Os quatro exilados
Quem vai se dispor a criticar um técnico que está sendo vitorioso? Infelizmente é preciso. A crítica em geral só é nociva aos vaidosos e aos condescendentes. Para o humilde, a crítica é o início de uma melhoria.
Essa coluna não quer tirar os méritos de Adílson Batista, inclusive pelas anteriores desde a sua chegada terem sido sempre elogiosas e portanto, não há razão para que uma invalide outras. Conquistamos mais pontos e estamos melhor agora do que na era Enderson. Então por que a crítica?
Quis Custodiet ipsos custodes?
A frase latina acima é do poeta romano Juvenal e pergunta “Quem vigia os vigilantes?”. É um aviso de que mesmo aqueles que prestam bom trabalho precisam de supervisão. Ontem a tarde foi divulgada a notícia de que Sabino, Ademir, Christian e Zé Ricardo foram enviados ao grupo de atletas sub-23, os Aspirantes do Coelhão. No programa de domingo passado, comentamos o fato de Ademir e Christian estarem treinando em separado.
Como não faço parte do grupo do América ou da diretoria, tudo escrito daqui pra frente é a opinião de um torcedor sem nenhum tipo de informação privilegiada e na melhor das hipóteses, representa as conversas de porta de Independência sobre o assunto.
Considero muita injusta essa involução dos quatro, demovidos da equipe principal para a de aspirantes. Não tenho procuração pra defender nenhum deles. Com todo o respeito a equipe de aspirantes, que tem feito bonito em seu campeonato, estamos tirando desses meninos a oportunidade de jogar em nível de Série A, com jogadores qualificados e toda a pompa e circunstância que a cerca.
Caso a caso

Fonte: Site do América / Plantel
O zagueiro Sabino é de quem menos posso falar. Contratado para a equipe de aspirantes em abril, compôs elenco até a chegada de Paulão. Como não o vimos jogar e pela juventude até não me parece algo tão descabido sua volta aos aspirantes. Entretanto, é preciso destacar o efeito psicológico sobre ele e os outros três. Enquanto a promoção deve ter sido comemorada, qual o efeito do caminho contrário?
Ademir “Fumacinha”, promessa que veio da Patrocinense e fez alguns jogos no Coelhão teria espaço nesse time. Fez algumas raivas? Fez. Mais do que Marquinhos, por exemplo? Mais do que Wesley? Para esses houve paciência. Ademir teve uma grande variação nos jogos em que participou, atuando bem e mal. Natural em um jogador jovem como os próximos dois casos.
Zé Ricardo passou de craque a nada em menos de um mês. Consistentemente eleito melhor jogador no Campeonato Mineiro, teve uma queda absurda em seu rendimento nos dois jogos da Semi contra a cachorrada. As teorias da conspiração das catracas do Independência são muitas. Algumas dizem que ele deslumbrou com o seu próprio futebol, outras que amarelou. Depois disso, raramente entrou até o episódio de ontem. Na minha opinião, seu futebol não acabou. Não se esquece o que se ama tanto. E o Zé do Coelho joga bola sim! E se estou errado, devemos punir severamente quem renovou seu contrato. Se seu futebol variou em qualidade, é por sua juventude, mas não por seu amor ao América que já foi demonstrado algumas vezes.
Por último, a maior de todas as injustiças: Christian. Nosso volante e vez em quando lateral tem muito lugar nesse time do Adílson Batista. Veja, estamos falando de um plantel de meio de campo que sem Zé Ricardo e Christian, tem como volantes Donizete, Wesley, Juninho, David e só. Christian nunca fez um jogo ruim no Coelho. Todos os seus jogos foram de discretos a positivos, em alguns até se destacando. Portanto não consigo vê-lo atrás de um David, que esse ano tem feito bons jogos. Mas bons jogos o Christian também sempre fez.
Minhas preocupações
Adílson Batista já parece estar transformando o América em uma panelinha. Todo técnico tem suas paixonites e o técnico que barrou Sorín nas meninas pra escalar Magrão tem histórico disso. Sobra paciência com os figurões, o que pode e parece estar funcionando pra alguns.
Um efeito dessa fixação pelos jogadores mais rodados do elenco já foi sentido no jogo com o Ceará. Um time envelhecido, cansado da sequência de jogos, que não conseguiu apresentar nada. Na entrevista, Adilson culpou calendário, CBF, política, tudo quanto há. Mas veja, sem defender o indefensável calendário, as datas estão dadas há quase dois meses. É dever do técnico se planejar para isso. E justamente nesses casos é que jogadores mais jovens fazem a diferença. Sentem menos a sequência e aproveitam as oportunidades dadas com mais afinco. O exílio dos quatro meninos só colabora com o envelhecimento do time titular e reserva.
Por último, me preocupa o “day after“, o dia após o fim do campeonato. Segundo o site Transfermarkt , Adílson e quase todos os nossos jogadores tem contrato até dezembro de 2018, com pouquíssimas exceções, entre eles os quatro transferidos. Então imaginem o fim do campeonato. Permanecendo ou não, teremos que reformar o time todo. Renovar com alguns, liberar outros. Por tanto, manter aqueles sob contrato dentro do elenco teria um efeito positivo de continuidade.
Essa politicagem interna do América me cansa demais. Toda informação é secreta e crucial demais para ir a público. O torcedor médio deve ser protegido de viver seu clube. Precisamos melhorar muito esse jeito “colégio de freiras” de ser da direção do América. Nos envolvam. Queremos mais.
Grande abraço a todos e vitória no Rio!
Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr
Decadentes #156 – América 0x0 Ceará (Brasileirão 2018)
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Pelada horrenda, o pior jogo da era Adilson Batista até o momento, largamos dois pontos em casa.
CONVIDADO: YURI IBIAPINA DO VOZÃO CAST | Podcast | Twitter
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VOTAÇÃO: AFC 0x0 CEA | BALA E COLATINA
Decadentes #155 – América 2×1 Vasco (Brasileirão 2018)
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Vencemos! Jogo consistente e vitória convincente. Dá-lhe, Coelhão!
CONVIDADOS: RAMON GREGÓRIO, EURICO REIS E THALES MACIEL
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Decadentes #154 – Vitória 1×0 América (Brasileirão 2018)
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Perdemos… Com um apito lamentável e um gol cagado, os baianos fizeram o resultado em casa.
CONVIDADOS: ANDRÉ GUIMARÃES E THEO “MAGRONETE”
Excepcionalmente, esse episodio não foi editado ou publicado no feed. Vejam direto do YouTube.
Votação: VIT 1×0 AMG | Bala e Colatina da Partida
Meu Herói, por Alexandre Dolabela Dias
Uma das coisas mais gratificantes em participar do Decadentes é prover espaço a todos os americanos. E foi nesse espírito que o Alexandre Dolabela Dias, leitor desse espaço e ouvinte do programa, leu a coluna de ontem do Rodrigo sobre o campeonato de 73 (73 – o ano que devemos repetir) e decidiu contar um pouco sobre o jogo em que o Neneca foi expulso, que reproduzo abaixo com a autorização dele. Parabéns pelo texto, Alexandre! Me emocionou muito, mesmo não tendo vivido este jogo e muito obrigado a você e ao Rodrigo por dividirem outros capítulos dessa história linda que é o América.
MEU HERÓI
Nunca tive um herói na infância. Falo de heróis famosos tipo Zorro, Super Man, Flash. Mas naquela tarde no Mineirão ele me apareceu…
Tarde cinzenta de domingo no Gigante da Pampulha que recebia grande público apesar do mau tempo . Era um dia de dezembro de 1973 e meu América jogaria contra o Atlético pelo Campeonato Brasileiro. A nossa fiel e apaixonada torcida fazia uma boa presença e a torcida do Atlético, numerosa e vibrante, ocupava a maior parte das arquibancadas.
Dois grandes times se enfrentariam no clássico. De um lado estava o Galo que fazia uma campanha regular no campeonato e tinha grandes jogadores e o mítico Tele Santana como técnico. Do outro o Coelho que vinha de várias partidas invicto, grandes vitórias e cumpria espetacular campanha num longo Campeonato Brasileiro.
Na pré-hora do jogo, ainda nos bares do estádio, fui surpreendido pela gente americana ou pelo menos a maioria dos nossos torcedores estranhamente tomada de excessiva confiança no triunfo. Confiança justificada, é claro, pelo retrospecto do time e pela análise técnica de jogadores que vestiam a camisa verde e preta em 1973. Mas em verdade as considerações técnicas sobre os times e o retrospecto no Campeonato, nada disso importava à apaixonada torcida. Sentia-se independentemente de qualquer análise que para a gente americana o jogo estava ganho, o jogo era nosso.
Dentro daquele imenso estádio e em meio àquela multidão um sempre cauteloso jovem “alamedino”,meu apelido de infância, tinha o coração dividido, acostumado que estava a ver o Atlético vencer o América na maioria dos jogos no início da “Era Mineirão”. O coração incontrolavelmente verde queria cantar vitória mas a razão não permitia euforia e recomendava prudência.
Jogo equilibrado no início, com chances para os dois lados. Com o passar do tempo, porém, o Coelho foi dominando as ações e já no final do primeiro tempo de um clássico disputadíssimo o América mostrava um melhor futebol e ameaçava muito mais. A essa altura o placar já não mostrava o que acontecia em campo. Merecíamos pelo menos um gol, que não acontecia. Nossa torcida vibrava mas já transpirando ansiedade porque o placar não traduzia com justiça as ações de cada time no gramado.
Começa o segundo tempo e o que era domínio passa a ser supremacia absoluta. Resultado: um gol de Cândido logo de início e, alguns minutos após grande domínio do Coelho, outro gol de Pedro Omar. O 2 a 0 do América só fez justiça ao que acontecia no jogo.
Delírio da nossa torcida que não parava de gritar. Do outro lado a torcida do Atlético atônita e silenciosa… Parecia naquele momento tudo muito fácil e placar consumado. O time de Pedro Omar,Neneca, Vander, Spencer e Juca Show era o dono do jogo e o Galo completamente dominado… Era só administrar a partida e aumentar o placar. Spencer, um dos maiores craques do América e do futebol mineiro chegou a ser substituído por Alemão, que ainda teria papel importantíssimo naquele jogo espetacular.
De repente, porém, aconteceu aquilo que nem o mais pessimista americano poderia imaginar. Neneca, que juntamente com Leão eram os dois melhores goleiros daquele Brasileirão é expulso de forma injusta juntamente com Arlem do Atlético, que provocou a expulsão do goleiro. Lembro-me que fiquei atônito na arquibancada, não só porque perdíamos a nossa “muralha” mas também porque já havíamos feito as duas substituições permitidas. Silêncio total entre a torcida americana nas arquibancadas do Mineirão, ainda mais quando o nosso jogador de meio campo Alemão, substituto do Spencer no jogo, se encaminhou em direção ao gol e colocou a camisa do goleiro reserva que mais parecia um vestido no pequeno e baixo meio-campista . Como consequência, era previsível que teríamos de suportar uma grande pressão do Galo que nos via como um time “sem goleiro”.
E aconteceu exatamente assim. Nos minutos seguintes o Atlético foi desesperadamente pra cima do time americano , que se defendia como podia, com raça e técnica, inclusive com a participação importante do nosso Alemão, corajoso goleiro improvisado que para nosso alívio se desdobrava debaixo do gol.
Cinco minutos após a expulsão a pressão alvinegra ainda aumentava e quando o coração adolescente daquele americano já não aguentava mais e que um ou mais gols do Atlético seriam inevitáveis, aparece no jogo, com força descomunal e surpreendente , um ser de outro planeta. Aquele que já era o melhor jogador em campo ressurge em espetacular forma de um gigante: JUCA SHOW.
Passados 45 anos do dia daquele jogo ainda me emociono ao relembrar.
Aquele jogador alto , de pernas longas e corpo ligeiramente encurvado, de forma corajosa e com uma categoria inigualável, resolveu mostrar a todos presentes que naquele dia o jogo já tinha um dono. Aproximadamente aos 20 minutos do segundo tempo o herói americano decidiu: esse jogo a partir de agora é só meu. Pareceu-me a partir daquele instante que a bola do jogo era só sua pois praticamente até o final do jogo ficou com ela, seja recuperando-a nas investidas adversárias, seja fazendo inúmeras arrancadas em direção ao gol ou ganhando vários preciosos minutos de jogo nas laterais do campo . Para mim e para os presentes no gigante da Pampulha é até hoje inacreditável : em determinado momento do jogo com o adversário tentando retomar desesperadamente a posse de bola, aquele “monstro” de corpo curvado e pernas tortas ficou mais de um minuto,quase dois minutos seguidos com ela nos pés, fintando em progressão e para os lados, cercado por vários jogadores do Galo, mas não dando a menor chance aos jogadores alvinegros de retomar a bola. Lembro-me que a grande torcida do Atlético emudeceu diante de tamanha categoria e coragem. Parecia-me e a todos que só existia JUCA SHOW em campo. Repito:nunca vi nada igual, até hoje.
Surgia ali no gramado do Mineirão naqueles minutos finais do segundo tempo do jogo , ainda que um pouco tardiamente na minha vida, meu grande herói.
E mais, a única vez que tive a certeza absoluta que o América ganharia um clássico, mesmo que disputado em circunstâncias desfavoráveis. E foi exatamente assim. O Atlético ainda marcou um gol meio por acaso perto dos 35 minutos mas não me apavorei: já tinha me dado conta que no jogo tinha um super-homem capaz de resolver tudo e que ele estava do do nosso lado.
Final América 2 x 1 Atlético para alegria e festa indescritível dos americanos na saída do Mineirão, fato que deixou marcas fortes, indeléveis, na minha memória e no meu coração.
Obrigado, muito obrigado Juca Show, pela imensa alegria que você me deu nos gramados do Brasil. Obrigado Juca , também pelos bons momentos que passamos em estádios de Minas Gerais afora assistindo lado a lado na arquibancada até sua morte nos jogos do nosso querido América Futebol Clube.
Alexandre Dolabela Dias
73 – o ano que devemos repetir
Na década de 70, o campeonato brasileiro era bem diferente desse que conhecemos hoje em dia. Não existia ainda os pontos corridos e a quantidade de equipes participantes aumentou gradativamente ao longo dessa década. em 1971, no primeiro brasileiro eram 20, mas em 1979 tivemos 94 times participando.
E foi em meio a este cenário, sem rebaixamento e com 40 clubes disputando, que nosso Coelhão fez sua melhor campanha em um campeonato brasileiro. o Ano era 1973 e o campeonato era divido em 3 fases.
Na primeira fase, os 40 clubes foram divididos em dois grupos de 20 equipes cada. No 1º turno, os clubes se enfrentaram dentro dos próprios grupos em jogos de ida. No 2º Turno desta fase, ao invés de fazer os jogos da volta, os times foram divididos em 4 chaves de 10 clubes. Jogos também dentro dos próprios grupos.
Somando todos os pontos ganhos nesses dois turnos, os 20 clubes que melhores se classificaram foram para a segunda fase.
Na segunda fase os 20 clubes classificados foram separados em duas chaves de dez equipes cada. Jogos só em ida dentro dos grupos. Os dois primeiros de cada grupo, passaram para o quadrangular final.
A terceira fase foi um quadrangular, onde os quatro finalistas disputaram jogos só de ida, por pontos corridos, tornando-se campeão a equipe que somou mais pontos ganhos.
O América começou 73 com um time que não prometia muito. Mas equipe foi se acertando e terminou a primeira fase em 5º lugar. Na segunda fase até a terceira rodada liderou sozinho o campeonato. E, impressionante, ficou 17 partidas invicto. A equipe que se firmou era:
Neneca
Luís Carlos Beleza
Vander
Luís Alberto
Claudinho
Pedro Omar
Juca Show
Spencer
Eli Mendes
Cândido
Edson Ratinho
O time jogava bem, o cérebro e mentor das principais jogadas era Juca Show, mas o time era coeso, coerente e jogava um belo futebol. O comandante dentro de campo era Pedro Omar, único jogador que ganhou a Bola de Prata da Revista Placar jogando pelo América MG.

Time de 71 com destaque para Pedro Omar, que foi nosso líder na campanha espetacular de 73.
Em 17/10/1973, na 14º rodada do 1º turno, perdemos para o Bahia, foi 2 a 1 para o time baiano e a torcida pegou no pé do goleiro americano Nego. Logo depois, a diretoria contratou o Neneca, vindo do Londrina, que foi um dos destaques da equipe e se sagraria campeão brasileiro em 1978 pelo Guarani de Campinas.

Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1973
Após esse jogo com o Bahia ficamos 17 partidas sem perder. Segue abaixo a listagem dos jogos, em negrito a campanha invicta:
PRIMEIRO TURNO
1ª Rodada – 25/08/1973 – Sábado
CRB 0x1 América-MG
2ª Rodada – 29/08/1973 – Quarta-feira
América-MG 4×1 Sport
3ª Rodada – 31/08/1973 – Sexta-feira
América-MG 1×0 Fortaleza
4ª Rodada – 06/09/1973 – Quinta-feira
América-RJ 1×0 América-MG
5ª Rodada – 09/09/1973 – Domingo
Cruzeiro 1×0 América-MG
6ª Rodada – 12/09/1973 – Quarta-feira
São Paulo 1×0 América-MG
7ª Rodada – 16/09/1973 – Domingo
Moto Clube 0x0 América-MG
8ª Rodada – 10/10/1973 – Quarta-feira
Internacional 1×1 América-MG
9ª Rodada – 22/09/1973 – Sábado
América-MG 0x0 Tiradentes
10ª Rodada – 30/09/1973 – Domingo
Coritiba 0x2 América-MG
11ª Rodada – 03/10/1973 – Quarta-feira
América-MG 0x0 Fluminense
12ª Rodada – 06/10/1973 – Sábado
América-MG 1×1 Guarani
13ª Rodada – 14/10/1973 – Domingo
Figueirense 0x0 América-MG
14ª Rodada – 17/10/1973 – Quarta-feira
América-MG 1×2 Bahia
15ª Rodada – 20/10/1973 – Sábado
América-MG 1×1 Botafogo
16ª Rodada – 25/10/1973 – Quinta-feira
Corinthians 1×1 América-MG
17ª Rodada – 27/10/1973 – Sábado
CEUB 0x1 América-MG
18ª Rodada – 31/10/1973 – Quarta-feira
América-MG 2×0 Paysandu
19ª Rodada – 03/11/1973 – Sábado
Nacional 0x0 América-MG
SEGUNDO TURNO
1ª Rodada – 10/11/1973 – Sábado
América-MG 0x0 Vasco
2ª Rodada – 14/11/1973 – Quarta-feira
América-MG 1×0 Botafogo
3ª Rodada – 17/11/1973 – Sábado
Flamengo 1×1 América-MG
4ª Rodada – 24/11/1973 – Sábado
América-MG 1×0 Fluminense
5ª Rodada – 28/11/1973 – Quarta-feira
América-MG 1×1 América-RJ
6ª Rodada – 02/12/1973 – Domingo
América-MG 2×2 Cruzeiro
7ª Rodada – 08/12/1973 – Sábado
Atlético-MG 1×2 América-MG
8ª Rodada – 12/12/1973 – Quarta-feira
América-MG 4×0 Figueirense
9ª Rodada – 15/12/1973 – Sábado
América-MG 2×1 Olaria
SEGUNDA FASE
1ª Rodada – 13/01/1974 – Domingo
Vasco 1×2 América-MG Maracanã (RJ)
2ª Rodada – 16/01/1974 – Quarta-feira
América-MG 4×1 Ceará Mineirão (MG)
3ª Rodada – 19/01/1974 – Sábado
Tiradentes 0x2 América-MG Albertão (PI)
4ª Rodada – 23/01/1974 – Quarta-feira
Palmeiras 3×1 América-MG Pacaembu (SP)
5ª Rodada – 26/01/1974 – Sábado
América-MG 1×2 Atlético-MG Mineirão (MG)
6ª Rodada – 30/01/1974 – Quarta-feira
América-MG 1×0 Corinthians Mineirão (MG)
7ª Rodada – 03/02/1974 – Domingo
Internacional 1×0 América-MG Beira Rio (RS)
8ª Rodada – 06/02/1974 – Quarta-feira
América-MG 0x1 Coritiba Mineirão (MG)
9ª Rodada – 09/02/1974 – Sábado
Bahia 2×2 América-MG Fonte Nova (BA)
Alguns destes jogos foram memoráveis, por exemplo, no segundo jogo conta o Botafogo, no Rio de Janeiro, em 14/11, Neneca jogou com o pai recém falecido e o reserva era um garoto da base, pois os outros 2 goleiros estavam machucados.
No jogo contra o Cruzeiro, em 02/12, fizemos 1 a 0 e o Cruzeiro virou para 2 a 1. Entrou o Dirceu Belisquete e no final do jogo ele pegou uma bola (era veloz e habilidoso) driblou o zagueiro central do Cruzeiro, o Perfumo, driblou o quarto-zagueiro, Procópio Cardoso, que entrou forte e arrancou a chuteira dele e, de meia, Dirceu Belisquete cara a cara com o goleiro Raul. fez o gol de empate. Foi sensacional!
Em 12 de dezembro foi a vez de outro clássico contra o Atlético MG, torcida do América maior que a do Atlético que não fazia boa campanha. Primeiro tempo 0 a 0. No 2º tempo Juca Show pega uma bola em nossa intermediária dribla uns 3 vai até a linha de fundo na risca da grande área e rola para Cândido que solta a bomba, América 1 a 0, o goleiro do Atlético era Mazurkieviszk, goleiro da seleção uruguaia na Copa de 1970, aquele que tomou o drible genial do Pelé. Alguns minutos depois Juca Show faz jogada semelhante e desta vez a pancada foi do Pedro Omar. América 2 a 0. Posteriormente em um lance, o ponta direita do Atlético , Árlem, fez falta dura no lateral esquerdo do América, Claudinho e Neneca deram socos nele, ambos foram expulsos. Só que o América já havia feito as 2 substituições permitidas na época e Alemão, que havia entrado no meio de campo durante o jogo foi para o gol. Nesse período Juca Show pegou uma bola em nossa intermediária e saiu driblando, para lá, para cá, para frente, para trás, para os lados, um SHOW mesmo! Segundo disseram, mais de um minuto com a bola. Um gênio! O Atlético fez um gol e terminou América 2 a 1 Atlético.
Na época eu estava com 13 anos/14 anos e ficávamos na parte de baixo da arquibancada onde ficava a torcida do América e todos tínhamos bandeira e saímos correndo nos intervalos dos jogos com essas bandeiras por toda a arquibancada do Mineirão, recebíamos aplausos. Eu, Beto (irmão) , Marquinhos (primo), Rui (primo), Renato (irmão in memoriam), Dadinho e outros mais, Éramos a inocência e aquela paixão pelo América!
Ao terminar a primeira fase (14 partidas invicto), uma briga entre o presidente e o técnico Orlando Fantoni resultou na demissão deste, que ao sair disse: “Uma pena, eu faria esse time campeão!”
No 1º jogo da 2ª fase no maracanã enfrentamos o Vasco, foi no início de janeiro, eles fizeram 1 a 0, Juca Show empatou e Cândido fez o gol da vitória, vencemos o Vasco no Maracanã, e no mesmo ano, o Vasco foi campeão brasileiro, mas de 1974. A torcida do América que foi em bom número ao Maracanã, foi cercada pela torcida do Vasco, em plena arquibancada, muito mais numerosa e foi covardemente agredida, com a detecção e certa passividade da polícia carioca. Mas em campo, Juca Show, foi SHOW, foi GÊNIO. Foi TUDO! Após o jogo algumas palavras foram:
– João Saldanha: “Vocês queriam um novo Didi? Está aí, Juca Show!”
– Nelson Rodrigues: “Zagalo: Você está intimado a convocar Juca Show para a Copa do Mundo da Alemanha!”
– Um outro que não me recordo: “Zagalo: A seleção brasileira é Juca Show e mais dez!”
– Armando Nogueira escreveu em sua boa coluna: “Seu nome é o Show!”
Nesta Segunda Fase, que se estendeu por janeiro e fevereiro de 1974, o novo técnico era Barbatana, que não tinha o mesmo prestígio com os jogadores que o Orlando Fantoni, mas com ele lideramos essa fase e perdemos o posto somente na 4ª Rodada, o que merece destaque, pois foi jogo com o campeão, Palmeiras e houve uma situação dele com Juca Show, o grande craque do América, que merece ser relatada.
Fomos enfrentar o Palmeiras em um Pacaembu cheio. América em 1º lugar com 6 pontos, Palmeiras em 2º lugar com 5 pontos e Juca Show e a equipe bem. O Palmeiras fez 1 a 0, Cândido (creio que 3º artilheiro do brasileiro 1973) empatou no 2º tempo, faltando 3 minutos para o final Neneca não segurou uma bola que foi parar na cabeçada do Leivinha e logo depois o Palmeiras fez 3 a 1 e foi para a liderança. Após esse jogo a equipe não ficou bem como estava , e ao final desta fase ficou 3 pontos atrás do 2º colocado (eram 2 chaves e classificavam-se 2 equipes de cada chave para a fase final) e não fomos para o quadrangular final.
Um aparte no texto pra falar desse ídolo: Juca Show (que após se aposentar, ia a todos os jogos do América, vibrava, chorava) disse que o comandante da equipe, o líder, era Pedro Omar e que dentro de campos se ajustavam, que gostavam muito do Orlando Fantoni (titio Fantoni) e nem tanto do Barbatana. Ele relatou que a família foi visita-lo no hotel em São Paulo, antes do jogo contra o Palmeiras e ele estava fumando, Barbatana chegou pegou o cigarro e o quebrou no filtro. Ele não gostou e à época não era incomum jogador de futebol fumar.
Mas merece destaque uma ocorrência com o craque Ademir da Guia, muitos anos depois: Um colega americano , fã dele (era excelente jogador) foi a um lançamento de um livro do Ademir da Guia, em São Paulo, creio que à época ele era vereador na capital paulista. Esse colega adquiriu o livro e disse ser fã dele e que torcia para o América MG. De imediato Ademir da Guia disse: “ América Mineiro? E como está o Juca Show?” O colega americano ficou meio surpreso e Ademir da Guia relatou: “Naquele jogo com o América Mineiro Juca Show estava muito bem e no intervalo chegamos nele eu disse: MANÉRA AÍ”. O craque Ademir da Guia mostrou consideração e respeito por outro craque e gênio Juca Show. Curiosamente, encontrei Juca Show em vários jogos do América, tomamos cerveja juntos e mesmo umas cachacinhas, conversávamos muito e ele por poucas vezes contava casos de futebol, mas nunca falou deste fato que ora relatei. Quando perguntei a ele, tudo foi confirmado ao que ele acrescentou que disse ao Ademir da Guia, Dudu: “Meu jogo é assim mesmo, eu parto para cima!”
Juca Show chegou a liderar a Bola de Prata da Revista Placar em sua posição, foi relacionado na lista dos 40 jogadores, que era uma pré-convocação, quando ao final ficavam os 22 jogadores da Copa do Mundo. Mas ele se machucou. Juca Show era paulistano, começou no São Paulo, indo depois para o Ituiutaba/MG, Fluminense de Araguari/MG, Independente de Uberaba/MG. América/MG, Náutico, jogou no Phanatinaikos da Grécia e segundo ele, Ajax na época de Cruyjf e Internazionale de Milão estiveram para contrata-lo. Quando perguntei a ele que com tanto futebol quanto ele mostrava porque não foi além e ele respondeu: “Foi a “marvada” eu gosto muito dela”. No Campeonato Paulista de 1969 (por aí) o Santos de Pelé perdeu para o Comercial de Ribeirão Preto por 2 a 1 na Vila Olímpica e o craque do jogo foi Juca Show.
Juca Show tem seu pé marcado na Calçada da Fama, no Mineirão. Um cracaço, genial!
Os principais destaque desse timaço do América de 73 foram:
Neneca: se firmou e se tornou um grande goleiro;
Vander: Chamado de Xerife Vander, delegado, era firme, seguro.
Pedro Omar: capitão, líder do time.
Juca Show: O cérebro, o craque , o gênio.
Spencer: Sempre positivo dava andamento às jogadas.
Cândido: Artilheiro do América e um dos principais do campeonato;
Depois do América a segunda maior sensação do campeonato brasileiro foi o Fortaleza, no ano, a melhor equipe do Nordeste. Os vencemos no Mineirão por 1 x 0 com gol de cabeça do Rangel. Na primeira fase lideramos também o campeonato brasileiro de 1973 com 3 vitórias nos 3 primeiros jogos, fomos líderes junto com o Palmeiras.
No cômpito geral, América ficou em 7º lugar e houve problemas com pagamento de salários , que à época era mais comum que atualmente. Enfim, um campeonato fantástico para nós, que só não foi de ouro por problemas que não poderiam ocorrer. Mas de qualquer forma, Série A, qualquer Série ou campeonato, SEMPRE AMERICA, COELHÃO, NOSSO AMERICA É O SHOW!
Este texto é uma homenagem a meu tio Valfrido de Carvalho que escutava a todos os jogos do América em Inhaúma – MG em seu radio elétrico (grande, “radião” como dizíamos), era irmão mais velho de meu pai e o influenciou a ser americano; E a meu saudoso pai Nilton Campolina de Carvalho, grande americano e excelente pai!
Texto de Rodrigo Pedroso de Carvalho, com complementos de Sérgio Tavares Salviano
De Letra – nº 1161

OLÁ, caros leitores semanais! É preciso que alguém diga aos cronistas cariocas que o meu glorioso e querido América não é nenhum Madureira da vida (idem, idem São Cristovão, Olaria, Bonsucesso etecétera). Meu clube foi fundado no final de abril de 1912 e é decacampeão estadual, feito atingido apenas pelo ABC, de Natal/RN. E, além disso, revelou, para o futebol mundial, exuberantes atletas como etecétera, todos com passagens pela Seleção Brasileira. Tostão e Gilberto foram campeões mundiais em 1970 e 2002…
ENTÃO, não estou entendendo as lamentações da crônica esportiva carioca por ter o Flamengo empatado com o Coelho (dois a dois), ontem, no nosso belo e confortável estádio Independência. O Urubu estava com tanto medo que até mudou de idéia e trouxe seu time titular. Quem jogou com um time misto foi o Mecão, que atuou desfalcado do lateral direito Norberto, do zagueirão Messias, do atacante Luan e do armador Rui. De se registrar, ainda, que o Mecão não contou, também, com os volantes talentosos Christian e Zé Ricardo. O triste foi ver a equipe começando o clássico nacional de ontem com 11 jogadores da famigerada “legião estrangeira”. Cadê a garotada criada em casa, Adilson Batista?
A verdade é que o Coelho fez o que poucos acreditavam: encarar, de igual para igual, sem medo, o poderoso Urubu, mesmo saindo atrás do placar por duas vezes. Marcamos dois gols de cabeça e tomamos também dois gols de cabeça, em bobeadas terríveis…
ATÉ a próxima.
Miguel Santiago
Blog Miguel de Letra: http://migueldeletra.blogspot.com.br
Miguel Santiago publica originalmente em seu blog, Miguel de Letra, e carinhosamente cede sua lavra para ser republicada no Decadentes.
