A Arte da Guerra

Caro leitor americano, se você acha que disputar a Série A é apenas mais um campeonato, este texto não é para você. Se você acredita que apenas as quatro linhas definem o futuro do América, este texto não é para você.

No século VI antes de Cristo, viveu na China um dos maiores generais , estrategistas e filósofos da história, Sun Tzu. Este grande mestre escreveu um dos primeiros tratados sobre estratégia militar, “A Arte da Guerra”, em que falava de todas as questões que permeiam um exército vencedor, tanto durante a guerra quanto nos períodos de paz.

General de Guerra e General de Paz

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Sun Tzu – Wikimedia Commons

Sun Tzu dizia que um país precisava de generais para a guerra e outros generais para a paz. Um general de guerra precisa liderar em campo, motivar as tropas, posicionar os batalhões e ganhar as batalhas de fato. Já o general de paz tem soldados ociosos, sem batalhas a serem vencidas, mas que podem ser acionados a qualquer momento. Portanto, ele precisa manter as tropas treinadas e coordenar os órgãos de inteligência em busca de ameaças e oportunidades.

Entendo o papel do diretor/gerente de futebol em um time como um general de paz. Ele precisa estar atento ao mercado, ativo na gestão de conflitos internos e alerta para a insubordinação de um ou outro general de guerra. O técnico é para a guerra, para o campo de batalha, as quatro linhas, o dia a dia. Ele não se preocupa com o que vai acontecer após a batalha.

Observe que esse dois perfis são bem diferentes e quase sempre incompatíveis. Talvez desta diferenciação venha a propagada qualidade e continuidade do trabalho no América. Talvez Ricardo Drubscky renda  melhor sem a pressão diária do campo, enquanto Enderson rendesse melhor sem a necessidade de visão a longo prazo.

Meu medo? Ilustro com uma piada. Dizem que certa vez a NASA resolveu criar um super astronauta, combinando o DNA de Albert Einstein com o DNA de Sylvester Stallone, pois um astronauta que tivesse o corpo do Stallone com o cérebro do Einstein seria fenomenal. Feito o experimento, terminaram com um astronauta que tinha o corpo de Einstein e o cérebro de Stallone.

Erros

Ainda do livro de Sun Tzu temos o seguinte trecho: “Durante uma campanha, o desastre pode surgir de seis diferentes erros do general em comando. Os erros são deserção, insubordinação, ineficácia, precipitação, caos e incompetência.”

Sobre deserção, nosso ex-técnico já pode escrever um livro. A deserção de um soldado em si não é vergonhosa, pois pode ser interpretada como um ato de sobrevivência. Da mesma forma, o pedido de demissão de Enderson pode ser interpretada simplesmente como uma melhoria em busca da sobrevivência financeira. O que é vergonhoso na deserção é o fato de que um soldado a menos pode provocar uma derrota que levará a morte de seus ex-colegas. Portanto, o pior efeito do ato de Enderson é o efeito ruim sobre a moral do time e de seus torcedores.

Já a efetivação do Ricardo errado (eu pelo menos, esperava o Zé Ricardo) na minha opinião, ilustra os princípios da ineficácia e da precipitação. Ineficácia pelo fato de que a carreira de Drubscky COMO TREINADOR não contempla nenhum grande sucesso. Precipitação pela facilidade em que foi imbuído do cargo. Não consigo acreditar que não exista no Brasil um técnico na faixa salarial proposta ou um pouco mais que tope assumir o América e que seja melhor credenciado para a tarefa.

Você me pergunta novamente. Qual seu medo? Ilustro agora com uma frase de George Hebbert:

“Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura. Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo. Por falta de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro. Por falta de um cavaleiro, perdeu-se uma batalha. E assim, um reino foi perdido. Tudo por falta de um prego.”

Estamos em um ponto da história americana em que não podemos nos permitir o erro, mesmo que pequeno. Quanto mais os grandes.

Grande abraço a todos.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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Este não é um pós-jogo

A quinta-feira de Américo Coelho já começou “quente pelando”. Um pique de luz noturno queimou seu rádio-relógio, que por 30 anos o acorda às seis da manhã, em geral com a voz de Bruno Azevedo, Alvaro Damião ou Ênio Lima. Mas hoje o cansaço da semana pesou sobre ele e acordou com o barulho do interfone quase às nove, aos sustos, com a voz mecânica informando que um oficial de justiça o aguardava com uma intimação. Lembrou-se de Simone, ex-esposa de mais de 20 anos, que se separava dele. Recebida a intimação, banho, roupas, chaves e um pingado na padaria perto do serviço. Mas tudo iria melhorar: Hoje tem jogo do Coelhão!

Theo era só felicidade naquela quinta.  Hoje era o dia. Já não aguentava a zoeira que seus colegas de colégio lhe aplicavam toda vez que o América perdia um clássico e no final do Campeonato Mineiro, chegou a ganhar uma suspensão por mandar um “Vai tomar caju, cachorrada!” na cara de um dos imbecis colegas. Mas aquele era o dia. Já esperava o que ia rolar no Decadentes do pós-jogo. Já se via desfilando na Educação Física da sexta-feira com a camisa verde e dourada de sua paixão. Ele e Vicente, a dupla de zaga coelhônica do Colégio.

Miguel Americano só conseguia pesar em duas coisas naquela quinta: as centenas de tarefas a serem feitas no dia e o clássico da noite. Acordou cedo e enquanto tomava banho, ouvia Bruno Azevedo na Itatiaia falar sobre o América e se animou. “Hoje é nosso!” Tomou café forte com uma broa regular, que lhe parecia excelente pelo amor com que Sônia, sua esposa, a fez. Chaves, carro, pasta e filho na escola, com a lembrança de que mais a noite tinha jogo. Ao chegar no fórum, despachou algumas intimações a uns pobres diabos e chamou Ricardo, colega de trabalho atleticano, para um café com resenha. Disse a ele: “Hoje é nosso!”

A Tarde

Américo entrou pela porta do trabalho às 11 horas, parcialmente por conta do ônibus que quebrou. A outra porção do atraso vinha da pouca vontade de chegar ao trabalho no banco. O colega já o encontra em tom de gozação na porta dizendo: “Boa tarde, Bela Adormecida!”. Outro colega comenta sobre a crise e de que um novo corte de funcionários está chegando. Pensa que empresas não tem coração, tem CNPJ. Com saudade do filho, que via muito pouco depois da separação, mandou um WhatsApp perguntando se queria ir no jogo. Um de seus poucos orgulhos era ter feito o filho americano, mesmo o tendo levado a um América x União Luziense pelo Módulo 2 do Mineiro. Recebeu um “joinha”, aquela mãozinha com um dedo levantado que diz quase tudo ou quase nada.

Na prova de matemática do dia, Theo se deu bem ao contrário de Vicente. Os dois estudaram juntos, mas algo parecia estar perturbando o colega, que parecia mais triste e arredio nos últimos meses. Combinaram de estudar na casa de Theo no Bairro Floresta e depois irem a pé pro jogo, afinal a prova de História da sexta prometia.

O dia de Miguel continuou ocupado, monótono e sem graça. Ocupado, monótono e sem graça até as 20:00. Basta essa linha.

A Noite

Américo saiu do banco o mais rápido que pode. Sua vida andava tão complicada quanto um quebra-cabeças sem cores. Ao passar em casa, uma mensagem do filho no WhatsApp:

“Passa aqui pra gnt ir p jogo mas n vem na porta n q a mamãe tá uma fera. Me espera na casa da vovó.”

A casa da mãe era perto de sua ex-casa e lá se encontrou com o filho e com o colega. Todo o dia está perdoado. Agora era Coelhão com o filho. O Atlético tem jogado conosco como um time do interior, nos contra-ataques, na covardia. Quem sabe não era hoje que o Judivan desencantava…

O estudo dos meninos se resumiu a falar do jogo e ver alguns vídeos sobre História do Brasil Colonial no YouTube. Theo estava feliz porque tinha sido aceito no grupo de WhatsApp dos Decadentes. Vicente nem se interessou. Foram para o jogo conversando sobre o Luan, Ademir Fumacinha e Enderson Moreira. História para eles agora só se falasse do Jair Bala, Pedro Omar e Juca Show.

Miguel saiu tarde do fórum e antes combinou com o filho para se encontrarem no Indepêndencia, pois o filho era ansioso demais para chegar em cima da hora. Gostava da conversa com os meninos da Barra UNA e de comer um tropeirão no capricho antes do jogo. Pensou que Ademir precisava entrar no lugar do Luan, mas que o Enderson tinha seus preferidos.

O Jogo

Américo é sócio-torcedor no Portão Minas. Como o filho e o amigo chegaram com ele e cada sócio podia trazer dois acompanhantes, botou os meninos pra dentro. Ao mesmo tempo que sai o primeiro gol dos canídeos, uma mão puxa com força o amigo de seu filho e Américo pensa: “Será que o colega é atleticano e comemorou?”

Theo e Vicente estão preocupados. O time parece nervoso. Quando acontece o um a zero, um grande susto.

Miguel chegou esbaforido ao Independência e quando já quase entrava no portão 4 com seu sócio VIP para encontrar com o filho, resolve checar o celular. Uma mensagem no celular dizia:

“Tô no 6 com a Barra UNA.”

Vicente se assustou ao olhar para cima e a mão que puxava sua camisa era a do pai:

– Por que você me fez vir no 6? Gosto de ficar no 4. A visão aqui é um lixo!

– Você veio porque quis. Já quase não te vejo mesmo, tanto faz portão 4 ou 6.

Miguel sentiu a ausência que vivia na vida do filho. O homem que estava junto a seu filho chega próximo para saber o que acontecia e se apresenta. Miguel e Américo conversam sobre o jogo. Um critica Jori, o outro Luan e ambos a Judivan.

Quando o segundo gol do lado presidiário sai, Theo Coelho olha para seu pai como se buscasse nele alento. Américo só tem a oferecer a frase “Vamos virar!”. No intervalo, Miguel e Vicente conversam apenas o essencial.

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Foto: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

A esperança só precisa de uma fagulha. Nada mais adequado para trazer uma esperança que um Messias. O gol reacende a torcida e Miguel e Vicente se abraçam. O sonho de um gol redentor une o que a vida separa. O time parece encontrar nova vida em campo, com Ademir pouco acionado mas presente.

Quando o jogo acaba, Américo, Miguel, Theo e Vicente se despem da magia da futebol e todos voltam a realidade. Américo leva o filho Theo a pé até a casa da vó, onde fica vendo o filho acabar de chegar em sua própria casa e doma a vontade de botá-lo pra dormir, mesmo que não tenha feito isso desde que era bem pequeno. Miguel e Vicente estão um pouco mais unidos, mesmo que pela revolta de perder mais um clássico. Amanhã é um novo dia e talvez um dia menos ausente.

Sobre o jogo mesmo, tenho pouco a dizer e disse através dos personagens. Queria sinceramente que nos próximos clássicos, nosso time pensasse nesse texto e no quanto poderiam ter escrito um final melhor.

Continuo apoiando o grupo e o técnico, mas é preciso rever seriamente a vontade demonstrada pelo time em clássicos.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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Adquira aqui seu tijolo do América!

No começo dessa semana, tive uma felicidade muito grande. Recebi em casa um tijolo, com uma placa de metal, dizendo que eu fazia parte da história do América, acompanhando um convite para que eu conhecesse o projeto do nosso novo CT. Sinceramente, me senti feliz e ao mesmo tempo, um impostor.

Explico: Quanto mais eu pensava, mais gente eu achava na minha mente que fizeram mais que eu pelo América. Eu recebi um tijolo porque sou associado cotista, o que diz simplesmente que em algum momento eu comprei uma cota do clube, que vale mais que barras de ouro. Mas ainda assim o “evento gerador” do tijolo, como se diz em contabilidade, da minha contribuição para a história do América foi um cheque.

Lembrei de muita gente que merecia mais um tijolo do que eu. Pensei no Saraiva e no Marco Antônio; pensei no colega Marinho Monteiro;  nos meninos da Seita Verde e da Barra UNA; pensei em meu avô falecido, que se filiou ao América em 1948 (80 anos de América!). Quantas pessoas conheço que doaram seu tempo, dinheiro e sanidade mental pro América. Comprando luvas de limpeza, vassouras, bolas, etc para o time. E cada vez mais me sentia um impostor.

A metáfora de Marcus Salum

Ainda entre orgulhoso e impostor, compareci ao evento porque quando o América convoca, é obrigação do devoto responder. A explicação do presidente do nosso Conselho Administrativo para a ação do tijolo me tornou menos impostor. Nas palavras dele:

“Ninguém é mais importante que ninguém não. (…)O tijolo representa (…) aquele que dá seu dinheirinho no campo, que faz seu filho ser americano, o neto ser americano. Esse é o tijolo, ninguém tem mais direito que ninguém não. A parede só fica em pé se for um tijolo em cima do outro. (…) É um sonho que é nosso. (…) O tijolo representa isso. Se tirar dois, três tijolos a parede cai. Não se constrói nada se não for todo mundo junto. (…) Nós somos o América. Ninguém é mais que ninguém. Nem presidente, nem diretoria, nem ex-presidente, ninguém. O América é de todos. O sonho aqui hoje é de todos nós.”

Já falei na coluna “Mais Bonito não há” sobre o sonho que é o América. E presidente Salum, me permita aprofundar sua metáfora. Somos todos tijolos agora porque a obra coletiva que é o América nos permite finalmente subir paredes. Muitos suaram e choraram para que as fundações e as balizas fossem colocadas em seu lugar. Estamos subindo paredes hoje para que amanhã possamos construir telhados.

Peço perdão pelo título da coluna um pouco enganoso, mas a fala do Marcus Salum nos faz crer que todos já estão ganhando seu tijolo fazendo sua parte.

Planeta América

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Área atual e área a ser anexada

O novo CT do América, o Planeta América parece ser um sonho para quem dez anos atrás, estava amargando o rebaixamento para o módulo 2 do Mineiro. Com 165.000 metros quadrados de área, teremos o maior Centro de Treinamento de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil. Como comparação, o C.T. de Vespasiano tem 90.000 metros quadrados e as Tocas 1 e 2 SOMADAS, possuem 143.000 metros quadrados. A sinergia das categorias de base e a equipe profissional convivendo todas em um mesmo espaço tende a produzir resultados excelentes, pois permite a troca de experiências entre as equipes e uma maior identificação do atleta com seu clube formador.

O Americano tem muito do que se orgulhar. Vivemos um tempo que não me lembro de outro tão bom no América. O que mais temos pela frente são obstáculos. “Mares calmos não produzem bons marinheiros”. Sairemos sempre mais fortes de todos eles.

Um grande abraço a todos e domingo nos encontramos no Independência!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

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Intervalo pra quê?

Em minha carreira como professor universitário em faculdades particulares, participei no último mês da minha primeira greve, que ocorreu por uma variedade de fatores, quase nenhum tendo a ver com dinheiro e quase todos a ver com qualidade de ensino. Uma das propostas dos patrões era acabar com o “recreio”, aquele intervalo de 20 minutos que separam as duas primeiras aulas das duas últimas. Os alunos e professores se revoltaram com a possibilidade de 3 horas e meia de aulas ininterruptas, o que permitiu que essa proposta fosse derrubada.

Por que estou contando isso? Porque acho que deveríamos propor que os jogos do América não deveriam ter intervalo entre os dois tempos! O América tem voltado para o segundo tempo sempre mais lento, mais desatento, mais perdido. Contra o Vasco e o Ceará isso ficou mais claro, mas de forma geral, nossos segundos tempos tem sido piores que os primeiros. Uma das razões consigo ver claramente: preparo físico. Temos o time com maior média de idade da Série A. Além disso, o esquema do Enderson privilegia a movimentação, sobretudo dos volantes e laterais. Ganhando ou perdendo, o ritmo do time cai bastante sobretudo após os 20 minutos do segundo tempo, quando Enderson tipicamente começa as substituições.

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Foto: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Ceará

No jogo contra o Ceará, as substituições que vieram do banco não contribuíram para que o ritmo se mantivesse. Concordo que estávamos ganhando e portanto um ritmo intenso era desnecessário, a princípio. Esse tempo em que apenas o ataque precisava ser intenso acabou. No futebol moderno, que gostemos ou não veio para ficar, o time inteiro precisa se movimentar com intensidade. Um bom exemplo foi a seleção da Itália de 2006, que ganhou uma Copa do Mundo jogando um futebol regular, mas constante e intenso.

E o juiz? Confesso que perder roubado pro Ceará me deixou mais nervoso que o habitual. No nordeste, o Ceará é chamado de “o Corinthians do Sertão” não por seu futebol, claro. Acredito mais na hipótese de um juiz ruim do que um juiz mal intencionado. Os erros foram infantis, tão infantis que o bandeira ainda tentou evitar que um acontecesse, o do primeiro gol. A CBF assumiu seu erro aqui. Não muda nada para nós, que continuamos sem os dois pontos.  Ao trazer para a série A um árbitro que consegue fazer lambança no campeonato goiano, errou a CBF e nos prejudicou.

Enderson Moreira

Como já disse outras vezes no nosso programa e aqui neste espaço, não sou a favor da demissão do técnico. Em particular, o modelo da NFL e da NBA me agrada muito mais que o jeito brasileiro de lidar com o grupo e com a comissão técnica. A NFL, liga de futebol americano dos EUA,  vale atualmente 12 bilhões de dólares anuais, ou seja, valem 6 campeonatos espanhóis ou 20 campeonatos brasileiros da série A.  No modelo da NFL, os jogadores e comissão técnica são alterados entre as temporadas. Se um técnico ou jogador não funcionou em uma temporada, parte da culpa é dada a quem também é de direito: quem os contratou. O fenômeno brasileiro de demitir técnico é na verdade uma forma velada de transferir a culpa de quem contrata para quem é contratado.

Dito isso, não quero dizer que Enderson seja intocável ou que esteja imune a críticas. Como quase todos que aqui passaram, inclusive o Mestre Giva, tem suas preferências bizarras e suas picuinhas gratuitas. Acredito que o trabalho dele é muito bom e provavelmente acima do que 95% dos técnicos que podemos pagar poderiam fazer. Além disso, as opções que se apresentam no mercado são bem piores que ele. O erro de 2016, da demissão do Givanildo a tudo que veio depois, ainda me assombra. Prefiro errar mantendo a coerência do que errar seguindo algum tipo de linchamento.

Divulgação/Acervo Pessoal Fernando Sabino

Com o disse o maior americano escritor, Fernando Sabino: “O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove.”

Grande abraço a todos e nos encontramos no Indepa!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

P.S. : Já ia me esquecendo de dar as boas-vindas ao grande Miguel Santiago, que agora nos faz companhia aqui no Decadentes. Me sinto um menino da Copa Itatiaia jogando uma partida com Pelé. Seja bem-vindo, Mestre! Este espaço já era seu muito antes que você o soubesse. Todos que escrevemos sobre o “ludopédio” do Coelhão temos a ti como inspiração.

Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda (@photompanda) / América MG

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Somos cada vez mais

A teoria dos Seis Graus de Separação é uma teoria surgida nos EUA nos anos 60 que prega que existem, no máximo, seis graus de separação entre você que está lendo e qualquer pessoa no planeta. Ou seja, você tem um conhecido, que conhece alguém, que conhece alguém que eventualmente conhece o esquimó que mora no iglu número 5 do Círculo Polar Ártico. Se isso era verdade em 1961, imagine hoje com advento das  redes sociais e de um mundo cada vez mais globalizado. Somos cada vez mais uma tribo menor em um planeta desimportante em um canto remoto de uma galáxia sem graça, como disse Carl Sagan.

Me lembrei dessa teoria enquanto pensava nas novas médias de público do América esse ano. Se você tem frequentado o Independência, certamente observou mudanças interessantes nas pessoas que ficam ali na Rua Pitangui, esperando mais um jogo do Coelhão. Costumo chamar essas pessoas de “a maior família do mundo”, pois nos conhecemos quase todos direta ou indiretamente. Aponte um indivíduo aleatório comendo um espetinho distraído e se você não o conhece, certamente é amigo de alguém que conhece.

Refinamento Sucessivo

Por que somos um grupo tão concentrado assim? Sofremos um processo de depuração e refinamento sucessivo com os anos. Não tenho a vivência para escrever sobre as mudanças na torcida antes dos anos 80, a não ser pelos relatos de quem viveu. Mas me lembro de criança nos anos 80, ver muito mais torcedores do América em campo do que vemos hoje. Entretanto, as décadas de 80, 90 e 2000, com poucos momentos de exceção, foram difíceis. Ao mesmo tempo, a duplinha alternadamente teve conquistas e bons times, não o tempo todo, mas o suficiente para afastar um simpatizante daquele time simpático mas que só sabia sofrer.

Além disso, existe a figura do torcedor ocasional. Aquele que nunca vai ler esse texto. Sabe aquele seu amigo que diz pra todo mundo que é americano mas que você quase nunca conseguiu levar pro campo? Aquele tio que se orgulha do time mas não sabe quais são os próximos jogos? Não o caracterizo como simpatizante, pois possui uma identificação mais firme com o América. Ele consome o time ocasionalmente, quando lhe convém e quando não existe algo mais prioritário no horizonte.

Sobramos nós, o núcleo duro dos torcedores do América. Se você está lendo uma coluna no site dos Decadentes, provavelmente você é um torcedor que respira América. Opina nas escalações, apoia ou critica certos jogadores, já foi pelo menos uma vez na Sede do América e acompanha notícias sobre o Feminino, a Base e o Futebol Americano. Nós somos aqueles mil e poucos que formamos a média de público do time até 2017, aqueles manos e minas que já decoramos a cara na Pitangui.

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Crédito: Mourão Panda(@photompanda)/América

Crescimento

Se essa divisão tem algum sentido, podemos entender a evolução da nossa média de público através dela. Aumentar a média de público é uma coisa boa? Já vi muitos torcedores reclamando da dificuldade de entrar, estacionar, de comprar cerveja, mil coisas enfim. Mas para o clube, que é a razão final de todos irmos em campo, é importantíssimo trazer gente para o estádio. No curto prazo, mais torcedores representam mais apoio em campo e mais representatividade na mídia. No médio prazo, ganhamos em verbas de patrocínio e consumo de produtos América, que reflete em melhores contratos e jogadores. A longo prazo, estamos garantindo a sobrevivência do clube, na conquista de novos torcedores que formarão o núcleo duro  do futuro América. Todo jogo é o primeiro jogo de alguém. O menininho ou a menininha que está entrando no Pitangui hoje será quem vai chorar com você na arquibancada no título daqui alguns anos. Será um futuro presidente da Barra UNA, da Avacoelhada, da Seita Verde ou do América.

As ações do Onda Verde e do Departamento de Marketing tem sido muito acertadas no seu objetivo: melhorar a média. Parabéns a quem detalhou o plano de Marketing do Coelhão, trabalhando públicos diferentes. As promoções de atração de público tem focado no simpatizante e no torcedor ocasional, com a dupla aceitação nas catracas, a ação com a Cabify, Brahma grátis e, no ano passado, pula-pula e outros mimos. Já o público cativo tem sido trabalhado com ações de acolhida, como a narração da escalação, o Match Day e o Café com o Técnico. O sócio-torcedor Onda Verde é um programa com excelente custo-benefício, sobretudo se comparado aos equivalentes da duplinha.

Portanto, esse aumento de média ocorre pela absorção dos simpatizantes e ocasionais, que com o tempo vão se aproximando do clube. Uma boa fase em campo aliada a uma acolhida familiar nossa desse novo grupo farão com que o Coelhão seja cada vez maior. Estamos sofrendo as dores do crescimento e isso é ótimo!

Grande abraço a todos!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr


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Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda(@photompanda)/América

Mais bonito não há!

Há 106 anos atrás, era plantada na capital mineira , na esquina da Rua da Bahia com Timbiras, a árvore mais bela desse Belo Horizonte. Quem plantou foram alguns meninos, a semente da juventude, meninos que hoje são nomes repetidos incessantemente pelos nossos GPS, como Silviano Brandão , Otacílio Negrão de Lima e Geraldino de Carvalho.

Como disse o grande historiador Carlos Paiva em sua Enciclopédia do América, somos um clube criado por jovens e para jovens. Primeiro clube multirracial , em uma época onde o time mineiro que se diz da massa não os aceitava nem como jogadores, muito menos como membros do quadro social.

O que faz aniversário hoje?

O América não é sua sede ou seus imóveis. Já tivemos patrimônios diversos e se amanhã não tivermos nenhum, continuaremos existindo. O América não é seu quadro social, seus presidentes ou funcionários, pois existia muito antes de todos os eles e existirá com destino ao futuro. O América nem mesmo é seus torcedores, nós, que amamos esse time como a chuva ama a terra. Pois também já existia antes de nós e continuara existindo.

O América mora entre as frestas de tudo isso, na sutileza do encontro de tudo que o forma. O América é a lágrima compartilhada do choro que vi entre avô, pai e neto de uma mesma família na final de 2016. O América é a última lembrança do avô do Jotapê Saraiva, que com Alzheimer, ainda se lembra de seu time. O América é o sabor de dendê do bolinho de feijão da porta do independência. Mora nos detalhes, nas coisas pequenas que o vento carrega e espalha.

Meu agradecimento
Agradecer um clube por mais um ciclo solar é um pouco estranho. Então agradeço a todo amigo americano por compartilhar comigo essa paixão. Uma felicidade que tenho é chegar nossa casa e poder supor que todos ali são companheiros nessa resistência que é torcer para o América. Agradeço a todos aqueles que um dia se colocaram à frente do América, não em soberba, mas para defendê-lo. Nos nossos piores momentos, poucos se dispuseram a defender e acolher a instituição. Não cito nomes para não ser injusto, mas cada um sabe a situação em que recebeu este clube. Agradeço aos nossos funcionários, pois sabemos a dificuldade que é. Aos nossos jogadores e treinadores, aqueles que realmente entenderam o clube em que estavam, agradeço de coração por tudo. Se nem todos os momentos foram alegres, todos foram intensos.

Poder americano
Todo aquele que já desfilou com uma camisa do América fora de Belo Horizonte conhece seu poder. É o objeto inanimado mais sociável do mundo. Todo aquele que veste esse manto passa a ser identificado como uma pessoa de boa índole, que merece uma conversa. Por que isso acontece? Não faço a mínima ideia. Fato é que em qualquer lugar do mundo em que eu vá com uma camisa do América, alguém puxa uma conversa, nem que seja para elogiar a camisa mais linda do mundo.
Roberto Drummond falou sobre o vento, varais e a camisa de seu time. A camisa do América não enfrenta ventos em varais. A camisa do América enfrenta os ventos da grande mídia, da “grana que ergue e destrói coisas belas” e da pressão das federações, mas presa ao peito do americano.

Vitória
Hoje enfrentaremos o time do Vitória em nosso estádio e mais uma vez, espero conseguirmos três pontos em casa. O time baiano, na minha visão, disputa na mesma prateleira que a nossa e portanto, não podemos deixar nenhum ponto escapar. Ao que tudo indica, entraremos com Marquinhos, Leandro Donizete e Judivan. Ganhando, estaremos entre os três primeiros. Ganhando bem, podemos até beliscar a vice liderança. Vamos com calma, nosso objetivo são os 45 pontos. Quanto mais cedo conseguirmos, mais cedo podemos pensar em novos voos.

Grande abraço a todos!

Jairo Viana
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Somos bipolares. Ou não?

Não estou preparado psicologicamente para ver o América ganhar de três a zero. Não só eu quanto a maioria dos torcedores do Coelhão. Prova disso são as redes sociais americanas essa semana, onde a bipolaridade esteve mais aguçada que nunca.

Enquanto uns já projetam a Libertadores 2019, outros se recobrem da mortalha da dor passada e dizem que nova queda este ano é inevitável. Acho muito cedo tanto pra um quanto pra outro.  A vitória contra o Sport foi convincente, com bom futebol jogado e com boas atuações de quase todos no time. Em que pese a fragilidade atual do Sport, o time se postou bem e com a entrada de Christian, adquirimos uma arma nova: viradas de bola bem feitas e inesperadas. Estamos muito bem servidos de volantes, posição que o futebol moderno vende como a grande ganhadora de títulos. Com características diferentes, temos hoje Zé Ricardo, Juninho, Christian, David, Leandro Donizete, Wesley e em algumas ocasiões no Mineiro, até Gerson Magrão foi improvisado como volante. Em um campeonato longo como o Brasileiro e com o esquema de jogo atual, a posição de volante tende a mudar constantemente, tanto em função de cartões quanto da necessidade de jogos específicos. Deixo aqui também meus parabéns ao goleiro Jory, revelação de nossa base, que fez uma excelente partida e ainda saiu para a Pitangui comemorar conosco. A torcida do América abraça sua base como poucas fazem, com o mesmo amor e rigor que reservamos aos nossos filhos. Tenho certeza que seu espaço já está reservado.

Futurologia

Adoro números, por profissão e por hobby, embora aqui no Decadentes o especialista seja nosso amigo Sérgio Tavares. Peço licença a ele para comentar sobre um pequeno estudo que fiz sobre a relação entre pontuação no Brasileiro Série A e prognósticos.

Minha metodologia foi relativamente simples. Atualmente o Brasil tem 7 vagas garantidas na Libertadores, sendo uma vaga oferecida ao campeão da Copa do Brasil e 6 vagas para a Copa Sul-Americana. Essas doze vagas são preenchidas com os 12 primeiros colocados do Campeonato Brasileiro. Caso o Campeão da Copa do Brasil esteja entre os 6 primeiros, o G6 se torna G7. Se isto ocorrer e o campeão da Libertadores for brasileiro e estiver entre os primeiros, temos um G8. Se além de tudo isso, o campeão da Copa Sul-Americana também for brasileiro e estiver entre os 8 primeiros, temos um G9.

Como tal situação não pode ser prevista, trabalhei com a versão básica: 6 vagas para a Libertadores e 6 para a Sul-Americana. Além disso, os campeonatos de 2003, 2004 e 2005 contaram com mais de 20 participantes, que é o formato atual. Então converti sua pontuação para o equivalente proporcional a um campeonato com 20 times. Adquiridos os resultados finais do Campeonato Brasileiro desde 2003, analisei cada situação considerando esse cenário. O gráfico abaixo demonstra as probabilidades de Queda, Permanência, Copa Sul-Americana e Libertadores conforme a pontuação no campeonato Brasileiro da Série A.

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Probabilidades por faixa de pontuação

Além do gráfico, alguns números são interessantes. No formato atual, 62 pontos garantem uma vaga na Libertadores mesmo que apenas 6 vagas estejam disponíveis para a Libertadores. Para cada vaga nova disponibilizada, a “nota  de corte” diminui estatisticamente 2,5 pontos . Ou seja, caso exista um G8, essa nota de corte diminuiria para 57 pontos. Menos que 40 pontos estatisticamente sempre rebaixaram, embora até com 44 pontos a probabilidade ainda seja de cerca de 42%.

Portanto, os cabalísticos 45 pontos praticamente garantem a permanência na série A, pois em apenas 6,25% das vezes um time com 45 pontos caiu, mais exatamente o Coritiba, em 2009. Nos campeonatos de 2003, 2004 e 2005 caíram times com mais de 45 pontos, mas quando corrigimos a pontuação para um campeonato de 20 times, essas anomalias desaparecem.

Se fosse Enderson Moreira, trabalharia com metas de curto prazo: 8 pontos a cada 18 disputados, ou 8 pontos a cada 6 jogos. Nesse caso, teríamos 6 “mini-campeonatos” de 6 jogos, que em caso positivo, conseguiríamos 48 pontos garantindo nossa permanência  e com uma possibilidade 33,33% de uma vaga na Sul-Americana. E ainda sobrariam dois jogos dos 38 a jogar de folga.

Até a Copa teremos dois blocos de 6 jogos. O primeiro seria Sport (Casa), Flamengo (Fora), Vitória (C), Vasco (F), Ceará (F) e Botafogo (C). O segundo, São Paulo (C), Corinthians (F), Atlético Paranaense (C), Atlético de Vespasiano (C), Grêmio (F) e Chapecoense (C).

Flamengo

O jogo de sábado contra o Flamengo no Maracanã é um jogo perigoso. Como jogam em casa, são considerados favoritos, mesmo após uma sequência de tropeços no Brasileiro e na Libertadores. Provavelmente, o time da Gávea virá mesclado, poupando jogadores. É uma ótima oportunidade para que o América busque alguns pontos fora. Nossas torcidas estão se movimentando e acredito que teremos uma boa presença de americanos no Mário Filho às 19 horas de sábado.

Grande abraço a todos!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr


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Créditos da Foto de Capa: Mourão Panda(@photompanda)/América MG

Sonhos não envelhecem

Na manhã deste domingo, começa um novo sonho americano, o de permanecer na Série A.

Em minha cabeça, jogos de manhã sempre trazem uma alegria simples;  a primeira vez que me lembro de um jogo de manhã foi aquela final maravilhosa de 97. Mais de 15.000 presentes no “Campo do Sete”, gol de falta do Celso e uma explosão de alegria, de camisas, de fogos, de todas as frustrações que a torcida americana  sempre viveu. Vi o jogo ao lado de Ari, ex-jogador do coelho, de muletas e sentindo os joelhos, me lembrando que o futebol cobra seu preço.  O gol de falta de Celso ainda viaja na minha cabeça, incandescente como um cometa. As lágrimas de Ari ao fim do jogo são o eterno lembrete dessa coisa bonita que é torcer pro América.

Nosso sonho em 2018 é humilde, mas difícil: Ser melhor que 4 dos 20 times que compõe a primeira divisão do futebol brasileiro. A quem gosta de números, cabalísticos 45 pontos nos separam do sonho. Estou mais otimista para 2018 do que estive nas duas últimas tentativas. Ao que parece, o planejamento do América está em ordem para esse ano. Ou pelo menos, mais em ordem do que estava. Temos um elenco equilibrado e compatível com as restrições financeiras, em que me agrada muito essa mescla de jovens e experientes. Temos um técnico que, embora divida opiniões,  tem capacidade pra ser técnico na Série A.  Se o futebol do time do Enderson não é vistoso, é preciso que seja objetivo.

Jogamos contra o Sport, que em teoria disputa conosco o escape do rebaixamento. Acredito na vitória. Uma vitória na abertura do campeonato é ótima pra melhorar o ambiente, além do fato de que cada 3 pontos são preciosíssimos em um campeonato de pontos corridos.

Mineiro x Brasileiro

Apesar do otimismo, a preocupação que tenho se deve ao fato de que o time não foi posto à prova em condições mais parecidas as que teremos na Série A. No Mineiro, contra os times do interior, jogamos com a obrigação de propor o jogo, situação que raramente encontraremos, a não ser contra times da prateleira de baixo e em casa. Na maioria das vezes, jogaremos em uma proposta mais defensiva. Os três jogos contra a turma que usa camisa de presidiário, sinceramente, não levo em conta em função da excessiva interferência externa. E contra as meninas azuis, entendo que a comparação é complicada, pois o elenco Smurf é bem mais qualificado que o nosso. E ainda assim, foi um jogo em que poderíamos ter saído com a vitória.

Penso muito no Corinthians, do Fábio Carille, que começou seu trabalho com uma proposta semelhante. Com humildade e Rodriguinho regulando, conseguiu muito mais do que se propunha originalmente. O elenco do Corinthians era extremamente limitado e ainda assim, o time deu liga e de 3 em 3 pontos, conquistou o campeonato. Mesmo sabendo da diferença de orçamentos e elencos, acredito que conseguiremos ser melhores que pelo menos 4 times. A tática do Enderson é paciente, calma e até por vezes irritante. Mas como a água que faz ceder a pedra, precisamos acreditar no trabalho.

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Foto:Mourão Panda(@photompanda)/América

Gente nova no CT

Para o Campeonato Brasileiro, teremos quatro novidades: Judivan, Ademir, Ricardo Silva e Leandro Donizete. Judivan é a maior das interrogações. Como tenho dito no programa, 2018 é o ano de retomada em sua carreira. Futebol ele já provou que tem. O que não teve na carreira foi saúde. Assombrado por contusões, retorna da mais grave delas. Se voltar bem, fará a diferença. Ademir fez um belo campeonato mineiro pela Patrocinense e no nosso jogo de estreia já o tinha elogiado. Rápido  e bom de passe. Ricardo Silva vem preencher a vaga de quinto zagueiro do elenco, mas sinceramente não conheço seu futebol para emitir um parecer. Fez parte da zaga que rebaixou o Atlético Goianiense, mas não sei de sua participação efetiva. Já Leandro Donizete é uma escolha estratégica, pois pode cumprir papel duplo dentro e fora de campo. Há muito tempo eu digo que Zé Ricardo precisa de um Rafael Lima. Explico: Messias melhorou muito seu futebol tendo um zagueiro experiente do seu lado, que deu confiança a ele para trabalhar sua saída de bola e seus desarmes. Zé Ricardo, com um companheiro que forneça confiança e experiência pode render mais. Fora de campo, um jogador rodado como ele mantêm o grupo alerta, inquieto e ativo. Que não deixe o temperamento subir e sofra com os cartões e expulsões que marcaram algumas de suas fases. A maturidade é a mãe da parcimônia.

Além disso, a volta de Matheusinho é esperada para mês que vem. Após um longo período parado, volta como interrogação, mas espero um bom futebol dele. O time de 2018 parece estar mais estruturado para absorver seu talento

Coluna Social

Aproveito essa coluna para mandar felicitações ao excelente casal que se casa essa noite, Walisson e Nayara. Walisson, companheiro de programa e de colunas, convenceu a Nayara, simpatia em pessoa,  a viverem uma vida juntos. Querida Nayara, casar com um americano e pior, fanático, é provação para uma vida inteira. Americano fanático é um pleonasmo, porque os não-fanáticos desistiram desse time muitos anos atrás. Tenha certeza que uma pessoa que é capaz de amar assim, também será capaz de dividir esse amor com você. Quando me casei, disse a minha esposa que eu tinha dois amores na vida, ela e o América. Enquanto um não reclamasse do outro, tudo estaria bem. Como o América não reclamou dela, acredito que ela se resignou a não reclamar dele também. Mesmo quando chega uma camisa nova pra sempre crescente coleção. Nossa loucura pelo América é parte do que somos. Continue indo com o Walisson aos jogos, porque amor com amor produz amor infinito.

Um grande abraço a todos e vamos encher o “Campo do Sete” no domingo!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr


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Crédito da foto de capa – Reprodução: Super Esportes

Canção do Exílio

Não vou ao jogo de amanhã.

Todas as noites em que há jogo do Coelhão fico tentado a matar aula para ir pro jogo. Aí lembro que sou o professor e não posso fazer isso. Mas na próxima quinta-feira, não terei nem essa vontade.

Nossos jogadores e comissão técnica merecem muito nossa  presença e são a única razão que me entristece de não estar lá. Esse grupo fez por merecer nosso apoio, mesmo com todas as críticas e cornetadas que usamos a gosto. Como em toda boa família, criticamos a quem amamos, mas os protegemos da crítica do outro de fora. Essa equipe se classificou em segundo, à frente do time da federação, mesmo tendo sofrido com as arbitragens e com os esquemas extracampo, que foram desde fofocas com o nome do técnico até a escolha de posicionamento da torcida no jogo de amanhã. Portanto, o justo seria sermos presença em qualquer partida onde se exiba nosso escudo. No sentido financeiro, a diretoria se esforçou para tornar acessível o preço salgado de R$ 100,00 o ingresso inteiro. Sócio Onda Verde poderá adquirir o ingresso pelo preço de meia e ainda tem direito a uma cortesia, transformando o preço em virtuais 25 reais, se você levar uma companhia.

Desequilíbrio

Entretanto, o jogo de amanhã está revestido de uma capa de infâmia e injustiça. O time da federação se classificou em terceiro graças a uma série de “erros” da arbitragem, que começaram naquele jogo do turno contra nós. Todo Campeonato Mineiro é influenciado por esses erros, que sempre ocorrem a favor da dupla, mas sobretudo a favor dos caninos. Quanto pior o time de Vespasiano naquele ano, mais erros acontecem a favor deles. Deve ser algum mecanismo de compensação cósmica, acredito. Uma espécie de karma canino, sempre cobrado a preço justo nos campeonatos nacionais, onde os erros costumam acontecer contra eles. Acho é pouco.

Além da questão moral, existe a questão da segurança. Fomos colocados no portão 3, na Rua Pitangui. O contrato de cessão com o Estado garante que todas as arquibancadas da Pitangui sejam cedidas a torcida do América em qualquer jogo em que participar, conforme o inciso 9.4.16 destacado abaixo, disponível aqui na página 19 do Contrato de Concessão de Uso da Arena Independência. Portanto, suponho que a diretoria americana abriu mão dos portões superiores da Pitangui em troca de algo. Mais uma vez, SUPONHO! Talvez a possibilidade de que nosso sócio torcedor Onda Verde tenha o desconto proposto. Se não houve nenhum tipo de acordo, estamos simplesmente dando lucro ao rival.

pitangui

Como estamos isolados no portão 3, a cachorrada ocupará a Pitangui, nossa faixa de Gaza, pois tem acesso aos portões 4 e 6 . Fico muito triste em pensar na Dona Zuzu ou no Tio Wagner tendo que atravessar essa barricada de ignorantes ouvindo piadinhas e insultos, apenas por estarem como sempre vestindo as cores americanas. Se nenhum de nós merece essa situação, que dirá boa parte da nossa torcida, que já acompanham o Coelhão por mais tempo do que temos de idade. Se indignem ao pensar em um deles, ali onde as organizadas se organizam no portão 3, recebendo um copo de chuva dourada e quente vindo do portão 4, da mão de um dos babacas que existem nessa torcida. Os poucos americanos que forem ficarão abrigados sob a laje, acuados. Com sorte, acuados apenas pela chuva que é prometida para amanhã pelos meteorologistas, chuva que cairá sobre justos e injustos.

Não estou propondo boicote. Eu mesmo não posso e não quero ir. Mas cada americano sabe sua disposição e vou louvar aqueles que forem mesmo sob todas essas circunstâncias.

A justa retribuição

No entanto, a nação americana torcerá pela vitória que vingará todas essas injustiças. Caso isso aconteça, devemos lotar o independência no domingo. Caso não aconteça, também devemos lotar o independência domingo.

Mahatma Gandhi, ao denunciar o quanto os indianos sofriam com a dominação inglesa, levava multidões aos campos de extração de sal para que estes simplesmente ocupassem seus espaços, sem violência. Os soldados ingleses de Lorde Mountbatten batiam nos indianos passivos, tornando ridícula uma luta dos que batem contra os que simplesmente queriam seu espaço. Então, não importa o resultado, vamos invadir o Independência domingo, com nossa família e amigos. Leve todos. Mais bonita que um jogo de futebol é a batalha filosófica que esta semifinal se tornou.

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr


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Sua torcida feminina nunca é demais

Começo parabenizando as mulheres e principalmente, as mulheres americanas, por seu dia comemorado ontem. Elas, que são nossas mães, irmãs, filhas e companheiras já conquistaram muito e há sempre mais a conquistar. O lugar de uma mulher é onde ela quiser! Sempre foram e serão bem-vindas na torcida do Coelhão, pois em nossa história estiveram presentes e próximas. Foi a menina Alda Meira que sorteou, dentro do chapéu de Aureliano Lopes Magalhães, o nome América para aquele clube de meninos que se formava. Não poderia ser mais feliz. Escolheu justamente a única palavra que pode ser falada usando dois gêneros: O América e A América. Não me lembro de outro time que exalte sua torcida feminina no próprio hino. Somos força respeitada no futebol feminino. A primeira mulher a narrar um jogo de futebol profissional , Isabelly Morais, fez sua estreia em um América e ABC em 2017.

Ainda hoje, é bonito ver a presença feminina na nossa torcida, em quantidade e qualidade. De todas as idades, se espalham entre nosso pavilhão, trazendo a força carinhosa e a presença maternal, ainda que aguerrida, para a única torcida de Belo Horizonte que ainda merece a presença delas em seu meio, sem medo do abuso e da ignorância que caracterizam um meio tão excludente ao sexo feminino quanto o futebol.

Caldense

A vitória da quarta passada nos garantiu o segundo lugar nesta fase de grupos do campeonato mineiro 2018. Aylon fez grande partida, participando das jogadas e ainda marcando dois gols. No jogo passado, tentou surrupiar ao fnal do jogo o relógio de melhor jogador das mãos do repórter Thiago Reis dizendo que “naquele jogo não teria jeito, tinha que ser dele.” Não foi. Foi de Serginho, que também fez grande partida na ocasião. Mas o relógio era dele mesmo, só estava atrasado e chegou alguns dias depois na partida com a Caldense. O medo da torcida é que menino Aylon Maiden seja um novo Osman. Torço para que não e vejo nele uma gana em jogar bola que não via no Osman.

O primeiro gol veio de um passe com açúcar e com afeto de Serginho para Carlinhos na lateral esquerda, que cruzou para o cabeceio de Aylon. Vejo Carlinhos um degrau acima de Giovanni atualmente. Tem um passe melhor e quando necessário, cumpre plantão no meio campo. Serginho também tem correspondido e a cada jogo tem melhorado o entrosamento. Se não é ainda o camisa 10 mítico que procuramos, tem sido importante nas partidas do deserto de talento que é o campeonato mineiro. Destaque também para David, que vem mostrando este ano o que escondeu ano passado. Seguro como bolso de muquirana e jogando o simples, tem ajudado o meio de campo do América, inclusive fazendo as transições de bola.

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Foto:Mourão Panda(@photompanda)/América

Nova Lima é tudo menos novo

A melhor parte da vitória de quarta é que, conforme Enderson Moreira sinalizou, poderemos dar descanso ao elenco mais desgastado na última partida e colocar algumas peças que ainda não tiveram chance em campo. Claramente, os pendurados por cartão amarelo forçaram o terceiro para que cumpram suspensão e zerem a contagem. Estão suspensos para a partida do Alçapão Aylon, Luan e Messias. Rafael Moura ainda sente uma contusão e está fora para domingo, assim como Zé Ricardo.

O jogo não vale nada para nós e muito para o Vila. Então esperem um jogo aguerrido da parte deles e um jogo morno do nosso lado, inclusive pela grande quantidade de desfalques. Matheus Ferraz, contratado em janeiro e ainda sem nenhuma chance, provavelmente fará sua estreia no lugar de Messias e o time provavelmente  virá em 4-4-2 ao contrário do 4-3-3 usual. Pela lógica, Renan Oliveira também deverá voltar ao time, assim como Aderlan. Eu descansaria João Ricardo, que embora precise jogar para recuperar o ritmo, pode acabar sentindo algo na coxa problemática. Melhor poupá-lo.

O melhor América que vejo atualmente para as próximas fases é: João Ricardo; Norberto, Rafael Lima, Messias e Carlinhos; Zé Ricardo, Juninho e Serginho; Marquinhos , Rafael Moura e Aylon.

Mastigação de números

Analisando a tabela com apenas uma rodada pendente, podemos tirar algumas conclusões. Os azuizinhos e o Coelhão já tem primeiro e segundo lugar garantidos. Todo o resto é briga de foice no escuro. Certo é que Cruzeiro e América só se encontrariam em uma final. Também é quase impossível que encontremos a cachorrada nas quartas, pois independentemente dos resultados, ficarão entre terceiro e sexto. Sétimo apenas se a Patrocinense ganhasse do Cruzeiro e os caninos perdessem para a Tombense. Ainda assim haveria um diferença de 5 gols no saldo.

Para as semifinais, tudo dependerá dos resultados apurados. Supondo que os três da capital passem por seus respectivos jogos, jogaremos contra a cachorrada se nenhum time entre nós e eles passar para as semifinais. Em uma hipótese, digamos que os oito classificados foram na seguinte ordem:

  1. Cruzeiro
  2. América
  3. Tombense
  4. Boa
  5. Tupi
  6. Atlético
  7. Patrocinense
  8. URT.

Dessa forma, jogam Cruzeiro x URT em Belo Horizonte, América x Patrocinense em Belo Horizonte, Tombense x Atlético em Tombos e Boa x Tupi em Varginha. Supondo que os times da capital passem, qualquer ganhador de Boa x Tupi ficou melhor colocado no campeonato que os caninos. Sendo assim, a ordem relativa para as semifinais seria Cruzeiro, América, o ganhador de Boa x Tupi e Atlético e portanto, pelo regulamento, teríamos um Cruzeiro x Atlético nas semis.

Só há garantia de jogarmos contra a cachorrada nas semifinais se estes terminarem em terceiro e passarem pelas quartas. O que prefiro? Sinceramente não sei. Sempre que fomos campeões , derrotamos a duplinha. Além disso, as forças ocultas do futebol mineiro sempre agem em prol de uma final da duplinha, pois caso isso não aconteça, “o campeonato está em risco”, conforme dito por um boquirroto que narra os jogos do Coelhão na TV fechada. Somos resistência.

Vamos em frente que a conquista do campeonato está próxima e que isto não nos iluda no caminho maior que é a permanência na série A. Grande abraço!

Jairo Viana
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