Decadentes #129 – América 0x2 Atlético/FMF (Semifinal | Jogo 2 | Mineiro 2018)

#TambémVamosCom12, mas não foram suficientes para reverter o resultado da primeira partida. De cabeça quente, mas não fugiremos à responsabilidade de cornetar a partida. Adeus, Campeonato Mineiro 2018. Olá, Brasileirão!


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Decadentes #128 – Patético+FMF 1×0 América (Semifinal | Mineiro 2018)

Gravado diretamente dos estúdios Decadênticos, pra não passar batido e manter o registro da vergonha que se realizou ontem no Independência, Segue o programa desta noite.

CONVIDADOS: Adolfo Parenzi, Brunão, Eurico Reis, Filipe de Leucas, Vagno e Victor Boaventura


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Decadentes #122 – América 0x3 Atlético (Mineiro 2018)


“Se gritar pega ladrão / Não fica um meu irmão” — Ary do Cavaco e Bebeto di São João


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Rádio-Polícia

Nascido e criado no Bairro da Graça, nas barbas e sob a machadinha de São Judas Tadeu, estudei no turno da manhã em um colégio próximo. Quando voltava da escola, passava sempre em frente ao “Seu Fortes”, sapateiro de mão cheia, com seu radinho sempre um volume acima do recomendável, sintonizado na Itatiaia ou na Inconfidência na hora do almoço, para ouvir o futebol. Americano como eu, trocávamos frequentemente as lamúrias de americanos vivendo os anos 80 e 90 do Coelhão. Um dia, após um dos vários assaltos que sofremos da cachorrada, passei por ele e seu radinho tocava um samba, que ele acompanhava com o martelo consertando a sola do sapato de algum vizinho. Melhor que a indignação é a indignação compartilhada. Portanto, parei na oficina do Seu Fortes pra compartilharmos a revolta, quando perguntei o que a rádio dizia sobre o assalto. Veio a resposta seca: “Se eu quisesse ficar revoltado com a roubalheira, ouvia a Glória Lopes, no Rádio-Polícia. Só vão falar que o Atlético é um timaço e o ‘Ameriquinha’ teve lances polêmicos. Vou ouvir não!”.

Assalto

Se “Seu Fortes’ estivesse entre nós, hoje seu rádio de pilha tocaria um samba, pois nesse quesito, tudo continua igual. Salum, nosso atual cacique, definiu: “Este é o velho futebol mineiro ” e acrescento, Futebol Mineiro Raiz no pior sentido possível. Essa coluna poderia aqui ficar falando de quantas vezes fomos roubados no Campeonato Mineiro, em favor do lado canino (sem ofensa a esses verdadeiros amigos que são os cães) e do lado fresco da lagoa. Serjão poderia fornecer as estatísticas e o Marinho prover o contexto psicológico, histórico e social dessa palhaçada toda.  O verdadeiro fato inconteste é que ontem jogamos contra um time apoiado pela imprensa e pela FMF, na figura de seu presidente que frequenta os bailes de carnaval vestido de Frango com camisa de presidiário e é conselheiro votante de um dos times que disputa o campeonato por ele organizado. Sempre apoiado e em necessidade de apoio, esse time, após duas semanas de “nãos”  e dois meses de falta de futebol em campo, precisavam urgentemente de fatos novos que justificassem um ano de péssimo planejamento. Para isso, valeu a fofoca, o “disse-me-disse” e, por fim, o que fosse necessário em campo e fora dele. Falar mais do que isso seria arriscar um  processo por injúria. Mas cada americano sabe bem do que falo.

A partida de 106 anos

Belo Horizonte , como foi uma cidade planejada, teve uma inauguração oficial: 1897. Logo, em 1912, ano da fundação do América F. Clube, a cidade era uma mera “debutante” de 15 anos.

A cidade nascia quase junto com uma partida eterna, que jamais terminará. Essa partida é o clássico América x Atlético, que já foi América x Athlético, clássico das multidões, galo x coelho, etc. Ao longo das Eras, atravessando ditaduras, cortinas de ferro, Guerras frias, tsunamis, terremotos no mundo, Copas, o clássico resiste a tudo.

Convencionalmente uma partida possui dois tempos. Essa já possui 2.404 tempos, já passou da esfera dos milhares. Começamos bem com a vitória de 1 x 0, gol do Júlio Cunha em 14 de Junho de 1914. Também em 1914 se deu a primeira goleada do COELHÃO, 4 x 0. O campeonato mineiro oficialmente começou como “campeonato da cidade” e só teve início em 1915. Sim, senhoras e senhores. O clássico é mais velho que até o Campeonato Mineiro. O clássico existe antes da estratosfera, das placas tectônicas, ouso a dizer que Caim e Abel estiveram cada um de um lado, vestindo os panteões dos dois clubes em algum embate do Prado Mineiro.

Foto de Marinho Monteiro ao lado de Jair BalaAo longo das décadas, o COELHO foi visto de formas diferentes. Era a máquina demolidora do Deca, depois o contestador do profissionalismo, a fênix da ressurreição da Nova Alameda, o resistente da tríplice coroa, o tradicional da era Mineirão, regido pelo maestro Jair Bala, o quase extinto dos anos 80,  a retomada das grandes vitórias em clássicos dos anos 90 e a reconstrução dos ano 2000.

Independente dessa forma como o América estava, era clássico o Coelho dar a vida no jogo mais importante do ano. E daí surgem exemplos épicos: como o Coelho, que mal tinha campo para treinar, ganhar de uma seleção atleticana com gol do Luís Carlos Gaúcho. Tradição não se explica. Essa partida tem vida própria.

Por ela ter autonomia na sua existência, ela não depende de campeonatos. Ela nasceu antes. Muitos do futebol moderno olham o clássico depois de olhar em que campeonato ele está inserido, ou até mesmo em qual fase, para atribuir relevância. O clássico vem antes disso tudo. Pode ser um inimistoso (amistoso não ouso dizer) ou uma possível semifinal de Libertadores (um dia chegaremos). Não importa. É América x Atlético, antes de tudo. Tem que vencer! Quando digo que é muito mais que 3 pontos, não significa o aspecto de pontuar somente na tabela. É o coração do perpétuo que está em jogo. É mais um tempo daquilo que nunca terá fim. É a auto estima para a nossa sobrevivência institucionalmente. Estranho, “eles”, que se julgam sempre superiores e nos tratam como “mequinha”, simplesmente cobiçam tudo que temos, desde o início da história. Estranho cobiçar aquilo que se julga inferior, não é? São incoerentes até nisso.

Isso não é de hoje:

– Fizeram de tudo para tomar o Independência.

– Fizeram de tudo para colocar arquibancadas metálicas do jeito deles.

– América, histórico revelador de talentos, sempre teve seus craques mega desejados pelos carijós. E pior, era “obrigatório”, na visão deles, passar para eles a preço de banana.

– Várias vezes em priscas eras queriam fundir as estruturas. Fundir no caso para o América deixar de existir e eles manterem todos os seus simbolismos na instituição.

– Usam o 9×2 como a maior partida deles contra o Cruzeiro. Sendo que o 9×2 foi uma partida do contexto dos DEZ anos de títulos seguidos do América. E justo o DECA do Coelho é ACHINCALHADO por eles. Estranho. Enaltecem uma partida e desdenham 10 canecos do mesmo contexto… Isso explica como um jogo pode ser maior que tudo. Sem contar que o Cruzeiro assumiu ter perdido de propósito para o América não abocanhar o 11º título seguido, confissão do zagueiro Ninão e já publicado no Estado Minas e no livro Futebol do embalo da nostalgia, do Plínio Barreto, citação na página 108. Sim, juntaram todas as forças para acabarem com o América. Até duas ligas foram feitas em 1926 para minar a máquina do DECA.

– Alegam ser o clube do povão sendo que tem os ingressos mais caros e o sócio-torcedor mais elitista do futebol mineiro. Chamam o nosso COELHO, o time das entradas mais modestas e populares, como excludente. América, justo o único clube fundado por negro em Belo Horizonte, Geraldino de Carvalho. Aquele formado por crianças que aceitavam tudo e todos em seu quadro, com o nome escolhido por uma menina num sorteio, Alda Meira, que aceitou até os dissidentes do Atlético na famosa briga de 1913, aonde gente lá de dentro saiu e prometeu acabar com eles, o que foi realmente feito, já que o deca campeonato de 1916-1925 foi construído com auxílio daqueles ex-alvinegros que juraram vingança. O nosso reduto até os dias de hoje é o ambiente mais familiar do futebol mineiro. É muito comum se cumprimentar aquele que jamais conversou com a gente, ou enturmar logo de cara. Por isso é comum muitos americanos irem sozinhos ao campo e mergulhar nesse universo de novas e antigas amizades.

Posso ficar o ano inteiro citando fatos. Um ano não é nada pra aquilo que é eterno. Assim, até na antiga “purrinha” na frente do Café Nice, se tiver um atleticano do outro lado, é vencer ou ganhar.

Aliás, é costumeiro conhecermos o clássico antes mesmo de ir ao jogo propriamente dito. Meu saudoso avô, me levando para o parque dos Mangabeiras, ao levar uma fechada acintosa na av. Afonso Pena, com todo pudor, avisa: “sai pra lá atleticano”. Para uma criança de cinco ou seis anos, entendia que era o pior dos xingamentos. E com o tempo, tive trabalho para “desfazer” essa lavagem cerebral.  Se bem que quando ouço o soar do apito de mais um tempo dessa batalha, aquela criança aparece ao meu lado caladinha e segura a minha mão. Há mais de 30 anos.

O Mineirão ou o Independência com um barulho ensurdecedor da vibrante massa rival, é o cenário que faz um modesto time americano encarar ataques milionários. São os dedos cruzados de cada americano. É o típico jogo em que até os que se foram descem à Terra para conferir.

Esqueço o campeonato, ou a fase. Em qualquer situação, balançar a rede alvinegra me faz a pessoa mais feliz do mundo.

Todos ao Independência para apoiar os comandados do Enderson Moreira. Eles passam, as camisas dos dois times continuam se digladiando. A camisa deles, eles torcem contra o vento. A nossa é mais pesada porque tem sangue jorrado pela luta da sobrevivência. E sangue não evapora como água do suor. Fica no tecido, marcado. Não sai nem com lavagem. Não torcemos contra o vento. Rimos dos furacões.

América, eu te amo.

Mário César Monteiro
twitter.com/MarioMonteirone


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Santo de casa não faz milagre…

Headere_Estatisticas_2018

Existe uma teoria de parte da torcida americana: técnicos mineiros no América respeitam demais a dupla fajuta.

Pra comprovar isso (ou não), o Decadentes fez um levantamento dos últimos 13 anos, de 2005 até hoje. Nesse período passaram pelo Coelhão 23 técnicos, mas somente 16 ficaram aqui tempo suficiente pra jogarem contra Atlético/Patético e Cruzeiro/Marias, são eles:

Os mineiros Léo Condé, José Angelo, Flávio Lopes, Vantuir Galdino, Procópio Cardoso, Alemão, Marco Aurélio, Mauro Fernandes, Moacir Junior e Enderson Moreira. E os forasteiros José Maria Pena, Nedo Xavier, Givanildo, Paulo Comelli, Silas e Sérgio Vieira.

Nesses 13 anos, jogamos contra a duplinha 52 vezes, entre amistosos e jogos oficiais, seja no mineiro, no brasileiro ou na primeira liga e nosso retrospecto geral é modesto: são somente 9 vitórias, 17 empates e 26 derrotas. Um aproveitamento de somente 28,2%.

Desses 16 técnicos, 10 nasceram em Minas Gerais e 6 são forasteiros. Entretanto, a quantidade de clássicos dirigidas por mineiros e forasteiros é bem próxima. dos 52 jogos, 28 foram dirigidos por mineiros e 24 por “estrangeiros”.

E, pelo menos neste período analisado, a teoria se comprova. Veja no quadro abaixo:

2005 a 2018 Vitórias Empates Derrotas Aprov
Técnicos Mineiros 2 9 17 17,9%
Técnicos Forasteiros 7 8 9 40,3%

Mesmo com 4 jogos a menos, os treinadores de fora das montanhas das alterosas têm um retrospecto maior que o dobro dos mineiros.

Dos citados acima, o que mais disputou clássicos é o velho  Givanildo “Mito” Oliveira com a marca de 18 clássicos nesse período sendo 6 vitórias, 8 empates e 4 derrotas, um aproveitamento de 48%.

Já nosso atual técnico, o mineiro Enderson Moreira (não confundir com o “Pospiranga”) não tem o mesmo desempenho, mesmo estando a quase 600 dias dirigindo o Coelhão mais heavy metal do mundo, não conseguiu uma única vitória em clássicos sendo 7 jogos até agora com um empate e seis  derrotas, retrospecto de 4,7%.

Veja nos quadros abaixo o retrospecto de todos os técnicos citados:

Técnicos Mineiros Vitórias Empates Derrotas Aprov.
Léo Condé 0 0 1 0,0%
José Ângelo 1 0 0 100,0%
Flávio Lopes 0 3 0 33,3%
Vantuir Galdino 0 0 1 0,0%
Procópio Cardoso 0 0 1 0,0%
Alemão 0 0 1 0,0%
Marco Aurélio 0 1 0 33,3%
Mauro Fernandes 1 3 5 22,2%
Moacir Junior 0 1 2 11,1%
Enderson Moreira 0 1 6 4,8%
Técnicos Forasteiros Vitórias Empates Derrotas Aprov.
José Maria Pena 0 0 1 0,0%
Nedo Xavier 1 0 0 100,0%
Givanildo 6 8 4 48,1%
Paulo Comelli 0 0 2 0,0%
Silas 0 0 1 0,0%
Sérgio Vieira 0 0 1 0,0%

Está na hora de pensar racionalmente e entender que em Minas existem três grandes: o América e outros dois  já citados acima, sendo assim é hora de  enfrentar a duplinha como se enfrenta o Vila Nova.

O América nada teme!

Sérgio Tavares e Ramon Gregório


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O que Enderson Moreira pode tirar do primeiro clássico

Neste início de temporada e numa 1ª fase de campeonato, o resultado não importa tanto quanto a partir das quartas de final.

E em que o jogo contra o Cruzeiro interessava? Deveria ter sido um teste de como se postar diante de adversários da Série A. Mas o América de Enderson Moreira não conseguiu tirar proveito da partida, já na formação tática.

Esse era o meu medo desde que entendi que Enderson Moreira continuaria no clube. Achei que ele poderia – e deveria – mudar um pouco sua postura agora que está na Série A, mas essa esperança diminuiu um pouco depois desse clássico.

Enderson colocou três atacantes, com Aylon aberto na direita, Luan à esquerda e Rafael Moura mais centralizado. Quem utiliza três atacantes tem que propor o jogo, chegar ao gol adversário, finalizar. E, para isso, precisa ter atacantes de muita qualidade, o que não é o caso. Senão, vai dar espaço ao adversário, já que os homens de frente não são exímios marcadores como os volantes.

E foi isso que aconteceu.

O América não conseguiu levar tanto perigo e, com um volante a menos do que deveria, deixou o adversário fazer as triangulações e os toques de primeira que ele próprio precisava ter feito, já que quer propor o jogo. Luan não tem qualidade para as tabelas, erra a grande maioria dos passes, a tendência é que não evolua a ponto de ajudar na Série A. Deveria ter começado no banco, com um volante em seu lugar.

Rafael Lima e Messias exageraram nos lançamentos longos para o ataque, pois havia um jogador a menos para rodar a bola no meio-campo (o terceiro volante). Com isso, os volantes pouco participaram da armação das jogadas no primeiro tempo, o que diminuiu muito nosso poder de fogo. Rafael Moura até dominou as bolas altas, mas não deu sequência aos lances.

Dando a bola ao adversário a todo momento, o América não conseguiu propor o jogo e sofreu pressão do adversário. Até no gol, pode-se ver que Giovanni estava mal posicionado, fora da lateral. Ele quebrou a marcação, Rafael Lima saiu da área para fazer a cobertura e Zé Ricardo não acompanhou o autor do gol. Talvez não precisasse se houvesse o terceiro volante, a área estaria mais povoada de jogadores americanos.

Curiosamente, o América foi um pouco melhor no segundo tempo do que no primeiro, mas ainda insuficiente para levar mais perigo ao gol adversário. Fica claro que a parte defensiva é isso aí mesmo: volantes, zagueiros e laterais sabem defender. O problema é na armação de jogadas, inclusive pelos volantes, e no ataque. Num próximo texto, vou explorar esse tema um pouco mais.

Homenagem?

Todo mundo percebeu as meias amarelas do Time do Zoológico no primeiro tempo, certo? Deve ter sido uma homenagem ao árbitro da federação mineira, que não deu vários cartões amarelos claríssimos ao adversário durante toda a partida. Isso muda o jogo, pois quem tem amarelo afrouxa a marcação diante do perigo de ser expulso. No segundo tempo, a vergonha foi tanta que voltaram para as meias brancas. Ou, quem sabe, o árbitro tenha avisado de que nem precisava da homenagem, não é mesmo?

ESTAMOS DE OLHO!

Matheus Laboissière


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