Zen-Americanismo

A sabedoria oriental diz que no século 4 antes de Cristo, viveu o mestre Chuang Tzu, também conhecido como Lao Tsé. Em um belo dia de sol, caminhou pelos campos e acabou tirando uma soneca digna de um sábio chinês embaixo de uma amoreira. Dormindo, sonhou que era uma borboleta voando por aqueles campos e se sentiu feliz e completo. No entanto, acordou de repente e se viu diante do seu maior problema filosófico: Seria ele um homem que sonhou que era uma borboleta ou uma borboleta que sonhava ser um homem?

Esse conto zen ilustra muito bem o atual dilema que temos como americanos: Somos um time de série B sonhando a série A ou um time de série A que teve pesadelos com a série B? A resposta a essa pergunta é crucial para os próximos anos do América. Torcer para o América é como ter um pai amoroso, mas alcoólatra: Sempre que ele nos apronta uma presepada, vem a raiva e a revolta. Mas quando os bons momentos acontecem, compensam todo o resto e nos fazem acreditar que a reabilitação de todos os problemas um dia acontecerá.

O que somos?

A primeira divisão, desde a fase de pontos corridos, tem aprontado surpresa aos ditos grandes. Corinthians, Vasco e a massa falida de Vespasiano andaram frequentando a segundona, esse território dominado eternamente pela sombra do nosso próprio sábio pernambucano. Portanto, todo time de série A pode eventualmente “sonhar” com a série B. O que os difere do Paraná, Ceará e outros? Quando caíram, voltaram pra a primeira divisão na primeira oportunidade.

Até as catracas do independência já dizem o clichê de que “somos grandes para a B e pequenos para a A”.  Temos todas as condições extracampo para nos considerarmos um time de série A que sonha com a B ocasionalmente. Boa saúde financeira, política favorável, Infraestrutura de qualidade e uma organização que, se não é perfeita, melhorou muito nos últimos anos. Estamos muito à frente de outros times chamados grandes nesses quesitos. O que nos falta é respeito. E respeito é algo que se consegue em campo, com boas campanhas.

Um reflexo dessa falta de respeito foram os “equívocos” da arbitragem, já esmiuçados desde domingo retrasado. A FMF não respeita o América. E não se enganem: A CBF também não. Assim como fomos o bode expiatório para levantar o fraco e combalido, seremos novamente se necessário para um Corinthians, um Flamengo, a duplinha ou até mesmo um Botafogo. E nesse sentido, representações, documentos e DVDs explicando como fomos prejudicados só valem de recibo. Em um país onde o bandeirinha acertou o lance conforme a FMF e que errada está a imagem do tira-teima, eventualmente descobriremos que foi o homem que mordeu o cachorro e não o contrário.

Domingo com preliminar

Domingo haverá uma situação inusitada na rua Pitangui. Temos uma preliminar ás 11 no nosso estádio e nosso jogo contra o Democrata ás 17. A boa prática e um pouco de bom senso sugeririam que um dos jogos fosse trocado para o sábado. Mas o jogo do Coelhão não poderia ser mudado, pois é o jogo da Globo. O jogo entre o lado podre e o lado fresco da lagoa não poderia ser no sábado pois os caninos jogaram na quinta. Reflexo de um calendário maluco em anos normais e semialeatório em anos de Copa do Mundo.

Até o último momento, acreditei que a Polícia Militar barraria a execução dos dois eventos com tão pouco espaçamento entre eles. Ao que parece, não veem problema que dois grandes times de BH mais os caninos frequentem as mesmas imediações. Torço para que realmente não haja problema, pois provavelmente encontraremos alguns remanescentes nos botecos da Pitangui. Na roça, os antigos costumam dar cachaça ao frango para “amaciar a carne e aliviar a morte do bichinho”. Caso encontrem algum frango bêbado, não perca seu bom humor. Estão só se preparando pra morte iminente do seu time nesse ano.

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Mourão Panda (@photompanda)/América

Ode ao Pardal

Aproveito para deixar um recado aqui ao Pardal, proprietário do Bar que leva seu nome e celebrante-mor das reuniões da Turma do Fundão. Se um dia o pessoal da renovada TV Coelho quiser fazer uma matéria sobre o diferencial da torcida americana, entrevistem o Pardal. Apenas em jogos do América, as portas do seu bar ficam abertas para que as pessoas lá dentro circulem. Para os outros jogos, o atendimento é feito apenas através do balcão para a rua. A Turma do Fundão, grupo de amigos americanos que fazem do Bar do Pardal seu templo e quartel-general, faz em seu passeio um churrasco de primeira, sem fins lucrativos, com todo o apoio logístico do proprietário. Em Minas, quem você deixa entrar em sua casa, em geral, são aqueles a quem você deixa entrar no coração. Portanto, peço ao Pardal que guarde aquela pinga salineira boa e a cerveja gelada para que os americanos de domingo se preparem pra vitória que virá.

Um grande abraço a todos!

Jairo Viana
twitter.com/jairovianajr


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A gota versus Oceano

 

Olhando pra gota e esquecendo o oceano a mais de cem anos.

Jamais campeão contra dobradinha FMF + CAM. Não se prendam em mais um fato. Analisem a História!

Após mais uma derrapada, num universo centenário de “erros” que o América sofre em clássicos contra o Atlético, resolvi ir além e pensar se já tivemos, em jogos decisivos, a condição de ser campeão tendo do outro lado a dobradinha CAM + FMF. E o resultado impressiona. Pois o Campeonato Mineiro já tem mais de 100 anos, sendo mais da metade no período profissional, e surge uma conclusão: considerando o período da Era Profissional do futebol mineiro, que se inicia na segunda metade dos anos 30, o América NUNCA conseguiu ser campeão tendo em uma final o adversário Atlético e um árbitro mineiro da FMF.

E com Árbitro NEUTRO?  

Parece uma loucura, mas não é. Quando teve árbitro de fora, na mesma situação de final contra eles, o América se sagrou campeão três vezes: 1948, 2001 e 2016.

Respirando os “ares” de Belo Horizonte  

Não acuso de haver algo ilícito nessa análise. Eu vejo muito mais o resultado de uma pressão que extrapola dos limites quando o árbitro da FMF apita decisões. A começar pelo aspecto de não haver profissionalização na categoria. Sendo assim, o árbitro está inserido no mercado de trabalho e exercendo as mais variadas profissões. E em contato com a sociedade, ele sabe tranquilamente, que se errar contra o Atlético, a série de represálias é grande: vai direto pra “geladeira”, pode ter interrompida a sua projeção para obter a chancela da FIFA, sofre falta de prestígio para a comissão do arbitral, pode até ser hostilizado e agredido nas ruas, pois a mídia explicita com veemência os erros quando lhe convêm e as consequências disso nos tempos atuais é imensurável. Alguém aqui imaginaria o árbitro José Roberto Wright tranquilamente escolhendo queijo no Mercado Central? Ou o Carlos Eugênio Simon saboreando um sorvete tranquilo num banco de praça na Savassi? Em menos de cinco minutos eles sofreriam o que vocês estão pensando mesmo por algum maluco fanático, alimentado pelas campanhas da mídia. Imagina então um árbitro que tem sua vida toda aqui em Belo Horizonte? Ele já entra no clássico cheio de “pé atrás”, alguns com medo de errar, outros se borrando mesmo.

O relâmpago deles é mais lento que o nosso 

É humanamente impossível o bandeira dar com tanta certeza o desfecho de dois lances tão instantâneos como no último clássico. O reflexo teria de ser imenso, fora dos padrões humanos. O reflexo ali só daria para enxergar a camisa. Pronto. Para bom entendedor, meio pingo é letra. Em qualquer lugar do mundo se espera um comportamento padrão de atuação. Ou seja, ou anula tudo que tiver dúvida, ou valida tudo. Se com recursos técnicos eu já vi versões positivas e negativas dos dois lances, a única certeza que tenho é que suscita a dúvida. É aí que está a questão. Não discuto o erro em si, isso todos nós estamos sujeitos. Discuto a diferença enorme de “convicções”.  Conversei com ex-árbitros e alguns foram categóricos, é um lance muito rápido, que o árbitro marca aquilo que ele achar primeiro e vai para o vestiário rezando para ter acertado e não cometer injustiça. E ao ver que errou no lance do Atlético, ele poderia validar o gol do América no segundo tempo nas duas interpretações: se ele achou errado o lance do América, compensa o erro do primeiro tempo. E se achar que foi gol, nada mais justo que correr pro meio. Nas duas situações de “interpretação” poderia se validar.

E numa tentativa de blindar os árbitros para o campeonato não perder a credibilidade – já que a Federação possui um presidente declaradamente torcedor do alvinegro, e que demonstra pelo menos tentar presidir sem “comprometimentos” da imagem – partiu pra cima da mídia com defesa do bandeira desmentindo o recurso técnico da TV. Isso daria discussão interminável.

Qual a maior relevância da discussão? 

De novo, o que está em jogo é a diferença de tomada de decisões em duas situações relâmpagos, não precisa discutir as particularidades de cada fato.

Isso tem que ser divulgado, pois a grande mídia trata como “choro” da presidência americana. Mas pra quem nunca estudou a história do futebol mineiro, entende os momentos como fatos isolados, adotaria essa mesma impressão. Quem verifica tudo como um processo histórico, entende perfeitamente o que o América passa em termos de lutar contra tudo e contra todos. É um tsnumani na linha do tempo.

E fica feio, Federação. Não ache que assim vocês estão reforçando o mais forte. Esse mais forte de MG, que possui mais de 40 títulos mineiros, é o único forte estadual do país que quando sai do Estado está a quase 50 anos sem ver título no brasileirão. Lá fora não tem FMF. Aí o “choro” passa a ser a tônica dos hipócritas de plantão que hoje ridicularizam a indignação americana.

Não estou dando valor demais em um clássico de turno, não estou tapando o sol com a peneira e evitando falar dos erros apresentados pela equipe do Enderson Moreira. Não caiam nessa e não enxerguem isso como mais um “mero” fato isolado. É HISTÓRICO!

Reparem que o Atlético voltou a não vencer, empatando com o Tupi. Perdeu pontos para a Patrocinense no Independência. Perdeu para o Villa com time dito alternativo. Só “sobrou” no clássico? Nos momentos chave? Aonde estava em jogo a permanência do técnico interino e de todo um planejamento anual? No primeiro clássico do ano televisionado? Só sobrou no 3×0, sem nenhum elemento facilitador? Só não enxerga quem não quer.

Justiça é diferente de benefício

Árbitro de fora não significa NUNCA que seremos beneficiados. E para ser justo, publico também as situações que o América perdeu com árbitro de fora em jogos decisivos contra o Atlético. Mas espera-se no mínimo isonomia, que erra para os dois, acerta para ambos, define dúvidas de forma proporcional, com um cara que desce do aeroporto, troca de roupa, apita, toma banho e vai embora. Não vive as semanas de ladainha dessa imprensa mineira que trata o alvinegro como Real Madrid, mas que lá fora não mete medo nem em time do Acre.

Olho no lance Salum! Um abraço verde.

P.S.:  A História não mente. Mesmo que queiram insistir e repetir erros…

Referências: Era profissional do Campeonato Mineiro: títulos do América e os confrontos em decisões contra o Atlético.

1 – 1948 | Árbitro de fora | América campeão
28/11/1948 – América 3×1 Atlético| Árbitro: Mr. Barrick (Inglaterra)

2- 1957 | Não houve final contra o Atlético |  América campeão
22/12/1957 – Democrata SL 1×4 América.
29/12/1957 – América 0x0 Democrata SL
5/1/1958 – América 1×1 Democrata SL

3 – 1958 | Árbitro de fora | Atlético campeão
14/4/1959 – América 0x1 Atlético | Alberto de Gama Malcher (RJ)
23/4/1959 – América 0x1 Atlético | Alberto de Gama Malcher (RJ)
*As finais do campeonato de 1958 foram disputadas em 1959.

4 – 1971 | Não houve final contra o Atlético* | América campeão
4/4/1971 – Atlético 1×2 América | Maurílio José Santiago (MG)
23/5/1971 – América 1×0 Atlético | Maurílio José Santiago (MG)
*Partidas de turno e returno. O campeonato foi disputado no sistema de pontos corridos.

5 – 1993 | Não houve final contra o Atlético* | América campeão
6/6/1993 – América 4×0 Atlético | Márcio Rezende de Freitas (MG)
20/6/1993 – América 2×2 Atlético | Lincoln Afonso Bicalho (MG).
*Partidas América x Atlético no quadrangular final

6 – 1999 |  Árbitro FMF | Atlético campeão
27/6/1999 – América 2×1 Atlético | Paulo César de Oliveira. (SP)
1/7/1999 – Atlético 1×1 América | Paulo Cesar de Oliveira (SP)
4/7/1999 – Atlético 1×0 América | Lincoln Afonso Bicalho (MG)

7 – 2001 | Árbitro de fora | América campeão
27/5/2001 – América 4×1 Atlético. Paulo César de Oliveira (SP)
3/6/2001 – Atlético 3×1 América. Paulo César de Oliveira (SP).

8 – 2010 | Árbitro FMF | Quartas-de-final | Atlético passou para a semifinal
24/1/2010* – América 1×1 Atlético. Cleisson Veloso Pereira (MG)
4/4/2010 – América 3×3 Atlético | Joel Tolentino da Mata Júnior (MG)
7/4/2010 – América 2×2 Atlético | Renato Cardoso Conceição (MG) | Expulsão do zagueiro Preto aos 37′ de jogo, quando o dominava a partida. O Atlético abre 2×0 no segundo tempo e o América, com um a menos, vai buscar o empate. (Vídeo com os lances da partida, incluindo a expulsão esdrúxula – https://youtu.be/rrYpk35SOrI)
* Jogo da fase de classificação

9 – 2011 | Árbitro de fora | Semifinal | Atlético passou para a final
24/4/2011 – América 1×3 atlético | Luiz Flávio de Oliveira (SP)
30/4/2011 – Atlético 2×1 América | Cléber Wellington Abade (SP)

10 – 2012 | Árbitro de fora | Atlético campeão
6/5/2012 – América 1×1 Atlético | Francisco Carlos do Nascimento (AL)
15/5/2012 – Atlético 3×0 América | Leandro Pedro Vuaden (SP)
*Ano do centenário americano

11 – 2014 | Árbitro FMF | Semifinal | Atlético passou para a final
23/3/2014 – Atlético 4×1 América | Cleisson Veloso Pereira (MG)
30/3/2014 – Atlético 1×1 América | Emerson de Almeida Ferreira (MG)

12 – 2016 | Árbitro de fora | América campeão
1/5/2016 – América 2×1 Atlético | Dewson Fernando Freitas da Silva (PA)
8/5/2016 – Atlético 1×1 América | Wilton Pereira Sampaio (GO)

SALDO:
América campeão com árbitro FMF contra o Atlético: 0. REPETINDO: ZERO.
América campeão com árbitro de fora contra o Atlético: 3.
Dos 6 sucessos do CAM, envolvendo finais e semi, 3 foram com árbitros de fora e 3 com FMF.

Conclusão : América NUNCA levantou uma taça no dia em que esteve um árbitro mineiro apitando contra o atlético na era profissional.

Mário César Monteiro
twitter.com/MarioMonteirone


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Decadentes #123 – Tombense 0x0 América (Mineiro 2018)

Empatezinho vagabundo no pior jogo do América no ano.


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Covardia ou fragilidade?

Faltando menos de dois meses para o início da Série A do Campeonato Brasileiro, uma coisa está tirando o sono do torcedor americano: sob o comando de Enderson Moreira, o time não consegue vencer e/ou fazer boas partidas contra os grandes clubes do futebol brasileiro, sobretudo nos embates contra o Cruzeiro e o Atlético/FMF. Somando-se os três últimos jogos contra o time de Vespasiano, por exemplo, o placar fica em 10 x 1 para os galináceos.

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Mas, por que esse desempenho é tão ruim contra os grandes justamente quando o clube passa por um bom momento em sua história? Estamos perdendo a nossa capacidade de ser a pedra no sapato da duplinha justamente em um ano de tanta expectativa? Aquele América que sempre nos encanta por ser a resistência contra as hegemonias do futebol brasileiro tirou folga?

No início deste mês, meus amigos Sérgio Tavares e Ramon Gregório fizeram um ótimo texto aqui no decadentes.com.br sobre os santos de casa que não fazem milagre. O estudo dos dois nos mostra que treinadores mineiros têm desempenho pior contra a duplinha, supostamente por respeitarem mais estes adversários. Os “forasteiros” possuem desempenho melhor, supostamente por não conhecerem tanto a rivalidade e enfrentarem sem medo. Porém, o ponto fora da curva em favor dos treinadores de fora é apenas um: Givanildo Oliveira, com um desempenho muito bom nos clássicos. Com isso, vou propor um contraponto aqui apenas entre duas figuras: Enderson Moreira e Givanildo.

Givanildo - Mourão Panda

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Givanildo enfrentou Atlético/FMF e Cruzeiro por 18 vezes. Foram 6 vitórias, 8 empates e 4 derrotas. Um aproveitamento de 48,1%. Já Enderson enfrentou a duplinha por 8 vezes. São 7 derrotas, um empate e nenhuma vitória. Um aproveitamento pífio de 4,16%. A justificativa para essa enorme diferença de aproveitamento seria apenas a postura da equipe nestas diferentes épocas? Uma postura mais ofensiva seria, necessariamente, indício de vitória? E, ao contrário, uma postura reativa é certeza de derrota? Não! Não mesmo!

A primeira mentira a ser combatida é a de que o Givanildo enfrentava a duplinha de peito aberto. Na verdade, o véio era sempre esperto ao analisar a força do seu time e a força do adversário. Muitas vezes vencia pelos méritos dessa análise, armando o time de forma a surpreender o adversário. Nunca esqueceremos a inusitada dobradinha de laterais esquerdos nas finais do Campeonato Mineiro de 2016, explorando a fragilidade defensiva do Marcos Rocha no time atleticano. Nestas e em outras partidas sob o comando do Giva, o que se via não era um time super ofensivo ou coisa parecida. Mas, um time que sabia da superioridade dos adversários e que tinha a humildade de buscar surpreender o oponente nos seus pontos fracos. Era lindo de se ver? Não sei. Era eficaz? Os números estão aí para provar.

A segunda mentira a ser combatida é a de que o time do Enderson Moreira sempre se acovarda em campo contra a duplinha. O terrível desempenho nestes jogos é muito preocupante, mas nem sempre acontece por covardia ou retranca. Neste domingo, enfrentamos o time de Vespasiano e, mais uma vez, saímos de campo com uma dolorosa derrota, por 3 x 0. O grande desempenho do ponta-direita atleticano, aquele de amarelo, foi decisivo na construção do placar. Mas, mesmo assim, não podemos deixar de destacar a péssima atuação do América na partida.

Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Acontece que, mais uma vez, o problema passou longe de ser uma possível postura defensiva ou covarde. O América teve 49% de posse de bola na partida. Trocou mais passes que o Atlético (344 contra 330). Até os 30 minutos do 1º tempo, o América dominou as ações em campo, sem sofrer qualquer incômodo do adversário. As entrevistas dos dois treinadores após a partida comprovam que o América entrou com uma postura ofensiva e o Atlético, de fato, foi quem entrou no jogo primeiramente para se defender (a tal da “postura covarde”).

O grande problema é que ofensividade sem efetividade não adianta. Volume de jogo sem criatividade para oferecer perigo ao adversário é inútil. Dominar os 2 primeiros terços do campo sem saber o que fazer no último terço não assusta ninguém. E não assustou o jovem treinador atleticano que, na metade final do primeiro tempo, vendo que a “ofensividade” americana não levava perigo ao gol alvinegro, começou a gostar da partida. E o time de Vespasiano, com volume de jogo parecido ao nosso na partida, acabou com 12 finalizações, contra 6 nossas; 49 lançamentos, contra 25 nossos; e, o mais importante, com 3 bolas na nossa casinha. Venceu quem entrou com a postura mais covarde, mas que teve qualidade e poder de criação quando se lançou ao ataque.

Sérgio Tavares e eu entrevistamos Enderson Moreira no fim do ano passado. Prestes a confirmar o acesso, o treinador nos disse que a intenção para este ano (2018) era montar um time capaz de enfrentar os grandes jogos da Série A com a mesma postura da Série B de 2017: ofensividade, posse de bola, marcação alta e domínio das ações. Mas, para que isso dê certo, ainda precisamos de um salto enorme de qualidade, principalmente no setor ofensivo. Do contrário, corremos o risco de ser um pinscher da Série A: corajoso, mas frágil.

Walisson Fernandes
twitter.com/FernandesWali


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Decadentes #122 – América 0x3 Atlético (Mineiro 2018)


“Se gritar pega ladrão / Não fica um meu irmão” — Ary do Cavaco e Bebeto di São João


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Rádio-Polícia

Nascido e criado no Bairro da Graça, nas barbas e sob a machadinha de São Judas Tadeu, estudei no turno da manhã em um colégio próximo. Quando voltava da escola, passava sempre em frente ao “Seu Fortes”, sapateiro de mão cheia, com seu radinho sempre um volume acima do recomendável, sintonizado na Itatiaia ou na Inconfidência na hora do almoço, para ouvir o futebol. Americano como eu, trocávamos frequentemente as lamúrias de americanos vivendo os anos 80 e 90 do Coelhão. Um dia, após um dos vários assaltos que sofremos da cachorrada, passei por ele e seu radinho tocava um samba, que ele acompanhava com o martelo consertando a sola do sapato de algum vizinho. Melhor que a indignação é a indignação compartilhada. Portanto, parei na oficina do Seu Fortes pra compartilharmos a revolta, quando perguntei o que a rádio dizia sobre o assalto. Veio a resposta seca: “Se eu quisesse ficar revoltado com a roubalheira, ouvia a Glória Lopes, no Rádio-Polícia. Só vão falar que o Atlético é um timaço e o ‘Ameriquinha’ teve lances polêmicos. Vou ouvir não!”.

Assalto

Se “Seu Fortes’ estivesse entre nós, hoje seu rádio de pilha tocaria um samba, pois nesse quesito, tudo continua igual. Salum, nosso atual cacique, definiu: “Este é o velho futebol mineiro ” e acrescento, Futebol Mineiro Raiz no pior sentido possível. Essa coluna poderia aqui ficar falando de quantas vezes fomos roubados no Campeonato Mineiro, em favor do lado canino (sem ofensa a esses verdadeiros amigos que são os cães) e do lado fresco da lagoa. Serjão poderia fornecer as estatísticas e o Marinho prover o contexto psicológico, histórico e social dessa palhaçada toda.  O verdadeiro fato inconteste é que ontem jogamos contra um time apoiado pela imprensa e pela FMF, na figura de seu presidente que frequenta os bailes de carnaval vestido de Frango com camisa de presidiário e é conselheiro votante de um dos times que disputa o campeonato por ele organizado. Sempre apoiado e em necessidade de apoio, esse time, após duas semanas de “nãos”  e dois meses de falta de futebol em campo, precisavam urgentemente de fatos novos que justificassem um ano de péssimo planejamento. Para isso, valeu a fofoca, o “disse-me-disse” e, por fim, o que fosse necessário em campo e fora dele. Falar mais do que isso seria arriscar um  processo por injúria. Mas cada americano sabe bem do que falo.

AMG 0x3 FMF | VOTAÇÃO: BALA E COLATINA

Com grande atuação do ponta-direita Guilherme Dias Camilo para o Patético — é, aquele mesmo — a história do placar foi escrita. Mas e pelo América? Quem foi o melhor e o pior em campo? Vote no formulário abaixo:

Candidato a ídolo

Ahhh, o ídolo! Esta figura tão importante dentro do mundo do futebol. Em nossa história, temos vários: Jair Bala, Juca Show, Milagres, Satyro Taboada e tantos outros que honraram nosso manto verde e preto com a dedicação que merecemos. Mas, atualmente, um certo garoto bom de bola tem se colocado como candidato a este posto: Zé Ricardo!

Natural de Bom Jesus do Amparo e ex-vendedor de pastéis na beira da BR-381, Zé Ricardo vem conquistando cada vez mais espaço no time e moral com a torcida americana. O “Zé do Coelho” tem, hoje, todos os ingredientes para, com o tempo, se tornar um ídolo americano.

Amor à camisa
Ídolo que se preze tem que ter identificação com o clube. Isso o Zé Ricardo tem de sobra. Oriundo das categorias de base do clube, o Zé do Coelho não se cansa de demonstrar o amor pelo América. É nítido o orgulho dele em defender as cores americanas, dizendo isto aos quatro cantos. Esse amor é tão grande que até mesmo no Natal, de folga entre os familiares, o volante candidato a ídolo foi visto vestindo o manto verde. Nada de tão surpreendente, afinal a noite de Natal costuma ser aquela em que costumamos escolher a melhor e mais bonita roupa, certo?

Carisma
Zé Ricardo está se tornando o queridinho das entrevistas. A humildade e o carisma do garoto tem encantado o público e os jornalistas. Terminadas as partidas, é hora de colocar o fone de ouvido e ouvir a simpatia e os inocentes palavrões do Zé do Coelho. E, logo depois do palavrão “escapulido”, vem o “Deus que ajude” do carismático Zé, ao agradecer pelo já tradicional relógio, prêmio dado ao melhor em campo. Em uma era em que jogadores de futebol dão respostas padronizadas, chatas e politicamente corretas, o Zé Ricardo foge à regra, esbanjando espontaneidade.

Zé Ricardo Mourão Panda

O sorriso fácil de Zé Ricardo – Foto: Mourão Panda (@photompanda)/América

Permanência no clube
Um ponto importante para que um jogador se torne um ídolo de um clube é o “tempo de casa”. Zé Ricardo está no América desde março de 2013 e, neste ano, renovou o seu contrato, que agora vai até 31 de dezembro de 2022. São 5 temporadas de contrato garantido pela frente. Tempo mais que suficiente para que a moral do jovem volante cresça ainda mais com a torcida. Porém, é óbvio que, durante este período, Zé Ricardo será cortejado por equipes mais poderosas do futebol brasileiro e mundial. O que nos resta é a esperança de que a identificação do volante com o clube, aliada à recente postura do América em manter suas joias, garanta uma longa permanência do Zé do Coelho no CT Lanna Drumond.

Raça
A garra de vencer demonstrada em campo é elemento importantíssimo na trajetória de um ídolo. Ainda mais para um volante. E esta já é uma característica muito forte no jovem Zé. Em entrevista recente, Zé Ricardo disse que, para ele, “treino é jogo e jogo é Copa do Mundo”. E isso não fica apenas nas palavras. Em nossa casa, no Estádio Independência, é prazeroso ver o Zé do Coelho lutando por cada bola, independente do adversário. Em partida contra o Cruzeiro, pelo Campeonato Mineiro de 2018, o jovem volante americano não abaixou a cabeça para os experientes atletas adversários. Pelo contrário! Zé Ricardo participou de jogadas duras e não fugiu dos confrontos do jogo. O sangue verde corre nas veias!

Zé chorando

Zé Ricardo emocionado com o título de Campeão da Série B 2017 – Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Bom futebol
Um jogador apenas com amor à camisa, carisma, permanência e raça, será, no máximo, uma figura importante e querida no clube. O que falta para esta conta fechar e a idolatria vir é ser bom de bola! Zé Ricardo é um jogador de qualidade desde os tempos de categoria de base. Na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2016, o Zé do Coelho já chamava a atenção pelo estilo pegador na marcação, aliado ao refinado passe na saída de bola, chegando a aparecer como surpresa no ataque. E, no profissional, a coisa não está diferente. Dono de uma personalidade forte em campo, ele fez parte do melhor sistema defensivo do Brasil em 2017, além de facilitar a saída de bola e a vida dos armadores e atacantes.

Em ano eleitoral, está oficialmente lançada a candidatura de Zé Ricardo ao cargo de ídolo da Nação Americana! Se será eleito, o tempo e o “eleitorado” americano é quem vai dizer.

Walisson Fernandes
twitter.com/FernandesWali


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