Adilson Batista e seus vovô-lantes

Ao assumir o comando do América depois da rápida e desastrosa passagem do Drubscky pela função, Adilson Batista disse que o uma das coisas que o motivou a aceitar o convite era o fato de que o nosso elenco contava com jogadores de qualidade e que a bola não queimaria no pé deles. Seguindo esta lógica, ele disse que para encarar a luta pelo rebaixamento e a situação difícil em que encontrara o time escalaria jogadores cascudos, reafirmando que eram os que a bola não queimaria no pé.

Colocando o discurso em pratica, Adilson mudou drasticamente o jeito da equipe jogar, os cuidados defensivos agora são ainda maiores que nos tempos do Posto, o time abdica de propor jogo mas tem pecado ainda em ser reativo, um exemplo disto pode ser visto nos últimos 8 jogos a equipe finalizou em gol num total de 10 vezes, com 6 delas resultando em gol.

Adilson

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Não há problema em se buscar o futebol reativo, esta proposta de jogo até se encaixa muito bem diante das limitações financeiras que temos para investir em elenco. O problema é que falta ao time a transição rápida para agredir o adversário e finalizar mais, pois não será sempre que vamos conseguir converter 60% das finalizações em gol, e esta falta de velocidade na transição nos traz um outro ponto do discurso do nosso comandante.

Aparentemente almejando o time em que a bola não queimaria no pé, Pardal Batista tem optado por volantes mais experientes (os sub-óbito do nosso elenco), e os dois volantes da base que vinham se destacando no time principal perderam espaço, e recentemente foram liberados para jogar pelo time de aspirantes. Isto poderia fazer sentido se realmente eles ainda estivessem verdes, se de fato a bola queimasse no pé deles, entretanto isto não procede.

O ápice desta proposta se deu no jogo contra o botafogo, poucos dias depois de liberar Christian e Zé para os aspirantes e jogando sem o Magrão, Adilson optou por escalar o time com 4 volantes: David (36 anos), Donizete (36 anos), Wesley (31 anos) e Juninho (30 anos), sendo que o Juninho começou como um ponta direita e Wesley mais avançado como um armador.

Zé Ricardo

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Moral do jogo, o time foi muito lento no jogo, não tinha transição rápida da defesa para o ataque e nossa melhor chance criada de gol foi uma bola enfiada para o Juninho, que, por não ter um cacoete ofensivo, não conseguiu aproveitar a chance para finalizar ou tentar sofrer um pênalti.

Isto abriu bastante discussão no último programa do decadentes, será que os vovô-lantes são mesmo melhores que os oriundos da nossa base? Bem, em minha analise subjetiva de desempenho e na objetiva de dados estatísticos, não.

Como sei que a análise subjetiva cabe muita discussão, até porque os parâmetros de gostos podem ser muito pessoais e contaminados por outros fatores para além do futebol jogado de fato, ater-me-ei a explanação dos números.

O que dizem os números?

Juninho (30 anos):  22 jogos, 55 desarmes totais, sendo 48 destes certos. Média de 2.4 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 7 interceptações, com uma média de 0.3 por jogo. Comete um número de 1.4 faltas por jogo, índice de 86.5% de passes certos e de 47.7% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.4 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 10 vezes, apresentando uma media 0.5 por jogo e tendo marcado 2 gols.

Christian (22 anos):  8 jogos, 16 desarmes totais, sendo 15 destes certos. Média de 2.0 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 6 interceptações, com uma média de 0.8 por jogo. Comete um número de 0.4 faltas por jogo, índice de 91.8% de passes certos e de 50% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.6 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 10 vezes, apresentando uma média 1.3 por jogo e tendo marcado 1 gol.

Magrão (33 anos): 15 jogos, 22 desarmes totais, sendo 20 destes certos. Média de 1.5 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 3 interceptações, com uma média de 0.2 por jogo. Comete um número de 1.3 faltas por jogo, índice de 88.1% de passes certos e de 60% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.9 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 13 vezes, apresentando uma média 0.9 por jogo e tendo marcando 2 gols.

Magrão

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Donizete (36 anos): 19 jogos, 24 desarmes totais, sendo 20 destes certos. Média de 1.3 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 8 interceptações, com uma média de 0.4 por jogo. Comete um número de 1.5 faltas por jogo, índice de 91.8% de passes certos e de 48.3% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.3 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 6 vezes, apresentando uma média 0.3 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

David (36 anos): 6 jogos, 6 desarmes totais, sendo 6 destes certos. Média de 1 desarme por jogo. Conseguiu também fazer 4 interceptações, com uma média de 0.7 por jogo. Comete um número de 1.2 faltas por jogo, índice de 92.3% de passes certos e de 60% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.2 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 2 vezes, apresentando uma média 0.3 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

Wesley (31 anos): 16 jogos, 10 desarmes totais, sendo 8 destes certos. Média de 0.6 desarmes por jogo. Conseguiu também fazer 1 interceptação, com uma média de 0.1 por jogo. Comete um número de 1.1 faltas por jogo, índice de 92.8% de passes certos e de 46.7% de lançamentos certos. Possui uma média de 0.4 passes para finalização por jogo, tendo finalizado ele mesmo 4 vezes, apresentando uma média 0.4 por jogo sem ter marcado nenhum gol.

Wesley

Fonte: Mourão Panda(@photompanda) / América MG

Zé Ricardo (22 anos):  115 minutos jogados espalhados por 6 jogos, tendo feito 3 desarmes, todos eles certos e também tem 1 interceptação, média de 0.5 faltas por jogo, índice de 90.4% de acerto de passes e de 40% de lançamentos certos. Finalizou 3 vezes nestes 115 minutos, sem ter marcado nenhum gol.

Os meninos são alvi-verdes, mas não estão verdes

Os números do Christian impressionam, ele só fica atrás do Juninho em termos de desarmes por jogo, e só fica atrás do Donizete em termos de interceptação por jogo, somando as duas estatísticas não seria leviano especular que ele é o melhor recuperador de bolas do nosso elenco. Entretanto sua contribuição ofensiva é ainda mais impressionante, sendo o que mais finaliza em média e o segundo que dá mais passes para finalização, tendo já marcado um gol (e que golaço). No entanto, dos volantes que temos parece ser a última opção para o Adilson, não figurando nem no banco de reservas na maioria dos jogos.

Os números do Zé Ricardo ficam um pouco mascarados pela falta de minutos jogados, mas chama a atenção também a participação ofensiva dele nestes minutos, sendo que a maioria deles jogados no final de partidas, entrando mais para ajudar a segurar o placar. Vale lembrar que o Zé foi adaptado a posição de primeiro volante pelo posto, na base ele sempre saiu muito mais pro jogo, tendo sido inclusive utilizado na linha de 3 meias do 4-2-3-1 em algumas situações.

Cabe ressaltar que de fato Wesley e David deram uma melhorada em relação ao desempenho inicial de ambos, entretanto ainda sim, contribuem pouco defensivamente para o time, e a contribuição ofensiva que lhes seria o ponto mais forte deixa a desejar em relação a outras opções.

Treinadores de futebol são famosos por ser muito agarrados a suas convicções, mas espero que o Adilson Batista abra os olhos e de mais chances ao Christian e ao Zé Ricardo, a entrada dos dois não representariam apenas a rejuvenescida de nossa volância, trará ganhos de performance para além de acelerar bastante a transição. A chave para que o futebol defensivista atual se torne o tão aclamado futebol reativo pode passar por estes dois, pois teríamos tanto a pegada que nos faltou no último jogo, como velocidade na transição e um melhor poder de finalização. Continuar lendo

Torcida do América precisa ir mais aos jogos

 

América

Foto: Mourão Panda / América

Os números são claros: o Coelhão tem a segunda pior média de público da Série A até aqui, com pouco mais de 4.500 torcedores por partida – contando a correção do público diante do Botafogo, o que o globoesporte ainda não fez. Só o Vasco está logo atrás, e sabemos que eles têm todas as chances de nos ultrapassar. Mas não desejo o aumento da torcida nas arquibancadas apenas para fins estatísticos. Mais americanos no NOSSO ESTÁDIO Independência significa muito mais do que isso…

 

Pressão na arbitragem

Vocês viram o que aconteceu a um minuto do intervalo do jogo contra o São Paulo. É verdade que foi pênalti, mas é porque foi contra o São Paulo. Normalmente não se marca lances assim, ainda mais a favor do América.

Além disso, o senhor Bruno Arleu de Araújo, o dono do apito, marcou todas as faltinhas a favor do São Paulo, mas quase nenhuma para o América. Onde estavam os cartões para o time visitante? Em algum lugar bem oculto das vestimentas do árbitro, possivelmente bem difícil de acessar. No cômputo geral, pode-se dizer que o árbitro freou o ímpeto do Coelhão, que também cometeu seus erros, claro.

Com mais torcida no estádio, a pressão sobre a arbitragem a cada lance teria aumentado, talvez inibindo-a de dar alguma falta ou cartão. Não é balela afirmar isso. Diante do Botafogo, salvo engano, a reclamação da torcida resultou num amarelo para um jogador adversário que o árbitro não daria sem o barulho.

 

Pressão no adversário

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Foto: Mourão Panda / América

Se as decisões do árbitro podem ser de alguma forma influenciadas, a presença de mais americanos no Independência também pode acuar o adversário. Ainda mais levando-se em conta o sistema de jogo de Enderson Moreira, que ficou mais equilibrado depois da entrada de Aderlan em lugar da formação com três atacantes – falta melhorar a recomposição, principalmente após a bola parada a nosso favor, pois não podemos cometer erros crassos nos grandes embates da Série A.

 

Qualidade do time

O América está jogando as partidas, construindo lances ofensivos, levando perigo a todos os adversários. Diante do São Paulo, não fosse o pênalti marcado na boca do intervalo, a partida se desenhava para uma virada do Coelhão, que estava muito bem. Não nos esqueçamos dos outros três pontos tirados de nós contra o Ceará, dessa vez de forma clara e reconhecida pela própria CBF.

Hoje, o americano que olha para a tabela da Série A e observa o América na 11ª posição com dez pontos, quatro acima da zona de rebaixamento, não pode achar que a situação está ruim. Nas participações anteriores, costumávamos estar como Paraná e Ceará: sem vitórias, na lanterna e já apontados como virtuais rebaixados.

 

Vá ao estádio!

Portanto, cabe a nós torcedores comprar os ingressos ou fazer o sócio-torcedor, não importa. Precisamos estar presentes em carne e osso nas arquibancadas do NOSSO ESTÁDIO Independência, pois isso não fará diferença apenas na média de público.

O elenco e a comissão técnica merecem esse voto de confiança, pois estão nos mostrando que podemos, sim, continuar na Série A em 2019. Temos que dar nossa parcela de contribuição durante todos os 90 minutos em casa daqui para frente, pois podemos fazer a diferença a nosso favor!

TODOS AO INDEPENDÊNCIA. PARA, JUNTOS, FAZERMOS HISTÓRIA.

Matheus Laboissière

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Somos força de primeira na Série B, mas queremos nos manter na Série A

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2017 já ficou pra trás. O América terminou a Série B como o time mais competitivo na era dos pontos corridos. Em 12 anos (de 2006 a 2017) disputamos a Série B somente 6 vezes (2010, 2012 a 2015 e 2017) mas, mesmo assim, fomos o time que mais rodadas permaneceu dentro do G4.

Superamos times como Náutico, Avaí e Criciúma que, apesar de disputarem mais vezes, não conseguiram “chegar” tantas vezes.

Série B – pontos corridos – 2006 a 2017
Equipes mais competitivas Rodadas em que permaneceu no G4 Participações Acessos
América MG 105 6 3
Vasco da Gama 95 3 3
Náutico 89 7 2
Coritiba 87 3 2
Vitória 84 4 3
Avaí 77 7 3
Ponte Preta 73 6 2
Criciúma 72 7 1
Atlético GO 70 5 2
Sport 70 4 3

Além disso, somos o 6º time que mais pontuou na Série B de pontos corridos. Superamos times como São Caetano, Vila Nova, Portuguesa, Ponte Preta e América-RN que jogaram mais vezes (ou o mesmo tanto) e não conseguiram pontuar como nós.

E, se considerarmos a média de pontos por temporada, estamos no mesmo patamar de Coritiba, Vitória e superamos o Sport.

Maiores vencedores da série B – em pontos corridos
Equipe Pontuação Número de participações Média
Ceará 541 10 54,10
Paraná 519 10 51,90
Bragantino 450 9 50,00
Avaí 407 7 58,14
Náutico 381 7 54,43
América MG 374 6 62,33
Criciúma 371 7 53,00
São Caetano 371 7 53,00
Vila Nova 370 8 46,25
Ponte Preta 342 6 57,00
Portuguesa 338 6 56,33
América RN 338 7 48,29
Maiores vencedores da série B – em pontos corridos
Equipe Pontuação Número de participações Média
Corinthians 85 1 85
Palmeiras 79 1 79
Botafogo 72 1 72
Chapecoense 72 1 72
Atlético MG 71 1 71
Atlético PR 71 1 71
Internacional 71 1 71
Vasco da Gama 204 3 68
Coritiba 199 3 66,33
Vitória 256 4 64
América MG 374 6 62,33
Sport 244 4 61
Avaí 407 7 58,14


Outra marca importante do Coelhão nessa Série B de pontos corridos é que somos o 2º melhor time visitante. O América conseguiu 43 vitórias fora de casa jogando seis anos e só perde pro Ceará (que ganhou 44 vezes fora de casa, mas precisou de 10 temporadas pra conseguir isso). Coelhão é visitante carrasco sim senhor!

Os maiores visitantes carrascos na era dos pontos corridos – série B
Equipe Número de vitórias como visitante participações média
Ceará 44 10 4,40
América MG 43 6 7,17
Paraná 40 10 4,00
Bragantino 39 9 4,33
Vila Nova 38 8 4,75
Portuguesa 36 6 6,00
São Caetano 36 7 5,14
Ponte Preta 33 6 5,50
Avaí 30 7 4,29
Atlético GO 28 5 5,60

Considerando vitórias como um todo, dentro e fora de casa, o América é TOP5. Temos 108 vitórias nesses 6 anos de participações e só estamos atrás de times que jogaram mais vezes como Ceará, Paraná, Bragantino e Avaí.

Se considerar a média de vitórias por temporada, de novo estamos no mesmo patamar do Vitória e superamos o Sport.

Maiores vencedores da série B – em pontos corridos
Equipe Número de vitórias Número de participações Média
Ceará 143 10 14,30
Paraná 140 10 14,00
Bragantino 125 9 13,89
Avaí 114 7 16,29
América MG 108 6 18,00
Náutico 107 7 15,29
Vila Nova 102 8 12,75
Criciúma 101 7 14,43
São Caetano 97 7 13,86
América RN 92 7 13,14
Ponte Preta 92 6 15,33
Portuguesa 92 6 15,33
Maiores vencedores da série B – em pontos corridos
Equipe Número de vitórias Número de participações média
Corinthians 25 1 25
Palmeiras 24 1 24
Atlético PR 21 1 21
Botafogo 21 1 21
Atlético MG 20 1 20
Chapecoense 20 1 20
Internacional 20 1 20
Coritiba 58 3 19,33
Vasco da Gama 57 3 19
Vitória 75 4 18,75
América MG 108 6 18,00
Sport 70 4 17,5

Mas como eu disse, 2017 já ficou pra trás. O que o Coelhão precisa agora é se superar e construir seus números na Série A. Já que estamos chegando no patamar de clubes como Vitória e Sport, agora precisamos nos manter lá, assim como eles.

Que 2018 seja o primeiro degrau dessa escada longa que ainda temos pra subir.  E os Decadentes estarão aqui pra mostrar cada passo dessa escalada! O primeiro é neste domingo, contra esse mesmo Sport que já superamos nos números da B.

Força Coelhão!

Sérgio Tavares Salviano
twitter.com/stsalviano


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Qual o tamanho da torcida do América?

A torcida do América sempre foi zuada por ser pequena, uma torcida que cabe dentro de uma Kombi. Inclusive a diretoria americana já fez uma ótima jogada de marketing usando este mote. Mas será que é isso mesmo? E será que sempre foi assim?

O Decadentes teve acesso a um levantamento do torcedor americano Rodrigo Carvalho sobre diversas pesquisas feitas ao longo do tempo e podemos ver um pouco destas transformações.

Mas antes, começando na época do Deca Campeonato, uma época de futebol amador em que nem arquibancadas existiam nos campos onde os jogos eram disputados. A torcida, que eram os sócios do clube, levava cadeiras de armar e assistia os jogos ali, ao lado do campo. Mas, com certeza, foi em decorrência dessa época, com conquista do Deca pela equipe americana, que fomos vencedores da chamada Taça Líder em 1930.

A Taça Líder era um concurso de popularidade feito pelo Jornal Folha da Noite. As urnas ficavam espalhadas por varias regiões de Belo Horizonte, como bares, farmácias, etc. Qualquer pessoa podia votar. Em 1930 nosso Coelhão foi eleito pela população da cidade como o time mais simpático.

Foto de página da Enciclopédia do América de Carlos Paiva com parágrafo e foto da Taça Líder

Foto de página da Enciclopédia do América de Carlos Paiva com parágrafo e foto da Taça Líder.

Até a década de 50, se nossa torcida não era a maior, com certeza disputava palmo a palmo com o Atlético a paixão da maioria dos belo-horizontinos. Era a época do Clássico das Multidões. Mas, será que trazido para números de hoje, estas multidões eram assim tão grandes? A sensação era de que éramos hegemônicos. Será que éramos mesmo?

Aí, em meados de 65, temos outra pesquisa, agora feita pelo jornal Estado de Minas, mas seguindo a mesma dinâmica daquela feita em 1930. Urnas foram espalhadas em vários pontos da capital e, dessa vez, também em algumas cidades do interior. Para se votar era necessário comprar a cédula. Foram computados quase 700 mil votos e o resultado foi este abaixo:

Estado de Minas, em 02 de julho de 1965:

1º Atlético:   344.374 votos – 54,1%
2º Cruzeiro:   169.897 votos – 26,7%
3º América:     44.673 votos – 7,0%
4º Siderúrgica: 32.122 votos – 5,1%
5º Vila Nova:   19.912 votos – 3,1%
6º Democrata:   10.338 votos – 1,6%
7º Guarani:      8.515 votos – 1,3%
8º Uberlândia:   4.144 votos – 0,7%
9º Renascença:   2.663 votos – 0,4%

Já dá pra ver que nosso tamanho se parece mais com o que temos hoje em dia do que nas lendas do Clássico das Multidões, né?

Em seguida, chegando na década de 70, finalmente temos pesquisas feitas com metodologia científica de amostragem. Agora não se trata mais de números absolutos, em contraponto, agora temos mais rigor nas avaliações. Em 71 a revista Placar publicou a pesquisa do Instituto Gallup em Belo Horizonte.

Revista Placar, edição nº 94, de 31.12.1971:

1º Atlético: 43%
2º Cruzeiro: 42%
3º América: 5% – 60.000*
Outros: 1%
Nenhum: 9%
*Considerando a população de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 1.255.000 habitantes  conforme dados do IBGE 1970.

Repare que os números absolutos, aqui estipulados através do que o IBGE pesquisava na época, estavam bem próximos do que tinha sido demonstrado na pesquisa anterior do jornal Estado de Minas (60 mil e 45 mil).

A seguir, pulando pra década de 90, com os grandes clubes brasileiros já massificados pela televisão, temos três pesquisas feitas. A primeira encomendada pela Placar em 93, agora em toda a região metropolitana e feita pelo Ibope.

1º Atlético: 38,5%
2º Cruzeiro: 37,9%
3º Flamengo: 5,1%
4º Vasco: 1,8%
5º São Paulo: 1,2%
6º América: 0,9% – 30.000*
7º Botafogo, Corinthians, Grêmio, Internacional e Santos: 0,3%:
Nenhum: 9,3%
* Considerando a população da Região Metropolitana de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 3.500.000 habitantes conforme dados do IBGE 1990.

A segunda, encomendada ao Instituto Perfil pelo Jornal Hoje em Dia, em 1996, e apenas na cidade de Belo Horizonte.

1º Atlético: 39,9%
2º Cruzeiro: 34,3%
3º América: 4 % – 80.000*
Outros: 0,7%
*Considerando a população de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 2.100.000 habitantes  conforme dados do IBGE 1990-2000.

E a terceira, feita pelo Ibope, publicada pelo jornal Lance!, em 1998, de novo, na Região Metropolitana:

1º Cruzeiro: 26%
2º Atlético: 16%
3º América: 0,5% – 20.000*
Outros: 22%
*Considerando a população da região metropolitana de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 4.200.000 habitantes conforme dados do IBGE 2000.

Nestas 3 pesquisas temos uma grande variação, de 80 mil em 96 pra 20 mil em 98. Mas isso não significa necessariamente um retrocesso, pois está dentro da margem de erro da pesquisa.

E então chegamos no século XXI e temos uma profusão de pesquisas. O jornal Lance! encomendou ao Ibope duas pesquisas, uma em 2001 e outra em 2004. Ambas na Região Metropolitana de BH. Veja os resultados:

2001:
1º Cruzeiro: 46%
2º Atlético: 35%
3º América e Vasco: 1,0% – 43.000*
Nenhum: 15%
Outros: 2%
*Considerando a população da região metropolitana de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 4.350.000 habitantes conforme dados do IBGE 2000.

2004:
1º Cruzeiro: 32,8%
2º Atlético: 16,9%
3º Flamengo: 8,4%
4º Corinthians: 4,7%
5º América: 1,1% – 56.000*
Outros: 23,5%
*Considerando a população da região metropolitana de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 5.100.000 habitantes conforme dados do IBGE 2000-2010.

De novo, temos números mais próximos daqueles apresentados nas décadas de 60 e 70.

Em seguida, no mesmo ano de 2004, temos uma pesquisa do Jornal Hoje em Dia, encomendada ao Instituto Nexus e feita somente em Belo Horizonte.

1º Atlético: 46,9%
2º Cruzeiro: 46,2%
3º América: 4,4% – 100.000*
4º Flamengo: 1%
5º Corinthians: 0,5%
6º Botafogo, Fluminense, Santos e São Paulo: 0,2%
* Considerando a população de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 2.300.000 habitantes  conforme dados do IBGE 2000-2010.

Depois, em 2008, temos uma pesquisa feita pelo DataFolha em Belo Horizonte:

1º Cruzeiro: 38%
2º Atlético: 34%
3º Flamengo, Corinthians e Palmeiras: 1%
6º América, São Paulo, Vasco, Santos e Fluminense: menos de 1% cada. – 20.000*
11º não torcem: 23%
*Considerando a população de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 2.350.000 habitantes  conforme dados do IBGE 2010.

Em seguida, em 2010 temos a pesquisa feita pelo Ibope, publicada pelo jornal Lance! em Belo Horizonte.

Times do estado de Minas Gerais:
1º Cruzeiro: 30,5%
2º Atlético: 23,6%
3º América: 1,1% – 26.000*
4º Ipatinga/ Uberaba: 0,1%

Times de outros estado:
Flamengo: 7,7%
Corinthians: 5,5%
Não torcem para nenhum time: 19,4%
*Considerando a população de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 2.375.000 habitantes  conforme dados do IBGE 2010.

De novo uma grande variação, agora até maior, de 100 mil em 2004 pra 20 mil em 2008. Mais uma vez, números que estão dentro da margem de erro das pesquisas.

E finalmente, chegando na década atual temos as duas últimas pesquisas. A primeira, de 2014, feita pela Pluri Consultoria, encomendada pelo Blog do Gustavo Hoffman da ESPN, com o resultado já em números absolutos:

Cruzeiro: 6.867.000
Atlético: 4.776.000
América: 68.000

E a segunda feita quando da eleição para prefeito na capital em 2016. Os institutos Giga e Datafolha fizeram pesquisas de intenção de voto e aproveitaram para perguntar qual o time do eleitor. Obviamente que a pesquisa foi feita somente em Belo Horizonte.

Cruzeiro 36% a 40%
Atlético 33% a 38%
América 2% – 50.000*
*Considerando a população de Belo Horizonte nesse período de aproximadamente 2.520.000 habitantes  conforme dados do IBGE 2017
.

Estas duas últimas, já com métodos de pesquisa mais apurados e portanto com uma margem de erro menor.

Torcida americana lotando o indepa em 2017 - foto Mourão Panda

Torcida americana lotando o Indepa em 2017- foto Mourão Panda

Resumindo, pra você leitor que se perdeu depois de tantos números e pesquisas, um quadro com as datas e os números aproximados descritos nas pesquisas. Lembrando que, como a margem de erro destas pesquisas é de 3% a 4%, as diferenças encontradas podem ser muito bem explicadas.

Ano Publicação Torcedores
1965 Estado de Minas 45.000
1971 Placar 60.000
1993 Placar 30.000
1996 Hoje em Dia 80.000
1998 Lance! 20.000
2001 Lance! 43.000
2004 Lance! 56.000
2004 Hoje em Dia 100.000
2008 Datafolha 20.000
2010 Lance! 26.000
2014 ESPN 68.000
2016 Giga/ Datafolha 50.000

A conclusão a que podemos chegar é que a torcida não variou tanto assim ao longo da sua história. O resultado encontrado em 1965 é quase o mesmo que o encontrado em 2016. Obviamente que, como as populações aumentaram, o percentual diminuiu, mas a resistência continua a mesma!

Um brinde a estes abnegados! Vai, Coelhão!

Sérgio Tavares
twitter.com/stsalviano


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Santo de casa não faz milagre…

Headere_Estatisticas_2018

Existe uma teoria de parte da torcida americana: técnicos mineiros no América respeitam demais a dupla fajuta.

Pra comprovar isso (ou não), o Decadentes fez um levantamento dos últimos 13 anos, de 2005 até hoje. Nesse período passaram pelo Coelhão 23 técnicos, mas somente 16 ficaram aqui tempo suficiente pra jogarem contra Atlético/Patético e Cruzeiro/Marias, são eles:

Os mineiros Léo Condé, José Angelo, Flávio Lopes, Vantuir Galdino, Procópio Cardoso, Alemão, Marco Aurélio, Mauro Fernandes, Moacir Junior e Enderson Moreira. E os forasteiros José Maria Pena, Nedo Xavier, Givanildo, Paulo Comelli, Silas e Sérgio Vieira.

Nesses 13 anos, jogamos contra a duplinha 52 vezes, entre amistosos e jogos oficiais, seja no mineiro, no brasileiro ou na primeira liga e nosso retrospecto geral é modesto: são somente 9 vitórias, 17 empates e 26 derrotas. Um aproveitamento de somente 28,2%.

Desses 16 técnicos, 10 nasceram em Minas Gerais e 6 são forasteiros. Entretanto, a quantidade de clássicos dirigidas por mineiros e forasteiros é bem próxima. dos 52 jogos, 28 foram dirigidos por mineiros e 24 por “estrangeiros”.

E, pelo menos neste período analisado, a teoria se comprova. Veja no quadro abaixo:

2005 a 2018 Vitórias Empates Derrotas Aprov
Técnicos Mineiros 2 9 17 17,9%
Técnicos Forasteiros 7 8 9 40,3%

Mesmo com 4 jogos a menos, os treinadores de fora das montanhas das alterosas têm um retrospecto maior que o dobro dos mineiros.

Dos citados acima, o que mais disputou clássicos é o velho  Givanildo “Mito” Oliveira com a marca de 18 clássicos nesse período sendo 6 vitórias, 8 empates e 4 derrotas, um aproveitamento de 48%.

Já nosso atual técnico, o mineiro Enderson Moreira (não confundir com o “Pospiranga”) não tem o mesmo desempenho, mesmo estando a quase 600 dias dirigindo o Coelhão mais heavy metal do mundo, não conseguiu uma única vitória em clássicos sendo 7 jogos até agora com um empate e seis  derrotas, retrospecto de 4,7%.

Veja nos quadros abaixo o retrospecto de todos os técnicos citados:

Técnicos Mineiros Vitórias Empates Derrotas Aprov.
Léo Condé 0 0 1 0,0%
José Ângelo 1 0 0 100,0%
Flávio Lopes 0 3 0 33,3%
Vantuir Galdino 0 0 1 0,0%
Procópio Cardoso 0 0 1 0,0%
Alemão 0 0 1 0,0%
Marco Aurélio 0 1 0 33,3%
Mauro Fernandes 1 3 5 22,2%
Moacir Junior 0 1 2 11,1%
Enderson Moreira 0 1 6 4,8%
Técnicos Forasteiros Vitórias Empates Derrotas Aprov.
José Maria Pena 0 0 1 0,0%
Nedo Xavier 1 0 0 100,0%
Givanildo 6 8 4 48,1%
Paulo Comelli 0 0 2 0,0%
Silas 0 0 1 0,0%
Sérgio Vieira 0 0 1 0,0%

Está na hora de pensar racionalmente e entender que em Minas existem três grandes: o América e outros dois  já citados acima, sendo assim é hora de  enfrentar a duplinha como se enfrenta o Vila Nova.

O América nada teme!

Sérgio Tavares e Ramon Gregório


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