformando o América em uma panelinha. Todo técnico tem suas paixonites e o técnico que barrou Sorín nas meninas pra escalar Magrão tem histórico disso. Sobra paciência com os figurões, o que pode e parece estar funcionando pra alguns.

Um efeito dessa fixação pelos jogadores mais rodados do elenco já foi sentido no jogo com o Ceará. Um time envelhecido, cansado da sequência de jogos, que não conseguiu apresentar nada. Na entrevista, Adilson culpou calendário, CBF, política, tudo quanto há. Mas veja, sem defender o indefensável calendário, as datas estão dadas há quase dois meses. É dever do técnico se planejar para isso. E justamente nesses casos é que jogadores mais jovens fazem a diferença. Sentem menos a sequência e aproveitam as oportunidades dadas com mais afinco. O exílio dos quatro meninos só colabora com o envelhecimento do time titular e reserva.

Por último, me preocupa o “day after“, o dia após o fim do campeonato. Segundo o site  Transfermarkt , Adílson e quase todos os nossos jogadores tem contrato até dezembro de 2018, com pouquíssimas  exceções, entre eles os quatro transferidos. Então imaginem o fim do campeonato. Permanecendo ou não, teremos que reformar o time todo. Renovar com alguns, liberar outros. Por tanto, manter aqueles sob contrato dentro do elenco teria um efeito positivo de continuidade.

Essa politicagem interna do América me cansa demais. Toda informação é secreta e crucial demais para ir a público. O torcedor médio deve ser protegido de viver seu clube. Precisamos melhorar muito esse jeito “colégio de freiras” de ser da direção do América. Nos envolvam. Queremos mais.

Grande abraço a todos e vitória no Rio!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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Meu Herói, por Alexandre Dolabela Dias

Uma das coisas mais gratificantes em participar do Decadentes é prover espaço a todos os americanos. E foi nesse espírito que o Alexandre Dolabela Dias, leitor desse espaço e ouvinte do programa, leu a coluna de ontem do Rodrigo sobre o campeonato de 73 (73 – o ano que devemos repetir) e decidiu contar um pouco sobre o jogo em que o Neneca foi expulso, que reproduzo abaixo com a autorização dele. Parabéns pelo texto, Alexandre! Me emocionou muito, mesmo não tendo vivido este jogo e muito obrigado a você e ao Rodrigo por dividirem outros capítulos dessa história linda que é o América.


MEU HERÓI

Nunca tive um herói na infância. Falo de heróis  famosos tipo Zorro,  Super Man, Flash. Mas naquela tarde no Mineirão ele me apareceu…

Tarde cinzenta de domingo  no Gigante da Pampulha que recebia grande público apesar do mau tempo . Era um dia de dezembro de 1973  e meu América jogaria contra o Atlético  pelo Campeonato Brasileiro.  A nossa fiel e apaixonada torcida  fazia uma boa presença e a torcida do Atlético, numerosa e vibrante, ocupava a maior parte das arquibancadas.

Dois grandes times se enfrentariam no clássico. De um lado estava o Galo  que  fazia uma campanha regular no campeonato e tinha grandes jogadores  e o mítico Tele Santana como técnico. Do outro o Coelho que vinha de várias partidas invicto, grandes vitórias e cumpria espetacular campanha num longo Campeonato Brasileiro.

Na pré-hora do jogo, ainda nos bares do estádio, fui surpreendido pela gente americana ou pelo menos a maioria dos nossos torcedores estranhamente tomada de excessiva  confiança no triunfo. Confiança justificada, é claro,   pelo retrospecto do time e pela análise técnica de jogadores que vestiam a camisa verde e preta em 1973. Mas em verdade as considerações técnicas sobre os times e  o retrospecto no Campeonato, nada disso importava à apaixonada torcida. Sentia-se independentemente de qualquer análise que  para a gente americana  o jogo estava ganho, o jogo era nosso.

Dentro daquele imenso estádio e em meio àquela multidão um sempre cauteloso jovem “alamedino”,meu apelido de infância, tinha o coração dividido,  acostumado que estava  a ver o Atlético vencer o América na maioria dos jogos no início da “Era Mineirão”. O coração incontrolavelmente  verde queria cantar vitória mas a razão não permitia euforia e recomendava prudência.

Jogo equilibrado no início, com chances para os dois lados. Com o passar do tempo, porém, o Coelho foi dominando as ações e já no final do primeiro tempo de um clássico disputadíssimo o América mostrava um melhor futebol e ameaçava muito mais. A essa altura o placar já não mostrava o que acontecia em campo. Merecíamos pelo menos um gol, que não acontecia. Nossa torcida vibrava mas já transpirando ansiedade porque o placar não traduzia com justiça  as ações de cada time no gramado.

Começa o segundo tempo e o que era domínio passa a ser supremacia absoluta. Resultado: um gol de Cândido logo de início e, alguns minutos após grande domínio do Coelho, outro  gol de Pedro Omar.  O  2 a 0 do América só fez justiça ao que acontecia no jogo.

Delírio da nossa torcida que não parava de gritar. Do outro lado a torcida do Atlético atônita e silenciosa… Parecia naquele momento tudo muito fácil e placar consumado. O time de  Pedro Omar,Neneca, Vander, Spencer e Juca Show era o dono do jogo e o Galo  completamente dominado… Era só administrar a partida e aumentar o placar. Spencer, um dos maiores craques do América e do futebol mineiro chegou a ser substituído por  Alemão, que ainda teria papel importantíssimo naquele jogo espetacular.

De repente, porém, aconteceu aquilo que nem o mais pessimista  americano poderia imaginar.  Neneca,  que juntamente com Leão eram os dois melhores goleiros daquele Brasileirão é expulso de forma injusta  juntamente com Arlem do Atlético, que provocou a expulsão do goleiro. Lembro-me que fiquei atônito na arquibancada, não só porque perdíamos a nossa “muralha” mas também  porque já havíamos feito as duas substituições permitidas. Silêncio total entre a torcida americana nas arquibancadas do Mineirão, ainda mais quando o nosso jogador de meio campo Alemão, substituto do Spencer no jogo, se encaminhou em direção ao gol e colocou a camisa do goleiro reserva que mais  parecia um vestido no pequeno e baixo meio-campista .  Como consequência, era previsível que  teríamos de suportar uma grande pressão do Galo que nos via como um time “sem goleiro”.

E aconteceu exatamente assim. Nos minutos seguintes o Atlético foi desesperadamente pra cima do time americano , que se defendia como podia, com raça e técnica, inclusive com a participação importante do nosso Alemão, corajoso goleiro improvisado que para nosso alívio se desdobrava debaixo do gol.

Cinco minutos após a expulsão a pressão alvinegra ainda aumentava e  quando o coração adolescente daquele americano   já não aguentava mais e que um ou mais gols do Atlético seriam inevitáveis,  aparece no jogo, com força descomunal e surpreendente , um ser de outro planeta. Aquele que já era o melhor jogador em campo ressurge em  espetacular forma de um gigante: JUCA SHOW.

Passados 45 anos do dia daquele jogo ainda me emociono ao relembrar.

Aquele jogador  alto , de pernas longas e corpo ligeiramente encurvado, de forma corajosa e com uma categoria inigualável, resolveu mostrar a todos presentes  que naquele dia o jogo já tinha um dono. Aproximadamente aos 20  minutos do segundo tempo o herói americano decidiu: esse jogo a partir de agora é só meu.  Pareceu-me a partir daquele instante que a bola do jogo era só sua pois praticamente até o final do jogo  ficou com  ela, seja recuperando-a nas investidas  adversárias, seja fazendo inúmeras arrancadas em direção ao gol ou ganhando vários preciosos minutos de jogo nas laterais do campo . Para mim e para os presentes no gigante da Pampulha é até hoje  inacreditável :  em determinado momento do jogo com o adversário tentando retomar desesperadamente a posse de bola,  aquele “monstro” de corpo curvado e pernas tortas ficou mais de um minuto,quase dois minutos seguidos com ela nos pés, fintando em progressão e para os lados, cercado por vários jogadores do Galo, mas não dando a menor chance aos jogadores alvinegros de retomar a bola. Lembro-me que a grande torcida do Atlético emudeceu diante de tamanha categoria e coragem. Parecia-me e a todos que só existia JUCA SHOW em campo. Repito:nunca vi nada igual, até hoje.

Surgia ali no gramado do Mineirão naqueles minutos finais do segundo tempo do jogo , ainda que um pouco tardiamente na minha vida, meu grande herói.

E mais, a única vez que tive a certeza absoluta que  o América ganharia um clássico, mesmo que disputado em circunstâncias desfavoráveis.  E foi exatamente assim. O Atlético ainda marcou um gol meio por acaso perto dos 35 minutos  mas  não me apavorei: já tinha me dado conta que no jogo tinha um super-homem capaz de resolver tudo e que ele estava do do nosso lado.

Final América 2 x 1 Atlético para alegria e festa indescritível dos americanos na saída do Mineirão, fato que deixou marcas fortes, indeléveis, na minha memória e no meu coração.

Obrigado, muito obrigado Juca Show, pela imensa alegria que você me deu nos gramados do Brasil. Obrigado Juca , também pelos bons momentos que passamos  em estádios de Minas Gerais afora assistindo lado a lado na arquibancada até sua morte nos jogos do nosso querido América Futebol Clube.

Alexandre Dolabela Dias

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Alguém quer que o campeonato acabe hoje?

Com a grande vitória de ontem sobre o Sport, lá na ilha do Retiro, mais uma vez a psicologia abalada do americano retornou com toda a força. O time da Cachorra de Peruca, carinhoso apelido dado pelo rival Náutico, vem se tornando um freguês cativo e o jogo de ontem, além de ter  garantido três pontos na caixinha em um jogo fora de casa, quebrou o jejum de gols de Luan e Rafael Moura. Nos grupos americanos nas redes sociais, já se fala em pré Libertadores.

No sexto jogo, já é possível afirmar que Adilson Batista não perdeu suas principais características. É um estudioso e um inventor. Em cada um dos seis jogos, trabalhou o time conforme o adversário, variando desde uma retranca pesada (contra o Santos) a um jogo mais aberto (Fluminense), o que demonstra sua capacidade como técnico estudioso de esquemas táticos. Ainda assim, promoveu algumas invenções polêmicas. A que me incomoda mais é a improvisação de Juninho na lateral, onde aliás esse carregador de piano tem atuado bem. Apenas acredito que preferiria improvisar o Christian e deixar o Juninho no meio, onde acho que ele rende mais ainda. No programa venho comentando sobre a reserva ara o Zé Ricardo e Christian, que não concordo.

Mas esse comportamento vem de uma outra posição filosófica do Adilson: a preferência por jogadores com mais “tarimba” em série A. Daí a insistência em Magrão e Wesley. E esse último sou obrigado a admitir que tem rendido mais do que eu jamais esperava dele em 2018. Não que o Wesley seja craque ou que tenha recuperado o futebol que um dia jogou, mas tem tido uma clara evolução jogo a jogo. Tenho certeza que a confiança depositada pelo técnico ajudou.

Depois que atingirmos a Meta, vamos dobrar?

Na coluna de 19 de abril, Somos bipolares. Ou não? propus uma ideia de meta para que conseguíssemos nos manter na primeirona. A cada seis jogos, ou 18 pontos, conseguindo 8 pontos estaríamos mantidos na série A. Essa continha produziria um total de 48 pontos, que certamente garantem permanência.

Terminado o primeiro turno, já é possível fazer a conta da primeira metade.

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Separei em dois conjuntos de seis jogos e o terceiro com sete jogos, uma vez que a conta original sobravam dois “jogos bônus”.

No primeiro conjunto, ficamos acima da meta com 10 pontos. Entretanto é preciso observar que dos seis times enfrentados, apenas o Flamengo está acima de nós na tabela atual, assim como é válido o raciocínio de que fomos bem os confrontos diretos contra possíveis rebaixados.

O segundo conjunto foi o pior de todos, com apenas 4 pontos em 18 disputados e mais uma vez, só tiramos pontos de times que estão abaixo de nós na classificação.

O terceiro conjunto só tem pontos obtidos sob a batuta de Adilson Batista e aqui conseguimos ganhar pontos em cima de times que estão em melhor posição. Atingimos a meta .

Não fossem os pontos perdidos durante o tempo “Jabuti em cima do árvore” do Drubscky, poderíamos estar ainda melhores.

Flamengo

Jogaremos domingo com um dos times que disputam o título brasileiro desse ano. Acredito que o jogo dependerá muito da tática flamenguista em relação a escalação, uma vez que o time carioca decide sua classificação na Libertadores na quarta seguinte contra o Cruzeiro. Então, acredito que alguns jogadores serão poupados no jogo contra nós.

A defesa desse time do Adilson deve ser elogiada e mesmo desejando muito a vitória domingo, um empate não seria um mau resultado. Teremos desfalques como o monstro Messias e talvez Ruy, mas em casa podemos conseguir uma vitória!

Grande abraço a todos e vamos lotar o Nosso Estádio domingo!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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Voltamos!

Estamos todos de volta! Esta coluna, o time do América, a primeira página da classificação do campeonato e a autoestima dos americanos.

Informo a todos que estou vivo após o jogo de ontem. Informo inclusive ao Doutor Kleysson, meu cardiologista, que atualmente é o maior adversário do meu Coelhão. Já me disse que não há remédio pro coração que resolva o problema de quem torce pro América. Mas fico tranquilo, porque se meu coração estiver para sofrer um ataque, o Juninho ou o Messias desarmam!

A nação americana, limitada atualmente a norte pelo Fluminense e a sul pelo Botafogo, chegou a 20 pontos em um jogo que teve todos os ingredientes de tensão possíveis, com exceção de uma expulsão. O Santos teve duas bolas na trave, 31 finalizações e muita posse de bola, mas como a expressão da moda é “saber sofrer”, sofremos mais do que nunca. Inclusive soubemos sofrer com a dignidade de um poeta, de um personagem da poesia épica.

Nova era?

Como não vi os jogos contra as meninas e contra o Paraná, a era Drubscky só me atingiu psicologicamente. Na coluna anterior, acreditava que não funcionaria. E como disse o Barão de Itararé: “De onde não se espera nada é que geralmente não vem nada mesmo”. Na verdade  a era Drubscky passará na história do campeonato 2018 como um “bode na sala”.

Você e sua família mudam para um apartamento pequeno e todos reclamam que não há espaço, que antes era melhor e etc. O pai da família compra um bode e coloca no meio da sala. O bode, sendo um bode, faz as coisas de um bode. Defeca na sala, faz barulho, come o sofá e incomoda a todos. O pai da família então vende o bode e todos acham maravilhoso o novo espaço aberto.

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Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Sendo assim, a chegada de Adilson Batista após o bode foi muito bem aceita por todos nós. Se Adilson fosse contratado na parada da Copa, imagino que a resistência a ele seria muito maior, com toda a discussão sobre o tempo que ficou parado e seus últimos trabalhos.

Ainda é cedo para que Adilson tenha feita alguma mudança mais efetiva no time, mas ao que parece provocou uma vibração positiva no time, o que o Judas Moreira devia e muito. Tem apostado na experiência, jogando com Wesley, Magrão e Marquinhos por exemplo.

Acredito que Adilson Batista tem tudo pra dar certo no Coelho. É um estudioso, mesmo que goste de inventar o ininventável de vez em quando. Entre as opções que se dispuseram ao Coelho, acho que é uma das melhores. Só acho uma pena que tenhamos perdido a parada da Copa em uma era desnecessária e infrutífera.

O jogo

Na minha opinião, jogamos muito bem defensivamente e quase zero no ataque. Entendo que por opção do treinador em jogar fechadinho. Valem os três pontos.

João Ricardo muito bem, Matheus Ferraz evoluindo. Messias e Juninho verdadeiros monstros em campo. Magrão não comprometeu. Como destaques negativos, Marquinhos que só sofreu o pênalti em 90 minutos e Aderlan, que deixou muitas brechas na defesa.

No próximo jogo contra o Palmeiras temos uma missão dificílima, mas precisamos comparecer em peso!

Foto da Capa: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

A Arte da Guerra

Caro leitor americano, se você acha que disputar a Série A é apenas mais um campeonato, este texto não é para você. Se você acredita que apenas as quatro linhas definem o futuro do América, este texto não é para você.

No século VI antes de Cristo, viveu na China um dos maiores generais , estrategistas e filósofos da história, Sun Tzu. Este grande mestre escreveu um dos primeiros tratados sobre estratégia militar, “A Arte da Guerra”, em que falava de todas as questões que permeiam um exército vencedor, tanto durante a guerra quanto nos períodos de paz.

General de Guerra e General de Paz

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Sun Tzu – Wikimedia Commons

Sun Tzu dizia que um país precisava de generais para a guerra e outros generais para a paz. Um general de guerra precisa liderar em campo, motivar as tropas, posicionar os batalhões e ganhar as batalhas de fato. Já o general de paz tem soldados ociosos, sem batalhas a serem vencidas, mas que podem ser acionados a qualquer momento. Portanto, ele precisa manter as tropas treinadas e coordenar os órgãos de inteligência em busca de ameaças e oportunidades.

Entendo o papel do diretor/gerente de futebol em um time como um general de paz. Ele precisa estar atento ao mercado, ativo na gestão de conflitos internos e alerta para a insubordinação de um ou outro general de guerra. O técnico é para a guerra, para o campo de batalha, as quatro linhas, o dia a dia. Ele não se preocupa com o que vai acontecer após a batalha.

Observe que esse dois perfis são bem diferentes e quase sempre incompatíveis. Talvez desta diferenciação venha a propagada qualidade e continuidade do trabalho no América. Talvez Ricardo Drubscky renda  melhor sem a pressão diária do campo, enquanto Enderson rendesse melhor sem a necessidade de visão a longo prazo.

Meu medo? Ilustro com uma piada. Dizem que certa vez a NASA resolveu criar um super astronauta, combinando o DNA de Albert Einstein com o DNA de Sylvester Stallone, pois um astronauta que tivesse o corpo do Stallone com o cérebro do Einstein seria fenomenal. Feito o experimento, terminaram com um astronauta que tinha o corpo de Einstein e o cérebro de Stallone.

Erros

Ainda do livro de Sun Tzu temos o seguinte trecho: “Durante uma campanha, o desastre pode surgir de seis diferentes erros do general em comando. Os erros são deserção, insubordinação, ineficácia, precipitação, caos e incompetência.”

Sobre deserção, nosso ex-técnico já pode escrever um livro. A deserção de um soldado em si não é vergonhosa, pois pode ser interpretada como um ato de sobrevivência. Da mesma forma, o pedido de demissão de Enderson pode ser interpretada simplesmente como uma melhoria em busca da sobrevivência financeira. O que é vergonhoso na deserção é o fato de que um soldado a menos pode provocar uma derrota que levará a morte de seus ex-colegas. Portanto, o pior efeito do ato de Enderson é o efeito ruim sobre a moral do time e de seus torcedores.

Já a efetivação do Ricardo errado (eu pelo menos, esperava o Zé Ricardo) na minha opinião, ilustra os princípios da ineficácia e da precipitação. Ineficácia pelo fato de que a carreira de Drubscky COMO TREINADOR não contempla nenhum grande sucesso. Precipitação pela facilidade em que foi imbuído do cargo. Não consigo acreditar que não exista no Brasil um técnico na faixa salarial proposta ou um pouco mais que tope assumir o América e que seja melhor credenciado para a tarefa.

Você me pergunta novamente. Qual seu medo? Ilustro agora com uma frase de George Hebbert:

“Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura. Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro. Por falta de um cavaleiro, perdeu-se uma batalha. E assim, um reino foi perdido. Tudo por falta de um prego.”

Estamos em um ponto da história americana em que não podemos nos permitir o erro, mesmo que pequeno. Quanto mais os grandes.

Grande abraço a todos.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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Este não é um pós-jogo

A quinta-feira de Américo Coelho já começou “quente pelando”. Um pique de luz noturno queimou seu rádio-relógio, que por 30 anos o acorda às seis da manhã, em geral com a voz de Bruno Azevedo, Alvaro Damião ou Ênio Lima. Mas hoje o cansaço da semana pesou sobre ele e acordou com o barulho do interfone quase às nove, aos sustos, com a voz mecânica informando que um oficial de justiça o aguardava com uma intimação. Lembrou-se de Simone, ex-esposa de mais de 20 anos, que se separava dele. Recebida a intimação, banho, roupas, chaves e um pingado na padaria perto do serviço. Mas tudo iria melhorar: Hoje tem jogo do Coelhão!

Theo era só felicidade naquela quinta.  Hoje era o dia. Já não aguentava a zoeira que seus colegas de colégio lhe aplicavam toda vez que o América perdia um clássico e no final do Campeonato Mineiro, chegou a ganhar uma suspensão por mandar um “Vai tomar caju, cachorrada!” na cara de um dos imbecis colegas. Mas aquele era o dia. Já esperava o que ia rolar no Decadentes do pós-jogo. Já se via desfilando na Educação Física da sexta-feira com a camisa verde e dourada de sua paixão. Ele e Vicente, a dupla de zaga coelhônica do Colégio.

Miguel Americano só conseguia pesar em duas coisas naquela quinta: as centenas de tarefas a serem feitas no dia e o clássico da noite. Acordou cedo e enquanto tomava banho, ouvia Bruno Azevedo na Itatiaia falar sobre o América e se animou. “Hoje é nosso!” Tomou café forte com uma broa regular, que lhe parecia excelente pelo amor com que Sônia, sua esposa, a fez. Chaves, carro, pasta e filho na escola, com a lembrança de que mais a noite tinha jogo. Ao chegar no fórum, despachou algumas intimações a uns pobres diabos e chamou Ricardo, colega de trabalho atleticano, para um café com resenha. Disse a ele: “Hoje é nosso!”

A Tarde

Américo entrou pela porta do trabalho às 11 horas, parcialmente por conta do ônibus que quebrou. A outra porção do atraso vinha da pouca vontade de chegar ao trabalho no banco. O colega já o encontra em tom de gozação na porta dizendo: “Boa tarde, Bela Adormecida!”. Outro colega comenta sobre a crise e de que um novo corte de funcionários está chegando. Pensa que empresas não tem coração, tem CNPJ. Com saudade do filho, que via muito pouco depois da separação, mandou um WhatsApp perguntando se queria ir no jogo. Um de seus poucos orgulhos era ter feito o filho americano, mesmo o tendo levado a um América x União Luziense pelo Módulo 2 do Mineiro. Recebeu um “joinha”, aquela mãozinha com um dedo levantado que diz quase tudo ou quase nada.

Na prova de matemática do dia, Theo se deu bem ao contrário de Vicente. Os dois estudaram juntos, mas algo parecia estar perturbando o colega, que parecia mais triste e arredio nos últimos meses. Combinaram de estudar na casa de Theo no Bairro Floresta e depois irem a pé pro jogo, afinal a prova de História da sexta prometia.

O dia de Miguel continuou ocupado, monótono e sem graça. Ocupado, monótono e sem graça até as 20:00. Basta essa linha.

A Noite

Américo saiu do banco o mais rápido que pode. Sua vida andava tão complicada quanto um quebra-cabeças sem cores. Ao passar em casa, uma mensagem do filho no WhatsApp:

“Passa aqui pra gnt ir p jogo mas n vem na porta n q a mamãe tá uma fera. Me espera na casa da vovó.”

A casa da mãe era perto de sua ex-casa e lá se encontrou com o filho e com o colega. Todo o dia está perdoado. Agora era Coelhão com o filho. O Atlético tem jogado conosco como um time do interior, nos contra-ataques, na covardia. Quem sabe não era hoje que o Judivan desencantava…

O estudo dos meninos se resumiu a falar do jogo e ver alguns vídeos sobre História do Brasil Colonial no YouTube. Theo estava feliz porque tinha sido aceito no grupo de WhatsApp dos Decadentes. Vicente nem se interessou. Foram para o jogo conversando sobre o Luan, Ademir Fumacinha e Enderson Moreira. História para eles agora só se falasse do Jair Bala, Pedro Omar e Juca Show.

Miguel saiu tarde do fórum e antes combinou com o filho para se encontrarem no Indepêndencia, pois o filho era ansioso demais para chegar em cima da hora. Gostava da conversa com os meninos da Barra UNA e de comer um tropeirão no capricho antes do jogo. Pensou que Ademir precisava entrar no lugar do Luan, mas que o Enderson tinha seus preferidos.

O Jogo

Américo é sócio-torcedor no Portão Minas. Como o filho e o amigo chegaram com ele e cada sócio podia trazer dois acompanhantes, botou os meninos pra dentro. Ao mesmo tempo que sai o primeiro gol dos canídeos, uma mão puxa com força o amigo de seu filho e Américo pensa: “Será que o colega é atleticano e comemorou?”

Theo e Vicente estão preocupados. O time parece nervoso. Quando acontece o um a zero, um grande susto.

Miguel chegou esbaforido ao Independência e quando já quase entrava no portão 4 com seu sócio VIP para encontrar com o filho, resolve checar o celular. Uma mensagem no celular dizia:

“Tô no 6 com a Barra UNA.”

Vicente se assustou ao olhar para cima e a mão que puxava sua camisa era a do pai:

– Por que você me fez vir no 6? Gosto de ficar no 4. A visão aqui é um lixo!

– Você veio porque quis. Já quase não te vejo mesmo, tanto faz portão 4 ou 6.

Miguel sentiu a ausência que vivia na vida do filho. O homem que estava junto a seu filho chega próximo para saber o que acontecia e se apresenta. Miguel e Américo conversam sobre o jogo. Um critica Jori, o outro Luan e ambos a Judivan.

Quando o segundo gol do lado presidiário sai, Theo Coelho olha para seu pai como se buscasse nele alento. Américo só tem a oferecer a frase “Vamos virar!”. No intervalo, Miguel e Vicente conversam apenas o essencial.

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Foto: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

A esperança só precisa de uma fagulha. Nada mais adequado para trazer uma esperança que um Messias. O gol reacende a torcida e Miguel e Vicente se abraçam. O sonho de um gol redentor une o que a vida separa. O time parece encontrar nova vida em campo, com Ademir pouco acionado mas presente.

Quando o jogo acaba, Américo, Miguel, Theo e Vicente se despem da magia da futebol e todos voltam a realidade. Américo leva o filho Theo a pé até a casa da vó, onde fica vendo o filho acabar de chegar em sua própria casa e doma a vontade de botá-lo pra dormir, mesmo que não tenha feito isso desde que era bem pequeno. Miguel e Vicente estão um pouco mais unidos, mesmo que pela revolta de perder mais um clássico. Amanhã é um novo dia e talvez um dia menos ausente.

Sobre o jogo mesmo, tenho pouco a dizer e disse através dos personagens. Queria sinceramente que nos próximos clássicos, nosso time pensasse nesse texto e no quanto poderiam ter escrito um final melhor.

Continuo apoiando o grupo e o técnico, mas é preciso rever seriamente a vontade demonstrada pelo time em clássicos.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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