De Letra – nº 1165

OLÁ, caros leitores semanais! Jogando relativamente bem em um só tempo de jogo (geralmente no segundo tempo), o meu glorioso e querido América corre o sério risco de ser rebaixado e ficar de fora da festa maior do futebol brasileiro na temporada do ano que vem. Confesso que não entendi muito bem a afirmativa do treinador Adilson Batista, no sentido de que o Coelho não vai ser rebaixado, como se o velho ludopédio fosse uma ciência exata. Ora, futebol é um negócio totalmente imprevisível, de resultados absurdos. É um esporte diferente de todos os demais. É como bumbum de criança e barriga de mulher. Não dá para adivinhar nada…

FALTANDO apenas oito rodadas para o término do Brasileirão, nosso treinador precisa prestar muita atenção no que está fazendo, escalando seus “protegidos” e substituindo pior ainda. Alguém entendeu as substituições que ele fez anteontem contra o Grêmio? De repente, com a vitória nas mãos (ou nos pés, sei lá), o “Professor Pardal” resolveu operar duas substituições que apenas ele entendeu. Leandro Donizete faça-me o favor! No “banco” ele é bem menos danoso ao Mecão. Ele só faltou tirar um dos melhores da equipe, o volante talentoso Zé Ricardo, o garoto bom de bola de Bom Jesus do Amparo/MG, terra de meus amigos Tatá Nogueira (conceituado advogado trabalhista) e Régio Teixeira Bicalho (empresário de veículos). Ainda está em tempo. Basta escalar corretamente e mandar o time “agredir” os adversários…

ATÉ a próxima.

Miguel Santiago
Blog Miguel de Letra: http://migueldeletra.blogspot.com.br
Miguel Santiago publica originalmente em seu blog, Miguel de Letra, e carinhosamente cede sua lavra para ser republicada no Decadentes.

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Adilson Batista e seus vovô-lantes

Ao assumir o comando do América depois da rápida e desastrosa passagem do Drubscky pela função, Adilson Batista disse que o uma das coisas que o motivou a aceitar o convite era o fato de que o nosso elenco contava com jogadores de qualidade e que a bola não queimaria no pé deles. Seguindo esta lógica, ele disse que para encarar a luta pelo rebaixamento e a situação difícil em que encontrara o time escalaria jogadores cascudos, reafirmando que eram os que a bola não queimaria no pé.

Colocando o discurso em pratica, Adilson mudou drasticamente o jeito da equipe jogar, os cuidados defensivos agora são ainda maiores que nos tempos do Posto, o time abdica de propor jogo mas tem pecado ainda em ser reativo, um exemplo disto pode ser visto nos últimos 8 jogos a equipe finalizou em gol num total de 10 vezes, com 6 delas resultando em gol.

Adilson

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Não há problema em se buscar o futebol reativo, esta proposta de jogo até se encaixa muito bem diante das limitações financeiras que temos para investir em elenco. O problema é que falta ao time a transição rápida para agredir o adversário e finalizar mais, pois não será sempre que vamos conseguir converter 60% das finalizações em gol, e esta falta de velocidade na transição nos traz um outro ponto do discurso do nosso comandante.

Aparentemente almejando o time em que a bola não queimaria no pé, Pardal Batista tem optado por volantes mais experientes (os sub-óbito do nosso elenco), e os dois volantes da base que vinham se destacando no time principal perderam espaço, e recentemente foram liberados para jogar pelo time de aspirantes. Isto poderia fazer sentido se realmente eles ainda estivessem verdes, se de fato a bola queimasse no pé deles, entretanto isto não procede.

O ápice desta proposta se deu no jogo contra o botafogo, poucos dias depois de liberar Christian e Zé para os aspirantes e jogando sem o Magrão, Adilson optou por escalar o time com 4 volantes: David (36 anos), Donizete (36 anos), Wesley (31 anos) e Juninho (30 anos), sendo que o Juninho começou como um ponta direita e Wesley mais avançado como um armador.

Zé Ricardo

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Moral do jogo, o time foi muito lento no jogo, não tinha transição rápida da defesa para o ataque e nossa melhor chance criada de gol foi uma bola enfiada para o Juninho, que, por não ter um cacoete ofensivo, não conseguiu aproveitar a chance para finalizar ou tentar sofrer um pênalti.

Isto abriu bastante discussão no último programa do decadentes, será que os vovô-lantes são mesmo melhores que os oriundos da nossa base? Bem, em minha analise subjetiva de desempenho e na objetiva de dados estatísticos, não.

Como sei que a análise subjetiva cabe muita discussão, até porque os parâmetros de gostos podem ser muito pessoais e contaminados por outros fatores para além do futebol jogado de fato, ater-me-ei a explanação dos números.

O que dizem os números?

Juninho (30 anos):  22 jogos, 55 desarmes totais, sendo 48 destes certos. Média de 2.4 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 7 interceptações, com uma média de 0.3 por jogo. Comete um número de 1.4 faltas por jogo, índice de 86.5% de passes certos e de 47.7% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.4 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 10 vezes, apresentando uma media 0.5 por jogo e tendo marcado 2 gols.

Christian (22 anos):  8 jogos, 16 desarmes totais, sendo 15 destes certos. Média de 2.0 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 6 interceptações, com uma média de 0.8 por jogo. Comete um número de 0.4 faltas por jogo, índice de 91.8% de passes certos e de 50% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.6 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 10 vezes, apresentando uma média 1.3 por jogo e tendo marcado 1 gol.

Magrão (33 anos): 15 jogos, 22 desarmes totais, sendo 20 destes certos. Média de 1.5 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 3 interceptações, com uma média de 0.2 por jogo. Comete um número de 1.3 faltas por jogo, índice de 88.1% de passes certos e de 60% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.9 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 13 vezes, apresentando uma média 0.9 por jogo e tendo marcando 2 gols.

Magrão

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Donizete (36 anos): 19 jogos, 24 desarmes totais, sendo 20 destes certos. Média de 1.3 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 8 interceptações, com uma média de 0.4 por jogo. Comete um número de 1.5 faltas por jogo, índice de 91.8% de passes certos e de 48.3% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.3 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 6 vezes, apresentando uma média 0.3 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

David (36 anos): 6 jogos, 6 desarmes totais, sendo 6 destes certos. Média de 1 desarme por jogo. Conseguiu também fazer 4 interceptações, com uma média de 0.7 por jogo. Comete um número de 1.2 faltas por jogo, índice de 92.3% de passes certos e de 60% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.2 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 2 vezes, apresentando uma média 0.3 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

Wesley (31 anos): 16 jogos, 10 desarmes totais, sendo 8 destes certos. Média de 0.6 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 1 interceptação, com uma média de 0.1 por jogo. Comete um número de 1.1 faltas por jogo, índice de 92.8% de passes certos e de 46.7% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.4 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 4 vezes, apresentando uma média 0.4 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

Wesley

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Zé Ricardo (22 anos):  115 minutos jogados espalhados por 6 jogos, tendo feito 3 desarmes, todos eles certos e também tem 1 interceptação, média de 0.5 faltas por jogo, índice de 90.4% de acerto de passes e de 40% de lançamentos certos. Finalizou 3 vezes nestes 115 minutos, sem ter marcado nenhum gol.

Os meninos são alvi-verdes, mas não estão verdes

Os números do Christian impressionam, ele só fica atrás do Juninho em termos de desarmes por jogo, e só fica atrás do Donizete em termos de interceptação por jogo, somando as duas estatísticas não seria leviano especular que ele é o melhor recuperador de bolas do nosso elenco. Entretanto sua contribuição ofensiva é ainda mais impressionante, sendo o que mais finaliza em média e o segundo que dá mais passes para finalização, tendo já marcado um gol (e que golaço). No entanto, dos volantes que temos parece ser a última opção para o Adilson, não figurando nem no banco de reservas na maioria dos jogos.

Os números do Zé Ricardo ficam um pouco mascarados pela falta de minutos jogados, mas chama a atenção também a participação ofensiva dele nestes minutos, sendo que a maioria deles jogados no final de partidas, entrando mais para ajudar a segurar o placar. Vale lembrar que o Zé foi adaptado a posição de primeiro volante pelo posto, na base ele sempre saiu muito mais pro jogo, tendo sido inclusive utilizado na linha de 3 meias do 4-2-3-1 em algumas situações.

Cabe ressaltar que de fato Wesley e David deram uma melhorada em relação ao desempenho inicial de ambos, entretanto ainda sim, contribuem pouco defensivamente para o time, e a contribuição ofensiva que lhes seria o ponto mais forte deixa a desejar em relação a outras opções.

Treinadores de futebol são famosos por ser muito agarrados a suas convicções, mas espero que o Adilson Batista abra os olhos e de mais chances ao Christian e ao Zé Ricardo, a entrada dos dois não representariam apenas a rejuvenescida de nossa volância, trará ganhos de performance para além de acelerar bastante a transição. A chave para que o futebol defensivista atual se torne o tão aclamado futebol reativo pode passar por estes dois, pois teríamos tanto a pegada que nos faltou no último jogo, como velocidade na transição e um melhor poder de finalização. Continuar lendo

Os quatro exilados

Quem vai se dispor a criticar um técnico que está sendo vitorioso? Infelizmente é preciso. A crítica em geral só é nociva aos vaidosos e aos condescendentes. Para o humilde, a crítica é o início de uma melhoria.

Essa coluna não quer tirar os méritos de Adílson Batista, inclusive pelas anteriores desde a sua chegada terem sido sempre elogiosas e portanto, não há razão para que uma invalide outras. Conquistamos mais pontos e estamos melhor agora do que na era Enderson. Então por que a crítica?

Quis Custodiet ipsos custodes?

A frase latina acima é do poeta romano Juvenal e pergunta “Quem vigia os vigilantes?”. É um aviso de que mesmo aqueles que prestam bom trabalho precisam de supervisão.  Ontem a tarde foi divulgada a notícia de que Sabino, Ademir, Christian e Zé Ricardo foram enviados ao grupo de atletas sub-23, os Aspirantes do Coelhão. No programa de domingo passado, comentamos o fato de Ademir e Christian estarem treinando em separado.

Como não faço parte do grupo do América ou da diretoria, tudo escrito daqui pra frente é a opinião de um torcedor sem nenhum tipo de informação privilegiada e na melhor das hipóteses, representa as conversas de porta de Independência sobre o assunto.

Considero muita injusta essa involução dos quatro, demovidos da equipe principal para a de aspirantes. Não tenho procuração pra defender nenhum deles. Com todo o respeito a equipe de aspirantes, que tem feito bonito em seu campeonato, estamos tirando desses meninos a oportunidade de jogar em nível de Série A, com jogadores qualificados e toda a pompa e circunstância que a cerca.

Caso a caso

exilados

Fonte: Site do América / Plantel

O zagueiro Sabino é de quem menos posso falar. Contratado para a equipe de aspirantes em abril, compôs elenco até a chegada de Paulão. Como não o vimos jogar e pela juventude até não me parece algo tão descabido sua volta aos aspirantes. Entretanto, é preciso destacar o efeito psicológico sobre ele e os outros três. Enquanto a promoção deve ter sido comemorada, qual o efeito do caminho contrário?

Ademir “Fumacinha”, promessa que veio da Patrocinense e fez alguns jogos no Coelhão teria espaço nesse time. Fez algumas raivas? Fez. Mais do que Marquinhos, por exemplo? Mais do que Wesley? Para esses houve paciência. Ademir teve uma grande variação nos jogos em que participou, atuando bem e mal. Natural em um jogador jovem como os próximos dois casos.

Zé Ricardo passou de craque a nada em menos de um mês. Consistentemente eleito melhor jogador no Campeonato Mineiro, teve uma queda absurda em seu rendimento nos dois jogos da Semi contra a cachorrada. As teorias da conspiração das catracas do Independência são muitas. Algumas dizem que ele deslumbrou com o seu próprio futebol, outras que amarelou. Depois disso, raramente entrou até o episódio de ontem. Na minha opinião, seu futebol não acabou. Não se esquece o que se ama tanto. E o Zé do Coelho joga bola sim! E se estou errado, devemos punir severamente quem renovou seu contrato. Se seu futebol variou em qualidade, é por sua juventude, mas não por seu amor ao América que já foi demonstrado algumas vezes.

Por último, a maior de todas as injustiças: Christian. Nosso volante e vez em quando lateral tem muito lugar nesse time do Adílson Batista. Veja, estamos falando de um plantel de meio de campo que sem Zé Ricardo e Christian, tem como volantes Donizete, Wesley, Juninho, David e só. Christian nunca fez um jogo ruim no Coelho. Todos os seus jogos foram de discretos a positivos, em alguns até se destacando. Portanto não consigo vê-lo atrás de um David, que esse ano tem feito bons jogos. Mas bons jogos o Christian também sempre fez.

Minhas preocupações

Adílson Batista já parece estar transformando o América em uma panelinha. Todo técnico tem suas paixonites e o técnico que barrou Sorín nas meninas pra escalar Magrão tem histórico disso. Sobra paciência com os figurões, o que pode e parece estar funcionando pra alguns.

Um efeito dessa fixação pelos jogadores mais rodados do elenco já foi sentido no jogo com o Ceará. Um time envelhecido, cansado da sequência de jogos, que não conseguiu apresentar nada. Na entrevista, Adilson culpou calendário, CBF, política, tudo quanto há. Mas veja, sem defender o indefensável calendário, as datas estão dadas há quase dois meses. É dever do técnico se planejar para isso. E justamente nesses casos é que jogadores mais jovens fazem a diferença. Sentem menos a sequência e aproveitam as oportunidades dadas com mais afinco. O exílio dos quatro meninos só colabora com o envelhecimento do time titular e reserva.

Por último, me preocupa o “day after“, o dia após o fim do campeonato. Segundo o site  Transfermarkt , Adílson e quase todos os nossos jogadores tem contrato até dezembro de 2018, com pouquíssimas  exceções, entre eles os quatro transferidos. Então imaginem o fim do campeonato. Permanecendo ou não, teremos que reformar o time todo. Renovar com alguns, liberar outros. Por tanto, manter aqueles sob contrato dentro do elenco teria um efeito positivo de continuidade.

Essa politicagem interna do América me cansa demais. Toda informação é secreta e crucial demais para ir a público. O torcedor médio deve ser protegido de viver seu clube. Precisamos melhorar muito esse jeito “colégio de freiras” de ser da direção do América. Nos envolvam. Queremos mais.

Grande abraço a todos e vitória no Rio!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr

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